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sábado, 23 de março de 2013

Resenha do filme "Vai que dá certo"


Comediantes brasileiros, de tempos em tempos, mostram que é possível fazer rir sem apelar para a baixaria gratuita. O filme "Vai que dá certo", com Fábio Porchat e vários humoristas da nova safra de atores demonstra isso. Aliás, o roteiro é todo bem escrito e bem amarrado com Porchat, que cria várias situações nas quais os protagonistas vão se complicando cada vez mais.


Na história, antigos parceiros se reencontram e percebem que não conquistaram o sucesso que planejavam na juventude. Infelizes com seus empregos e salários, decidem recuperar o tempo "perdido" após receberem a tentadora proposta, que pode os deixar ricos. O que atrapalha-os é que não têm vocação nenhuma para o crime e nada sai como desejavam. 

Com direção de Maurício Farias, a comédia nacional reúne nomes como Bruno Mazzeo, Lucio Mauro Filho, Fábio Porchat, Danton Melo, Gregório Duvivier, Felipe Abib e Natália Lage.

As piadas de risada rápida lembram bastante o trabalho que já é feito nos vídeos de internet da equipe do "Porta dos Fundos", que contam com Porchat e  Gregório Duvivier, ambos naturalmente engraçados com diversos trejeitos e sem falar nada propriamente dito hilário. Mazzeo, cada vez mais parecido com o pai Chico Anysio, faz o papel de um candidato a deputado, que acaba por ajudar os antigos amigos de escola envolvidos no crime, por também fazer parte das digamos "velhas práticas heterodoxas vistas na política".
O filme aborda, de maneira bem-humorada, outros problemas do país, como a corrupção policial.

Algumas pessoas ainda têm preconceito com o cinema nacional, mas este merece ser visto e é diversão garantida.

Trailer:


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ir ao cinema está cada vez mais caro no Brasil



Ir ao cinema nas grandes cidades do país ficou, em média, 7,87% mais caro entre março de 2011 e março deste ano, segundo pesquisa divulgada nesta sexta(13) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O aumento no custo desse programa de lazer ficou acima da média da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que foi 5,5% no mesmo período.

Para calcular a inflação para uma ida ao cinema, a FGV considerou não apenas o ingresso para o filme, mas também a comida e o estacionamento. Segundo a pesquisa, o item que mais pesou na composição dessa taxa de inflação foi o estacionamento, cujo preço subiu 15,03% no período.

O ingresso aumentou 8,6%, enquanto um sanduíche teve alta de 8,36% no preço. As bebidas ficaram 8,12% mais caras e os sorvetes, de 6,75%. Os doces e salgados, com taxa de 1,74%, e os bombons e chocolates (0,1%) foram os únicos itens que subiram menos do que a inflação medida pelo IPC.

Falta de opções
Muitos espectadores cinéfilos que está cada vez mais difícil encontrar filmes em 2D no Brasil. " Muitas estreias são lançadas em terceira dimensão e na forma convencional, mas as salas preferem passar apenas a versão em 3D, para cobrar o ingresso mais caro", queixa-se o administrador de empresas Diógenes Gomes, 25.

Ricardo Muriel, estudante de 15 anos, reclama das dublagens. "Quase não há mais filme no idioma original. Detesto as dublagens nacionais, são sempre as mesmas vozes. Será que eles pensam que público não sabe ou não quer ler?", afirma.

Comentário do Celso:
Quase não há mais opções de filmes para quem não gosta de filmes em 3D e dublados, acredito que a dublagem deva ser creditada à ascenção das classes C e D que não gostam de ler legendas, mas esse recurso afeta em muito a interpretração dos artistas originais, sem contar que a qualidade do som e dicção dos dubladores brasileiros deixam muito a desejar.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ministério Público pede legendas em filmes nacionais

Moacyr de Mello, 94, desistiu de cinema. O último filme que viu foi "Avatar", no ano passado. Depois, nunca mais.

Produções dubladas ou nacionais? Fora de cogitação.

"Tenho deficiência auditiva. Sem legenda, nem adianta ir ao cinema. Nos DVDs que você compra, tem a legenda bonitinha. Assisto a filmes em casa agora", diz o cinéfilo do Paraná.

Nesta semana, o Ministério Público Federal em São Paulo entrou com processo para cobrar que o governo saia da "inércia" e defenda os deficientes auditivos.

A proposta: legendas devem ser obrigatórias para obras nacionais patrocinadas com dinheiro público.
A ação aponta que essa medida beneficiaria cerca de cinco milhões de brasileiros que têm algum problema para escutar (os dados são da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos).

Para espectadores mais velhos, por exemplo, má acústica das salas e dicção embolada de atores podem prejudicar a apreensão do filme.

A notícia chegou à Folha por meio do Folhaleaks, canal pelo qual o jornal recebe informações e documentos.

Na ação civil pública proposta pelo procurador Jefferson Aparecido Dias, os réus são União (que representa o Ministério da Cultura), Ancine (Agência Nacional do Cinema), Petrobras e BNDES.

Dias pede uma liminar para obrigar Petrobras e BNDES a adequar editais e contratos em até 40 dias. A ideia é que os principais patrocinadores do cinema brasileiro exijam cópias legendadas para liberar dinheiro ao setor.

A fiscalização, segundo Dias, deve ficar a cargo do MinC e da Ancine. A desobediência significaria multa diária de ao menos R$ 100 mil.

Ele diz que "a inércia [dos órgãos] está dificultando a adoção das medidas".

Petrobras e BNDES, por sua vez, "se recusam a adotar postura em prol da acessibilidade [...] somente por falta de exigência dos órgãos públicos reguladores".


OUTRO LADO
A Ancine se diz "alinhada com a proposta de acessibilidade", mas "zelosa". Para a agência, "custos devem ser equacionados" a fim de não "prejudicar a consolidação da indústria do cinema".

O BNDES afirmou que seguirá diretrizes da Ancine, e que só apoia projetos aprovados por ela. MinC e Petrobras não comentaram o caso, pois ainda não foram oficialmente citados pela Justiça.


Comentário do Celso:
Medida mais do que apropriada, mesmo porque a dublagem nacional e a dicção dos atores são péssimas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Resenha do filme "Os Pinguins do Papai"


Jim Carrey parece ter um “karma” com filmes cômicos onde animais dividem o protagonismo com ele. Como nos filmes “Ace Ventura”, o ator canadense mostra que fala mesmo na mesma língua da bicharada, sem ninguém se sobressair mais que o outro.
Em “Os Pinguins do Papai”, não poderia ser diferente. O diretor Mark Waters até tenta colocar alguns tons mais sérios na história, com o personagem de Carrey tentando se reaproximar de sua ex-esposa e seus filhos, mas quem manda mesmo são os bichinhos que gostam do frio.
A história fala sobre a vida de Sr. Popper, um incorporador de imóveis de Nova York especialista em comprar prédios velhos e ocupar os terrenos como edifícios novos. Popper descobre que seu falecido pai, que teve pouca presença em sua infância, enviou-lhe como último presente um pinguim, em uma caixa - o pai era um explorador, que estava na Antártica. Ao tentar devolver o bicho, mais pinguins chegam, o que torna sua vida um inferno.
Proteger os pinguins, ficar próximo à sua família e comprar um antigo restaurante no Central Park são as metas do personagem de Carrey ao longo do filme, e ele divide bem a atenção entre todos os problemas, sem tornar a história cansativa para o espectador.

Os simpáticos animais roubam a comida de Popper, alagam sua casa, perseguem-no pela rua e jogam futebol, para a alegria dos filhos do  brincalhão executivo. Carrey mostra que suas piadas, caretas e improvisos ainda estão em dia. Ele sabe fazer cara de coitado nos momentos que o filme pede. Em um momento, ele está sério, em outro, imita um herói correndo em câmera lenta no clímax.
Apesar de algumas críticas ao filme feitas por especialistas, a platéia ri durante a pouco mais de uma hora e meia, o que definitivamente prova que a película é um bom entretenimento.
Trailer:

Elenco:
Jim Carrey (Tom Popper)
Carla Gugino (Amanda)
Angela Lansbury (Mrs. Van Gundy)
Madeline Carroll (Janie Popper)
Ophelia Lovibond (Pippy)
Philip Baker Hall
Dominic Chianese (Reader)
James Tupper (Rick)
Kelli Barrett (Mrs. Popper)
Maxwell Perry Cotton (Billy)
Pepper Binkley (Professor de Tom)

Avaliação: Bom

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Roma de Fellini

Sinopse: Filme composto por três quadros fundamentais: 1. Na escola primária de Rimini, o professor conta histórias sobre a Roma mítica. 2. Nos anos 1940, o jovem Fellini chega a Roma antes da Segunda Guerra Mundial e descobre os seus teatros e bordéis. 3. Nos anos 1970, o cineasta Fellini faz um documentário sobre Roma, evocando sobretudo o seu lado invisível.


De tempos a tempos volto a Federico Fellini. Sempre que o cinema maisntream não me satisfaz - algo que infelizmente acontece com cada vez mais frequência - recupero este Roma em especial. Não sei se será o melhor filme do realizador italiano, que tanto influenciou a geração americana de cineastas que viria a ser designada "Movie Brats" (Coppola, Scorsese, De Palma, Friedkin, etc.), -- autor dos belíssimos e intensos A Estrada (La Strada, 1954), As Noites de Cabíria (Le Notti Di Cabiria, 1957), A Docevida (La DoceVita, 1960), 8 e 1/2 (Otto e Mezzo, 1963) ou Amacord (1973) -- mas é certamente aquele que me toca mais enquanto cinéfilo apaixonado pela arte do bom cinema. É tocante, e fascinante, a forma como Fellini filma a sua querida e amada Roma, é tocante a forma apaixonada como retrata a sua visão da cidade, pondo sempre em evidência as suas contradições e história. Sublime? Talvez. Irónico? Sem dúvida.


A Roma de Fellini é suja, é alegria, é exagero e sentimento. É também uma cidade de ilusão, de fabricantes de ilusão, do teatro, do cinema, da história. Ao mesmo tempo é uma cidade nostálgica, construída sobre diversas camadas de mito e realidade. É uma cidade corrompida mas sempre, sempre, eterna, com várias vidas e várias mortes. Roma é portanto tudo menos uma sinfonia. É muito mais um verdadeiro quadro fílmico onde podemos encontrar sobrepostos mito e realidade, sonho e pesadelo. Em Roma podemos encontrar uma saborosa mistura da Nova-Iorque de Woody Allen com a de Martin Scorsese -- ou não fosse o mestre Fellini um dos principais mentores do cinema de ambos os realizadores Norte-Americanos e um cineasta popular nos EUA, tendo ganho mesmo quatro Óscares (A Estrada, As Noites da Cabíria, 8 e 1/2, Amacord).


Roma tem como premissa central a sobreposição de presente e passado (realidade e mito, respectivamente) da cidade que empresta o nome ao título do filme. Com uma narrativa não-linear, que procura precisamente recriar essa sobreposição passado-presente, Roma deixa antever logo desde início um conjunto de imagens que em tudo procuram reproduzir na tela o "sentir" de Fellini. Tendo como fio condutor principal o percurso autobiográfico do próprio Fellini(está construído com diferentes camadas narrativas), o filme acaba por dar todo o destaque à cidade, verdadeira personagem central. Oscilando entre a representação da mítica herança Romana por entre o duro passado repressor da ditadura de Mussolini e a realidade de um presente nos anos 1970, o filme vai progredindo mais ou menos episódicamente até ao momento final em que a conclusão do autor Fellini nos é transmitida. Até ai, assistimos precisamente aos vários planos/quadros que fazem a essência da cidade: cidade do mito, do presente e do submundo. Assim, temos uma Roma mitológica. A Roma de Júlio César, dos feitos heróicos, da glória de um império mas também uma cidade localizada nos anos 1940 (o tempo podia ser outro qualquer), da ilusão portanto, que parece auto-recriar-se em torno dessas imagens do passado. Por outro lado, temos também a cidade do presente. Presente dos anos 1940, quando o próprio Fellini seria actor principal em todo aquele mundo, e presente dos anos 1970, quando será o próprio Fellini/realizador a mostrar a cidade através da imagem. Essa cidade presente vive intensamente, passa por revoluções e reconstruções culturais e, sobretudo, sobrevive, recria-se por entre contradições.

A Roma dos anos 40 é a Roma das festas, da alegria nas ruas, mas também a cidade que caminha para o fascismo, para a Segunda Guerra Mundial. Já nos anos 70, continua a mostrar-nos as suas duas faces. De um lado, temos a cidade monumental, turística, com todos os arquétipos conhecidos da Itália romântica. Do outro lado, continuamos a ter bem presente a Roma dos hippies, a moderna Roma dos eternos engarrafamentos, do caos da vida moderna, que vive do temperamento mediterrânico. Por fim, surge-nos aqui e ali a cidade do submundo, do inconsciente individual, um plano do excesso que sempre se mantém. Temos a Roma suja, exagerada; a cidade que transita dos anos 1940 para os anos 1970. Com a sombra da noite, com o fim dos festejos chega a cidade escura, solitária, silenciosa, a cidade operática, monumental, mas ao mesmo tempo castradora, por onde circulam pastores e ovelhas, mas também prostitutas obesas e envelhecidas. Essa vida boémia, do excesso (excesso de peso, excessos temperamentais), mantém-se sempre, apenas vendo aumentada a sua dureza.


Esta Roma de Fellini não é portanto um retrato idílico da cidade, é sim um exemplo perfeito do Neo-Realismo do realizador italiano, que começa nos anos 1970 a perder-se no cinema. As cores fortes que marcam a fotografia, aliada aos grandes planos, ajudam a criar todo um quadro que, antes de mais, impressiona pela sua quase banalização de tão excessivo, ou "real", que parece. Esta cidade feita de passado e presente surge-nos assim teatral, numa mistura brilhante entre documentário sério e puro insólito. Tudo neste filme parece gritar "Roma". Estão lá os velhos estereótipos, mas também a ironia suprema que marca o cinema de Fellini. À família, aos tipos sociológicos, aos ritos, aos cheiros e sabores de Roma, Fellini adiciona a ironia mordaz, sobretudo quando chega a vez de representar na tela a inevitável presença da Igreja Católica. Invocando toda a opulência do clérigo romano, Fellini compõe alguns dos momentos mais cómicos do filme, dos quais cito apenas aquele que se imortalizou na história do cinema mundial: repare-se em toda a longa sequência em que assistimos a um insólito desfile, onde nos são apresentadas as novas -- e exageradas -- tendências para a indumentária do clero católico, para freiras, frades, padres, bispos e, grande apoteose, para o próprio Papa.


Filme a ver sem dúvida. Intenso, exagerado, intimista, Roma é uma daquelas obras cinematográficas eternas que nos ensina a ver cinema, dado o experimentalismo estético rigoroso (contradição pois claro), a dimensão literária e a elasticidade técnica postas ao serviço de uma visão pessoal. Além do mais, o filme está recheado de pequenas pérolas em forma de sequências, detalhes de composição, montagem, que só por si colocam Roma num panteão imaginário de grandes obras. Tudo isto, pautado brilhantemente pela compsição sonora de Nino Rota (The Godfather), ajuda a criar um verdadeiro hino ao cinema de autor.


Pela primeira vez consegui assistir a essa obra prima ontem na televisão por assinatura. Eu pretendia escrever uma sinopse do filme mas acabei por achar esse excelente texto acima.

A seguir uma cena memorável desse filme.


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Confira os filmes que estréiam no cinema nesta sexta-feira


Opções para todos os gostos chegam ao cinema nesta sexta-feira (29). Com todos os ingredientes para ser um campeão de bilheteria, “Thor” é inspirado nas famosas histórias em quadrinhos da Marvel e conta a saga do filho de deus Odin, vivido pelo consagrado ator Anthony Hopkins. Após despertar uma grande guerra no reino de Asgard, Thor é enviado à Terra de castigo e obrigado a viver entre os mortais, arrumando muitos problemas. Diversão garantida para quem gosta de quadrinhos e aventura.


Já para os amantes dos dramas, a estréia de “Água para Elefantes” conta a história de Jacob, que desiste da faculdade de medicina veterinária após a morte de seus pais. Ele junta-se a um circo e se apaixona pela estrela do show, Marlena, que para piorar a situação é casada com um paranóico e esquizofrênico treinador de animais. O destaque vai para a atuação da bela Reese Witherspoon no papel de Marlena.


Por fim, o consagrado diretor James L. Brooks dirige “Como você sabe”, uma leve comédia romântica que conta com o experiente Jack Nicholson. Na trama, Lisa reencontrou o amigo de longa data George no meio de uma crise em seu relacionamento e um complicado e divertido triângulo amoroso acaba surgindo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Morreu Michael Gough, o Alfred dos filmes antigos do Batman


Ele tinha 94 anos e morreu nesta quinta-feira, 17 de março. Se você assistiu aos filmes do Homem-Morcego feitos por Tim Burton e Joel Schumacher já sabe de quem estamos falando. O ator Michael Gough interpretou o mordomo Alfred e esteve nos longas Batman - O Filme (de 1989) e Batman - O Retorno (de 1992), ambos de Tim Burton. Ele também esteve nos dois seguintes, Batman Eternamente (de 1995) e Batman e Robin (de 1997), os dois comandados pelo diretor Joel Schumacher. Além destes produções, Gough já esteve em mais de 150 produções no cinema e TV, alguns clássicos como O Vampiro da Noite (de 1958), ao lado de Christopher Lee como Drácula. Recentemente ele vinha fazendo dublagens em filmes e desenhos animados como Alice no País das Maravilhas, A Noiva Cadáver, entre outros.

Michael Gough nasceu na Malásia, mas é de origem inglesa. Ele tinha 94 anos e a causa da morte não foi divulgada.

sábado, 25 de setembro de 2010

"O último exorcismo" segue o tom de "Bruxa de Blair"


Procuro ver algo positivo mesmo quando um filme não é tão bom. Se o tom de documentário "realista" do filme não convence tanto, os protagonistas se destacam.  Na história, o reverendo Cotton Marcus resolve registrar em um documentário o seu último exorcismo, escolhendo a ingênua Nell Sweetzer, filha de um fanático religioso. 
A princípio, Cotton utiliza equipamentos eletrônicos para mostrar como é fácil simular uma possessão demoníaca, como quando usa gravadores com sons demoníacos para criar um ambiente de terror e crença de que o diabo realmente existe. Tudo dá certo até ele começar a perceber que existe mesmo  um demônio no corpo de Nell, interpretada pela boa atriz Ashley Bell. Seu irmão, Caleb, desconfia de Cotton desde o início, mas sente o problema literalmente na pele, quando a irmã louca, insandecida e possuída esfaqueia-o.

Patrick Fabian no papel de reverendo também encarna bem o personagem, uma mistura de pregador de Igreja Universal com oportunista que tenta desmascarar toda a crença em exorcismo e que se dá mal.

O filme trás uma critica embutida ao fanatismo religioso que predomina no interior dos Estados Unidos, com pais que mal deixam seus filhos terem contato com o mundo exterior e que são avessos ao ensino tradicional, optando  pelo ensino em casa (homeschooling). Se você não gosta de religiões e de fanatismo religioso como eu, ao menos vai gostar deste lado do filme, pois fica a lembrança de que sempre vão existir reverendos, pastores e padres muito charlatães que fazem de tudo para imbutir a crença no diabo nos pobres seguidores para ganharem dinheiro e benefícios. Sobre isto, o reverendo aparece segurando vultuosos maços de dólares, após o primeiro exorcismo "falso". Enfim, a história segue até Nell aparecer de surpresa no hotel onde o reverendo e os documentaristas estavam hospedados.

Possuída, Cotton decide levá-la para o hospital. Ao voltar para casa, nossa ingênua possuída por um demônio recebe agora uma verdadeira sessão de descarrego, digo, exorcismo, mas então uma ligação de um médico do hospital conta que ela estava grávida e a situação aparentemente muda. Durante o  exorcismo, Cotton deduz que as tais possessões na verdade eram sintomas de vergonha de uma gravidez, que seria  fruto de um rápido relacionamento com um rapaz de sua cidade. Mistério supostamente resolvido, Cotton vai embora com a equipe de filmagem mas para no café onde o alegado pai do bebê trabalha.  O reverendo fica perplexo ao perceber que obviamente ele não era o pai da criança, pois o garoto é gay. Ao voltar para a casa dos Sweetzer, a bagunça está instalada e ocorre o que eu conto um pouco mais abaixo.






Atenção, spoilers-não leia se não quiser saber o final do filme:










O final do filme é decepcionante, com um grande clima de "e daí?" deixado no ar.
Contando com um baixo orçamento, os roteiristas e o diretor colocaram o pastor da igreja local da cidade da possuída Nell para fazer uma espécie de ritual satânico para tirar o feto que ela carregava, que era o que a deixava possuída em questão (??). Isto não tem nenhum sentido nem para o roteiro e nem para a história dos exorcismos, que obviamente sempre envolveram questões psicológicas.
Os membros da equipe de filmagem que acompanhavam o reverendo Cotton são assassinados por fanáticos religiosos (??) e o reverendo ao que parece morre nas chamas da fogueira onde o filho do demônio retirado de Nell foi atirado.
As cenas de possessão da garota não trazem nada de novo, para quem já assistiu "O exorcista", caindo algumas vezes em alguns clichês de filmes de terror, como " a garota assustadora no corredor", mas ainda assim são capazes de dar alguns sustos.
Se você estiver com dinheiro sobrando, assista. Se não, procure assistir clássicos do tema, como o  "O exorcista", de 1973.

Trailer:

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Onde foram gastos os R$ 20 milhões de “Nosso Lar”?

(Outra crítica ao filme, muito boa, de Maurício Stycer)




Anunciada como uma das produções mais caras da história do cinema brasileiro, talvez a mais cara, “Nosso Lar” transpõe para as telas o maior best-seller do médium Chico Xavier, no qual ele relata uma história que lhe teria sido ditada pelo espírito de André Luiz, um médico que viveu no Rio de Janeiro de Janeiro no início do século 20.
É uma obra de iniciação ao espiritismo. Descreve alguns episódios da vida de André Luiz – sua morte, a sofrida temporada no umbral, “uma espécie de purgatório”, onde é acusado de ter cometido suicídio, e a chegada do socorro espiritual, que o transporta, numa maca, para uma dimensão superior, a colônia Nosso Lar.
O câncer no intestino que causou a morte do médico, na verdade, foi a forma visível do suicídio que ele cometeu, explica o ministro da Regeneração. Todos os sentimentos negativos que ele alimentou em vida o mataram – eis a primeira lição.
Há outros 71 ministros no Nosso Lar, uma cidade que parece construída por Oscar Niemeyer em uma viagem de LSD. Vamos conhecer alguns, cada um com lições a ensinar a André Luiz sobre vida, morte e reencarnação. Por exemplo: “O bem que fazemos é nosso advogado na eternidade”. Ou então: “A vida na Terra é que é cópia daqui”. Ou ainda: “A reencarnação é a melhor escola”.
“Nosso Lar” também se esforça em ensinar como o espiritismo é acolhedor e sem preconceitos religiosos – numa longa cena, mortos com uma estrela de Davi bordada na roupa, possivelmente vítimas de campos de concentração nazistas, são recebidos à entrada da colônia por ministros e devotos.
Diferentemente de “Chico Xavier”, de Daniel Filho, destinado basicamente a agradar os fiéis, “Nosso Lar” tem, claramente, uma preocupação de formação. É cinema falado. Ou um livro ilustrado com imagens e sons (com direito a trilha sonora de Philip Glass). Didático, o filme apresenta o espiritismo e o explica em detalhes, além de se permitir poucos momentos de emoção ou pieguice.
O mais curioso é justamente a informação de que o filme custou R$ 20 milhões, um valor obtido quase integralmente sem recorrer a renúncia fiscal. Passei boa parte da sessão tentando entender onde “Nosso Lar” gastou os seus recursos. Na cenografia de mau gosto? No roteiro verborrágico? Nos figurinos simplórios? No enorme elenco de poucas estrelas? Na trilha sonora (nada) original de Glass? Nos magros efeitos especiais?
No conjunto de seus esforços, “Nosso Lar” não vai desapontar os espíritas e é capaz, no mínimo, de arregimentar simpatia para a causa. É provável, ainda, diante da corrida do público aos cinemas, que não desaponte os seus investidores. Mas não poderá nunca dizer que é cinema de qualidade.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dica de filme: The Man From Earth





Um filme para ser bom não precisa ter cenários suntuosos, uma grande produção ou atores de primeira linha. Precisa, antes de tudo, de uma boa história. Isto, "The man from Earth ("O homem da Terra") tem de sobra. A história é sobre John Oldman, professor de história que está indo embora da cidade e recebe os seus melhores amigos do trabalho em casa, para uma despedida. Nisto ele resolve contar a verdade: possui 14 mil anos e precisa se mudar a cada 10 anos, quando as pessoas começam a perceber que ele não envelhece. Obviamente, a princípio todos duvidam, mas sua argumentação é bastante consistente. Assuntos como religião, biologia e ceticismo sustentam a história, com citações bem coerentes dentro de vários campos do conhecimento. Vale a pena assistir.

sábado, 23 de janeiro de 2010

"Premonição 4" aposta em velha fórmula do susto

A franquia do filme "Premonição" sempre navega entre o medo constante, onde os espectadores sabem que um acidente tragicômico vai acontecer e a espectativa para ver quem vai sobreviver no final das histórias.
Nesta nova saga premonitiva, não poderia ser diferente .A morte novamente está "personificada", perseguindo os que conseguem escapar após a premonição do adolescente Nick Obannon. A maior aposta do filme é que ele foi filmado em 3D, realçando mais ainda as cenas dos acidentes macabros. Apesar de ser uma película com  um estilo batido, o detalhismo das cenas e sua versão em terceira dimensão devem salvar este Blockbuster. Obviamente, não é de se esperar um filme com um grande roteiro ou atuações impecáveis, mas vale o momento "cinema-farofa". A conferir.
Trailer:

domingo, 17 de janeiro de 2010

Vereador tem medo que o filme Avatar desconverta as pessoas

Na edição do dia 15 de janeiro do jornal de São José dos Campos "Valeparaibano", um vereador católico ultra-conservador chamado Cristovão Gonçalves afirmou que tem medo que as pessoas deixem de ser cristãs por causa do filme Avatar.
Eis minha resposta, publicada na edição de hoje:

"Em seu artigo 'Avatar', publicado na edição da última sexta-feira no valeparaibano, o vereador Cristovão Gonçalves demonstra um certo receio de que as pessoas percam a fé cristã. Ele até fala em "nossa fé cristã". "Nossa" quem? O vereador precisa se lembrar que nem todos são cristãos. Existem muitos ateus, agnósticos e pessoas de outras religiões. De qualquer modo, cada vez mais pessoas deixam o cristianismo, não por causa de ficções científicas que sempre existiram, mas porque o debate público do questionamento das alegações do cristianismo está cada vez mais presente em nossa sociedade.

Se uma pessoa tem receio que uma ficção atual tire a fé no cristianismo das pessoas, é porque ela é muito frágil e fácil de refutar mesmo."


sábado, 26 de dezembro de 2009

"Avatar" faz pequena campanha ambientalista

Em uma época com tantas campanhas para salvarmos o meio ambiente, o filme "Avatar" antevê um possível problema do futuro: o dia em que o capitalismo selvagem irá explorar riquezas naturais de outros planetas. Talvez a intenção de James Cameron tenha sido esta mesma: utilizar belos cenários criados para mostrar a sede norte-americana em conseguir benefícios a qualquer custo.

Na história, Jake Sully é um ex-fuzileiro naval cadeirante, que tem a oportunidade de operar um ser híbrido fruto da mistura genética combinando DNA humano e Na´Vi, espécie nativa do planeta. Uma firma de mineração, em parceria com o exército norte-americano (Bush não faria melhor) explora jazidas de pedras preciosas em Pandora, e cabe a Jack fazer um profundo estudo sobre a espécie nativa e intermediar as possíveis negociações entre esta e os cruéis exploradores alienígenas (nós). Acontece que ele acaba se apaixonando por uma nativa, tendo assim que lidar com conflitos sobre qual lado ele apoiaria:os humanos exploradores e malvados ou o simpático povo da floresta que venera a natureza.

O filme faz menção à como a Terra estaria sem florestas em 2154 e vários questionamentos dos cientistas, se seria correto fazer uma exploração tão agressiva em outro planeta, depois de terem esgotado os recursos naturais do nosso querido Planeta Água.  O lado "campanha ambientalista" do filme é bastante irritante, diga-se de passagem.

Os destaques de atuação vão presumivelmente para Sam Worthington, no papel de Jack e Sigourney Weaver, interpretando a cética e sempre ponderada cientista Grace Augustine. Aliás, cabe destacar como Sigourney cai como uma luva em filmes de ficção científica envolvendo alienígenas. "Avatar" vale mais por seus cenários em terceira dimensão do que pela história em si.