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sábado, 10 de setembro de 2011

O choque elétrico

O corpo humano é movido pela eletricidade. É ela que, através dos impulsos elétricos do sistema nervoso, nos faz sermos o que somos.

Mas como pode ser isso? Vejamos três exemplos:
1.- as imagens que vemos chegam às nossas retinas através dos fótons, as sensibilizam e são transformados em impulsos elétricos pelo nervo ótico e levados ao nosso cérebro que, por sua vez, "reconhece" essas imagens;
2.- os sons que ouvimos também chegam ao cérebro tendo suas ondas sonoras transformadas em impulsos pelo aparelho auditivo;
3.- os músculos que movimentam nossas pernas obedecem a comandos elétricos emitidos pelo cérebro. 

O nosso sistema nervoso é bidirecional, ou seja, os impulsos elétricos vão para o cérebro e também dele emanam. Eles são de uma amplitude muito pequena, medida em miliampères. Um miliampère equivale a 1 Ampère dividido por 1000; para se ter uma idéia, uma lâmpada de 100 Watts consome 0,91 Ampères se estiver ligada em 110 Volts. A corrente que circula em nosso corpo dificilmente ultrapassa os 25mA (miliampères), de tão pequena é; tanto que, para medir essa corrente, os médicos necessitam de aparelhos muito sensíveis, como o usados para eletroencefalogramas, eletrocardiogramas e eletroneuromierografias. 

Vamos agora falar sobre o choque elétrico no corpo humano propriamente dito. Ele é função de três fatores: tensão, resistência e área de contato. 

A tensão é medida em Volts [V] e é também conhecida por voltagem. Em nosso dia a dia, temos desde os 1,5V de uma pilha pequena, passando pelos cerca de 110/220V de nossas residências e pelos 13.800V de tensão primária da companhia distribuidora de energia elétrica, até os 88.000V ou mais das linhas de transmissão. 

A resistência é medida em Ohms e quanto menor ela for maior poderá ser o choque que levaremos.

A área de contato é muito importante pois, quanto maior ela for e quanto mais umidade contiver, maior também será o choque elétrico.
 
 
Ora, quando levamos um choque, é o nosso corpo que oferece resistência à passagem da corrente elétrica e, como na média ela equivale a 300 Ohms, podemos ter uma idéia da corrente que poderemos sofrer caso levemos um choque em nossa residência pela tabela a seguir:

TIPO DE CONTATO110V220V
entre as pontas dos dedos de ambas as mãos (dedos secos)7mA14mA
entre as palmas de ambas as mãos (palmas secas)122mA244mA
mão com ferramenta e pés calçados (secos)6mA12mA
mão com ferramenta e pés calçados (molhados)183mA366mA
corpo no chuveiro ou na banheira220mA440mA

É a partir dos 30mA que a corrente pode começar a provocar efeitos danosos em nosso corpo, indo desde um leve formigamento, passando pela paralisia momentânea e pela tetanização (rigidez total dos músculos), e podendo chegar a fibrilação (movimentos descoordenados do coração),  parada cardíaca ou respiratória.

 
A tabela a seguir dá um exemplo de como essa corrente pode afetar nosso corpo em função de sua magnitude:


CORRENTEREAÇÕES FISIOLÓGICAS
0,1 a 0,5mAleve percepção superficial
0,5 a 10mAligeira paralisia nos músculos, início de tetanização
10 a 30mAnenhum efeito perigoso se houver interrupção do contato em no máximo 5 segundos
30 a 500mAtetanização, sensação de falta de ar, possibilidade de fibrilação
acima de 500mAtraumas cardíacos persistentes



Nota: esta postagem pode ser publicada somente com a autorização do autor e referência ao mesmo.

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