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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Cuidado com as lendas da internet: Deixar de pagar pedágio é infração do Código de Trânsito Brasileiro



Tem circulado na internet um texto, onde uma estudante de direito afirma que não é crime deixar de pagar o pedágio, além de ser possível passar pelo mesmo sem sofrer nenhuma represália da lei. Primeiro, a mensagem:

"Aluna de 22 anos afirma: "NÃO PAGO PEDÁGIO EM LUGAR NENHUM ". O texto está correndo o Brasil! LEIA:

06/06/2011
"A Inconstitucionalidade dos Pedágios", desenvolvido pela aluna do 9º semestre de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) Márcia dos Santos Silva choca, impressiona e orienta os interessados.

A jovem de 22 anos apresentou o "Direito fundamental de ir e vir" nas estradas do Brasil. Ela, que mora em Pelotas, conta que, para vir a Rio Grande apresentar seu trabalho no congresso, não pagou pedágio e, na volta, faria o mesmo. Causando surpresa nos participantes, ela fundamentou seus atos durante a apresentação.
Márcia explica que na Constituição Federal de 1988, Título II, dos "Direitos e Garantias Fundamentais", o artigo 5 diz o seguinte:

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade " E no inciso XV do artigo: "é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens".

A jovem acrescenta que "o direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa dizer que não é possível violar esse direito. E ainda que todo o brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional O que também quer dizer que o pedágio vai contra a constituição".

Segundo Márcia, as estradas não são vendáveis. E o que acontece é que concessionárias de pedágios realiza contratos com o governo Estadual de investir no melhoramento dessas rodovias e cobram o pedágio para ressarcir os gastos. No entanto, no valor da gasolina é incluído o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), e parte dele é destinado às estradas.

"No momento que abasteço meu carro, estou pagando o pedágio. Não é necessário eu pagar novamente Só quero exercer meu direito, a estrada é um bem público e não é justo eu pagar por um bem que já é meu também", enfatiza.

A estudante explicou maneiras e mostrou um vídeo que ensinava a passar nos pedágio sem precisar pagar. "Ou você pode passar atrás de algum carro que tenha parado. Ou ainda passa direto. A cancela, que barra os carros é de plástico, não quebra, e quando o carro passa por ali ela abre.

Não tem perigo algum e não arranha o carro", conta ela, que diz fazer isso sempre que viaja. Após a apresentação, questionamentos não faltaram. Quem assistia ficava curioso em saber se o ato não estaria infringindo alguma lei, se poderia gerar multa, ou ainda se quem fizesse isso não estaria destruindo o patrimônio alheio. As respostas foram claras. Segundo Márcia, juridicamente não há lei que permita a utilização de pedágios em estradas brasileiras.

Quanto a ser um patrimônio alheio, o fato, explica ela, é que o pedágio e a cancela estão no meio do caminho onde os carros precisam passar e, até então, ela nunca viu cancelas ou pedágios ficarem danificados. Márcia também conta que uma vez foi parada pela Polícia Rodoviária, e um guarda disse que iria acompanhá-la para pagar o pedágio. "Eu perguntei ao policial se ele prestava algum serviço para a concessionária ou ao Estado.

Afinal, um policial rodoviário trabalha para o Estado ou para o governo Federal e deve cuidar da segurança nas estradas. Já a empresa de pedágios, é privada, ou seja, não tem nada a ver uma coisa com a outra", acrescenta.
Ela defende ainda que os preços são iguais para pessoas de baixa renda, que possuem carros menores, e para quem tem um poder aquisitivo maior e automóveis melhores, alegando que muita gente não possui condições para gastar tanto com pedágios. Ela garante também que o Estado está negando um direito da sociedade. "Não há o que defender ou explicar. A constituição é clara quando diz que todos nós temos o direito de ir e vir em todas as estradas do território nacional", conclui. A estudante apresenta o trabalho de conclusão de curso e formou-se em agosto de 2008.

Ela não sabia que área do Direito pretende seguir, mas garante que vai continuar trabalhando e defendendo a causa dos pedágios.

E AGORA?"




A realidade não é bem assim:

A estudante esquece-se do art. 150, I, V, da Constituição, que autoriza o pedágio. Trata-se de conservação de via pelo poder público, que concede o serviço a empresas privadas. Assim, ao contrário do afirmado, a própria Constituição, a mesma que garante o ir e vir, ressalva a cobrança de pedágios:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:V – estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;

Além disso, não é recomendável seguir suas dicas, pois, ao contrário do que afirma, é sim, infração de trânsito prevista no art. 209 do CTB. Deveria o policial rodoviário federal ter aplicado a multa, e não fazê-la que voltasse para pagar o pedágio:




Art. 209. Transpor, sem autorização, bloqueio viário com ou sem sinalização ou dispositivos auxiliares, deixar de adentrar às áreas destinadas à pesagem de veículos ou evadir-se para não efetuar o pagamento do pedágio:Infração – grave;Penalidade – multa.





Apesar de ser desagradável para todo motorista pagar o pedágio, o artigo divulgado nas redes sociais contém várias inverdades e omite informações importantes. Não compartilhe artigos apenas porque ele é agradável. Sempre pesquise e tenha ceticismo.

sábado, 10 de setembro de 2011

Sem Parar vai ganhar concorrente neste ano

A empresa que opera o Sem Parar, sistema de cobrança eletrônica em pedágios, ganhou uma concorrente que começará a atuar até o final de 2011 e promete cobrar de mensalidade a metade do preço atual do serviço.

A DBTrans, que ganhou a autorização para atuar em São Paulo, pretende ainda lançar planos para vários perfis de motoristas, como um serviço de pedágio pré-pago, que não teria mensalidade.

"Faremos como as empresas de telefonia, que sabem diferenciar seu cliente. A família que vai ao litoral algumas vezes por ano é diferente do caminhoneiro que pega cinco pedágios por dia", afirmou Marcelo Nunes, diretor da empresa.

Hoje, o Sem Parar oferece dois planos: um sem valor de adesão com R$ 15,76 de mensalidade e outro com R$ 66,72 no início e R$ 11,90 por mês. A concorrente pretende cobrar um valor menor na adesão e R$ 6 de mensalidade.

Para os caminhoneiros, será oferecido o vale pedágio eletrônico, com o aparelho chamado TAG, que já é usado hoje para registrar as cobranças. O serviço deverá estar disponível nas rodovias paulistas em até três meses.

Os sistemas vão operar simultaneamente nos pedágios dos 5.400km de pistas concedidos. A oferta da cobrança eletrônica é uma exigência do contrato de concessão.

A empresa STP, que opera o Sem Parar, não se manifestou. As duas empresas já são concorrentes no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.


Comentário do Celso:
Nada melhor do que a concorrência, mesmo porque a Sem Parar não nos oferece alternativa e, recentemente, facultou a instalação de radares de velocidade nas faixas de acesso ao seu sistema para aumentar o faturamento da indústria de multas.

sábado, 23 de abril de 2011

Pedágio extorsivo e segurança zero

Acabou de ser noticiada a condenação da concessionária NovaDutra, que administra a rodovia Presidente Dutra (e ganha muito dinheiro com pedágios instalados a cada intervalo da respiração do motorista), a pagar indenização de meio milhão de reais à ex-companheira do cantor Claudinho, da dupla Claudinho e Buchecha – valor este que se à reparação por dano moral.

Além disso, a NovaDutra terá que pagar os danos materiais referentes à destruição do carro envolvido no acidente ocorrido em 2003, quando o cantor perdeu a vida, ao retornar de um show na cidade de Lorena, São Paulo, para o Rio de Janeiro.

O carro chocou-se com a mureta e uma árvore a apenas dois metros do acostamento da Rodovia Dutra, local onde não havia proteção. A concessionária alegou que o acidente ocorreu por culpa exclusiva do acompanhante da vítima, que conduzia em alta velocidade e teria dormido ao volante, além de fazer mau uso do acostamente, segundo a empresa.

Mas o juiz, Daniel Toscano, da Sexta Vara Cível de São José dos Campos, não acolheu o argumento pífiu da empresa, por entender que houve falta de proteção adequada com relação à árvore e o obstáculo na pista – sem contar que a concessionária administra a rodovia há mais de uma década, tempo suficiente para realizar obras de proteção dos usários da movimentada estrada.
Além das verbas citadas, a empresa vai ter de pagar pensão mensal de R$ 2.051,23 à viúva. A decisão é de primeira instância, e ainda caberá recurso (Processo nº 0219339-74.2003.8.26.0577). Porém, dificilmente a empresa conseguirá mofificar ou anular o veredicto de primeira instância – no máximo poderá obter a redução do valor do dano moral.

Isto porque, já é assunto pacífico nos tribunais o dever de segurança que as concessionária de rodovias são obrigadas a cumprir, com relação a todo e qualquer material ou obstáculo na pista, que venha a causar dano aos motoristas.

E o dever de segurança não se refere somente a pedras, paus, animais na pista ou irregularidades desta, mas também a obstáculos encontrados no acostamente e mesmo nas áreas próximas a estes – a final o veículo continua precisando de segurança quando precisa se valer do acostamento e áreas contíguas onde seja necessário parar, em caso de acidente.

Ao lucro fácil dos pedágios caros, devem corresponder a qualidade do serviço prestado, mais a segurança do motorista. Lembrando que as ações de indenização contra as concessionárias podem ser ajuizadas no Fórum da cidade onde o consumidor reside, não importa o lugar da rodovia onde ocorreu o acidente.

Dessa forma, o fato de a vítima do acidente(ou seus familiares, em case do morte) poder entrar com o processo no local onde reside é uma forma de facilitação do acesso à Justiça garantida à pessoa que sofreu o acidente pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).


A Rodovia Presidente Dutra detém o maior tráfego por extensão do mundo, são mais de 800.000 que passam por ela diariamente e tem a pior concessionária do país. Dentre as rodovias que cruzam o estado de São Paulo é a que tem pior manutenção e o pedágio mais caro por quilômetro rodado; há vários pontos em que seu contrato prevê a cosntrução do marginais, cuja construção anda a passo de tartaruga, como em São José dos Campos.

Está mais do que na hora do governo federal fazer alguma coisa!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Coisas que o Serra esqueceu:Pedágios de SP aumentam custos de alimentos e materiais de construção



São Paulo - Há indícios de que os pedágios existem desde a Idade Média e de que, no Brasil, Dom Pedro II já se beneficiava desse recurso para financiar a construção de estradas. Séculos depois, o Brasil soma 239 pontos de cobrança de pedágio. Cerca de 50,6% deles – um total de 121 pontos – só no estado de São Paulo, segundo dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp)

No entanto, se forem considerados os locais em que a cobrança se faz nos dois sentidos de direção, o número sobe para 227. Em 1997, o estado tinha 40 praças de pedágio estaduais, sob administração pública

os últimos 13 anos, os pedágios em São Paulo cresceram mais de 400% e os paulistas chegaram a 2010 com todas as praças de cobrança, novas e antigas, concedidas à iniciativa privada, em contratos que vão de 20 a 30 anos de concessão.

O custo do pedagiamento é sentido principalmente por quem passa pelas estradas paulistas diariamente, como os transportadores de carga. Francisco Pelucio, do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e região (Setcesp) avalia que o pedagiamento no estado é "caríssimo". "Em São Paulo, o pedágio tem impacto de 10% a 25% do custo do transporte. Isso é muito, é o pedágio mais caro do mundo", afirma.

Pelucio explica que um pedágio viável deveria representar até 3% do custo do transporte. "O problema não é o pedágio, mas o valor que se cobra", condena.

Segundo ele, o impacto da cobrança recai, no final do processo produtivo, sobre o consumidor final. "O frete mais o pedágio encarecem o produto e o custo é embutido no preço de venda. Quem realmente paga é o consumidor", detalha.

O dirigente sindical ressalta que São Paulo sempre teve as melhores estradas e melhoraram muito depois da instituição dos pedágios, mas "isso não justifica esses valores tão altos".

João Batista Domenici, vice-presidente Executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Transporte e Movimentação de Cargas Pesadas e Excepcionais (Sindipesa), alerta que o custo de transporte elevado reduz a competitividade da indústria brasileira. "As empresas podem deixar de fazer negócios", avisa.

Já Neuto Gonçalves, coordenador técnico da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística), não condena o pedágio, desde que "a tarifa seja módica, ou seja, desde que o benefício seja superior ao custo", ressalta. O benefício do pedágio significa a redução do custo operacional do caminhão com uma estrada bem cuidada.

Entretanto, numa avaliação custo/benefício da tarifa, o custo vem ganhando peso excessivo nas vias paulistas. Estudo da NTC aponta que o gasto com pedágio chega a 20% das operações na rodovia dos Bandeirantes, a 17,4% no complexo Anchieta/Imigrantes – ambas estaduais –, 15,2% na Dutra e 4,8% na Régis Bittencourt – estas últimas estradas federais que cortam São Paulo.

O professor de economia da Universidade Federal Fluminense (RJ), Carlos Enrique Guanziroli, alerta que o custo de produtos de baixo valor agregado, como alimentos, materiais básicos de construção e artigos de borracha sofrem mais com o impacto dos custos de pedágio.

Como exemplo, ele cita o transporte de areia. Se um caminhão com o produto custar por volta de R$ 300 e o pedágio ficar em R$ 10 ou R$ 12, o custo do transporte torna-se muito alto e impacta demasiadamente o valor do produto. Já o transporte de produtos químicos ou metal-mecânicos de alto valor não é muito afetado, porque o frete é pouco importante em relação à mercadoria.

Um estudo realizado pelo pesquisador para a Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT), sobre o impacto de novos pedágios na Rodovia Presidente Dutra demonstrou que em um dos locais em que havia pretensão de implantação de pedágio, 60% dos carros desistiriam do percurso e os motoristas buscariam outras alternativas sem custos ou mais baratas.

Nessa localidade, a pesquisa indicava que abrir um pedágio poderia significar até conflitos com a população. Por afetar perto de 200 mil trabalhadores por dia, oficinas, shoppings e hotéis, havia receio de a população "quebrar o pedágio".

"Quando você coloca pedágio, as pessoas procuram outro shopping, outro restaurante onde não haja essa cobrança. Algumas empresas poderiam entrar em falência", detectou o docente no estudo.

Outro impacto que Guanziroli cita é sobre os carros de passeio. "Abrir mais pedágios perto das cidades, arrecada mais, entretanto os passageiros são mais prejudicados."

No caso de passageiros que viajam de ônibus, um levantamento da liderança do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo assinala que a incidência da tarifa de pedágio é maior sobre as famílias de menor renda. Em algumas linhas do transporte intermunicipal o pedágio embutido na passagem chega a 14% do preço total.

Uma pessoa que viaja de Arujá a São Paulo, num trajeto de 40,9 quilômetros, paga R$ 7,65, sendo R$ 0,70 a parcela relativa ao pedágio. No final de um ano, esse passageiro terá um gasto de R$ 420,00 com pedágio, embutido na passagem de ônibus, detalha o estudo.

Fonte.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Alckmin agora finge que é contra o pedágio alto


No primeiro dia oficial de campanha eleitoral, o candidato ao governo de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) disse que pretende rever os valores cobrados em algumas praças de pedágio das estradas paulistas.
"Há alguns casos em que a população acaba pagando mais, mesmo. Alguns pontos precisam ser revistos, como Jaguariúna e Indaiatuba", afirmou o candidato, que realizou uma caminhada pelo centro de Campinas, na manhã desta terça-feira (6).
Alckmin também declarou que, caso eleito, pretende priorizar a educação. Um dos principais projetos do candidato, segundo ele, é implantar a profissionalização técnica no Ensino Médio estadual.
O candidato também prometeu zerar o número de presos nas delegacias.


Comentários:
É estranho ver um ex-governador, que nada fez para melhorar o serviço prestado ao cidadão nas estradas quando comandou o estado e tem participação na elaboração das altas tarifas agora fingir que se preocupa com o tema, apenas tentando conseguir votos. Não há nenhum motivo para qualquer eleitor acreditar que agora Alckmin irá adotar o discurso da oposição. Por exemplo, as lideranças do PT há tempos reivindicam valores menores nos pedágios, como Carlinhos Almeida, deputado Estadual.
Aliás, esta agora é a estratégia do PSDB: adotar o discurso do PT.