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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"A origem" traz história intrincada e que foge das obviedades


"Idéias são as coisas mais resistentes que existem". Este é o mote proferido por Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), que comanda uma equipe que compartilha e assim invade os sonhos das pessoas, para roubar ou inserir informações. Por incrível que pareça, os detalhes da tecnologia que tornam isto possível são deixados de lado no enredo, que é focado nos sonhos em si e no caminho necessário para implantar uma idéia na mente de um empresário. Dom é contratado por um poderoso homem para que isto seja feito (Saito). Em troca, ele promete que o personagem de DiCaprio poderá voltar a ver os filhos, já que é um procurado da polícia norte-americana. Aliás, o espectador talvez demore alguns minutos para se dar conta do que realmente está acontecendo na história, pois o início do filme tem uma direta ligação com seu final.


O filme mistura na medida certa os elementos de um filme de ficção, romance, suspense e drama. Não existem heróis e vilões definidos, o que torna a história mais interessante ainda. Sem dúvidas é um dos melhores filmes que a indústria cinematográfica produziu nos últimos anos, justamente por fugir de velhos clichês e de desfechos previsíveis.
A história leva para os telas do cinema as cenas improváveis que costumamos ver nos nossos sonhos, como quando um gigantesco trem corta uma avenida cheia de carros ou quando perde-se a gravidade dentro de um elevador. O diretor Christopher Nolan  cria um complexo jogo mental,  o qual se você deixar de prestar atenção por alguns minutos vai deixar de entender, principalmente pelo fato da história envolver sonhos dentro dos sonhos. O que Dom e sua equipe faz é ilegal e completamente imoral, mas mesmo assim quem assiste acaba torcendo por eles.

Dicaprio no filme é um viciado no mundo dos sonhos, porque quer escapar de sua realidade. Ele precisa enfrentar o "fantasma" de sua mulher (que ainda reside na sua mente), que cometeu suicidio justamente por não querer sair do mundo dos sonhos que Dom construiu com sua tecnologia. O tormento da imagem de sua mulher quase o faz perder todo o trabalho, na jornada de implantar uma idéia na mente do empresário Robert Ficher.Como os espectadores ficam na torcida por DiCaprio, os momentos em que Mal sua esposa aparece como protagonista são revoltantes.Também é impossível não lembrar dos quadros de Escher quando aparecem as escadas sem fim do mundo dos sonhos, ou melhor, em paradoxo, o que demonstra a grande pesquisa feita para se desenvolver o roteiro.



Ao contrário de muitos filmes recentes, todos os personagens são muito interessantes e essenciais para este intrincado drama. Seja Ariadne, a arquiteta dos cenários dos sonhos, passando por Yusuf, um químico que cria os sedativos necessários para integrar todos ao mundo dos sonhos.
Para quem não tem visto bons filmes em cartaz, "A origem" é uma excelente opção de entretenimento no cinema.

Trailer:


Um comentário:

Celso F. Araujo disse...

Aurelio, assisti ao filme hoje e achei-o excelente, até parece roteiro de Philip K. Dick de tão bom. Duas horas e meias sem piscar e sem sentir passarem.
Não querendo estragar surpresas, nunca vi uma narrativa em três níveis: impressionante!
E o pião, para ou não? (risos)