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sábado, 21 de maio de 2011

Como a inquisição católica lidava com céticos e judeus



Por volta de 1506, todos em Portugal estavam ciente da forma como a Inquisição na Espanha lidava com os hereges convertidos. Além disso, todos sabiam que o cristianismo dos convertidos em Portugal era simulado. A peste ainda afetava o país e alguém tinha que levar a culpa. O ambiente era propício para um auto de fé popular, aprovado apenas pelo preconceito.

Naquele ano, em uma das capelas do monastério dominicano da cidade, uma estranha luz foi vista em um dos crucifixos. Alguém disse que era um milagre. Outros não estavam tão certos, e um convertido, cuja sinceridade era maior do que o bom-senso, afirmou que se parecia com uma vela acesa perto da imagem de cristo. Ao ouvir isso, alguns paroquianos agarraram o homem pelos cabelos e o arrastaram para a rua, onde ele foi linchado e depois queimado no Rossio, diante da multidão.

Uma das testemunhas da incineração foi um frade, que começou a incitar o povo contra os convertidos. Em seguida, dois frades dominicanos saíram do monastério com um crucifixo das mãos, gritando:”Heresia, heresia!”. Em uma clara versão popular dos autos de fé espanhóis, nos quais dominicanos eram a ordem religiosa encarregada da Inquisição, uma multidão de quinhentas pessoas correu pelas ruas etreitas da cidade, agarrando todos os convertideos que encontrava, matando-os na mesma hora ou arrastando-os semiconscientes até as fogueiras, nas quais foram queimados vivos.O prefeito de Lisboa tentou defender os convertidos com setenta homens armados, mas a multidão voltou-se contra ele, e não havia mais nada que pudesse ser feito. As fogueiras foram atiçadas por criados e escravos africanos. Elas ardiam às margens do rio e no Rossio, e neste dia quinhentas pessoas foram queimadas.

Trechos do livro: “Inquisição-O reinado do medo”, de Toby Green. Páginas 78-79

Um comentário:

Gerson Avillez disse...

A inquisição foi um capitulo vil da crueldade sem proporção e desigual do que alguns tinham por justiça, que não deve ser esquecida pelo simples fato de que não devemos repeti-la.