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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Senadores, Suíça e professores






Antes de compartilhar coisas adoidadamente no Facebook, é bom dar uma pesquisada básica. Agora está rolando uma foto comparando salários de "senadores suíços" com políticos brasileiros, e professores suíços e brasileiros. Não acho que seja verdade que os "senadores da Suíça" não recebam salários, até porque na Suíça não há Senado.


Esta é a imagem:









Neste PDF, há um documento cujo artigo 9 fala sobre salários dos membros da Assembléia Federal. É evidente que os professores brasileiros ganham pouco, os políticos brasileiros ganham muito, e na Suíça a situação deve ser mais justa. Mas informação falsa ou, no mínimo, obscura, não dá. Se o link informa falsamente sobre os "senadores suíços", que credibilidade há na parte dos salários dos professores suíços ? Informação errada é tiro no pé.




Qualquer comparação com a Suíça, menor, mais rica e bem distante da realidade do Brasil sempre vai ser uma retórica pouco honesta. Ninguém em sã consciência nega que professores brasileiros deviam ser muito melhor remunerados, mas basear o argumento com fatos incorretos é burrice. Se uma parte do argumento está incorreta (salário de políticos suíços), então qual a credibilidade que resta à outra parte (salário de professores suíços) ?
Por que em vez de utilizar argumentos desonestos para reclamar da disparidade entre salários de professores e senadores, os revoltadinhos de Facebook não criticam por exemplo o governador Geraldo  Alckmin (PSDB), do Estado de São Paulo, que paga muito mal os professores da rede pública de ensino médio? Por que não organizam-se para solicitar aos deputados federais e estaduais nos quais votaram para que os mestres ganhem mais? Eu sei porque não fazem isso, porque é mais simples espalhar argumentos falsos, desonestos e desconexos, reclamando de tudo.


É claro, para a turba pseudo-indignada e com síndrome de "vira-lata", que escreve em caixa-alta e critica de maneira errada problemas do Brasil, é mais fácil compartilhar uma imagem com números desproporcionais, com uma bandeira de país rico ao lado de uma bandeira de país em desenvolvimento.

Texto:
Aurelio Moraes e Rogério Camboim

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