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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Consumo de maconha junto com álcool eleva quantidade de THC no sangue, diz estudo



Poucas pesquisas se debruçam sobre a reação do nosso organismo ao consumo simultâneo de álcool e maconha, apesar da frequência com que muitas pessoas combinam ambas as drogas. Mas um novo estudo da Associação Americana para a Química Clínica (AACC, na sigla em inglês) mostra que essa mistura faz com que a quantidade de tetrahidrocanabinol (THC), a substância psicoativa da maconha, no sangue do indivíduo seja muito mais elevada do que quando ele fuma sem beber.




O objetivo da pesquisa foi mostrar os perigos gerados pelo consumo das duas drogas por uma pessoa antes de dirigir. Boa parte dos motoristas que se envolvem em acidentes de carro nos EUA beberam álcool e fumaram maconha antes de entrar no carro.

Na pesquisa, 19 pessoas foram examinadas enquanto ingeriam álcool, ou um placebo, em doses pequenas dez minutos antes de inalar canabis vaporizada em doses pequenas ou grandes. Quando houve o consumo de álcool, a concentração do THC no sangue desse participação se mostrou elevada. Assim, o risco de essa pessoa se envolver em um acidente de carro é muito maior do que se ela usar apenas uma das drogas.

O GLOBO

quarta-feira, 11 de março de 2015

Droga e informação

 Não existe exemplo no mundo de que a liberação das drogas melhore a vida da população
Infelizmente, sou contrário à liberação da maconha e das demais drogas ilícitas e favorável ao aumento de restrições às drogas lícitas, como o álcool e o tabaco. Digo "infelizmente" pois seria muito mais fácil aceitar a liberação, se isso realmente diminuísse o número de doentes da dependência e as vítimas da violência.

A história e a ciência mostram o contrário. Não existe exemplo no mundo de que a liberação das drogas melhore a vida da população. Só piora! Drogas foram legais na maior parte do tempo da nossa civilização. Até que a humanidade compreendeu a sua relação com grandes tragédias pessoais, familiares e sociais, e passou a proibi-las.



A maconha, que para seus adeptos é leve, produz mais câncer e danos pulmonares que o tabaco, desencadeia mais psicoses incuráveis que as demais drogas juntas, além de aumentar os suicídios e ser responsável por mais acidentes fatais que o álcool. Sem falar na dependência química e déficit cognitivo permanente. Afirmo isso respaldado por 90% dos trabalhos científicos publicados.



Portanto, não é em benefício da Saúde Pública que desejam liberar a maconha. Tampouco reduziria a violência. A liberação aumentaria muito o número de casos de compulsão e do uso concomitante de outras drogas. Cresceriam os casos de latrocínios, homicídios por discussões banais, violência doméstica, assaltos e furtos, e não diminuiria o tráfico. O álcool é a maior causa de violência doméstica, justamente por ser legal. O mais grave é que os mesmos argumentos usados para a liberação da maconha, serviriam adiante para liberar as demais drogas. Além disso, seus defensores confundem, propositalmente, a omissão do governo em enfrentar o problema, com a impossibilidade de fazê-lo. Daí a falsa conclusão de que liberar é a "única solução".

escrito por Osmar Terra
Deputado federal pelo PMDB,
ex-secretário estadual de Saúde do Rio Grande do Sul

Publicado no Jornal Zero Hora 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Legalização da maconha: a quem interessa?

Por Dr Cláudio Jerônimo da Silva - psiquiatra e Diretor Técnico do UNAD



É natural que um assunto complexo gere discussão e polêmica. Mas, sempre que ouço alguma opinião a esse respeito, me pergunto: quais são a motivação, os interesses e as avaliações que estão subjacentes à ideia da legalização da maconha? Naturalmente, são diversos motivos. Alguns dos que imagino, gostaria de compartilhar com os leitores.

Antes, alguns dados objetivos precisam estar em mente: 75% dos brasileiros não concordam com a legalização; 11% concordam. O restante não sabia opinar ou não respondeu à pesquisa Lenad 2012. Em número de pessoas, isso significa que 111 milhões de brasileiros não concordam com a legalização e que 16 milhões concordam. Como os dados com o perfil dessas pessoas não foram ainda avaliados, e suas motivações não foram objeto da pesquisa, vamos aqui levantar algumas hipóteses a respeito de quem seria essa minoria de brasileiros que concordam com a legalização.

Entre eles existe um grupo, manifesto, que acredita que a legalização vai regular o consumo, a produção, a distribuição, e com isso haverá diminuição do tráfico e da violência. Está subjacente à essa ideia o alto controle estatal, como aconteceu no Uruguai. O Estado deverá conseguir fiscalizar a venda de sementes, o número de pés de maconha plantados, a idade de quem planta, quem usa e a quantidade que usa, quem comercializa e quem compra. Quem defende essa posição deve acreditar que a maconha é uma droga que merece controle, que não deve ser liberada totalmente. Deve acreditar que pelo menos para alguns a maconha traz prejuízo, caso contrário não faria sentido tanta regulação do Estado.

Eu faço parte de um grupo que questiona: tendo em vista que a experiência brasileira na regulação e no controle do mercado de álcool e cigarro não é boa, por que seria diferente com a maconha? Regular tantas etapas do processo, além do comércio ilegal que continuará existindo, é viável, factível? Tendo em vista a dimensão do Brasil, nossa história, nossa cultura e nossos hábitos, podemos nos comparar com Uruguai, Holanda, Portugal, Estados Unidos? Se o Estado brasileiro não conseguiu fazer frente às forças do mercado de bebida e de cigarro no controle de propaganda, distribuição e venda de seus produtos, por que seria diferente com a maconha? Por exemplo, não se conseguiu restringir o consumo de bebida nos estádios durante a Copa. A lei foi rediscutida em razão do poder econômico. Ao se formar um mercado de maconha, ele não vai se organizar, se fortalecer e exercer seu poder sobre o Estado? Ou, ao contrário do mercado de bebida e cigarro, ele vai passar a considerar interesses de saúde pública e dos mais vulneráveis (crianças, adolescentes, doentes mentais)?

Existe outro grupo que acredita que a liberdade das pessoas deve ser prioridade. As pessoas todas teriam plena condição para avaliar os riscos e os benefícios de seu comportamento e para decidir o que é melhor para si. Essa é uma questão filosófica interessante. Existe uma teoria em psicanálise que diz que a cidadania e a convivência coletiva só foram possíveis quando o homem conseguiu reprimir alguns de seus impulsos primitivos individuais em prol do interesse da maioria e do bem comum. Para o bem-estar do grupo, não sujamos as ruas fazendo nossas necessidades fisiológicas, embora isso nos custe algum esforço e o cumprimento de algumas regras que contrariam a satisfação imediata e pura dos impulsos e desejos primitivos. Este é o princípio: se algum desejo individual prejudica o bem-estar do grupo, ele precisa ser revisto. Assim, pergunto: o que é melhor para o bem comum, e não para o indivíduo? A vontade do indivíduo deve se sobrepor à vontade do grupo?

Ainda nesse campo, temos a psicologia comportamental, que se baseia no argumento de que o ambiente (cultural, social, econômico etc.) influencia a decisão das pessoas. Ninguém é totalmente livre e desprovido de interferências externas. O mercado, a propaganda, o preço, a atitude do grupo influenciam a decisão das pessoas. Não é só isso. A dependência turva a liberdade de escolha. E maconha causa dependência: 37% dos brasileiros que usaram maconha no último ano preenchiam critérios de dependência (Lenad). Isso não é um questionamento. É um fato.

Existe ainda o grupo de usuários de maconha. Essas pessoas gostariam de sair da ilegalidade e não sofrer preconceito e exclusão. E, naturalmente, uma parte delas gostaria de continuar usando. Fato: cerca de 3% da população brasileira usa maconha. Questão: nesse grupo, imagino que existam vários subgrupos, como aqueles que usaram eventualmente e não tiveram problemas e querem continuar usando. Aqueles que usaram, tiveram problemas (desenvolveram um quadro psicótico e perderam a capacidade de ajuizamento crítico) e não conseguem perceber os prejuízos e, por isso, querem continuar usando. E aqueles que, embora usem, gostariam de parar.

Sobre isso, me pergunto: não seria mais fácil e justo proteger os mais vulneráveis com capacidade de ajuizamento crítico prejudicado? Não existe outro modo de tratar os usuários sem preconceito e exclusão que não seja colocar em risco os outros mais vulneráveis? De fato, os mais vulneráveis talvez sejam a minoria. Mas qual é o papel das políticas públicas se não proteger os mais vulneráveis? Não deveria o Estado proteger a minoria mais vulnerável?

Evidentemente, existem muitos outros grupos, mas esses são os maiores. É evidente também que todas essas questões são passíveis de discussão e que assim seja. Essa é a intenção deste post. Quero levantar dúvida e gerar questionamento. Se formos capazes de duvidar, seremos capazes de responder um dia. O que preocupa é a indisposição para o debate e decisões que desconsiderem o que pensa a maioria das pessoas.

Mas a dúvida que mais preocupa e incomoda é que deve existir um grupo que lucraria muito com a legalização da maconha. Não são os 3% de usuários ou os 11% que concordam com a legalização. É um grupo muito menor, que vê em nossa ingenuidade e na possibilidade econômica uma grande oportunidade. Nesse grupo não há espaço para ingênuos, do que se conclui que entre os que concordam também há um grupo de ingênuos.

A pergunta que cabe neste caso é o que fazer para não ficar nesse grupo e inadvertidamente lutar pelos interesses de tão pouca gente?

Questionar e duvidar pode ser o primeiro passo. Saber em qual grupo nos incluímos, o segundo. E, por fim, tentar responder: a quem de fato interessa que a maconha seja legalizada? Interessa a você, leitor? Por qual motivo?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Farmacêutico explica que Maconha é maior indutora de câncer do que o cigarro



Em entrevista ao programa Super Manhã desta terça-feira (21), na Rádio Jornal AM 780, o professor, farmacêutico e consultor Arquimedes Melo conversou com o comunicador Geraldo Freire sobre o uso medicinal da maconha.

Arquimedes publicou um livro em 2003 sobre a droga e diz que reprova o uso da maconha seja como remédio ou como recreativo. Ele comenta que a liberação é uma saída dos governantes que não conseguiram combater o tráfico. “Isso de falar da maconha como uso medicinal é história, existem vários efeitos tóxicos e ninguém está falando desses efeitos tóxicos”, reclamou.

Ouça aqui a entrevista completa e saiba todos os efeitos negativos listados pelo professor, sobre a droga.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Papa critica projetos de liberalização de drogas na América Latina



Na visita ao Hospital São Francisco de Assis, na zona norte do Rio, o papa Francisco atacou nesta quarta-feira, 24, os projetos de liberalização das drogas na América Latina e acusou traficantes de serem os "mercadores da morte". Na primeira vez que fala publicamente sobre o problema das drogas desde o início de seu pontificado, o argentino deu as primeiras indicações de que, se seus gestos são novos e sua simpatia o transformou em um ícone global, ele não está disposto a mudar posições tradicionais da Igreja.

A crítica à liberalização das drogas ocorreu enquanto visitava o hospital, que atende dependentes de drogas, e depois de se reunir com cinco pacientes.

"Não é deixando livre o uso de drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química", declarou. Países como o Uruguai já liberalizaram o consumo de maconha, enquanto outros na região avaliam propostas similares.

Para ele, a solução não vem da liberalização, mas de uma estratégia para "enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança ao futuro".

Na avaliação de vaticanistas, Francisco começa a revelar com esse discurso que, apesar de ser tido como reformador, adotará posturas tidas como conservadoras em diversos setores sociais e desafios.

Mas o papa não deixou também de atacar o narcotráfico. "São tantos os 'mercadores da morte' que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo custo", disse. "A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da inteira sociedade um ato de coragem", insistiu.

Não é a primeira vez que um papa ataca de forma frontal os narcotraficantes. Em 2007, quando Bento XVI esteve no Brasil, ele alertou que essas pessoas teriam de enfrentar a Deus no juízo final.

Parábola. O papa Francisco ainda atacou o egoísmo da sociedade por não dar atenção suficiente aos dependentes de drogas. "Precisamos abraçar quem tem necessidade", disse. "Há tantas situações no Brasil e no mundo que reclamam a nossa atenção, cuidado, amor, como a luta contra a dependência química", declarou. "Frequentemente, porém, nas nossas sociedades, o que prevalece é o egoísmo", afirmou.

Francisco cita a parábola do Bom Samaritano, que fala de um homem atacado por assaltantes e deixado quase morto ao lado da estrada. "As pessoas passam, olham, mas não param. Indiferentes, seguem o seu caminho. Não é o problema deles".

O papa aponta para o centro de tratamento como exemplo do Bom Samaritano e lembra que São Francisco de Assis abriu mão de sua riqueza justamente depois que, quando jovem, abraçou um leproso.

"O jovem Francisco abandonou riquezas e comodidades do mundo para fazer-se pobre no meio dos pobres, entende que não são as coisas, o ter, os ídolos do mundo a verdadeira riqueza e que estes não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir aos demais", disse. "Em cada irmão e irmã em dificuldades, abraçamos a carne sofredora de Cristo. Hoje, neste lugar de luta contra a dependência química, quero abraçar cada um de vocês".

Francisco garante que a Igreja está ao lado deles. Mas, na avaliação do papa, parte da responsabilidade em se recuperar é do próprio dependente. "Você é o protagonista da subida. Esta é a condição imprescindível. Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar. Mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar", declarou. "A travessia é longa e cansativa, mas olhem para frente. Não deixem que lhes roubem a esperança. Mas também digo: não roubemos a esperança, pelo contrário, tornemo-nos todos portadores de esperança."



Estadão.



Como eu sempre disso, critico as pessoas quando ela merecem e elogio quando merecem. Neste caso, concordo com o Papa.
Leia meus artigos:

Descriminalizar as drogas é a solução?




Falar em legalização da maconha é estupidez

sábado, 11 de maio de 2013

Droga incita violência na escola, aponta pesquisa de sindicato



A presença das drogas no ambiente escolar é o principal motivo apontado por professores da rede estadual de ensino de São Paulo para a criação de situações de violência dentro da escola.




A constatação é de pesquisa divulgada ontem pela Apeoesp (sindicato estadual dos professores).

Em 42% dos casos, os entrevistados disseram que o aluno sob efeito de drogas foi a razão que motivou a violência. Em seguida, com 29%, estão as ações do tráfico de drogas e alunos sob efeito de álcool como as motivadores.

O levantamento, realizado pelo instituto Datapopular, ouviu 1.400 professores, por telefone, em 167 cidades paulistas entre janeiro e março deste ano e tem margem de erro de 2,61%.

A rede estadual paulista conta com 230 mil docentes.

A pesquisa indicou também que 84% dos entrevistados disseram ter tido conhecimento de algum caso de agressão dentro da escola onde trabalham, e 44% dos professores pesquisados afirmam ter sofrido algum tipo de agressão (física, verbal ou assédio) no ambiente escolar.

A agressão mais comum presenciada, de acordo com a pesquisa, é a verbal (74%), seguida do bullying (60%) e do vandalismo (53%).

Felippe Angeli, coordenador do Sistema de Proteção Escolar da Secretaria de Estado da Edução, afirma que "a preocupação com a questão das drogas não se limita às escolas e é algo que está inserido em um contexto maior da sociedade".

Segundo o coordenador, a secretaria está "atuando em conjunto com as forças de ordem para coibir a ação do tráfico nas escolas, assim como está sendo fortalecida a estrutura de segurança no ambiente escolar".

Angeli afirmou ainda que professores da rede estadual estão fazendo cursos de capacitação para que consigam "mediar conflitos com mecanismos que incentivem a discussão e abordagens diferentes para os problemas que surjam na escola".

A secretaria informou que ainda não recebeu oficialmente os dados divulgados pelo sindicato e que quer analisar a metodologia aplicada.


Folha de São Paulo


E depois tem gente querendo legalizar maconha, crack e cocaína. Aumentaria a oferta e a demanda das drogas, piorando a situação. Quem defende a legalização de mais drogas não tem caráter.
Leiam este meu editorial: "Descriminalizar as drogas é a solução?"


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O perigoso namoro entre as mulheres e as drogas



Há quase um século atrás, na década de 1920, a American Tobacco Corporation na intenção de dobrar o número de consumidores de cigarros contratou o sobrinho de Freud, Edward Bernays para desenvolver uma campanha de marketing que estimulasse as mulheres afumarem, até então, uma realidade cultural muito distante das mesmas. Associando o ato de fumar à emancipação da mulher na nova sociedade de consumo que ensaiava seus passos,através de um protesto teatralizado durante uma parada comemorativa intitulado “Tochas da Liberdade”, Bernays contratou mulheres jovens e atraentes para invadirem o desfile fumando, segurando cartazes e palavras de ordem associando o ato de fumar à igualdade de gênero gerando a esperada repercussão na mídia da época e dessa forma, a indústria do tabaco ardilosamente conseguiu seu intento, aumentando suas vendas e comprometendo a saúde de todas as gerações que sucederam o embusteiro movimento.

Há cerca de 10 anos atrás, quando comecei a me envolver com as políticas sobre drogadição, tínhamos um cenário semelhante em relação ao uso de outras drogas recreativas por mulheres, de modo geral na ordem de 5 homens para cada mulher usuária de drogas recreativas. Tal diferença de percentual, tal como no passado, tinha como principal fator, questões culturais e comportamentais que determinavam, entre outros, papéis distintos na educação e formação do caráter dos cidadãos e das cidadãs.



Entretanto, já começávamos a identificar os mesmos sinais, ainda que sutis, de mudanças no comportamento das mulheres em relação ao consumo, curiosamente, atraídas pelo mesmo tipo de estratégia torpe das indústrias de bebidas, estética e farmacêutica, obcecadas em aumentar seus faturamentos sem quaisquer maiores responsabilidades sociais, assim como a leniência de governos e da própria sociedade que absorviam essas novas ações de manipulação de maneira displicente, permitindo que avançassem, angariando maiores lucros às custas de toda sorte de prejuízos pessoais e sociais para a comunidade.



Há cerca de cinco anos atrás, quando presidia o Comad (Conselho Municipal Antidrogas) de São José dos Campos-SP, fizemos uma grande pesquisa com quase 10 mil jovens, a metade meninas entre 12 e 18 anos e detectamos um avanço significativo do consumo dessas, em alguns casos, superando o consumo de drogas por parte dos meninos da mesma comunidade, o que nos levou a desenvolver uma série de estratégias que foram devidamente encaminhadas aos órgãos competentes, em especial a prefeitura e secretarias afins, no intuito de conter e reduzir um tendência perigosa que colocava em sério risco às futuras gerações da cidade, vez que o consumo abusivo de drogas por parte de mulheres traz consequências ainda mais devastadoras no desmantelamento do tecido social de uma comunidade, por uma série de razões que vão desde biológicas (mulheres são mais vulneráveis ao álcool por questões fisiológicas como o fato de reterem mais líquidos no corpo) sociais (o uso de drogas está altamente associado à gravidez não planejada; mais de um terço das novas famílias tem na mulher o maior provedor, quando não o único…) estruturais (as redes públicas e privadas de tratamento não estão preparadas para atender mulheres dependentes químicas – no caso de adolescentes o caso se agrava, não havendo em toda região uma só clínica especializada ou adaptada para receber e tratar meninas) e econômicas.



Entretanto, basta um rápido olhar para o atual quadro de degradação, onde o álcool e o crack, associado à prostituição, delitos e toda sorte de violência e vulnerabilidade para entender que a maioria dessas estratégias foram negligenciadas nos últimos 4 anos pelo governo anterior que se ocupou na espetacularização da questão aliada à práticas repressivas que qualquer leigo percebe que foram ineficazes.



Desta maneira, esperamos que o novo governo que se inicia tenha um olhar mais humano e amplo sobre a questão das drogas no município, em especial sobre o vertiginoso crescimento do consumo de drogas por parte de nossas mulheres de todas as idades e condições sociais, tomando providências firmes e eficientes para restaurar a dignidade dessas mulheres e de tantas famílias que sofrem diariamente com esse difícil porém enfrentável problema.



Franklin Maciel

Escritor, Cientista Social e ex-presidente do Comad São José dos Campos

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A maconha faz parte da armadilha, é um atentado contra todos



A pretensa tendência de liberalização da maconha é um atentado contra todos. As drogas, inclusive a maconha, não devem ser nem sequer descriminalizadas. O seu uso pessoal extrapola as liberdades da intimidade e da vida privada das pessoas, por ser questão de saúde pública.


De fato, é certo que o usuário de drogas não é um bandido.Antes de tudo, é vítima. A sociedade atual, voltada ao consumo material e às mídias massificadoras, sujeita as pessoas à desintegração das relações humanas e familiares, bem como ao vazio de sentido, propósitos e ideais.





Os antropólogos falam da era do vazio, da era da decepção, da sociedade líquida, da antropologia da solidão. Para o desespero de Fernando Pessoa, se depender da sociedade atual, a alma será pequena.


Na pequenez da alma, a terrível armadilha moderna, que está à espreita das pessoas, em especial dos jovens e mesmo das crianças: o uso pessoal de drogas, que joga o ser humano numa espiral para baixo, abrindo as portas da dor e da ruína.


A droga acabou com as pessoas e com seus cérebros, arruinou sua dignidade, capturou suas almas, as conduziu para a criminalidade. No fim do poço, transformou-as naqueles zumbis da cracolândia, em condições infra-humanas.


Dói só de pensar nas crianças recém-nascidas, filhas das mães do crack, sofrendo crise de abstinência e já com sequelas gravíssimas.


Errado dizer que a a maconha não faz parte desta armadilha. Faz.


Está comprovado que ela não é inofensiva. Aliás, o Levantamento Nacional sobre Drogas de 2010 é alarmante e demonstrou que tem relevância estatística o uso de drogas por crianças a partir de dez anos. Mostrou também que quem usa uma droga geralmente acaba usando qualquer outra.


Não há humanismo em tolerar o uso pessoal de drogas. Ser indiferente ao uso próprio de drogas e deixá-lo ao critério da opção pessoal de cada um, especialmente por criar fácil acesso a jovens e crianças, é ser indiferente à saúde pública e na prática a todas essas vítimas que entregaram a sua dignidade.


Inegável que a capacidade de discernimento do usuário fica prejudicada -e não é ele, por si, que terá lucidez e força para pedir ajuda. Há quem defenda que se deve deixar as pessoas chegarem ao fundo do poço. Mas não dá para se omitir.


Para piorar, o usuário de drogas acaba sendo refém do traficante e, ao fim e ao cabo, financia e contribui para a indústria do tráfico, na condição de consumidor final. Crime, violência e morte, tudo isso escrito pelo vermelho do sangue das vítimas, está intimamente relacionado ao império das drogas.


Assim, o problema do uso próprio de drogas nunca é íntimo e privado, ainda que o consumo seja pessoal, íntimo e privado. É um problema grave e deve ser prioritariamente enfrentado pelas autoridades, com profundo respeito e consideração pelas famílias e vítimas desse mal.


Isto é, mesmo o uso pessoal, íntimo e privado das drogas é um problema coletivo de saúde pública que merece resposta penal. Logo, não é o caso de descriminalizar. Não para vigiar e punir, como diria Foucault, mas para cuidar e desintoxicar, ainda que compulsoriamente.


Significa que os usuários não deviam ser colocados na cadeia, muito pelo contrário, como problema de saúde pública, a resposta penal para o uso pessoal das drogas deve ser, como é, o encaminhamento para compulsório tratamento médico e desintoxicação.


RICARDO SAYEG, 45, advogado, é professor livre-docente de direito econômico da PUC-SP. É também coordenador de doutorado e mestrado e líder do grupo de pesquisa do capitalismo humanista

Folha de São Paulo

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uso de maconha por adolescentes leva a declínio cognitivo




Um estudos sobre o efeito do uso de drogas por longo prazo mostra que aqueles que começaram a utilizar maconha quando adolescentes podem chegar à meia-idade com uma deficiência de oito pontos no QI (quociente de inteligência) se comparado aos não usuários.
A pesquisadora Madeline Meier, da Universidade Duke, nos Estados Unidos, utilizou como base um estudo que acompanhou mil pessoas em Dunedin, Nova Zelândia, desde o nascimento até os 38 anos de idade. Os dados permitiram comparar os teste de QI feitos com os participantes na idade dos 13 — antes do uso de maconha — com os testes de QI quando adultos; em alguns casos, depois de anos de uso da droga.

O estudo mostrou que aqueles que desenvolveram uma dependência da droga apresentaram maior declínio de QI, perdendo seis pontos na média, independentemente do quão cedo o hábito começou. Dentro desse grupo, aqueles que começaram a usar a droga antes de seu aniversário de 18 anos apresentaram um declínio subsequente de 8 pontos em média no QI.
Além disso, amigos e parentes próximos dos usuários de maconha informaram que eles tiveram problemas cada vez mais frequentes de memória e de atenção. Segundo os pesquisadores, o dano não parece ser reversível depois de os usuários deixarem o hábito. Mas eles afirmam que quando o uso da maconha começa após o 18º aniversário, os danos são menores.
— Este estudo é o primeiro a oferecer evidências de que a maconha provoca, de facto, efeitos neurotóxicos em cérebros jovens — diz Meier.


O Globo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Uso de drogas pesadas começa pelo álcool



Estudo americano mostra que jovens que consomem bebidas alcoólicas têm 16 vezes mais chances de utilizar outras substâncias tóxicas

Novos argumentos trazidos por duas pesquisas – uma brasileira e outra norte-americana – devem reacender a discussão sobre a venda e o consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos. Estudo da Universidade da Flórida mostra que o álcool, e não a maconha ou o cigarro, é a primeira droga experimentada pelos jovens. E um dos fatores que levam a essa experimentação precoce é revelado por pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), segundo a qual, em ao menos 70% das vezes em que um menor de 18 anos tenta comprar bebida alcoólica, ele é bem-sucedido.

De acordo com o estudo feito pelo professor Adam Barry, pesquisador da Escola de Saúde e Performance Humana da Universidade da Flórida, o álcool também é a substância mais usada pelos adolescentes, com 72,2% afirmando que já o consumiram pelo menos uma vez na vida. Entre os entrevistados, 45% relataram fumar, e 43,3% disseram usar maconha. O autor analisou 14.577 questionários preenchidos por jovens do ensino médio de 120 escolas públicas e privadas dos Estados Unidos. Eles responderam se já haviam usado pelo menos uma de 11 substâncias, dentre elas, álcool e tabaco, assim como drogas ilícitas, como maconha, cocaína, heroína, LSD, anfetaminas, tranquilizantes e outros narcóticos.

Esses dados comprovam, na opinião do pesquisador, que drogas lícitas e aceitáveis socialmente, como o álcool e o tabaco, são as primeiras substâncias tóxicas a serem consumidas pelos jovens. A partir daí, eles passam para a maconha e depois para as drogas ilegais mais pesadas.

Mais do que isso, o levantamento revela que os estudantes que usaram álcool demonstraram ter uma probabilidade até 16 vezes maior de uso de outras drogas. “Existe muita informação errada em relação às drogas em geral; inconscientemente passa-se a mensagem de que o álcool não é droga. O que acontece é que o lobby do cigarro e o da bebida são muito fortes. Por isso se passa uma má impressão de que realmente o grande problema é a maconha, quando na realidade não é”, explica o professor de Psiquiatria Dagoberto Hungria Requião, do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Influência

Há vários fatores que incentivam o consumo de álcool por adolescentes, segundo artigo dos pesquisadores Sérgio Duailibi e Ronaldo Laranjeira, do Instituto Nacional para Políticas Públicas do Álcool e Drogas do Departamento de Psiquiatria da Unifesp. Entre eles, a propaganda direcionada a esse público, a disponibilidade da bebida em locais de fácil acesso, como postos de gasolina, e promoções do tipo open bar (com bebida liberada a partir do pagamento de entrada).

No caso do álcool e do cigarro, que são substâncias legalizadas, mesmo havendo leis que proíbam a comercialização a menores de 18 anos, os adolescentes acabam tendo acesso a ambos. Além disso, o preço é baixo: com R$ 5, é possível comprar uma caixa de cigarros e uma dose de cachaça em um bar de rua de Curitiba.

Outro fator que contribui para o consumo é a aceitação dentro de casa. “Festa de 1 ano de criança tem bebida? Tem, a pretexto de servir aos pais. É nesse tipo de festa que ocorrem os primeiros usos, sob o olhar complacente ou sob a ignorância dos pais”, diz o psiquiatra Carlos Salgado, conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).

Movimentos sociais ajudam a diminuir consumo

Nos Estados Unidos, em 1980, foi fundada a organização não governamental MADD (Mothers Against Drunk Driving, ou “mães contra a direção alcoolizada”, em tradução livre). A missão do grupo hoje é acabar com a condução de veículos por pessoas alcoolizadas, apoiar as vítimas que sofrem com esse tipo de crime e evitar que menores de 21 anos bebam, como proíbe a lei federal do país.

No Brasil, já há movimentos que lutam para tornar mais duras as punições contra quem dirige bêbado, como o liderado por Christiane Yared, mãe de Gilmar Yared, vítima de um grave acidente de carro ocorrido em 2009 em Curitiba e provocado pelo ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, que estava embriagado. Mas ainda não há nada tão representativo para acabar com a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. “A letra da lei [que proíbe a venda a menores] pode estar morta, mas as crianças estão morrendo. Num país onde existe a lei, o que precisa é simplesmente cumpri-la”, diz o professor de Psiquiatria Dagoberto Hungria Requião.

Os pais têm papel fundamental para evitar que o consumo da substância se inicie precocemente. “A resposta começa com a fiscalização primordial dentro de casa”, diz o psiquiatra Carlos Salgado, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).




Álcool afeta mecanismo cerebral de tomada de decisões

Quanto mais cedo uma criança passa a ingerir álcool, maior é o prejuízo para o seu desenvolvimento cerebral e cognitivo, pois a substância afeta a área relacionada à tomada de decisões. “A ciência tem nos mostrado que o amadurecimento cerebral, especialmente das áreas frontais e pré-frontais, custa mais. E são essas áreas as responsáveis pelo bom senso. Um jovem exposto precocemente ao álcool muda o seu mecanismo de tomada de decisão”, explica o psiquiatra Carlos Salgado.

De acordo com o médico, quem começa a beber na infância ou na adolescência torna-se uma pessoa que toma decisões pouco pensadas, além de ter o desenvolvimento psicológico retardado, algo fundamental para a inserção dos indivíduos em sociedade.

O professor de Psiquiatria Dagoberto Hungria Requião explica que o cérebro vai se desenvolvendo até chegar à maturidade, por volta dos 25 anos de idade. “O álcool vai ao cérebro e é obvio que vai criar dificuldades nessa formação. Fico angustiado ao ver crianças de 12 e 13 anos bebendo. Continuando assim, vão se tornar adultos muito doentes.” (KMM)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O GRANDE CLICHÊ



Ruy Castro

RIO DE JANEIRO - Um usuário de álcool, maconha, cocaína ou qualquer droga que: 1) Já tenha suspeitado de que seu uso da substância começa a sair de controle; 2) Sentiu-se angustiado pela possibilidade de seu estoque acabar naquela noite ou nas próximas horas; 3) Tentou parar de usar e não conseguiu; ou 4) Tiver sentido os mal-estares típicos da síndrome de abstinência -enfim, se um usuário admitir que já passou por apenas uma dessas situações, já pode ser considerado dependente.
Um levantamento promovido pela USP e pelo Inpad (Instituto Nacional para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas), ouvindo 4.067 pessoas em 149 cidades de todos os Estados, concluiu que há 1,3 milhão de brasileiros dependentes de maconha, sendo adolescentes mais da metade destes. É um número muito alto para uma droga que, como martela o tremendo lobby a seu favor, "não vicia", não tem "problema algum" e faz "menos mal que o cigarro comum".


A dependência significa o fim do uso recreativo do produto -sendo este o período em que o usuário ainda pode optar por usá-lo ou não naquele momento e, se optar pelo não-uso, não sentirá alterações físicas ou emocionais consideráveis. Ou seja, em que a razão ainda prevalece sobre a fissura.
Na dependência, a situação se inverte, e o indivíduo não é mais senhor de decidir pelo uso ou não. Ele tem de usar, e agora -caso contrário, o organismo lhe cobrará caro, na forma de, no caso da maconha, ansiedade, irritação, insônia, dores abdominais, desconforto físico geral e outros sintomas que só serão aliviados com o uso do produto.
O número de usuários "recreativos" é dez vezes maior que o de dependentes, e nem todos são ou ficarão dependentes, claro. Mas é sempre o grande clichê: todo dependente, um dia, já se julgou superior à substância e, pior ainda, superior a si mesmo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Riscos da maconha são 'subestimados', dizem especialistas



Especialistas alertam que o público perigosamente subestima os riscos de saúde ligados a fumar maconha.

A British Lung Foundation realizou um levantamento de 1.000 adultos e constatou que um terço erroneamente acredita que a cannabis não prejudica a saúde.

E 88% pensavam incorretamente que cigarros de tabaco seriam mais prejudiciais do que os de maconha - quando um cigarro de maconha traz os mesmos riscos de um maço de cigarros.

A British Lung Foundation afirma quer a falta de consciência é "alarmante".

Amplamente utilizado

Os números mais recentes mostram que 30% das pessoas entre 16 e 59 anos de idade na Inglaterra e no País de Gales usaram cannabis em suas vidas.

Um novo relatório do BLF diz que há ligações científicas entre fumar maconha e a ocorrência de tuberculose, bronquite aguda e câncer de pulmão.

O uso de cannabis também tem sido associado ao aumento da possibilidade de o usuário desenvolver problemas de saúde mental, como a esquizofrenia.

Parte da razão para isso, dizem os especialistas, é que as pessoas, ao fumar maconha, fazem inalações mais profundas e mantêm a fumaça por mais tempo do que quando fumam cigarros de tabaco.

Isso significa que alguém fumando um cigarro de maconha traga quatro vezes mais alcatrão do que com um cigarro de tabaco, e cinco vezes mais monóxido de carbono, diz a BLF.

A pesquisa descobriu que particularmente os jovens desconhecem os riscos.

'Campanha pública'

Quase 40% dos entrevistados com até 35 anos de idade - a faixa etária mais propensa a ter fumado cannabis - acreditam que maconha não é prejudicial.

No entanto, cada cigarro de cannabis aumenta suas chances de desenvolver câncer de pulmão para o equivalente aos riscos de quem fuma um pacote inteiro de 20 cigarros de tabaco, a BLF advertiu.

A chefe-executiva da BLF, Helena Shovelton, disse: "É alarmante que, enquanto pesquisas continuam a revelar as múltiplas consequências para a saúde do uso de maconha, ainda há uma perigosa falta de sensibilização do público sobre o quão prejudicial esta droga pode ser."

"Este não é um problema de nicho - a cannabis é uma das drogas recreativas mais utilizadas no Reino Unido, já que quase um terço da população afirma ter provado."

"Precisamos, portanto, de uma campanha de saúde pública - à semelhança das que têm ajudado a aumentar a conscientização sobre os perigos de se comer alimentos gordurosos ou fumar tabaco - para finalmente acabar com o mito de que fumar maconha é de algum modo um passatempo seguro."

O relatório do BLF recomenda a adoção de um programa de educação pública para aumentar a conscientização do impacto de fumar maconha e um maior investimento na pesquisa sobre as consequências para a saúde de seu uso.

domingo, 3 de julho de 2011

Procurador diz que liberação da maconha favorece o tráfico e a violência

Repórter da Agência Brasil
São Paulo - A liberação da maconha no Brasil favorecerá o tráfico e não diminuirá a violência no país, segundo o procurador de Justiça de São Paulo Marcio Sergio Christino, especialista na área de crime organizado.
“Toda medida que defende o consumo e permite a compra da droga de maneira massiva indiretamente favorece o traficante, porque ele é o grande fornecedor. Quando se aumenta o consumo, se aumenta ou se dá força àquele que tem o produto para vender”, disse o procurador à Agência Brasil.
Segundo ele, como não há diferença entre quem vende maconha e quem vende as demais drogas, é difícil imaginar que a violência poderádiminuir com a liberação do alucinógeno. “O traficante que vende maconha é o mesmo que vende o crack, que vende o oxí, que vende a cocaína. Não há diferença no mercado nesse sentido. Então, atribuir a liberação da maconha à diminuição da violência é uma afirmação aventureira.”
Um dos problemas, segundo Christino, é que a legislação brasileira sobre drogas é “esquizofrênica”. “Temos uma série de casos de diminuição de pena de forma que a pena por tráfico hoje no Brasil é a menor pena de tráfico do mundo, o que causa espanto, dado à força e ao crescimento que o tráfico tem hoje no Brasil.”
Para ele, a solução é a legislação brasileira ter como exemplo os países que defendem penas mais rigorosas para os traficantes. “Se isso acontecer, vai ter uma diminuição do tráfico. Mas definitivamente [isso não ocorrerá] com as penas e com o processo que temos hoje aqui.”
De acordo com o procurador, também é difícil supor que o Brasil possa regulamentar o plantio, a distribuição e o uso da maconha. “Nossas condições econômicas e sociais não permitem qualquer tipo de fiscalização sobre a produção desse tipo de produto. Já temos uma saúde carente, temos um Estado deficitário e é difícil atribuir ao Estado mais um ônus, que é perfeitamente dispensável.”
Christino também considera “falácia o argumento de que a maconha é uma droga leve, que pode até ser usada para fins medicinais. “É um tema polêmico na medicina, mas até hoje não se conseguiu isolar um princípio ou um determinado efeito da maconha que não possa ser feito por outras espécies de medicamentos. É mais um subterfúgio usado para justificar o consumo. Apesar de ser uma droga considerada leve, o fato é que o simples consumo da maconha já serve como elemento alterador de consciência. E isso é um fato inegável. Leve ou não, ela é uma droga”.
Na tarde de ontem (2), o Coletivo Marcha da Maconha promove uma manifestação por mudança na Lei de Drogas, na Avenida Paulista, em São Paulo. Durante a marcha, os manifestantes vão defender a regulamentação do plantio, distribuição e uso da maconha Eles também defendem que o consumo e a propaganda sejam restritos, assim como o do tabaco e do álcool.


Comentário do Aurelio:
É uma idéia estúpida querer liberar mais drogas no Brasil, pois isto não traria nada de positivo para a sociedade. Só meia-dúzia de drogados e viciados da classe média tem interesse nisso, para poderem se drogar livremente.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uso crônico de maconha afeta a química do cérebro



Exames de imagem mostram que o uso diário da maconha pode ter efeitos negativos sobre a química do cérebro, aponta um novo estudo.

Na pesquisa, os investigadores revelaram que o uso crônico da droga provocou uma diminuição no número de receptores envolvidos em uma ampla variedade de importantes funções mentais e corporais como a concentração, a coordenação do movimento, o prazer, a tolerância à dor, a memória e o apetite.

A maconha, também conhecida como cannabis, é a principal droga ilegal de abuso nos Estados Unidos, de acordo com os EUA do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas. Quando fumada ou ingerida, as substâncias químicas psicoativas da droga se ligam a numerosos receptores canabioides no cérebro e em todo o corpo, o que influencia uma série de estados mentais e ações. Um dos receptores canabioides conhecido, o CB1, está envolvido principalmente no sistema nervoso central.
Na condução do estudo, os pesquisadores compararam os cérebros de 30 fumantes crônicos de maconha com não-fumantes ao longo de aproximadamente quatro semanas. Usando aparelhos de imagem molecular, os pesquisadores conseguiram visualizar as mudanças nos cérebros dos participantes e observaram que os receptores canabinoides CB1 dos usuários crônicos haviam diminuído em cerca de 20% em comparação com os não usuários.

"Com este estudo, conseguimos demonstrar pela primeira vez que as pessoas que abusam de cannabis têm anormalidades dos receptores canabinoides no cérebro", disse Jussi Hirvonen, autor do estudo.
Os pesquisadores escanearam novamente 14 dos usuários crônicos após um mês de abstinência e notaram um aumento significativo na atividade dos receptores CB1 em áreas que no início do estudo eram deficientes. Os resultados, apontaram os pesquisadores, sugerem que os efeitos adversos do uso crônico de maconha podem ser reversíveis.

"Essa informação pode ser fundamental para o desenvolvimento de novos tratamentos para o abuso de maconha. Além disso, esta pesquisa mostra que os receptores reduzidos em pessoas que abusam da droga podem voltar ao normal quando elas param de usá-la", acrescentou Hirvonen.

O estudo, resultado de uma parceria entre o Instituto Nacional de Saúde Mental e o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA, foi apresentado esta semana na reunião anual da Society of Nuclear Medicine, em San Antonio, Texas. Como este estudo foi mostrado em uma reunião médica, os dados e conclusões devem ser considerados como preliminares até que o trabalho seja publicado em um periódico científico.

IG

Se o sistema de saúde já têm problemas com as drogas que são legalizadas, imaginem mais uma então.
Nunca vão legalizar a maconha ou mais nenhum entorpecente no Brasil, para tristeza dos viciados usuários de maconha.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Defensores da legalização das drogas fazem comparações desonestas

Açúcar branco é bem diferente de qualquer droga ilícita

Alguns defensores da legalização da maconha ou de outras drogas dizem que "se as drogas estão proibidas, então alimentos como bacon também deveriam ser proibidos".
Vejam porque este argumento não procede:


A princípio, uma comparação exige eqüidade categórica. Alimentos e tóxicos estão em categorias de substâncias distintas. As últimas são substâncias psicoativas, enquanto os primeiros, em sua maioria, não. Uma comparação precisa vir acompanhada da justificação de fazê-lo, porquanto material e logicamente diferem demasiado.
Eis duas substâncias: A e B. Em quantidade elevada, A é nociva. B é nociva mesmo em pequenas doses, no entanto, ela promove alteração do estado de consciência. Fast-food, bacon ou açúcar não alteram o estado de consciência. Portanto, A causa danos somente para aqueles que a ingerem. E B, por ser psicoativa, acompanha dependência química e psicológica malefícios à coletividade social enquanto um todo. A é um alimento. B é uma droga.
O dano físico causado pela ingestão não é, portanto, o fator pelo qual os governos regulam o uso de psicoativos.
Alguém que come muito bacon causa mal somente a si próprio. Já quem ingere crack causa danos a ele e à sociedade. Alimentos prejudiciais à saúde não são psicoativos. Ninguém corre o risco de causar um acidente automobilístico após comer um cheeseburguer com bacon ou tomar uma coca-cola mexicana cheia de açúcar. Independente de ser contra ou a favor a legalização da maconha ou de quaisquer outras drogas, não dá para compará-las com alimentos que podem ser prejudiciais.
São vários os males causados pela maconha. Dividem-se em:
 a) Dano à pessoa que faz uso, que tais: dependência (maconha aumenta os níveis de GABA, o que multiplica seus receptores para o mesmo, causando dependência); efeito sedativo, o que se torna perigoso na hora de dirigir ou realizar atividades que exigência diligência, tal como manusear objetos cortantes etc.;
 aumento do risco de câncer devido ao fumo;
diminuição do nível plasmático de testosterona;
etc.
b) Danos à sociedade em geral.
Financiamento do tráfico de drogas, o que implica violência generalizada;
elevação da carga tributária, pois inúmeros estudos demonstram que usuários de maconha experimentam outros tipos de drogas, e uma porcentagem dessas pessoas continuam a fazer uso delas, tais como cocaína e crack, drogas viciantes, o que implica impostos direcionados para o SUS para tratamento de viciados;

Por conseguinte, equiparar comida com droga é como comparar leite com pinga. São duas classes de substâncias distintas, bioquímica e metabolicamente. Ambos são ingeríveis, mas enquanto primeiro é um alimento, o segundo é um tóxico. Somente sob o efeito deste último é que a comparação pareceria legítima. A não ser, é claro, sob o efeito de um baseado. Ou seria burrice?

Em um debate, uma pessoa falou:

"O sujeito usa droga porque quer sentir um alívio ou um bem-estar, assim como um depressivo usa lexotan, ou um paciente com dor crônica toma analgésico. "


Primeiro erro: um depressivo deveria fazer uso de inibidores dos receptores de recaptação de serotonina (antidepressivos), e não de benzodiazepínicos (lexotan é um depressor do sistema nervoso central).

Segundo engano:O sujeito usa drogas, de facto, à procura de bem-estar. Mas o seu bem-estar é obtido à custa do mal-estar dos outros, dado o malefício causado pelo financiamento do tráfico, as despesas com a recuperação de dependentes químicos, e os inúmeros efeitos psicológicos negativos promovidos pelas drogas, tais como descontrole, impulsos violentos, alucinações e outros resultados que podem ser danosos.


Crack entra na rota dos caminhoneiros

A Gazeta
Droga é utilizada por motoristas para se manterem mais tempo ao volante.

Na busca por horas a mais em frente ao volante, caminhoneiros estão encontrando uma forma perigosa de se manter acordados. Depois das anfetaminas - os chamados "rebites" -, a cocaína e o crack se tornaram os novos aliados na corrida contra o tempo das estradas.Em 2008, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) detectou a presença da cocaína - substância que também dá origem ao crack - em 10% das amostras de urina colhidas de caminhoneiros. "E o número certamente já aumentou", afirma o inspetor Emanuel Oliveira.

Na ocasião, apenas 354 dos 732 motoristas abordados na operação chamada "Comando da Saúde nas Rodovias" aceitaram fazer o exame toxicológico, mesmo tendo o anonimato garantido. "Isso nos leva a crer que o número de usuários é bem superior. Eles foram abordados durante o dia, quando a viagem é mais tranquila, e, em geral, apenas aqueles que acreditam que o exame dará negativo aceitam fazê-lo", explica. As anfetaminas apareceram em 63% das amostras; e a maconha, em 12%.O motivo apontado para o uso das substâncias é quase sempre o mesmo. Estimulantes do sistema nervoso central, as drogas aumentam o estado de alerta em poucos minutos e, em associação com outros estimulantes, estendem a capacidade do organismo de se manter sem descanso por cerca de três horas.

Jornada estendidaNa prática, a jornada de oito horas diárias de trabalho prevista para os caminhoneiros nem sempre é cumprida, seja pelas empresas ou pelos motoristas, que muitas vezes atuam como autônomos, donos dos seus próprios caminhões.

No "Comando da Saúde nas Rodovias" realizado na última quarta-feira, dia 11, 44% declararam estar trabalhando além da carga horária. Em 2008, eram 35%. A PRF pretende repetir, neste ano, o exame toxicológico para os motoristas. Outras três ações do comando devem ser feitas até dezembro.

Projeto prevê menos tempo ao volante

O Congresso Nacional analisa um projeto de lei que pretende mudar a jornada de trabalho dos motoristas. A proposta é que o trabalhador passe a ter, regulamentados, pelo menos 30 minutos de descanso a cada quatro horas ao volante. Hoje, a jornada é de oito horas, podendo ser estendida por até duas horas, e o intervalo mínimo entre uma viagem e outra não é regulamentada.

Ainda, de acordo com o projeto, o motorista pode dirigir por uma hora a mais além das quatro para chegar a um local de descanso adequado.Segundo o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado (Transcares), Mario Natali, a mudança na legislação é bem aceita pelas empresas. "Vamos, inclusive, nos reunir na próxima sexta-feira para discutir o assunto com os empresários. Na maior parte das vezes, o motorista autônomo é quem trabalha a mais, justamente porque depende da sua produção", diz.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários do Estado, Edson Bastos, concorda, mas acrescenta que, em parte das empresas, o motorista também ganha por comissão. "O piso salarial, de R$ 1.061,00 é muito pouco. A empresa acaba oferecendo 5% ou 10% pela carga. Isso incentiva o caminhoneiro a trabalhar mais horas", frisa.
Especialista alerta para risco de "desmaiar" ao volante

Prejudicial para qualquer usuário, a associação do crack ou da cocaína com a direção é vista com ainda mais preocupação pelas autoridades de trânsito e por médicos especialistas. Capaz de prolongar o tempo de viagem do condutor por até três horas, as drogas psicoestimulantes caracterizam-se por uma perda de efeitos repentina. No volante, isso pode ser sinônimo de dormir na direção. "E o resultado disso nem é preciso explicar", diz o presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Carlos Salgado.

Ele explica que o crack é menos compatível com o efeito esperado na direção, já que o pico da droga acontece em poucos minutos. "A 'onda' é muito rápida. Por isso só vai adiar o sono se estiver associada a outras drogas, como a própria cocaína ou as anfetaminas", explica.Já o 'pico' da cocaína demora um pouco mais para acontecer e pode durar até três horas. "Essas drogas ativam a produção da dopamina, que é um hormônio de comunicação cerebral capaz de ativar a atenção e propiciar um estado de alerta", explica.

No entanto, se o motorista fica 12 horas sem dormir, assim que o efeito da droga passa a exaustão surge repentinamente. "Ele pode ter um desmaio, literalmente, ao volante. Além disso, o crack e a cocaína provocam alterações bruscas de humor e irritação, podendo torná-lo mais agressivo ao volante", acrescenta.Drogas para acordar e relaxarViajar mais de 12 horas seguidas e passar até 35 dias longe de casa é rotina na vida do caminhoneiro E.E., de 42 anos, que admite usar "de tudo um pouco" para se manter acordado na estrada. Casado e pai de dois filhos, ele trabalha para uma empresa de Sorocaba, em São Paulo, onde mora, e diz já ter experimentado crack e cocaína na beira das rodovias que cortam o Sudeste, a convite de outros caminhoneiros. Para descansar nos postos de parada, a maconha é a preferida. "Ela ajuda a relaxar e tirar a tensão. A gente não quer colocar a vida de ninguém em risco, mas precisa trabalhar", alega. Negando a possibilidade de se viciar nas substâncias, ele afirma se preocupar apenas com a família. "Não quero que minha mulher saiba disso nunca, porque sei que ela não concordaria. Tudo o que eu faço é pensando no melhor para eles. Mas eu não vejo nada de mais. Só faço de vez em quando", diz.Caminhões

40% dos acidentes - É a participação dos veículos de carga nos acidentes ocorridos nas rodovias federais que cortam o Espírito Santo, em 2010. Em cerca de 55% deles houve pelo menos uma morte

Fonte


E tem gente, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é a favor da legalização de todas as drogas, incluindo o crack. Defender algo assim deveria ser crime.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Pinga de R$ 1 vira caso de saúde pública



Vendida por R$ 1 em mercadinhos e botecos do centro, uma pinga conhecida como "barrigudinha" tem agravado a situação de moradores de rua e usuários de crack de São Paulo. Embalada em garrafa plástica redonda de 490 ml, ela é destilada de forma clandestina e tem efeito devastador, segundo médicos, assistentes sociais e consumidores.
A "barrigudinha" pode resultar em coma alcoólico, amnésia e intoxicação mesmo em pequenas doses, além de devastar a pele do rosto e dos braços com manchas e causar muitas vezes hemorragia intestinal. Tornou-se comum a procura de auxílio médico após a ingestão da bebida, que não passa pela curtição em tonel adotada na produção de cachaças, pingas e uísques.

No caso da "barrigudinha", o álcool e o melaço da cana são misturados e embalados muitas vezes no mesmo dia, o que torna a bebida mais agressiva. Sem ver o rótulo, é impossível diferenciar o cheiro da pinga e de um vidro de álcool de cozinha. "Eu bebo de tudo, mas essa barrigudinha é o capeta. Quando não mata, te deixa aleijado", afirma o catador Euvaldo Ribeiro, de 32 anos.

Ele deixa de lado o tom de brincadeira ao relatar sua mais recente experiência com a pinga. No mês passado, ele cortou a testa após "matar três goles seguidos" da "barrigudinha", pouco antes de entrar no albergue para dormir, no fim da tarde. "Apaguei e quando acordei já estava com 12 pontos na cabeça. Não dá para beber essa pinga rápido como as outras, você desmaia sem nem perceber", conta. Assim como outros moradores de rua que passam o dia catando papelão, Ribeiro optou pela "barrigudinha" para economizar. O litro de outras pingas também consideradas baratas, como a 51, a 3 Fazendas e a Velho Barreiro, não sai por menos de R$ 5. "Uma dose no bar custa R$ 1. É melhor comprar logo uma "barrigudinha"."

Alerta. A pinga virou "remédio" para abaixar a paranoia dos usuários de drogas da cracolândia. Nas Ruas Helvétia e Glete, é comum ver os dependentes caídos nas calçadas, com a garrafinha de plástico achatada nas mãos. "É mais um problema que veio agravar as condições dos usuários de drogas. Nas nossas unidades alertamos sobre o potencial de destruição dessa pinga", afirma a médica Rosângela Elias, coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde. 

Estadão



E tem gente que quer mais drogas legalizadas..

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

‘Spray do capeta’ é nova onda entre os jovens de S. José


Há 38 anos, os desodorantes já davam trabalho para o médico psiquiatra Marco Antonio Vitti, hoje com 63 anos. Na época, ele trabalhava com a recuperação dependentes de álcool. Os jovens em abstinência acabavam ingerindo desodorante líquido.

“Estes desodorantes dão trabalho (aos médicos) há mais de vinte anos. Lembro que, quando não havia lança perfume, alguns jovens ingeriam desodorante nas clínicas”, contou.

O tempo passou e o desodorante, coitado, continua sendo o ‘vilão’ da história. Reportagem do BOM DIA flagrou na última sexta-feira jovens inalando o cosmético na avenida Jorge Zarur, centro de São José.

Alguns segundos de alucinação, que podem causar danos irreversíveis ao organismo. “O maior prejuízo para o organismo são os gases que saem deste produto. É o mesmo gás usado no gás de cozinha e também nos inseticidas”, disse Vitti.

Apreensão /Segundo o capitão Luiz Felix de Souza Junior, da Polícia Militar, não se pode apreender o desodorante sem que exista comprovação de que as substâncias do cosmético causam dependência química.

“A polícia não pode recolher este material sem este respaldo. A não ser que exista uma denúncia de que ele foi furtado de algum estabelecimento.”
Ainda segundo ele, se a substância for encontrada com frequência entre os jovens, autoridades em saúde podem chegar a restringir a venda do produto na cidade. “Nas últimas décadas, a venda de muitos produtos químicos passou a ser restrita nas farmácias porque estes produtos estavam sendo usados por dependentes químicos”, afirmou o capitão.

Corretivo /Enquanto assistia de camarote a ‘bebedeira’ de jovens ao lado do supermercado Extra em São José na última sexta-feira, a copeira Edna Ferreira, de 43 anos e o marido, Donizete Ferreira, de 50, lembravam da última vez que o filho caçula, de 18 anos, se embriagou, há dois anos.

Foi o último ‘porre’ que o jovem tomou. O segredo? Um corretivo, que não tardou a ser aplicado. “Deixamos ele de castigo e ele nunca mais bebeu. Hoje ele paga um ‘mico’ porque onde ele vai, nós vamos também. Eu acho que um pouco é culpa dos pais”, concluíram.

“Jovem precisa de ajuda”, diz psicóloga
Autodestruição. Para a psicóloga Andréia Veloso, é este o sentimento que motiva o uso de desodorantes por jovens de São José. “O jovem não tem consciência do que acontece no corpo dele quando ele inala esta substância, na verdade, ele acredita que nada de mal vai lhe acontecer. Ele acha que não é viciado, o viciado sempre é o amigo e não ele”. Para os pais, o recado. “Não desista da conversa. Estes jovens se sentem vazios e precisam de ajuda”.

Em Taubaté, PM decide agir depois da tragédia
Sete dias depois que o adolescente Lucas Salzamo de Freitas, de 14 anos, foi executado com dois tiros, próximo ao Taubaté Shopping, uma força-tarefa formada pela Polícia Militar, Prefeitura e outros órgão fez no último sábado a primeira ofensiva com o objetivo de dispersar os jovens do local, onde eles estão vulneráveis à violência. A ação, no entanto, não resolve o problema. “Eles vão acabar migrando para outro lugar”, entregou o tenente coronel Marco Antonio Borges Monteiro, comandante do 5º BPM-I (Batalhão de Polícia Militar do Interior), em Taubaté. A promessa é manter a PM nas imediações do shopping, por tempo indeterminado. “A viatura vai ficar no local no fim de semana. A prefeitura vai observar de perto a venda de bebidas dos estabelecimentos das imediações, mesmo por maiores”, garantiu o comandante da PM na cidade.

Jornal Bom Dia


Comentários:
Seria bom que proibissem a venda deste desodorante e a polícia deveria abordar sim os adolescentes, pois podem estar usando outras drogas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O debate sobre a descriminalização das drogas no país

Folha de São Paulo, 8 de agosto:



SÉRGIO ADORNO
ESPECIAL PARA A FOLHA

O debate no Brasil não é recente. Desde meados dos anos 70 assistimos ao crescimento do crime violento, em especial homicídios cujas vítimas preferenciais são adolescentes e jovens adultos do sexo masculino.
Esse crescimento está relacionado à chegada do crime organizado, sobretudo o comércio ilegal de drogas que se alastrou por bairros populares e centros das cidades.
Na sua esteira, cresceram roubo, assalto a banco, extorsão mediante sequestro.
A repressão violenta tem resultado em inúmeras prisões temporárias, que favorecem a construção de carreiras no crime. Além disso, há envolvimento de agentes policiais em negócios escusos.
Recentemente, reunião de ex-governantes da América Latina retirou o debate -até então restrito a especialistas- de seu confinamento.
A atual política de drogas, tradicionalmente influenciada pela política americana, tem fracassado no propósito de conter o tráfico e o consumo. Ao contrário, tem produzido efeitos bem conhecidos.
A par das disputas fatais pelo controle de pontos de venda, o narcotráfico tem representado séria ameaça para a estabilidade das democracias, notadamente nos países recém-saídos de ditaduras. O narcotráfico funciona à custa da aquiescência daqueles incumbidos de zelar pela aplicação das leis.
A despeito dos argumentos favoráveis, uma política de descriminalização de drogas não pode ignorar problemas. Há consensos quanto aos riscos para a saúde.
É provável que haja picos de consumo abusivo. Nesses casos, jovens de classes superiores terão à disposição clínicas particulares. Mas aqueles das classes de baixa renda dependerão dos serviços do SUS, já sobrecarregado e incapaz de atender às necessidades básicas de saúde no país.
Questões não menos relevantes: quem exercerá o controle sobre produção e distribuição? Será criada uma agência nacional? O Brasil não produz drogas, será então estimulado a fazê-lo para ter maior controle?
Sabemos também, dada a história política desta sociedade, que controles estatais sem lastro na opinião pública dificilmente terão êxito.
Do mesmo modo, campanhas para alertar quanto aos riscos tenderão ao fracasso caso não convençam os potenciais consumidores.
Por fim, uma política nacional não acompanhada pelos países de fronteira, em particular os produtores, poderá tornar o Brasil um território livre para consumo de drogas, com todas as consequências indesejáveis.
Por isso, seria importante melhor conhecer a experiência acumulada em países que relaxaram os controles, como é o caso da Holanda.
O debate, necessário e oportuno, requer pesar todos esses aspectos e evitar tanto as defesas apaixonadas quanto a prisão do moralismo conservador.
Sérgio Adorno, professor titular, é coordenador do NEV-USP, do INCT-CNPq Violência, Democracia e Segurança Cidadã e da Cátedra UNESCO de Educação para a Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância.


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