Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador mentiras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mentiras. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Profissionais contam por que mentem no trabalho

Culpar a morosidade do trânsito e inventar doenças são os principais argumentos da relações-públicas Valdirene, que pediu para não ser identificada, para justificar os constantes atrasos no trabalho.

Os chefes, afirma ela, desconfiam das mentiras, mas "ainda não questionaram o verdadeiro motivo dos atrasos".

Mentir no trabalho, como faz a relações-públicas, é atitude comum no ambiente de trabalho, segundo especialistas consultados pela Folha. A impunidade, no entanto, não costuma ocorrer com tanta frequência.

"Os chefes podem não descobrir a farsa, mas os colegas percebem e contam", alerta Rudney Pereira Júnior, gerente de projetos do Grupo Foco, consultoria de recrutamento e seleção.

Entregar atestado médico falso, recorda, já foi motivo de demissão de um de seus funcionários. "Ele disse que estava doente e, depois de uma semana, encontrei fotos de uma viagem realizada naquele período em redes sociais."

Inventar ou aumentar sintomas de doença é argumento utilizado pelo gerente de projetos William Aparecido, 27, para trabalhar em casa quando sente-se indisposto ou tem outra entrevista de emprego. A suposta mentira, alega, não é prejudicial, "uma vez que o trabalho é entregue da mesma maneira".

Para Daniele Mendonça, gerente de negócios da Across, consultoria de gestão, ainda que a mentira não traga prejuízos imediatos, a imagem do empregado pode ser queimada no mercado. "As empresas conversam entre si, e um erro pontual pode ser argumento utilizado contra a contratação do profissional amanhã."

Confira as mentiras mais contadas no trabalho, segundo consultores:
  • Culpar o trânsito pelo atraso no trabalho
  • Inventar doença para faltar ou trabalhar em casa
  • Acusar colegas pelos próprios erros
  • Mostrar indisposição antes de reuniões importantes
  • Culpar terceiros pelo atraso na entrega de projetos
  • Alegar que o trabalho está adiantado, quando ele não foi iniciado


Comentário do Celso:
A matéria é parcial e não menciona as mentiras por parte dos chefes e empresas, como:
  • "Aqui somos uma equipe e todos são tratados de maneira igual."
  • "Você é um excelente profissional mas neste ano não poderei lhe conceder aumento de salário."
  • "Esta é uma empresa que trata seus funcionários como parte de uma família."

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Alckmin não se compromete a reduzir preço de pedágios


Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao governo do estado de São Paulo, disse ontem na Sabatina do Jornal Folha de São Paulo que desconhece as reclamações sobre os altos preços dos pedágios.
 A desfaçatez do candididato é impressionante. Ele disse: "A concessão feita em São Paulo é bem-sucedida. Mas acho que a gente tem que ver humildade e ver que as coisas podem ser melhoradas. Se tiver praça de pedágio mal localizada, corrige, ou subsidia a população local". Por que O PSDB NÃO FEZ ISTO NESTES 20 ANOS? Um exemplo escandaloso de praça mal localizada está em Jacareí, no Vale do Paraíba, onde a população tem que pagar pedágio se quiser utilizar a Rodovia presidente Dutra para ir de um bairro a outro.
Alckmin demonstra uma calhordice gigantesca. Ele continua: " Nos vamos analisar contrato por contrato, verificando se tem margem, mas respeitando contratos". O PSDB nunca revisou contratos. Por que Serra não fez isso? Por que Goldman não faz?

Continuando as piadas, Alckmin fala: " Nós vamos fortalecer a carreira (dos professores). O  o governo do seu partido não recebe os professores, não ouve as reivindicações e manda a polícia bater nos professores quando eles fazem greve. É uma contradição atrás da outra.

Se você tiver paciência para ver as mentiras de Geraldo Alckmin, clique aqui.
Resumo com algumas de suas respostas desonestas, aqui.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A doença da mentira

Mentiras constantes: Rapaz pego na mentira coloca a mão no rosto, em sinal de grande vergonha em mitomania compulsiva.

Solange Celere

O pai era maquinista, mas J.O. fazia questão de repetir a história que ouvira desde cedo, da mãe: para todo mundo, era engenheiro da rede ferroviária.
O sogro era diretor de uma empresa de grande porte, mas para os amigos, colocava-o como o dono.

Formou-se em História pela faculdade privada Osvaldo Cruz, mas não economizava detalhes para convencer a todos, inclusive a mulher, que era graduado pela USP, mestre e doutor. Diretor por muitos anos do Palmeiras, procurava ter o confortável padrão de vida das pessoas que o cercavam.

A história de mentiras e fabulações de J.O. terminou há três anos. Atolado em dívidas, morreu dependente do álcool a 10 dias da data em que completaria o 54° aniversário: por ironia, um 1° de abril.

A mitomania – compulsão mórbida pela mentira – está longe de figurar apenas no universo infantil, nas lorotas de pescador ou em clássicos contos como o de Pinóquio. A necessidade descontrolada em freqüentemente fazer uso dela é estudada por segmentos da psiquiatria como um transtorno específico de personalidade que merece atenção e cuidados.

No caso de J.O., quem relata sua destreza em inventar fatos e a acreditar neles é a cunhada. M.A.P. é relações públicas e ex-professora universitária da PUC-Campinas. Irmã de S., que foi casada com J.O. por 25 anos. “O caso dele é curioso, pois sua mãe tinha o mesmo perfil e, agora, o filho de 30 anos também reproduz traços da personalidade do pai e exagera até em assuntos banais. Toda a minha família sofreu com a situação”, conta. Hilda Morana, médica perita do Instituto de Medicina e de Criminologia do Estado de São Paulo (Imesc) há 17 anos, traduz a mitomania como propensão a contar histórias e mentiras fantásticas, frutos da imaginação, com a consciência de que o relato é falso. “Em geral, essa manifestação deve-se à profunda necessidade de apreço ou atenção. A mitomania é um sintoma que está a meio caminho entre o delírio e a imaginação patológica”.

Mas há diferenças entre o mitômano, o fabulador e um mentiroso circunstancial. “É preciso compreender a personalidade psicopata antes de tudo, pois a mitomania é uma ferramenta dela. O mitômano usa a mentira de forma consciente para ludibriar pessoas, tirar vantagens. A amoralidade e a insensibilidade são suas marcas registradas. A mentira vira um estilo de vida. Vemos isso com bastante freqüência na política, na figura de líderes mundiais, alpinistas populistas”, ilustra o psiquiatra Albert Zeitone.

O fabulador, segundo Luis Falivene, estudioso da mente há 35 anos,usa a mentira para autopromoção, como forma de valorizar-se. É o sujeito que diz que tem uma Mercedes na garagem e anda de carro popular. “Já o mentiroso episódico é aquele que mente que está se separando da esposa só para seduzir uma moça. Espontaneamente ou ao ser descoberto, admite a verdade”, compara.

O mitômano não admite a mentira nunca. Também não se abala ao tê-la descoberta. Ao contrário, quando demonstra abalar-se não passa de mera interpretação para enganar ainda mais as pessoas.

A estudante de Gastronomia M.A.C, de 25 anos, tem uma amiga de infância que mente em todas as circunstâncias. “Ela conta histórias elaboradas para conseguir que a loja troque uma roupa que já usou ou para aplicar pequenos golpes na mãe e no irmão. Mente até sobre a cor da tinta de cabelo que usa”, admira-se a moça, que já se afastou da colega várias vezes por conta de seu comportamento.

O advogado V.L.F. separou-se da mulher após pouco mais de um ano de casamento ao constatar que tanto a esposa quanto os sogros esforçavam-se para viver de fantasias. “Ela sustentava mentiras mesmo diante de documentos que comprovavam a verdade. Não é possível manter um relacionamento cujas bases sejam falsas”, conclui.

Jornalista apaixonado pelo futebol, o falecido João Saldanha, gaúcho de temperamento difícil, não perdia a chance de contar as aventuras que dizia ter vivido. Seja ter assistido a todas as Copas do Mundo, seja cobrir a guerra da Coréia, o desembarque das tropas aliadas na Normandia, durante a Segunda Guerra, ou a Grande Marcha de Mao Tse-Tung.

O repórter Jayson Blair, de 27 anos, enganou leitores e colegas do The New York Times com textos e entrevistas falsos. Inventou situações, copiou notícias de jornais concorrentes e sobreviveu com esta postura por quatro anos, até ser descoberto e se demitir no ano passado. Desmoralizou o jornal e a si próprio.

A Internet virou uma das principais armas da modernidade nas mãos de mitômanos ou simples aventureiros da mentira. É possível mentir sem ser descoberto, plagiar e até aplicar pequenos e grandes golpes. O anonimato e a possibilidade de alterar a realidade favorecem o mentiroso, seja o vovô que se passa por garotão com ajuda de uma fotomontagem ou o espertinho que consegue marcar encontros e arrancar dinheiro e viagens de suas vítimas. São os mentirosos cibernéticos.

Especialistas apontam que há sociedades em que a mentira é mais tolerada ou até incentivada em alguns casos. Em algumas culturas árabes o exagero da verdade é absolutamente aceitável para o bem dos negócios

Há as mentiras do cotidiano das quais ninguém está livre de contar ou de ouvir. Um estudo científico norte-americano, desenvolvido pelo psicólogo Gerald Jellison, da Universidade do Sul da Califórnia, assegura que acessamos cerca de 200 mentiras por dia, seja ouvindo, lendo ou assistindo. Exclua-se aí o período eleitoral, quando, segundo ele, a quantidade é duplicada. Jellison vai mais longe. Em geral, todos contamos entre uma e duas dúzias de mentiras diariamente, desde aquele comentário sobre o novo visual da colega de trabalho até a desculpa para não comparecer a um jantar de amigos. “São mentiras aceitáveis para a convivência, funcionam como apaziguadores sociais”, avalia Luis Falivene.

Já se estuda a influência genética sobre os mitômanos e outros distúrbios de personalidade. O que se sabe, seguramente, é que há fatores do ambiente familiar responsáveis por este tipo de conduta. Alguns psicanalistas acreditam que a resposta para o que leva pessoas a mentirem de maneira patológica pode estar em traumas da infância. É o caso de Mário Quilici, pesquisador do desenvolvimento infantil e de como os distúrbios do vínculo entre a criança e seus pais podem levar ao surgimento de patologias na medida que impedem o adequado desenvolvimento emocional. Outros falam em simples desvio de caráter.

Tratar o mentiroso é uma coisa difícil por diversas razões. A primeira delas é que raramente eles procuram ajuda, a não ser quando vão perder o cônjuge, o emprego ou algo importante. A segunda é que mentem justamente porque não querem se deparar com a própria insuficiência. Optam pela comodidade de viver sonhos, ainda que isso signifique a própria destruição ou a daqueles que estão em sua volta.