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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cuba: 50 verdades que Yoani Sánchez ocultará



A famosa opositora está realizando uma turnê mundial de 80 dias em cerca de doze países do mundo para falar sobre Cuba. Mas não dirá tudo...

1. O artigo 1705 da Lei Torricelli, de 1992, adotada pelo Congresso norte-americano, estipula que: “Os Estados Unidos fornecerão apoio a organizações não-governamentais apropriadas, para apoiar indivíduos e organizações que promovam uma mudança democrática não-violenta em Cuba”.

2. O artigo 109 da Lei Helms-Burton, de 1993, aprovada pelo Congresso, confirma essa política: “O Presidente [dos EUA] está autorizado a proporcionar assistência e oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para apoiar os esforços com vistas a construir a democracia em Cuba”.

3. A agência espanhola EFE fala de “opositores pagos pelos EUA” em Cuba.

4. Segundo a agência britânica Reuters, “o governo norte-americano proporciona abertamente apoio financeiro federal para as atividades dos dissidentes”.

5. A agência de notícias norte-americana The Associated Press reconhece que a política de financiar a dissidência interna em Cuba não é nova: “Há muitos anos, o governo dos EUA vem gastando milhões de dólares para apoiar a oposição cubana”.

6. Jonathan D. Farrar, ex-chefe da Seção de Interesses Norte-americanos em Havana (SINA), revelou que alguns aliados dos EUA, como o Canadá, não compartilham da política de Washington: “Nossos colegas canadenses nos perguntaram o seguinte: Por acaso alguém que aceita dinheiro dos EUA deve ser considerado um preso político?”

7. Para Farrar, “Nenhum dissidente tem uma visão política que poderia ser aplicada em um futuro governo. Ainda que os dissidentes não admitam, são muito pouco conhecidos em Cuba fora do corpo diplomático e midiático estrangeiro […]. É pouco provável que desempenhem um papel significativo em um governo que sucederia ao dos irmãos Castro”.

8. Farrar afirmou que “os representantes da União Europeia desqualificaram os dissidentes nos mesmos termos que os do governo de Cuba, insistindo no fato de que não representam a ninguém”.

9. Cuba dispõe da taxa de mortalidade infantil (4,6 por mil) mais baixa do continente americano – incluindo Canadá e EUA – e do terceiro mundo.

10. A American Association for World Health, cujo presidente de honra é Jimmy Carter, aponta que o sistema de saúde de Cuba é “considerado de modo uniforme como o modelo preeminente para o terceiro mundo”.

11. A American Association for World Health aponta que “não há barreiras raciais que impeçam o acesso à saúde” e ressalta “o exemplo oferecido por Cuba, o exemplo de um país com a vontade política de fornecer uma boa atenção médica a todos os cidadãos”.

12. Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total), Cuba é, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a nação melhor dotada do mundo neste setor.

13. Segundo a New England Journal of Medicine, a mais prestigiada revista médica do mundo, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito […]. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA.

14. Segundo o Escritório de Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Cuba é o único país da América Latina e do Terceiro Mundo que se encontra entre as dez primeiras nações do mundo com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano sobre três critérios, expectativa de vida, educação e nível de vida durante a última década.

15. Segundo a Unesco, Cuba dispõe da taxa de analfabetismo mais baixa e da taxa de escolarização mais alta da América Latina.

16. Segundo a Unesco, um aluno cubano tem o dobro de conhecimentos do que uma criança latino-americana. O organismo enfatiza que “Cuba, ainda que seja um dos países mais pobres da América Latina, dispõe dos melhores resultados quanto à educação básica”.

17. Um informe da Unesco sobre a educação em 13 países da América Latina classifica Cuba como a primeira em todos os aspectos.

18. Segundo a Unesco, Cuba ocupa o décimo sexto lugar do mundo – o primeiro do continente americano – no Índice de Desenvolvimento da Educação para todos (IDE), que avalia o ensino primário universal, a alfabetização dos adultos, a paridade e a igualdade dos sexos, assim como a qualidade da educação. A título de comparação, EUA está classificado em 25° lugar.

19. Segundo a Unesco, Cuba é a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional à educação, com cerca de 13% do PIB.

20. A Escola Latino-americana de Medicina de Havana é uma das mais prestigiadas do continente americano e já formou dezenas de milhares de profissionais da saúde de mais de 123 países do mundo.

21. O Unicef enfatiza que “Cuba é um exemplo na proteção da infância”.

22. Segundo Juan José Ortiz, representante da Unicef em Havana, em Cuba “não há nenhuma criança nas ruas. Em Cuba, as crianças ainda são uma prioridade e, por isso, não sofrem as carências de milhões de crianças da América Latina, que trabalham, são exploradas ou caem nas redes de prostituição”.

23. Segundo o Unicef, Cuba é um “paraíso para a infância na América Latina”.

24. O Unicef ressalta que Cuba é o único país da América Latina e do terceiro mundo que erradicou a desnutrição infantil.

25. A organização não governamental Save the Children coloca Cuba no primeiro lugar entre os países em desenvolvimento no quesito condições de maternidade, à frente de Argentina, Israel ou Coreia do Sul.

26. A primeira vacina do mundo contra o câncer de pulmão, a Cimavax-EGF, foi elaborada por pesquisadores cubanos do Centro de Imunologia Molecular de Havana.

27. Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, cerca de 132 mil médicos cubanos e outros profissionais da saúde colaboram voluntariamente em 102 países.

28. Ao todo, os médicos cubanos atenderam mais de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas em todo o planeta.

29. Atualmente, 38.868 colaboradores sanitários cubanos, entre eles 15.407 médicos, oferecem seus serviços em 66 nações.

30. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) “um dos exemplos mais exitosos da cooperação entre cubana com o Terceiro Mundo tem sido o Programa Integral de Saúde América Central, Caribe e África”.

31. Em 2012, Cuba formou mais de 11 mil novos médicos: 5.315 são cubanos e 5.694 são de 69 países da América Latina, África, Ásia… e inclusive dos Estados Unidos.

32. Em 2005, com a tragédia causada pelo furacão Katrina em Nova Orleans, Cuba ofereceu a Washington 1.586 médicos para atender as vítimas, mas o presidente da época, George W. Bush, rejeitou a oferta.

33. Depois do terremoto que destruiu o Paquistão em novembro de 2005, 2.564 médicos cubanos atenderam as vítimas durante mais de oito meses. Foram montados 32 hospitais de campanha, entregues prontamente às autoridades do país. Mais de 1,8 milhões de pacientes foram tratados e 2.086 vidas foram salvas. Nenhuma outra nação ofereceu uma ajuda tão importante, nem sequer os EUA, principal aliado de Islamabad. Segundo o jornal britânico The Independent, a brigada médica cubana foi a primeira a chegar e a última a deixar o país.

34. Depois do terremoto no Haiti, em janeiro de 2012, a brigada médica cubana, presente desde 1998, foi a primeira a atender a população e curou mais de 40% das vítimas.

35. Segundo Paul Farmer, enviado especial da ONU, em dezembro de 2012, quando a epidemia de cólera alcançou seu ápice no Haiti com uma taxa de mortalidade sem precedentes e o mundo voltava sua atenção para outro lado, a “metade das ONG já tinham se retirado, enquanto os Cubanos ainda estavam presentes”.

36. Segundo o PNUD, a ajuda humanitária cubana representa, proporcionalmente ao PIB, uma porcentagem superior à media das 18 nações mais desenvolvidas.

37. Graças à Operação Milagre, lançada por Cuba e Venezuela em 2004, e que consiste em operar gratuitamente as populações pobres vítimas de cataratas e outras doenças oculares, mais de dois milhões de pessoas procedentes de 35 países puderam recuperar a visão.

38. O programa de alfabetização cubano "Yo, sí puedo", lançado em 2003, já permitiu que mais de cinco milhões de pessoas de 28 países diferentes, incluindo da Espanha e da Austrália, aprendessem a ler, escrever e a somar.

39. Desde a criação do Programa humanitário Tarará, em 1990, em resposta à catástrofe nuclear de Chernobil, cerca de 30 mil crianças 5 e 15 anos foram tratadas gratuitamente em Cuba.

40. Segundo Elías Carranza, diretor do Instituto Latinoamericano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente, Cuba erradicou a exclusão social graças “a grandes conquistas na redução da criminalidade”. Trata-se do “país mais seguro da região, [enquanto que] a situação em relação aos crimes e à falta de segurança em escala continental se deteriorou nas últimas três décadas com o aumento do número de mortes nas prisões e no exterior”.

41. Em relação ao sistema de Defesa Civil cubano, o Centro para a Política Internacional de Washington, dirigido por Wayne S. Smith, ex-embaixador norte-americano em Cuba, aponta em um informe que “não há nenhuma dúvida quando à eficiência do sistema cubano. Apenas alguns cubanos perderam a vida nos 16 furacões mais importantes que atingiram a ilha na última década, e a propabilidade de se perder a vida em um furacão nos EUA é 15 vezes maior do que em Cuba”.

42. O informe da ONU sobre “O estado da insegurança alimentar no mundo 2012” aponta que os únicos países que erradicaram a fome na América Latina são Cuba, Chile, Venezuela e Uruguai.

43. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), “as medidas aplicadas por Cuba na atualização de seu modelo econômico com vistas a conseguir a soberania alimentar podem se converter em um exemplo para a humanidade”.

44. Segundo o Banco Mundial, “Cuba é reconhecida internacionalmente por seus êxitos no campo da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maioria dos países em vias de desenvolvimento e, em alguns setores, é comparável ao de países desenvolvidos”.

45. O Fundo das Nações Unidas para a População salienta que Cuba “adotou, há mais de meio século, programas sociais muito avançados, que permitiram ao país alcançar indicadores sociais e demográficos comparáveis aos dos países desenvolvidos”.

45. Desde 1959, e da chegada de Fidel Castro ao poder, nenhum jornalista foi assassinado em Cuba. O último que perdeu a vida foi Carlos Bastidas Argüello, assassinado pelo regime militar de Batista em 13 de maio de 1958.

47. Segundo o informe de 2012 da Anistia Internacional, Cuba é um dos países da América que menos viola os direitos humanos.

48. Segundo a Anistia Internacional, as violações de direitos humanos são mais graves nos EUA do que em Cuba.

49. Segundo a Anistia Internacional, atualmente, não há nenhum preso político em Cuba.

50. O único país do continente americano que não mantém relações diplomáticas e comerciais normais com Cuba são os EUA.

* Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba, Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.

Contato: Salim.Lamrani@univ-mlv.fr.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Malafaia e os argumentos anti-gay

Máfia cristã’ dos EUA teve relações com ditadura no Brasil, diz pesquisador americano



Um poderoso grupo formado por fundamentalistas norte-americanos, conhecido como “A Família”, foi responsável pela mediação de acordos entre o governo dos Estados Unidos e a ditadura militar estabelecida no Brasil entre 1964 e 1985. A informação foi divulgada pelo pesquisador norte-americano Jeff Sharlet, autor do livro “The Family”, um best-seller sobre o grupo também conhecido como ‘a irmandade’, ou ‘máfia cristã’. Segundo ele, o grupo inclui membros do Congresso, líderes de grandes corporações, militares e políticos estrangeiros.

Conversei com Sharlet sobre sua pesquisa e o livro, logo que foi lançado. Ele disse que a “Família” viu os militares brasileiros como “pessoas-chave” no que consideravam luta contra o comunismo ateu no Brasil. Segundo ele, os brasileiros, por sua vez, viram nos “irmãos” a possibilidade de acesso ao poder dos EUA. “Chegou a haver discussões sobre o estabelecimento de um escritório formal da ‘Família’ na embaixada brasileira nos Estados Unidos, o que eles achavam que ajudaria a imagem do movimento”, disse Sharlet. “Eu sei que há relações entre a ‘Família’ e o Brasil até hoje, mas não posso entrar em detalhes porque não investiguei aprofundadamente”, completou.






Ele argumenta ter encontrado registros dessas relações, ocorridas nos anos 1960 e 70. “Na época dos governos de Costa e Silva e Médici, os EUA ajudavam financeiramente os militares que estavam no poder no Brasil, e a Família era o principal intermediário desses acordos.” Segundo ele, os fundamentalistas se aproximaram dos militares, já que achavam que o modelo proposto pelos ditadores do Brasil era parecido com o que eles queriam incorporar.

Artur da Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici foram dois militares que governaram o Brasil após o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart em 1964. Costa e Silva foi presidente do Brasil entre 1967 1969, e Médici administrou o país entre 1969 e 1974, período após o Ato Institucional número 5, apontado com frequência como o mais repressivo da ditadura. A sucessão de governos militares iniciada em 1964 chegou ao fim quando José Sarney assumiu o poder em 1985.

Apesar de formado especialmente por fundamentalistas cristãos protestantes, o grupo, segundo Sharlet, não assume abertamente o tom religioso, se dizendo formado por “believers” (crentes). “Foi um momento em que viram que havia lideranças no mundo com quem valia manter relações independentemente da religião, já que havia um acordo em torno da influência norte-americana, no livre mercado e fundamentalismo.”

Segundo ele, há registro de que um líder da “irmandade” teria agradecido ao saber que a Câmara dos Deputados do Brasil havia estabelecido uma sala permanente para encontros de brasileiros afiliados ao grupo fundamentalista dos EUA. Um dos norte-americanos teria alegado que o Brasil seria a base de operações da “Família” em toda a América Latina.



Império

Em “The Family: The Secret Fundamentalism at the Heart of American Power” (A Família: O fundamentalismo secreto no coração do poder norte-americano), Sharlet, que é pesquisador de religiões e mídia na Universidade de Nova York, descreve o funcionamento e a estrutura deste grupo e analisa a presença do fundamentalismo e da direita cristã na política dos Estados Unidos. Segundo ele, há uma certa complicação nas bases ideológicas do grupo, que tem forte influência religiosa e pretensões imperiais. Atuante no país há sete décadas, o grupo é apontado como já tendo uma força considerável.

“Eles não estão buscando conquistar o país, nem vão conseguir, mas é importante ver onde eles estão agora. Eles estão envolvidos com o poder e são a razão pelo qual os Estados Unidos não conseguem ter um movimento trabalhista forte, ou ter um sistema de saúde mais abrangente. Eles têm o objetivo final de reunir 200 líderes mundiais em torno de um laço invisível e fundamentalista, mas na verdade, a ‘Família’ é um grupo que acredita na religião do status quo, da influência norte-americana, do capitalismo típico, fundamentalista e de mercado”, explicou.

Segundo ele, entretanto, isso parece estar trabalhando contra os interesses do país, mesmo sob o governo Obama, que é progressista. “Trata-se da diferença entre democracia e império, e a ‘Família’ é uma família que busca o império.”



Máfia

Sharlet não faz acusações diretas sobre ilegalidade na atuação do grupo fundamentalista, mesmo quando o compara à atuação da máfia. “Alguns congressistas e membros da ‘Família’ se deram o título de ‘máfia cristã’”, disse. Segundo ele, é um termo usado por eles mesmos de forma simpática. “É um grupo que diz abertamente que é como a máfia, uma organização bem estruturada, em busca de poder, e eles gostam dessa ideia.”

“É mais de que uma figura de linguagem, especialmente quando se vê a forma como são controladas as finanças do grupo. Assim como a máfia, há empresas de fachada, a maior parte sem fins lucrativos, usadas para movimentar o dinheiro deste forte grupo econômico e político pelo mundo.” Segundo ele, não se pode falar nada sobre este grupo porque não houve uma investigação mais profunda sobre isso, mas “se fosse algo organizado pela máfia, isso seria chamado de lavagem de dinheiro.”




Terra

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Renan Calheiros transfere médicos do Senado para o SUS



O Senado vai transferir para o SUS (Sistema Único de Saúde) cerca de 137 profissionais de saúde que trabalham no serviço médico da Casa.

Por sugestão do ministro Alexandre Padilha (Saúde), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende colocar os médicos e outros profissionais da área à disposição do GDF (Governo do Distrito Federal) depois de anunciar a extinção do serviço médico do Senado.

"Viemos propor ao presidente Renan a possibilidade de fazermos um termo de cooperação, um convênio junto com o GDF, para identificarmos serviços públicos na cidade de Brasília que possam receber esses profissionais médicos, que fiquem melhor alocados para servir melhor a população", disse Padilha.

Segundo o ministro, a transferência de médicos do Senado para o SUS é um "gesto importante" do Senado para o país. "Isso poderá dar uma grande colaboração do sistema de saúde do GDF", afirmou.

Padilha disse que o número exato de médicos e profissionais que serão deslocados para o SUS ainda será definido em conversa com o governador Agnelo Queiroz (PT-DF).

"Vamos fazer uma conversa para identificar rapidamente quais os serviços adequados para receber esses profissionais. A quantidade de profissionais que vão participar dessa cooperação vai depender da conversa para identificar quais os serviços, quais os hospitais, porque a demanda do GDF são especialidades que o SUS precisa muito", afirmou.

Entre as especialidades que Padilha considerou como "essenciais" para o SUS entre os médicos do Senado, estão pediatras, radiologistas, urologistas e psiquiatras.

EXTINÇÃO

Renan decidiu extinguir o serviço médico do Senado na semana passada, quando anunciou uma reforma administrativa na Casa que prevê uma economia de R$ 262 milhões por ano.

Pressionado por movimentos anticorrupção para deixar o cargo, Renan prometeu adotar medidas de "transparência" e cortes de gastos na instituição.

Segundo Renan, o serviço médico será mantido apenas para casos de emergência. Os salários dos médicos e servidores que forem concursados, segundo ele, vão continuar a ser pagos pelo Senado --o que na prática não representa economia para a instituição.

O pemedebista, porém, classificou de "absurdo" o fato de o Senado manter um serviço com mais de 100 profissionais para atender os servidores uma vez que todos têm plano de saúde custeado pela instituição.




Folha de SP

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Protesto sem graça pode ser crime



Capa falsa


Capa verdadeira



A foto da esquerda circula pela internet como se fosse a capa do dia 13 de janeiro de 2013 da revista Veja. Segundo a capa, a revista teria descoberto que o ex-presidente teria desviado R$500 bilhões. A imagem da direita é a verdadeira capa da revista daquela semana (que, aliás, circulou no dia 9 de janeiro). Talvez quem fez a montagem possa ter achado que era uma forma de protesto e resolveu divulgar. O problema é que isso tem consequências jurídicas.

O que pode inicialmente seria um ato inocente pode ser crime e gerar a obrigação de danos civis pelos quais quem fez, quem pediu para ser feito e quem distribuiu podem ser responsabilizados.

Vamos começar pelo mais fácil: a calúnia.

Quem fabricou a imagem cometeu o crime de calúnia, que é o mais grave dos crimes contra a honra. Isso porque imputou a alguém – no caso, ao ex-presidente – um fato definido como crime: teria desviado R$500 bilhões de cofres públicos.

A liberdade de expressão permite você poder dizer o que quiser. Mas a liberdade de expressão não é uma imunidade para quem expressa. Quem diz o que não deve arcar com as consequências do que disse se o que disse não é verdadeiro ou tem propósito essencialmente ofensivo. No caso acima, quem alegou ou disseminou a calúnia pode ser condenado criminalmente.

Mas a mesma lei que pune a calúnia permite o que os juristas chamam de ‘exceção da verdade’ (ou ‘exceptio veritatis’): se quem alegou (quem produziu a capa fictícia) conseguir provar o que foi alegado – no caso, que o ex-presidente desviou um terço do PIB brasileiro – não haverá pena. Mas note que aqui o ônus da prova é invertido: quem produziu a capa é que terá que provar que o que disse é verdadeiro. E provar é sempre muito mais difícil. Especialmente porque não basta alegações de cunho amplo como ‘ah, mas ele fez o Brasil perder R$ 500 bilhões em desenvolvimento’. O ônus é de produzir provas específicas: que ele de fato desviou os tais R$ 500 bilhões (em juridiquês, isso o crime chama-se peculato).

‘Ah, mas a intenção era só fazer algo engraçado’. De fato o chamado ‘animus jocandi’ – a intenção de fazer uma brincadeira – exclui a possibilidade de calúnia. É por isso que humoristas e cartunistas raramente são processados por calúnia, embora possa ocorrer, pois até a humor tem limites.

O problema do ‘animus jocandi’ é que ele precisa ser claro. Ele pode ser claro por causa de quem diz –a pessoa é uma comediante– das circunstâncias em que é dito –a alegação é feita em um programa humorístico ou em um teatro– do que é dito –o que é dito é tão surreal que só pode ser uma piada- ou de como é dito –foi dito em puro tom de gozação.

Mas, na capa acima, as quatro coisas estão ausentes ou são percebidas apenas nos detalhes. Como a imagem é distribuída via e-mails e redes sociais com um mero pedido de ‘compartilhe’, sem indicação de autoria, não é possível saber que quem enviou tinha a mera intenção de fazer um gracejo. E como só dá para perceber que é uma montagem analisando detalhes que podem se perder na falta de resolução da imagem, fica difícil compreender que a montagem tem um tom sarcástico. Nem o ofendido nem o magistrado estão dentro da cabeça do ‘artista’ que fez a capa para saber qual era a intenção dele: não é possível apurar a intenção de fazer um gracejo simplesmente olhando o que foi de fato publicado e republicado em uma imagem de baixa resolução.

Pense nessa analogia: se alguém colocar um outdoor dizendo que um inocente cometeu um crime, não adianta ele colocar em letras minúsculas no pé do outdoor que é só uma piada. O mesmo vale para qualquer outro tipo de imagem ou texto.

Nossa doutrina também diz que não há calúnia se o que é dito é tão absurdo que não faz sentido. Mas, no caso da montagem acima, o simples fato de o montante ser muito alto não impede a configuração da calúnia. Valores extremamente altos podem ser desviados. Ou seja, é algo crível, ainda que improvável. O absurdo que a doutrina exclui da calúnia seria algo como 'ele é o responsável pelo massacre do Carandiru' ou 'ele aceitou uma das pirâmides do Egito como propina'.

Logo, se for fazer uma brincadeira que possa ofender a dignidade de alguém, tome cuidado para deixar bem claro que é um brincadeira. Se for um protesto, proteste contra a ideia ou o posicionamento da pessoa, não contra a pessoa em si.

Mas ainda que você deixe claro que é uma brincadeira, no caso da matéria acima ainda haveria o problema do uso indevido das imagens.

Olhando a capa, ela de fato parece ser uma capa da revista. Só que o nome Veja e os elementos de identidade visual – como o tipo de fonte, a borda nas quatro letras, o tamanho da fonte em relação à página, a logomarca do grupo Abril (a árvore verde), o nome da editora, a diagramação etc, são todos elementos que pertencem à Editora Abril. Seu uso é exclusivo da Editora ou de quem ela expressamente permitir usar. Quem usa as marcas e demais elementos da identidade visual sem sua permissão se expõe civilmente ao pedido de indenização por perdas e danos causados pelo uso inapropriado das marcas e identidade visual da revista (aliás, o uso de sons -como o da Intel ou mesmo uma música- e cheiros -como perfumes- também podem ser protegidos. E alguns juristas dizem que mesmo texturas merecem proteção).

Mas existe uma segunda vítima na questão da imagem: o ex-presidente, cuja foto foi usada.

A imagem da pessoa pertence à pessoa e só pode ser usada com permissão da pessoa ou quando há relevância jornalística. Logo, se o caso fosse verdadeiro, não haveria problema no uso da imagem sem permissão: teria relevância jornalística. Mas, no caso acima, quem fabricou a capa sabia, desde o início, que o que estava alegando não era verdadeiro. Logo, não havia relevância jornalística em momento algum. Portanto, a imagem só poderia ter sido utilizada se houvesse permissão do ex-presidente. O que, obviamente, ele provavelmente não deu. Não importa que ele seja uma figura pública: se não há relevância jornalística, ele merece tanta proteção quanto um desconhecido na esquina. O que varia é apenas que uma pessoa pública gera mais interesse jornalístico, mas ela ainda tem direito à imagem e privacidade.

Se a imagem foi usada sem a permissão do retratado, e não havia relevância jornalística que justificasse o uso da imagem, quem teve sua imagem usada indevidamente pode buscar reparação pelas perdas e danos sofridos.

Enfim, se quiser protestar sem ter dor de cabeça, use o bom senso e não atribua crimes sem prova e muito menos use a imagem sem autorização do dono da imagem.

Enquanto a inútil da Yoani Sánchez fala, querem prender Assange por falar a verdade


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Vou trocar meus remédios por sessões de cura na igreja



- Por favor, uma caixa deste opiáceo aqui.
- Tem receita e um documento da pessoa para quem é o remédio.
- A receita tá aqui. E é para mim. Hérnia de disco.
- Hum, me desculpe. É que você é tão novo… Pronto.
- E, aproveitando: tem esse antiinflamatório aqui da receita?
- Todo mundo pegou essa virose, né? Inflamação na garganta?
- Tenho uma artrose. Mas tudo controlado. Só nas mudanças bruscas de temperatura que o bicho pega.
- Coitado… Tá aqui.
- Por fim, pode me ver este remédio para pressão?
- Vai dizer que é para você também!
- Sim, ué.
- Nossa.
- Nossa, o quê? Algum problema?
- Nada, desculpe. Tô surpreso. Tanta coisa e tão jovem! Tem certeza que não é para seus pais? – hehe.
- Não, não é.
- Prontinho.

Pouco depois, saindo da loja, o atendente pesa a mão, grave, no meu ombro. Desta vez, menos brincalhão.

- Olha, casos como o seu não são coisa de remédio, não. Conhece as terças-feira da cura, da Igreja do Bananal da Várzea de Zeus? Aparece por lá, no templo maior. Acredito que, se você tiver fé, em sete ou oito terças seus problemas estão resolvidos.
- Eles curam tudo por lá?
- Olha, teve um rapaz com Aids que foi curado depois de 15 sessões. E dizem que uma dona de casa com câncer, desenganada pelos médicos, hoje está bem, tendo ido a 20. O seu caso se resolve com bem menos.

Há algumas denominações evangélicas neopentecostais que vendem prosperidade. Outras se utilizam da liturgia da prosperidade, mas também vendem saúde e cura. E há aquelas que se especializaram só nesta última área e têm feito mais sucesso.

Mesmo com muita reza, se você não nasceu em berço de ouro, dificilmente vai ficar rico (se é jornalista então, puf! Esquece…). Mas com dedicação, sorte e algum apoio, dá para sair da lama e remendar a vida. Os poucos que conseguem ir além disso tornam-se testemunhos vivos da intervenção de Deus. Aleluia!

Mas curar-se de um problema de saúde é mais fácil. Recentemente, ouvi um infectologista, em uma entrevista no rádio, comentar que a medicina é capaz de identificar e tratar efetivamente uns 10% das perebas. O restante, ou o corpo resolve sozinho ou não resolve. Aí, aquilo que era mérito do velho e bom sistema imunológico, da medicina ou do término do ciclo de uma doença, acaba caindo como benfeitoria divina, intermediada por seus terráqueos representantes. Gratuitamente, é claro, porque a comissão de 10% não é para os homens e sim para ampliar as obras de Deus (que incluem nababescas casas em belos condomínios fechados onde moram alguns desses representantes) e causar mais efeito placebo. Salve, aleluia, salve!

É um negócio sensacional. Veja só: a pessoa está descontente com o médico. Ouve falar de que um pastor tal tem poder na palavra. Ela continua com o tratamento, mas vai ao culto. Quando fica bem, o mérito é 100% da igreja. Quando não, a culpa é do pobre doente que não teve fé o suficiente. Até porque, como sabemos, Deus não falha nunca. Isso sem contar o fato de que clínica paga imposto, igreja não.

Dito isso, devia ter agradecido, mas negado prontamente ao simpático atendente, explicando que médico e remédio são – no final das contas – uma solução mais barata.

Por que ninguém sugere trocar os remédios por um mês de férias em uma praia deserta?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Proteja seu filho de mensagens comerciais disfarçadas



Sempre quis ter filhos um pouco desconfiados, ao menos no que diz respeito a propagandas e ao proselitismo. Em outras palavras, sempre quis que meus filhos crescessem atentos ao discurso cuidadoso e bem estudado de pessoas que queiram ganhar sua confiança, mas que não são realmente seus amigos.
Cresci em uma época na qual a TV era dominada por propagandas de cigarro. Eu me lembro de todos os jingles, mas também me lembro do cinismo das paródias da revista "Mad", nas quais lápides discutiam o sabor de cigarros e Hitler dava seu selo de aprovação a esses assassinos em massa.

Nas discussões mais sérias sobre as propagandas dos dias de hoje, às vezes sinto falta desse humor cruel. Há muito tempo pesquisadores se concentram nos efeitos das propagandas de cigarros e de álcool sobre as crianças e, mais recentemente, nos efeitos de formas de marketing mais sutis, que incluem esse tipo de produto em filmes e programas de TV.

Estudos mostram que as propagandas realmente levam crianças e adolescentes a adotarem comportamentos pouco saudáveis, além de demonstrarem que é cada vez mais difícil protegê-las, uma vez que os marqueteiros exploram cada vez mais a internet e as mídias sociais.

Em um estudo publicado no mês passado pela revista "Pediatrics", o pesquisador da Universidade de Claremont Jerry L. Grenard e seus colegas acompanharam quase 4.000 alunos do sétimo ao décimo ano, avaliando sua exposição a propagandas de álcool na TV e os questionando sobre o consumo de bebidas alcoólicas.

Uma extensa literatura mostra que a propaganda realmente aumenta as chances de que menores de idade bebam, afirmou Grenard. Contudo, os novos resultados aumentam a preocupação. "O estudo ligou a exposição a propagandas de bebidas alcoólicas a um aumento no uso de álcool entre adolescentes, que por sua vez está ligado a um maior índice de problemas com alcoolismo, bebedeiras, faltas escolares e brigas", afirmou.


Adolescentes que assistem a propagandas de bebidas alcoólicas são convidados a consumir algo que deveriam evitar a todo o custo. Por outro lado, anúncios de alimentos levantam outras questões, já que as crianças certamente vão comer e certamente terão –e expressarão– preferências alimentares.

Jennifer Harris, diretora de campanhas de marketing do Centro Yale Rudd de Políticas Alimentares e Obesidade, contou-me que as propagandas na TV ainda são muito importantes para a forma como os alimentos são vendidos para crianças. De acordo com dados do centro, crianças e adolescentes dos Estados Unidos veem uma média de 12 a 14 anúncios de comida na TV todos os dias.

Mas os pais talvez não percebam que seus filhos estão sujeitos a mensagens comerciais vindas de outras direções. "As empresas têm sites com programas de recompensa. Fazem propagandas em sites, mídias sociais –especialmente no Facebook –, no Twitter, pelo celular e em aplicativos para aparelhos móveis", afirmou Harris.

Na internet, muitas crianças acessam propagandas disfarçadas de jogos, criadas para promover produtos. Segundo a especialista, muitos pais nem ficam sabendo disso. E o que estão vendendo para as crianças? De acordo com Harris, os quatro produtos mais vendidos são lanches, cereais açucarados, refrigerantes e doces.

Thomas Robinson, professor de pediatria na Universidade de Stanford e no Hospital Infantil Lucile Packard, estudou a obesidade infantil e sua ligação com o tempo passado em frente à TV. Segundo ele, experiências com alunos em idade pré-escolar mostram que "até mesmo uma exposição de 30 segundos a um produto nunca antes visto pode mudar suas preferências em relação à marca".

Em outro estudo, pesquisadores observaram os efeitos das marcas ao dar duas porções de alimentos idênticos a crianças de três a cinco anos de idade. Uma das porções estava embalada com papel do McDonald's e as crianças deveriam apontar qual das duas era mais saborosa. Segundo Robinson, "as crianças diziam na esmagadora maioria das vezes que hambúrgueres, batatas fritas, cenourinhas e copos de leite ou suco com a embalagem do McDonald's eram mais gostosos".



Até a idade de sete ou oito anos, as crianças não são capazes de entender a natureza da propaganda. Do ponto de vista do desenvolvimento, ainda não são capazes de identificar as intenções por trás dos comerciais. Outras crianças os entendem melhor, mais também são vulneráveis de outras formas.

"A Coca-Cola é a marca mais popular do Facebook", afirmou Harris. "Eles têm mais de 58 milhões de fãs." Quando os adolescentes "curtem" a Coca-Cola, recebem posts todos os dias e podem "compartilhá-los" com seus amigos.

"Acreditamos que a estratégia de contar com a influência mútua das crianças dessa idade seja extremamente enganosa", afirmou Harris. "Elas não reconhecem que aquilo seja uma forma de propaganda e são extremamente manipuláveis."

O que os pais podem fazer? Com filhos pequenos, a estratégia mais relevante é diminuir o tempo gasto pelas crianças em frente da TV e dos computadores, além do número de mensagens que recebem e o tipo de programa a que assistem. Além disso, quando os filhos pedem alguma coisa, os pais não devem apenas recusar. "Pergunte por que querem aquilo e onde ouviram falar sobre o produto", sugeriu Robinson. Se responderem que viram aquilo na TV ou na internet, "diga que estão tentando vender aquilo para eles. Em seguida, tenha uma boa conversa".

E sobre minha vontade de criar jovenzinhos desconfiados? Embora o pensamento crítico ajude a manter os filhos mais conscientes, Robinson afirmou que contar demais com a ideia de que as crianças sejam capazes de discernir o que se passa nos comerciais poderia servir de argumento em favor das empresas de marketing. "Isso torna as crianças responsáveis por se tornarem consumidores conscientes, tirando toda a responsabilidade das empresas", afirmou.

É importante saber o que seus filhos veem. Assista com eles a seus programas prediletos. Converse sobre o que veem –as imagens em outdoors e "touchscreens", os comerciais de televisão e os site que visitam.

Em um mundo rico em informações, precisamos conhecer as mensagens que nossos filhos recebem, pois assim podemos ajudá-los a compreender o que o mundo está tentando vender para eles.

*Perry Klass é médica pediatra


UOL

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

40 perguntas para Yoani Sánchez em sua turnê mundial



1. Quem organiza e financia sua turnê mundial?

2. Em agosto de 2002, depois de se casar com o cidadão alemão chamado Karl G., abandonou Cuba, “uma imensa prisão com muros ideológicos”, para imigrar para a Suíça, uma das nações mais ricas do mundo. Contrariamente a qualquer expectativa, em 2004, decidiu voltar a Cuba, “barco furado prestes a afundar”, onde “seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos introduzem o medo através do golpe, da ameaça, da chantagem”, onde “os bolsos se esvaziavam, a frustração crescia e o medo se estabelecia”. Que razões motivaram esta escolha?



3. Segundo os arquivos dos serviços diplomáticos cubanos de Berna, Suíça, e de serviços migratórios da ilha, você pediu para voltar a Cuba por dificuldades econômicas com as quais se deparou na Suíça. É verdade?

4. Como pôde se casar com Karl G. se já estava casada com seu atual marido Reinaldo Escobar?

5. Ainda é seu objetivo estabelecer um “capitalismo sui generis” em Cuba?

6. Você criou seu blog Geração y (Generación Y) em 2007. Em 4 de abril de 2008 conseguiu o Prêmio de Jornalismo Ortega e Gasset, de 15 mil euros, outorgado pelo jornal espanhol El País. Geralmente, este prêmio é dado a jornalistas prestigiados ou a escritores de grande carreira literária. É a primeira vez que uma pessoa com seu perfil o recebe. Você foi selecionada entre cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2008). Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores blogs do mundo pela cadeia CNN e pela revista Time (2008), e também conquistou o prêmio espanhol Bitacoras.com, assim como The Bob’s (2008). El País lhe incluiu em sua lista das cem personalidades hispano-americanas mais influentes do ano 2008. A revista Foreign Policy ainda a incluiu entre os dez intelectuais mais importantes do ano em dezembro de 2008. A revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo em 2008. A prestigiosa universidade norte-americana de Columbia lhe concedeu o prêmio María Moors Cabot. Como você explica esta avalanche de prêmios, acompanhados de importantes quantias financeiras, em apenas um ano de existência?

7. Em que emprega os 250 mil euros conseguidos graças a estas recompensas, um valor equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como França, quinta potencia mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba?


8. A Sociedade Interamericana de Imprensa, que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, decidiu nomeá-la vice-presidente regional por Cuba de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação. Qual é seu salário mensal por este cargo?

9. Você também é correspondente do jornal espanhol El País. Qual é sua remuneração mensal?

10. Quantas entradas de cinema, de teatro, quantos livros, meses de aluguel ou pizzas pode pagar em Cuba com sua renda mensal?

11. Como pode pretender representar os cubanos enquanto possui um nível de vida que nenhuma pessoa na ilha pode se permitir levar?

12. O que faz para se conectar à Internet se afirma que os cubanos não têm acesso e ela?

13. Como é possível que seu blog possa usar Paypal, sistema de pagamento online que nenhum cubano que vive em Cuba pode utilizar por conta das sanções econômicas que proíbem, entre outros, o comércio eletrônico?

14. Como pôde dispor de um Copyright para seu blog “© 2009 Generación Y - All Rights Reserved”, enquanto nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo por causa das leis do embargo?

15. Quem se esconde atrás de seu site desdecuba.net, cujo servidor está hospedado na Alemanha pela empresa Cronos AG Regensburg, registrado sob o nome de Josef Biechele, que hospeda também sites de extrema direita?

16. Como pôde fazer seu registro de domínio por meio da empresa norte-americana GoDady, já que isto está formalmente proibido pela legislação sobre as sanções econômicas?

17. Seu blog está disponível em pelo menos 18 idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, português, russo, esloveno, polaco, chinês, japonês, lituano, checo, búlgaro, holandês, finlandês, húngaro, coreano e grego). Nenhum outro site do mundo, inclusive das mais importantes instituições internacionais, como por exemplo as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE ou a União Europeia, dispõem de tantas versões linguísticas. Nem o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, nem o da CIA dispõem de igual variedade. Quem financia as traduções?

18. Como é possível que o site que hospeda seu blog disponha de uma banda com capacidade 60 vezes superior àquela que Cuba dispõe para todos os usuários de Internet?

19. Quem paga a gestão do fluxo de mais de 14 milhões de visitas mensais?

20. Você possui mais de 400 mil seguidores em sua conta no Twitter. Apenas uma centena deles reside em Cuba. Você segue mais de 80 mil pessoas. Você afirma “Twitto por sms sem acesso à web”. Como pode seguir mais de 80 mil pessoas sem ter acesso à internet?

21. O site www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da rede social Twitter. Revela a partir de 2010 uma impressionante atividade de sua conta. A partir de junho de 2010, você se inscreveu em mais de 200 contas diferentes do Twitter a cada dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas. Como pôde realizar tal proeza?

22. Por que cerca de seus 50 mil seguidores são na verdade contas fantasmas ou inativas? De fato, dos mais de 400 mil perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são ovos (sem foto) e 20 mil têm características de contas fantasmas com uma atividade inexistente na rede (de zero a três mensagens mandadas desde a criação da conta).

23. Como é possível que muitas contas do Twitter não tenham nenhum seguidor, apenas seguem você e tenham emitido mais de duas mil mensagens? Por acaso seria para criar uma popularidade fictícia? Quem financiou a criação de contas fictícias?

24. Em 2011, você publicou 400 mensagens por mês. O preço de uma mensagem em Cuba é de 1,25 dólares. Você gastou seis mil dólares por ano com o uso do Twitter. Quem paga por isso?

25. Como é possível que o presidente Obama tenha lhe concedido uma entrevista, enquanto recebe centenas de pedidos dos mais importantes meios de comunicação do mundo?

26. Você afirmou publicamente que enviou ao presidente Raúl Castro um pedido de entrevista depois das respostas de Barack Obama. No entanto, um documento oficial do chefe da diplomacia norte-americana em Cuba, Jonathan D. Farrar, afirma que você nunca escreveu a Raúl Castro: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou nunca tê-las enviado [as perguntas] ao presidente cubano. Por que mentiu?

27. Por que você, tão expressiva em seu blog, oculta seus encontros com diplomáticos norte-americanos em Havana?

28. Entre 16 e 22 de setembro de 2010, você se reuniu secretamente em seu apartamento com a subsecretaria de Estado norte-americana Bisa Williams durante sua visita a Cuba, como revelam os documentos do Wikileaks. Por que manteve um manto de silêncio sobre este encontro? De que falaram?

29. Michael Parmly, antigo chefe da diplomacia norte-americana em Havana afirma que se reunia regularmente com você em sua casa, como indicam documentos confidenciais da SINA. Em uma entrevista, ele compartilhou sua preocupação em relação à publicação dos cabos diplomáticos norte-americanos pelo Wikileaks: “Eu me incomodaria muito se as numerosas conversas que tive com Yoani Sánchez forem publicadas. Ela poderia sofrer as consequências por toda a vida”. A pergunta que imediatamente vem à mente é a seguinte: quais são as razões por que você teria problemas com a justiça cubana se sua atuação, conforme afirma, respeita o marco da legalidade?

30. Continua pensando que “muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez”?

31. Continua pensando que “havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de toda tendência política” sob a ditadura de Fulgencio Batista entre 1952 e 1958?

32. Você declarou em 2010: “o bloqueio tem sido o argumento perfeito do governo cubano para manter a intolerância, o controle e a repressão interna. Se amanhã as suspenderem as sanções, duvido muito que sejam vistos os efeito”. Continua convencida de que as sanções econômicas não têm nenhum efeito na população cubana?

33. Condena a imposição de sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba?

34. Condena a política dos Estados Unidos que busca uma mudança de regime em Cuba em nome da democracia, enquanto apoio as piores ditaduras do Oriente Médio?

35. Está a favor da extradição de Luis Posada Carriles, exilado cubano e ex-agente da CIA, responsável por mais de uma centena de assassinatos, que reconheceu publicamente seus crimes e que vive livremente em Miami graças à proteção de Washington?

36. Está a favor da devolução da base naval de Guantánamo que os Estados Unidos ocupam?

37. Você é favorável à libertação dos cinco presos políticos cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998 por se infiltrarem em organizações terroristas do exílio cubano na Florida?

38. Em sua opinião, é normal que os Estados Unidos financiem uma oposição interna em Cuba para conseguir “uma mudança de regime”?

39. Em sua avaliação, quais são as conquistas da Revolução Cubana?

40. Quais interesses se escondem atrás de sua pessoa?

* Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se intitula Etat de siège. Les sanctions économiques des Etats-Unis contre Cuba, Paris, Edições Estrella, 2011, com prólogo de Wayne S. Smith e prefácio de Paul Estrade.

Contato: Salim.Lamrani@univ-mlv.fr.

Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

McDonald´s é alvo de inquérito da Polícia Federal













15/02/2013



Michelle Amaral,

da Redação



O McDonald´s está sendo investigado pela Polícia Federal por suspeita de submissão de seus funcionários a condições análogas à escravidão. A PF instaurou o inquérito policial após denúncia de não pagamento de salários a uma funcionária durante os oito meses em que ela trabalhou em um dos restaurantes da rede de fast food.

Conforme relatado pela mãe da jovem à reportagem do Brasil de Fato em setembro de 2012, o McDonald´s justificou a falta da remuneração pelo fato de a funcionária ter apresentado uma conta-poupança no momento da contratação e os depósitos somente eram feitos em conta-corrente pela empresa. “Eles a fizeram abrir uma nova conta, agora corrente, mas até hoje só vieram despesas”, disse.

A adolescente, de 17 anos, integrou o quadro de funcionários do McDonald´s de dezembro de 2010 a agosto de 2011. Em abril do mesmo ano descobriu que estava grávida. Pela falta da remuneração e a proximidade do nascimento de seu filho, ela decidiu buscar meios judiciais para resolver a situação. Ao procurar a Justiça do Trabalho, a adolescente e a mãe foram encaminhadas para o Sindicato dos Empregados em Hospedagem e Gastronomia de São Paulo e Região (Sinthoresp), de modo que tivessem acesso à assistência jurídica gratuita.

O sindicato entrou com uma ação pedindo a rescisão indireta da trabalhadora e pleiteando o pagamento dos valores devidos. A entidade ainda solicitou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) a instauração de um inquérito civil para apurar o não pagamento de salários levado a cabo pela Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda., franqueadora do McDonald´s. No entanto, o pedido foi negado sob o argumento de que não existiam provas de que tal procedimento se estendia aos demais funcionários da rede de restaurantes fast food. “Não há como se presumir a existência de irregularidades trabalhistas perpetradas pela empresa em face de uma coletividade de empregados, situação que, em tese, legitimaria a atuação do Ministério Público do Trabalho”, diz o relatório de arquivamento do pedido.



Investigação criminal





Inquérito foi aberto após denúncia de que "representantes da rede

Mc Donald´s submetem seus funcionários à condição análoga de

escravo" - Foto: Reprodução


Após a negativa de abertura do inquérito civil para apurar o não pagamento de salários a ex-funcionária, o sindicato entrou com um pedido junto à Polícia Federal para que fosse feita a investigação criminal da conduta do McDonald´s com seus empregados. No requerimento, o Sinthoresp alegou que a jovem “foi submetida à condição análoga de escravo”. O pedido foi protocolado na PF em 27 de agosto de 2012 e a instauração do inquérito foi determinada no final de outubro do mesmo ano.

Conforme o advogado do Sinthoresp, Marinósio Martins, a Polícia Federal já ouviu a trabalhadora. “Ela confirmou os fatos que estavam incluídos no requerimento para o inquérito”, conta. Agora, a PF deve intimar mais pessoas para prestarem esclarecimentos sobre os fatos, entre eles os donos do restaurante da rede fast food em que ela trabalhou, ex-colegas de trabalho e os responsáveis pela Arcos Dourados, franqueadora master do McDonald´s no Brasil. “[Os agentes da PF] vão apurar os fatos e, chegando à conclusão de que houve um crime e de quem foi a autoria, as implicações serão em termos penais”, explica o advogado.

Os resultados da investigação da Polícia Federal serão reunidos em um relatório e encaminhados ao Ministério Público (MP) que, se aceitar a denúncia, encaminhará o processo para a Justiça Federal. Rodrigo Rodrigues, também advogado do Sinthoresp, diz que a expectativa é que o MP aceite a denúncia. Ele pondera, no entanto, que o que se conseguiu até agora, com a instauração do inquérito pela PF, foi um grande passo. “Ter aberto um inquérito para investigação de trabalho análogo à escravidão já é uma vitória dos trabalhadores”, afirma.

A mesma opinião é compartilhada por Marinósio Martins. “Como a própria Polícia Federal fez uma análise preliminar e concluiu que há a prática desse crime, a nossa expectativa é que isso [o inquérito] progrida, para que não haja mais esse tipo de abuso em nosso país”, defende.







O McDonald´s é signatário e apoiador do Pacto, conforme reprodução do

site do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo


Pacto

Diante da abertura do inquérito pela Polícia Federal para apurar a suspeita de trabalho escravo na rede de fast food, o Sinthoresp encaminhou ao Comitê de Monitoramento do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo denúncia contra a Arcos Dourados, que é signatária desde 2009 e apoiadora da iniciativa, pedindo a sua exclusão por violação ao Pacto. “Há violação quando a empresa denunciada, Arcos Dourados, vale-se das necessidades vitais das pessoas humanas, que buscam o seu primeiro emprego, para reduzir direitos em uma nítida situação de escravidão econômica”, afirma no requerimento. Além disso, o sindicato pede a inclusão da empresa no rol da lista suja “pela prática de trabalho degradante”.

O advogado Rodrigo Rodrigues afirma que a presença da rede de fast food no Pacto é fora de contexto, já que os signatários se comprometem a não comercializar produtos de fornecedores que usaram trabalho escravo. “Agora, o próprio McDonald´s é investigado pelo inquérito da Polícia Federal por trabalho escravo. Como fica? O frigoríficos não vão mais vender carne para ele?”, questiona.

Segundo Rodrigues, o pedido foi encaminhado para o Comitê de Monitoramento do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo no dia 4 de janeiro deste ano e ainda não obteve retorno.


Fonte

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Brasil pode ser a quarta economia global até 2050, diz PwC



A economia brasileira pode ultrapassar a japonesa e obter o posto de quarta maior do mundo até 2050, aponta a pesquisa "World in 2050 - The Brics and Beyond: Prospects, Challenges and Opportunities", (O mundo em 2050 - Os Brics e além: perspectivas, desafios e oportunidades), elaborado pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). De acordo com o levantamento, o Brasil apresenta "forte indícios" de que irá passar o país asiático.






A pesquisa leva em conta o Produto Interno Bruto (PIB) pela paridade do poder de compra (PPC). Em 2011, o Brasil possuía US$ 2,3 trilhões de acordo com dados do Banco Mundial. Em 2050, deve ter US$ 8,8 trilhões. O Japão possuía em 2011 um PIB de US$ 4,3 trilhões e deve chegar a US$ 8,06 trilhões em 2050.



O estudo aponta também que a China, atual segunda maior, deve ultrapassar os Estados Unidos no posto de maior economia global, já em 2017, pela PPC e, em 2027, pelas taxas de câmbio de mercado. A estimativa da PwC é que o PIB da China seja de US$ 30,6 trilhões em 2030, ante US$ 23,3 trilhões dos EUA. Os EUA, no entanto, manterão o primeiro lugar no quesito de maior PIB per capita em 2050, perto de US$ 90 mil.



A Índia deve se posicionar como a terceira economia do planeta em 2050, à frente do Brasil e do Japão, com US$ 34,7 trilhões. O estudo revela o avanço do México e da Indonésia, que em 2050 devem estar entre as 10 maiores economias - em 7º e 8º lugares, respectivamente - em termos de PIB por PPC. Países como a Nigéria e o Vietnã são projetados para passar para o top 20 em 2050, em respectivas 13ª e 19ª posições.



O relatório alerta para riscos políticos e macroeconômicos que ameaçam o crescimento dos emergentes, como elevados déficits fiscais na Índia e no Brasil; excessiva dependência das receitas de petróleo e gás na Rússia e na Nigéria; desigualdade de renda que gera tensões sociais na China e em outras economias em rápida expansão; e a instabilidade econômico-financeira no Vietnã.



De acordo com o estudo, China, Índia, Brasil e outros mercados emergentes ganharão importância pelos baixos custos de produção e pelo tamanho dos seus mercados de consumo. "Num período em que a tendência de crescimento global nas economias desenvolvidas é estimada em não mais que 2%, as empresas terão que olhar cada vez mais para estas regiões se quiserem crescer", afirmou John Hawksworth, economista-chefe da PwC do Reino Unido e coautor do relatório.



Estadão

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Despoluindo Londres



A prefeitura de Londres pretende melhorar a qualidade do ar na cidade, e para isso vai proibir a circulação de veículos poluentes em algumas regiões a partir de 2020.

O projeto é uma realização do atual prefeito Boris Johnson, que anunciou ontem que em 7 anos quer ver o centro de Londres livre da fumaça dos automóveis.

Já existe uma espécie de rodízio em vigor na cidade, para melhorar não só o ar como o trânsito. As pessoas que passam por zonas específicas de grande movimento devem pagar uma taxa de £10 por dia, o que dá nada menos que R$30.

No novo projeto, apenas carros híbridos ou elétricos poderão circular nessas áreas. Para concretizar o plano será distribuída uma verba de pouco mais de R$60 milhões, que também incluirá novas frotas de taxi e ônibus.

A novidade foi bem recebida pelos ambientalistas britânicos, mas eles ressaltaram que o fato das medidas serem a longo prazo, pode ser prejudicial para a fidelidade da idéia. Isso porque o mandato do prefeito vai acabar antes de 2020.


Estadão

Meteorito cai na Rússia e deixa feridos






Cerca de 400 pessoas ficaram feridas em consequência de um meteorito que atravessou o céu sobre a Rússia nesta sexta-feira, lançando bolas de fogo na direção da Terra, quebrando janelas e acionando alarmes de carros.

Moradores que estavam a caminho do trabalho em Chelyabinsk ouviram um barulho que parecia ser de uma explosão, viram uma luz forte e sentiram uma onda de tremor, de acordo com um correspondente da Reuters na cidade industrial, que fica a 1.500 quilômetros de Moscou.

O meteorito atravessou o horizonte, deixando um longo rastro branco em seu caminho que podia ser visto a até 200 quilômetros de distância, em Yekaterinburgo. Alarmes de carros soaram, janelas quebraram e telefones celulares tiveram o funcionamento afetado pelo incidente.

Autoridades municipais de Chelyabinsk disseram que cerca de 400 pessoas procuraram ajuda médica, a maioria por pequenos ferimentos causados por estilhaços de vidro.

"Eu estava dirigindo para o trabalho, estava bem escuro, mas de repente veio um clarão como se fosse dia", disse Viktor Prokofiev, de 36 anos, morador de Yekaterinburgo, nos Montes Urais. "Me senti como se estivesse ficado cego pela luz", acrescentou.

Não foram relatadas mortes em consequência do meteorito, mas o presidente Vladimir Putin, que nesta sexta-feira recebe ministros da Fazenda dos países do G20, e o primeiro-ministro Dmitry Medvedev foram notificados sobre os acontecimentos.

Uma autoridade ministerial local disse que a chuva de meteoros pode ter ligação com um asteróide do tamanho de uma piscina olímpica que vai passar a uma distância de 27.520 quilômetros da Terra, mas isso não pôde ser confirmado.

Incidentes do tipo são raros. Acredita-se que um meteorito tenha devastado uma área de mais de 2.000 quilômetros quadrados na Sibéria em 1908.

O Ministério de Emergência da Rússia descreveu o acontecimento desta sexta como uma "chuva de meteoro na forma de bolas de fogo", e pediu aos moradores para manter a calma.

Reuters

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Neuroprótese cria sexto sentido em ratos que passam a "tocar" luz infravermelha em pesquisa de brasileiro

Acima à esquerda, um modelo da câmara de comportamento com três portas de recompensa separadas por um mesmo ângulo. O rato tem um detector de infravermelho afixada em sua cabeça, e o cone vermelho da imagem mostra a área em que ele irá responder a estímulos de infravermelho. A porta 3 emana o sinal infravermelho, como é visto pelas linhas semicirculares. Ao lado (b), há a indicação de como é cada porta, com uma luz infravermelha, porta para água e uma luz LED normal. Na imagem d, é possível ver onde os eletrodos foram colocados





Uma neuroprótese foi capaz de criar sexto sentido em ratos, que aprenderam a "tocar" luz infravermelha, em uma nova pesquisa da equipe do brasileiro Miguel Nicolelis, publicada na Nature Communications, nesta terça-feira (12).

Segundo o pesquisador, esta é a primeira vez que uma prótese cortical foi usada para aumentar a capacidade neurológica de animais adultos. Os mamíferos não são capazes de enxergar a luz infravermelha, mas após o experimentos os ratos conseguiram identificar localização e intensidade da luz pelo tato.


A neuroprótese acopla um sensor infravermelho ao córtex somatossensorial (relacionado ao tato) via microestimulação intracortical. Os animais facilmente aprendem a usar esta fonte de novas informações, e a gerar estratégias de exploração para diferenciar os sinais infravermelhos deseu ambiente.

Em testes percebeu-se que a prótese não desloca a representação original táctil. Assim, as próteses sensoriais corticais, além de restaurar funções neurológicas normais, podem servir para expandir as capacidades perceptivas naturais de mamíferos.

A neuroprótese foi usada para identificar a luz infravermelha, mas poderia ter sido usada para qualquer comprimento de onda, como ultrassom ou raio-x.
Como foi o experimento

Inicialmente seis ratos fêmeas foram treinadas na câmara com luz normal. Ao piscar a luz em uma das portas, o rato se aproximava e ao tocar a porta com o nariz, recebia água. Depois de aprendida a lição: luz = água, em aproximadamente 25 dias com 70% de acerto, foi colocada a prótese.

Eles foram então recolocados na câmara, onde deveriam realizar a mesma tarefa, mas agora com a luz infravermelha, invisível para a visão deles. Estímulos elétricos aumentavam à medida que os ratos se aproximavam da fonte de luz ou orientavam suas cabeças para o local. A estimulação no mesmo local é conhecida por induzir sensações táteis em homens e macacos.

Os seis ratos demoraram cerca de 26 dias para aprender a nova tarefa com os 70% de acerto. No início, eles não conseguiam identificar os sinais sensoriais com a fonte de luz, chegando a, ocasionalmente, arranhar sua face em resposta à estimulação. Mas após alguns dias eles mudaram seu comportamento. No começo, as portas estavam separadas a 90º, mas os ratos conseguiram obter sucesso também com elas a uma distância inferior a 60º.




UOL

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Dieta rica em carboidrato separou os cães dos lobos



Cachorros domésticos foram selecionados entre os capazes de digerir amido

Estudo que analisou mutações em cães e lobos fortalece ligação entre a domesticação e o início da agriculturaRICARDO BONALUME NETODE SÃO PAULO

A "revolução agrícola" de 10 mil anos atrás não afetou só o ser humano, que deixou de viver em pequenas comunidades nômades de caçadores-coletores e começou a criar civilizações com milhares, milhões e hoje bilhões de pessoas graças à muito maior disponibilidade de comida.

A invenção da agricultura e da pecuária também "transformou" lobos selvagens em cachorros domésticos. E uma prova disso está nos genes, segundo estudo da equipe de Erik Axelsson, da Universidade Uppsala (Suécia).

Mutações genéticas permitiram aos cães se adaptarem a uma dieta contendo mais amido, encontrado nas plantas que passaram a ser cultivadas pelo homem. Já os lobos continuaram dependentes de uma dieta carnívora.

"Durante a domesticação, era crucial para os cães serem capazes de digerir amido eficientemente. Animais que eram melhores no processamento de amido ganhavam tamanha vantagem que todos os cachorros modernos que nós analisamos são descendentes desses cães eficientes na digestão de amido", disse Axelsson à Folha.

"Era uma questão de vida e morte. No entanto, isso tem pouco a ver com o que os cachorros preferem comer. Não tenho dúvida de que preferem carne a amido", diz ele.

"Não se trata do que os cachorros desejam comer, mas sim sobre a capacidade de animais antigos usarem um novo recurso alimentar."

CÃES E LOBOS

Como é praxe para entender o processo de domesticação do cão, os pesquisadores também vasculharam os genes do ao mesmo tempo "primo" contemporâneo e "ancestral" remoto, o lobo.

Cães e lobos pertencem à mesma espécie biológica e podem cruzar entre si deixando híbridos férteis, mas derivaram para "subespécies": Canis lupus lupus (lobo) e Canis lupus familiaris (cão).

Axelsson e colegas identificaram 36 regiões do DNA com genes ligados tanto ao desenvolvimento do cérebro como do metabolismo do amido que estariam em seleção intensa nos cães.

Três genes foram identificados com papéis nítidos na digestão de amido. O estudo foi descrito na revista científica "Nature".

"A domesticação do cão foi um importante episódio no desenvolvimento da civilização humana. O local e o momento precisos desse evento ainda são debatidos e pouco se sabe das mudanças genéticas que acompanharam a transformação de antigos lobos em cães domésticos", escreveu a equipe.

SOBRAS

A hipótese mais comum sobre a domesticação do cão sugere que os animais teriam sido atraídos pelas sobras de comida em torno das aldeias humanas. Poder comer alimentos ricos em amido seria uma vantagem para esses "vira-latas" pré-históricos.

"Adaptações novas permitindo aos ancestrais dos cães modernos prosperarem em uma dieta rica em amido, relativamente à dieta carnívora dos lobos, constituíram um passo crucial na primitiva domesticação dos cães", afirmam os autores.

Axelsson diz que não há como saber ainda quando a seleção para melhor digestão de amido começou, mas que o desenvolvimento da agricultura acelerou o processo.

"Eu diria que havia alguns lobos com mutações que os tornavam ligeiramente melhores na digestão de amido e, quando surgiu a agricultura, eles estavam em melhor posição para tirar vantagem dos novos recursos."

Existem indicações de que um fóssil com 33 mil anos encontrado nas montanhas Altai, na Sibéria, seria de um canídeo semelhante ao cão.

Mas os fósseis mais antigos confirmados como sendo de cães domésticos foram encontrados junto a esqueletos humanos em Israel entre 12 mil e 11 mil anos atrás.





Folha

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Pontificado de Bento 16 foi de polêmicas e escândalos


da BBC Brasil

Iniciado em 2005, o curto pontificado do Papa Bento 16 foi marcado por várias polêmicas e alguns escândalos.

Declarações do próprio pontífice provocaram críticas de muçulmanos, judeus, ativistas de defesa de direitos civis e autoridades médicas – estes últimos especialmente preocupadas com sua condenação do uso de preservativos.

Abaixo, confira alguns dos mais controversos episódios do seu pontificado:Entre os escândalos, ele teve de lidar com acusações de que o Vaticano teria ajudado a acobertar casos de pedofilia e, mais recentemente, um escândalo desatado pelo vazamento de documentos sigilosos que faziam referência à corrupção nos negócios da Igreja Católica com empresas italianas.

Declarações sobre Maomé

Em 2006, em um discurso na Universidade de Ratisbona, Bento 16 fez uma declaração sobre Maomé que levou a uma série de protestos em países e comunidades islâmicas.

Na ocasião, durante uma palestra intitulada "Fé, Razão e a Universidade", o papa citou o que seria, segundo ele, uma frase do imperador bizantino Manuel 2º Paleologus sobre a prática de espalhar a fé com violência: "Mostre-me o que Maomé trouxe de novo, e lá você encontrará apenas coisas más e desumanas, como o seu comando de espalhar pela espada a fé que ele pregava".

A declaração foi repudiada em todo o mundo muçulmano.

Em Nablus, na Cisjordânia, duas igrejas foram atacadas com bombas. O governo do Paquistão pediu explicações para o embaixador do Vaticano no país e até o Parlamento europeu aprovou uma resolução recriminando o papa.

"É lamentável que o líder religioso dos cristãos tenha tão pouco conhecimento do Islã, e que fale sem vergonha disso", disse na época o clérigo iraniano Ahmad Khatam.

Discurso em Auschwitz

Durante uma visita ao local onde ficava o mais conhecido campo de concentração nazista na Polônia, em maio de 2006, Bento 16 atribuiu a culpa do Holocausto a "um bando de criminosos" que teriam "abusado" do povo alemão.

As declarações em Auschwitz foram censuradas por importantes figuras da comunidade judaica, para quem as palavras do pontífice teriam reduzido a responsabilidade de aliados e cúmplices do nazismo.

O presidente da União de Comunidades Judaicas Italianas, Claudio Morpurgo, se disse "perplexo" com a declaração de Bento 16 - primeiro papa alemão desde o século 11 - e o grande rabino de Roma, Riccardo di Segni, classificou o discurso como "problemático".


Preservativos

Durante uma visita a África, em Março de 2009, Bento 16 criticou a distribuição de camisinha para combater o problema da Aids no continente, que concentra 75% das mortes pela doença no mundo.

“O problema da Aids é uma tragédia que não pode ser derrotada só com dinheiro ou pela distribuição de preservativos - que até pode agravar o problema”, disse o pontífice, ao conversar com jornalistas no avião, a caminho da capital de Camarões.

A Igreja católica prega que a castidade e a abstinência são a melhor maneira de combater a Aids e, segundo o papa, "a única solução" para o problema seria uma mudança "espiritual" que faria as pessoas adotarem um "comportamento correto em relação ao corpo".

As declarações provocaram protestos de entidades médicas e organizações de combate a Aids.

Pedro Chequer, por exemplo, representante no Brasil no órgão da ONU para o combate à doença, chegou a classificar o discurso de Bento 16 como "genocida".


Pedofilia

As denúncias mais graves de pedofilia na igreja atingiram seu auge em 2009 e 2010. Segundo elas, dioceses locais e o próprio Vaticano foram cúmplices no acobertamento de inúmeros casos de pedofilia, hesitando em punir padres pedófilos e às vezes mudando-os para postos nos quais continuaram a praticar abusos.

Enquanto algumas autoridades católicas inicialmente qualificaram as acusações de serem parte de uma campanha contra a Igreja, o papa aceitou a responsabilidade pelos episódios, falando em "pecados dentro da Igreja".

Bento 16 encontrou vítimas e emitiu pedidos de desculpas inéditos. Enfatizou que os bispos notifiquem os casos de abusos e introduziu novas regras para apressar a apuração de denúncias de pedofilia.

Para os simpatizantes de Bento 16, ele foi o papa que mais agiu contra os abusos.

Críticos, porém, dizem que foi necessário um bom tempo para que o alemão compreendesse a seriedade dos crimes que lhe eram notificados e ele permitiu que os abusos ficassem sem resposta por anos para evitar arranhar a imagem da Igreja.

Corrupção

No ano passado, um escândalo foi desatado pelo vazamento de uma série de documentos do Vaticano sugerindo episódios de corrupção e lutas internas pelo poder nas altas esferas da Igreja Católica.

Alguns dos documentos teriam sido retirados do apartamento do próprio Bento 16, e o mordomo do papa, Paolo Gabriele, foi preso, acusado de conexão com o caso.

Gabriele, que teria entregue os documentos a um jornalista, disse que sua intenção era expôr a corrupção e as perversidades do Vaticano.

Ele foi condenado a 18 meses de prisão por roubo de documentos oficiais, mas foi "perdoado" pelo papa.

Outro empregado do Vaticano, Claudio Sciarpelletti, também foi condenado e perdoado pelo pontífice.

Supercomputador Watson é escolhido para atender pacientes com câncer em mais hospitais



O supercomputador Watson ficou famoso por participar de um game-show nos EUA e derrotar concorrentes humanos. No entanto, ele sempre esteve destinado para mais do que isso. Agora você pode chamá-lo de “Dr.” Watson: através de um aplicativo médico baseado na nuvem, ele vai ajudar a atender (mais) pacientes com câncer.

No ano passado, o Watson já estava em testes para tratar pacientes no Memorial Sloan-Kettering, o maior centro de oncologia de Nova York.

Agora, os médicos do WestMed e do Centro de Maine para Medicina do Câncer, ambos nos EUA, em breve poderão fazer perguntas ao Watson através de um tablet ou computador. O primeiro trabalho de Watson é ajudar médicos a decidir qual tipo de tratamento será mais eficaz para pacientes com certos tipos de câncer de pulmão. Ele vai analisar as milhares de páginas nos registros do paciente, para então dar respostas em ordem decrescente de confiabilidade.

O Watson não vai tomar nenhuma decisão sozinho: ele facilita a tomada de decisão, analisando toneladas de dados para trazer só as mais importantes. O Watson começa a ajudar os médicos no mês que vem.

Enquanto isso, o Watson já vem trabalhando na seguradora de saúde WellPoint Inc – seu primeiro trabalho – onde ele faz mais ou menos a mesma coisa. No entanto, em vez de recomendar tratamentos médicos com base em eficácia, ele oferece sugestões para quais tratamentos a empresa deve autorizar o pagamento, em casos particularmente complexos.

O Watson deve ser mais eficiente que humanos em ambos os casos: ele consegue lidar com questões formuladas de forma natural, e depois analisar quantidades gigantescas de dados para respondê-las. Basicamente, ele é o melhor médico-residente que existe – e o mais rápido também.

Pode parecer assustador colocar a sua saúde nas “mãos” frias e metálicas de uma máquina, só que isso é mais eficiente em casos complexos – e sempre tem um médico humano para decidir. É melhor você se acostumar com a ideia: este é apenas o começo.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Campanha falsa no Facebook promete sortear 14 iPhones e engana 200 mil







Uma falsa campanha no Facebook que promete sortear 14 iPhones 5 de 64 GB até o dia 31 de março já engou mais de 200 mil usuários brasileiros na rede social. A página de fãs “Apple Inc Brasil” tenta se passar por uma página oficial da Apple para o país no Facebook usando uma logo adaptada com a bandeira brasileira e fotos de produtos.




O único post publicado pela página afirma que a empresa recebeu um lote de aparelhos que não podem ser vendidos por estarem “sem a película exterior da caixa”. Ao final da explicação, o post pede que os usuários compartilhem a imagem e curtam a página. O autor da publicação sugere que a escolha da cor do aparelho seja feita nos comentários.






seu comentário no Fórum do TechTudo!

“Recebemos 14 iPhones 5 64GB que não podem ser comercializados por se encontrarem sem a película exterior da caixa. Vamos SORTEAR os 14 iPhones através desta página a quem COMPARTILHAR esta imagem e GOSTAR/CURTIR esta página. O sorteio termina no dia 31 de Março de 2013”, diz o post que ainda deseja boa sorte.

Há ainda um link encurtado pelo bit.ly que direciona o usuário uma suposta página oficial da App Store Brasil (chamada de App Store BR) com uma cópia do post falso do sorteio.

É bom lembrar que a fabricante americana não tem perfil ou página oficial no Facebook e no Twitter, e não faz promoções de iPhones por meio de redes sociais. Há páginas oficiais da fabricante do iPhone e do iPad para a App Store e a iTunes, apenas.




Techtudo

Pessoas ignorantes, sem ceticismo, sem a menor capacidade de pensar e que acreditam em qualquer coisa. É o reflexo de uma sociedade sem o costume de questionar as coisas, acreditando em tudo e querendo levar vantagem. Quer um iPhone? Vá trabalhar e compre um. Esperar celulares caros de promoções falsas em redes sociais é o ápice da ignorância.



sábado, 9 de fevereiro de 2013

Brasileiro é coautor de estudo que revelou 1º ancestral comum dos mamíferos



O ancestral comum a todos os mamíferos placentários - como o homem, o cavalo, o cão, o macaco e a baleia - apareceu após a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos, revela uma pesquisa internacional que contou com a participação de um cientista brasileiro do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

"É cerca de 36 milhões de anos mais tarde do que as estimativas baseadas unicamente em dados genéticos [afirmavam]", explicou o brasileiro Marcelo Weksler, paleontólogo do Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), um dos 23 coautores do estudo publicado na edição desta sexta-feira (8) da revista científica norte-americana Science.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas se apoiaram no maior banco de dados do mundo, no qual examinaram traços genéticos e morfológicos das diferentes espécies para reconstruir a árvore genealógica dos mamíferos placentários, o ramo mais importante desta família que tem mais de 5.100 espécies vivas.

Para chegar ao ancestral comum dos mamíferos, um animal que seria do tamanho de um pequeno rato, estes cientistas destrincharam as características físicas e genéticas de 86 espécies, 40 delas já extintas, mas conhecidas através de seus fósseis.

No processo, reuniram 4.500 características morfológicas como a presença ou a ausência de asas, dentes e certos tipos de esqueletos, e depois as combinaram com dados genéticos.

UOL

Compreender nossas origens, através da evolução, é uma forma de nos compreendermos. Interessante o estudo, que mostra cada vez mais como foi espetacular o desenvolvimento da vida em nosso planeta.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Clima Espacial: Teremos Supertempestades Solares em 2013?



Estamos praticamente no pico do ciclo solar, um período caracterizado por fortes ejeções de massa coronal e tempestades solares intensas, capazes de provocar sérios blecautes elétricos aqui na Terra. No entanto, modelos de previsão mostram que isso pode não acontecer neste ciclo.


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Para quem não sabe, a cada 11 anos o Sol passa por momentos alternados de alta e baixa atividade eletromagnética, conhecidos por mínimos e máximos solares. Esse período é chamado de ciclo solar ou de Schwabe e desde que as observações começaram a ser feitas já foram contados 24 ciclos até o ano de 2013, quando deveremos atingir o máximo do ciclo no mês de maio.

Durante o período do máximo solar, grandes manchas e intensas explosões ocorrem quase diariamente na superfície do Sol. Em consequência, na Terra as auroras surgem até nas latitudes médias e violentas tempestades de radiação atingem os satélites em órbita.

A última vez que isso aconteceu com tal intensidade foi entre os anos de 2000 e 2001, durante o máximo do ciclo solar 23. Naquela ocasião, o número médio de manchas na superfície do Sol era de aproximadamente 170.



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Alguns anos antes, durante o pico do ciclo solar 22, em 1989, o número de manchas solares calculado era ainda maior - cerca de 200 - e a intensa atividade solar foi responsável pelo grande blecaute de energia elétrica ocorrido em Quebec, no Canadá, quando ocorreram diversas explosões em transformadores em decorrência de correntes induzidas nas linhas de transmissão.

Previsão para 2013
Diferente dos ciclos anteriores, quando o número de manchas solares durante os picos foi sempre superior a 160, para 2013 os modelos não são tão otimistas assim e a quantidade de manchas esperadas não deverá ultrapassar 100 no mês de maio, quando atingiremos o ápice do período.

A menor atividade da estrela é bastante clara. Como estamos próximos ao pico, as tormentas solares já deveriam estar acontecendo com maior frequência há alguns meses e cada vez com maior intensidade. Deveríamos também ter uma quantidade maior de manchas solares, responsáveis diretamente pela atividade do Sol, mas isso não está acontecendo.

Apesar de as previsões para 2013 apontarem para um período de baixa atividade solar, isso não significa que não teremos explosões solares, ejeções de massa coronal ou formações de auroras. Esses eventos deverão acontecer diversas vezes ao longo de 2013 e índices KP superiores a 7 ou 8 poderão ser registrados, mas não por períodos prolongados ou seguidos como aqueles observados em 1989, 2000 ou 2001.


Ciência Jovem
Os motivos que fazem desse ciclo um dos mais fracos dos últimos 100 anos ainda é uma incógnita para os físicos solares e muitos estudos e observações ainda precisarão ser feitos para que se chegue a alguma conclusão.

Como a previsão de clima espacial é uma ciência ainda é bastante jovem, é impossível no momento saber se existe algum padrão que possa justificar esse ciclo menos intenso, mas os estudos não param.

Tanto a Nasa, a agência espacial americana, como a ESA, a Agência Espacial Europeia, investem milhões de dólares no estudo do Sol com a esperança de compreender um pouco mais o comportamento da estrela. Esses avanços permitiram a criação de excelentes modelos de previsão de explosões (os chamados flares solares) e também de deslocamento das partículas ejetadas, que permitem que alertas de tormentas geomagnéticas sejam divulgados com bastante tempo de antecedência.


A mais intensa
A tempestade geomagnética mais intensa que se tem registro foi denominada Evento Carrington e ocorreu entre agosto e setembro de 1859. A intensa tormenta foi testemunhada pelo astrônomo britânico Richard Carrington, que observou o fenômeno através da projeção da imagem do sol em uma tela branca. Na ocasião, a atividade geomagnética disparou uma série de explosões nas linhas telegráficas, eletrocutando técnicos e incendiando os papéis das mensagens em código Morse.



Relatos informam que as auroras boreais foram vistas até nas latitudes médias ao sul de Cuba e Havaí. Nas Montanhas Rochosas, no oeste da América do Norte, as auroras eram tão brilhantes que acordavam os camponeses antes da hora, que pensavam estar amanhecendo. As melhores estimativas mostram que o Evento Carrington foi 50% mais intenso que a supertempestade de maio de 1921.


Fotos: No topo, gráfico mostra a evolução da quantidade de manchas solares desde 1995 e a previsão para 2013. Na sequência, imagem do Sol feita pela astrônoma amadora Meire Ruiz, em Itanhaém, São Paulo, mostra um grande número de manchas na superfície da estrela em 6 de janeiro de 2013. Acima,um dos transformadores que explodiu durante a tempestade solar ocorrida em 1989, na cidade de Québec, no Canadá. Créditos: NASA, Meire Ruiz, Hydro Québec, Apolo11.com.


Apolo11.com

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Operadores de telemarketing são vítimas de estresse físico e emocional



O telemarketing emprega 5 milhões de pessoas nos Estados Unidos e 1,5 milhão na Europa. Na Inglaterra, existe mais gente empregada nesse setor do que nas indústrias de carvão, aço e automóveis juntas. No Brasil, o telemarketing já absorve cerca de 400 mil trabalhadores e a expectativa é de crescimento e geração de novos empregos. Estima-se que essa atividade movimente em torno de R$ 65 bilhões por ano no mercado nacional. Mas é preciso ter atenção: tantas cifras favoráveis ao telemarketing podem camuflar problemas relacionados a esse trabalho, como baixos salários e doenças ocupacionais, tanto físicas como psicossociais. Quem faz o alerta é a socióloga Simone Oliveira, funcionária da Diretoria de Recursos Humanos (Direh) da Fiocruz que, atualmente, faz doutorado na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), outra unidade da Fundação.









Durante um curso de especialização em ergonomia realizado na Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Simone fez um estudo em um dos muitos escritórios de call center de uma empresa de telemarketing. Participaram da pesquisa 36 funcionários, que foram observados em seu ambiente de trabalho durante um mês e responderam a questionários. "O objetivo principal do estudo foi contribuir para a compreensão da relação entre trabalho e saúde, utilizando a Análise Ergonômica para intervenção em um ambiente de trabalho que apresentava elevado número de casos de lesão por esforço repetitivo (LER)", conta a pesquisadora.

Foram identificados problemas no mobiliário: impossibilidade de se fazer ajustes na altura do teclado e monitor, cadeiras sem regulagem para alternância postural e ausência de apoio para os pés. Verificou-se também que a organização do trabalho não previa pausas suficientes. Além disso, o espaço destinado a essas pausas não oferecia nenhum atrativo e os trabalhadores não tinham autonomia para deixar seu setor quando necessário. "Eles passavam os intervalos em um ambiente sem nenhuma vista do exterior, como se realmente estivessem isolados em uma ilha", lembra Simone. Foram encaminhadas sugestões à gerência da empresa, que implementou algumas mudanças, principalmente as relacionadas à adequação do mobiliário.

No entanto, não era apenas o mobiliário inadequado que comprometia a saúde dos trabalhadores de telemarketing e acarretava grande número de faltas ao serviço. "Eles eram submetidos à forte pressão e viviam sob a constante ameaça de perder o emprego, já que a rotatividade de funcionários no setor de telemarketing costuma ser bem acentuada. Tudo isso é extremamente prejudicial", explica Simone. Os funcionários estudados telefonavam para os clientes oferecendo produtos ou serviços. E, embora essa atividade costume ser menos estressante do que a de atender ligações de clientes insatisfeitos, Simone identificou situações geradoras de estresse emocional no ambiente de trabalho investigado.

Os operadores de telemarketing executam tarefas muito repetitivas. Ao falarem com o cliente, eles têm que seguir um script predeterminado e são rigidamente supervisionados, já que toda a conversa é gravada. "O serviço de telemarketing quase não permite que o trabalhador expresse sua subjetividade, o que provoca estresse emocional - base de várias patologias", comenta a pesquisadora. "Em alguns tipos de ocupação, a relação entre a causa e o efeito na saúde é imediata. É o caso, por exemplo, de trabalhadores expostos a substâncias tóxicas. Porém, como essa relação não é tão óbvia para os operadores de telemarketing, o sofrimento ao qual eles são submetidos não é encarado como um problema", completa.

Preocupada com o crescente número de operadores de telemarketing vítimas de doenças ocupacionais, Simone pretende dar continuidade a essa pesquisa agora no doutorado. "Vou estudar uma outra empresa, abordando com maior complexidade alguns aspectos relacionados à saúde dos trabalhadores", adianta ela, que será orientada pela engenheira especializada em saúde pública Jussara Cruz de Brito, pesquisadora do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh) da Fiocruz.

A profissão de operador de telemarketing não tem legislação específica na Consolidação das Leis do trabalho (CLT). Ela engloba as funções de atendente, digitador e telefonista. É exercida, sobretudo, por jovens e estudantes, a maioria do sexo feminino.


Telemarketing é coisa antiga

Em 1880, quatro anos após a invenção do telefone, um pasteleiro norte-americano montou uma lista de 180 clientes e, empiricamente, passou a oferecer seu produto a eles através de contato telefônico. Mais tarde, em 1967, a empresa norte-americana Bell lançou o primeiro serviço tipo 0800. "Em 1970, com intuito de vender mais carros, a Ford realizou a primeira campanha de marketing por telefone. Contratou 15 mil donas-de-casa, que realizaram mais de 20 milhões de chamadas de suas próprias residências. O objetivo era identificar futuros clientes e pessoas com potencial para compra de um automóvel. Esta foi uma das primeiras campanhas de telemarketing ativo", afirma Simone. No entanto, somente na década de 80 do século 20 surgiria o termo telemarketing. "Essa atividade começa, então, a ser terceirizada por empresas de processamento e torna-se uma das ferramentas mais importantes do marketing", diz a pesquisadora. No Brasil, o desenvolvimento do telemarketing também teve seu marco nos anos 80, quando corporações norte-americanas começaram a chegar ao país.

A maioria das empresas deste ramo no Brasil pagam salários miseráveis aos trabalhadores, cobrando deles metas praticamente impossíveis de serem cumpridas e dando pouco tempo para os mesmos irem ao banheiro ou almoçar, por exemplo. Algumas firmas da área ainda têm práticas mais perversas, como segurar a carteira de trabalho quando um funcionário pede demissão, inventando desculpas para não devolvê-la. Já soube de pessoas que tiveram que fazer outro documento, pois a empresa não quis devolvê-lo.

Vejam este caso aqui, de desrespeito e falta de preparo em lidar com emergência neste tipo de ambiente: