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terça-feira, 31 de março de 2015

BOATO: Mensagem sobre roubo de uniformes de agentes de combate à dengue é mentira


Está circulando em todo o território nacional um boato, que afirma que "coletes e kits de agentes de combate à dengue foram roubados, para serem usados em assaltos". Isto é mentira. A notícia falsa circula no Facebook e no Whatsapp, com variação para várias cidades.
Este boato, criado por gente sem nenhum caráter, atrapalha o combate à doença e ao mosquito, acarretando em mais casos de dengue.

Se você ler isto em qualquer meio de mensagem, desminta!

segunda-feira, 30 de março de 2015

Resenha do filme "Kingsman: Serviço secreto "

Um filme de espionagem, com toques de Tarantino e anarquia. É assim que podemos definir "Kingsman: Serviço secreto", inspirado nos quadrinhos de Mark illar e Mattew Vaughn, que por sua vez o foi criado após a dupla assistir ao filme de 007 "Cassino Royale".

A história, passada do HQ para à grande tela, acaba por ser um tributo ao agente 007, tão famoso no cinema.
O protagonista da película é Gary "Egsy" Unwin (Taron Egerton), um jovem revoltado e pobre do subúrbio londrino, que descobre a grande chance de sua vida no legado do pai, que era membro da Kingsman - uma agência secreta "particular" de espionagem.  Ele é tutelao por um "cavalheiro", Galahad (Colin Firth). Antes de entrar para a ordem, ele precisa passar por diversos testes, nos quais falha em boa parte deles, mas após um tempo, dá tudo certo.



Vários estereótipos de filmes do gêneros se misturam na película e nenhum personagem atrapalha o outro. Eu destacaria a estabanada Roxy (Sophie Cookson), colega de Gary na agência.

Cabeças explodindo, cenas épicas de luta em igrejas de fanáticos religiosos, clichês de películas de gênero - tudo está ali.

Também merece destaque a grande atuação de Samuel L. Jackson, o grande antagonista e vilão Valentine, que quer causar um apocalipse com chips de telefonia celular (!). Com roupas espalhafatosas, um sotaque hilário e seu jeito único de atuar, é um dos melhores do filme, como na cena da festa do fim do mundo ao som de boa trilha sonora dos anos 70:







Aliás, é bom ressaltar que toda a trilha sonora é muito boa, tocando até Dire Straits.Toda a trama é bem construída, com vários desfechos inesperados, o que torna um dos melhores filmes de 2015.

Sem dúvidas há espaço para várias continuações de Kingsman. O time está montado e o estilo anárquico dessa história de espionagem sem dúvidas diverte.


Trailers:



Jamais use bicarbonato de sódio ou água oxigenada para clarear os dentes


Tendo em vista que vários veículos irresponsáveis vêm recomendando isto, posto aqui a seguinte nota:



NOTA DE ESCLARECIMENTO À POPULAÇÃO

Fábio Barbosa de Souza
Mestre em Clínica Integrada
Doutor em Dentístisa
Professor da disciplina de Biossegurança da UFPE

Em virtude de recente publicação nas redes sociais sobre o uso da “água oxigenada”, o Conselho Regional de Odontologia, secção Pernambuco, vem esclarecer alguns pontos relacionados a esta publicação.
É necessário ter muito cuidado com as FÓRMULAS MILAGROSAS divulgadas atualmente, principalmente quando estas publicações apresentam erros grosseiros gramaticais e de ortografia. CUIDADO, sua saúde é preciosa!
Mais especificamente quanto à saúde da sua boca, o cirurgião dentista é o profissional habilitado para fornecer as orientações corretas, visando sempre o melhor cuidado. Neste sentido, o código de ética odontológica, documento de regula os direitos e deveres do cirurgião dentista, mostra claramente o dever deste profissional: ‘promover a saúde coletiva no desempenho de suas funções, cargos e cidadania, independentemente de exercer a profissão no setor público ou privado’. Portanto, definitivamente, o LUCRO não é o foco da atuação da Odontologia, e sim o bem social e melhoria da qualidade de vida.
ÁGUA OXIGENADA – VERDADES
Água oxigenada consiste em uma substância química denominada peróxido de hidrogênio (H2O2) caracterizada por ser um forte oxidante, empregado na desinfecção de artigos e instrumentos específicos da área de saúde. São tóxicos, irritantes à pele e aos olhos. A sua utilização sem orientação profissional pode resultar em irritação nos olhos, nariz, mucosa bucal e garganta, processos de inflamação das córneas, eritemas, erupções dérmicas e manchas na pele.
Vamos ao que disse a publicação e aos esclarecimentos:
• “Mata os germes bocais” – o emprego desta solução como coadjuvante no controle na placa bacteriana é parcial e atinge um grupo específico de bactérias. As pesquisas científicas apontam para uso de outras substâncias como sendo efetivas. E elas devem ser prescritas em casos específicos, de acordo com o grau de comprometimento de cada paciente. Apenas o cirurgião dentista poderá analisar qual será a melhor solução. Ainda assim, substâncias antissépticas têm uso limitado e não substituem a escovação e o uso do fio dental. Ou seja, utilizar a ‘água oxigenada’ pode causar uma falsa sensação de limpeza!
• “Clareia os dentes (coloque uma colher de sobremesa de água oxigenada vol. 10 e bocheche por um minuto, depois cuspa)” – Clarear os dentes deve ser um tratamento realizado sob a orientação de um cirurgião dentista. Os clareadores dentais possuem concentrações, composição e consistência específicas com uso recomendado exclusivamente pelo Cirurgião-Dentista. Receitas caseiras, como esta, podem prejudicar a sua saúde. Existem situações nas quais o procedimento clareador está contra-indicado: gravidez, lactação, predisposição ao câncer, cáries, restaurações infiltradas, problemas periodontais, fraturas, lesões cervicais não cariosas. O uso de substâncias não recomendadas para contato com os tecidos bucais podem gerar lesões gengivais, na mucosa bucal que podem ser carcinogênicas.
Procure o seu dentista para obter mais informações!
• “Tira os germes das escovas de dentes que causam gengivite e outros (mantenha a escova numa solução de água oxigenada10 vol.)” – Não existem relatos científicos que comprovem a eficácia da ‘água oxigenada’ na eliminação dos microrganismos envolvidos com a doenças gengivais presentes nas escovas de dentes após a escovação. A contaminação das escovas dentais tem sido alvo de muitos estudos sobre a melhor forma de mantê-la limpa. Porém nenhuma das pesquisas publicadas em bases científicas de impacto menciona o uso do H2O2.

• “Remove tártaro dos dentes (molhe a escova com a água oxigenada e escove normalmente, o tártaro sai aos poucos)” – O cálculo dental, também conhecido como ‘tártaro’, consiste em uma formação mineral (calcificação) que se adere ao dente e permite o acúmulo de microrganismos e consequente presença de inflamação gengival (sangramento, inchaço, dor). A remoção do cálculo é realizada mecanicamente pelo dentista em consultório. A ‘água oxigenada’ não solubiliza nem desmineraliza o cálculo. Se você tem cálculo dental, agende uma consulta com o seu dentista para que ele possa avaliar e cuidar da sua saúde.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Passeios: São Francisco Xavier- São Paulo

Fotos de Aurelio Moraes:







A origem de São Francisco Xavier está ligada ao fato de a localidade ter sido passagem e pouso de tropeiros que vinham de Minas Gerais para comercializar seus produtos em São José dos Campos.

O Distrito foi criado oficialmente por meio da Lei Estadual nº 59, de 16 de agosto de 1.892. Por longo tempo a economia de sobrevivência foi exclusivamente agropecuária.

Situado ao norte do município, com 322 km² de área, São Francisco Xavier possui uma paisagem privilegiada, com fortes declives e grandes altitudes cuja culminância é o Pico de Selado, com 2.082 metros, de onde se avistam as cidades vizinhas, compondo um relevo harmonioso de montanhas e vales.

O Distrito de São Francisco é considerado uma Área de Proteção Ambiental Federal, por fazer parte da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul.

Em nível municipal, o Distrito é amparado pela Lei nº 4.212 de 24 de junho de 1.992, que vincula o uso e ocupação do solo ao bem estar da população e à preservação ambiental.

São Francisco Xavier agora também é APA Estadual (Área de Proteção Ambiental) pela Lei n° 11.262, de 8 de novembro de 2.002.

Raio X

O Distrito está a 720 metros de altitude e a uma distância de 54,8 km de São José dos Campos.

Ainda mantém a característica de um pequeno povoado do interior, estando perfeitamente integrado ao seu modo de vida, inclusive com a manutenção de algumas tradições tais como: o artesanato típico da região e festas religiosas que atraem um número expressivo de pessoas.

São Francisco Xavier possui várias trilhas para caminhadas e para “mountain bike”. Também há uma rampa de voo livre e vários pontos com altitudes apropriadas para praticar “paraglider”.



Conta ainda com diversos rios e córregos apropriados para a canoagem.

Fonte: Prefeitura de São José dos Campos







segunda-feira, 16 de março de 2015

Sociedade, corrupção e cidadania



Cidadania não deve ser só cantar o hino em dia de jogo ou de manifestação. É ceder o lugar para o idoso no ônibus, é ajudar o próximo, é doar sangue, é fazer um ato diário de contrição com o que fazemos e deixamos de fazer. Nossa sociedade está fazendo isto?
Não adianta protestar "contra a corrupção", de qualquer governo, se comete atos de corrupção no cotidiano. Furar fila, sonegar impostos, parar o carro em vaga de deficiente ou idoso, não dar lugar para idoso no ônibus, falsificar atestado médico, mentir na hora de receber o troco (dizendo que está faltando sem realmente estar).
Não que uma coisa justifique a outra. Mas o que a sociedade anda fazendo? A sociedade brasileira anda cometendo atos de corrupção, no cotidiano? O que acontece em qualquer governo é reflexo do que e de onde?
As pessoas andam acompanhando as sessões das Câmaras Municipais, de suas respectivas cidades?
Sabem como é gasto o dinheiro enviado pelo Governo Federal para as prefeituras?
Elas conhecem as leis? Conhecem o Portal da Transparência, do Governo Federal?

Elas sabem o que é de responsabilidade do prefeito, do governador e da presidenta?
A socidade tem conhecimento de como funcionam os Três Poderes?

A nossa sociedade está fazendo essas coisas? De longe não justifica a corrupção em qualquer governo, de qualquer partido, mas o que acontece na política é reflexo de uma sociedade- Qualquer uma.
Qualquer manifestação democraticamente e ordeira é natural em uma democracia , mas a sociedade precisa saber se cobrar e ampliar as cobranças.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Droga e informação

 Não existe exemplo no mundo de que a liberação das drogas melhore a vida da população
Infelizmente, sou contrário à liberação da maconha e das demais drogas ilícitas e favorável ao aumento de restrições às drogas lícitas, como o álcool e o tabaco. Digo "infelizmente" pois seria muito mais fácil aceitar a liberação, se isso realmente diminuísse o número de doentes da dependência e as vítimas da violência.

A história e a ciência mostram o contrário. Não existe exemplo no mundo de que a liberação das drogas melhore a vida da população. Só piora! Drogas foram legais na maior parte do tempo da nossa civilização. Até que a humanidade compreendeu a sua relação com grandes tragédias pessoais, familiares e sociais, e passou a proibi-las.



A maconha, que para seus adeptos é leve, produz mais câncer e danos pulmonares que o tabaco, desencadeia mais psicoses incuráveis que as demais drogas juntas, além de aumentar os suicídios e ser responsável por mais acidentes fatais que o álcool. Sem falar na dependência química e déficit cognitivo permanente. Afirmo isso respaldado por 90% dos trabalhos científicos publicados.



Portanto, não é em benefício da Saúde Pública que desejam liberar a maconha. Tampouco reduziria a violência. A liberação aumentaria muito o número de casos de compulsão e do uso concomitante de outras drogas. Cresceriam os casos de latrocínios, homicídios por discussões banais, violência doméstica, assaltos e furtos, e não diminuiria o tráfico. O álcool é a maior causa de violência doméstica, justamente por ser legal. O mais grave é que os mesmos argumentos usados para a liberação da maconha, serviriam adiante para liberar as demais drogas. Além disso, seus defensores confundem, propositalmente, a omissão do governo em enfrentar o problema, com a impossibilidade de fazê-lo. Daí a falsa conclusão de que liberar é a "única solução".

escrito por Osmar Terra
Deputado federal pelo PMDB,
ex-secretário estadual de Saúde do Rio Grande do Sul

Publicado no Jornal Zero Hora 

O início da internet no Brasil - reportagens de 1996

quarta-feira, 4 de março de 2015

"A teoria de tudo" - crítica



"A Teoria de Tudo" é o filme que mostra a biografia de um dos maiores físicos de todos os tempos, Stephen Hawking. Grande cosmólogo e conhecedor de tudo o que envolve o espaço, a ciência foi a melhor forma que ele encontrou para ter liberdade, enquanto luta contra a Esclerose Lateral Amiotrófica, enfermidade neurodegenerativa.

Apesar de tudo, ele desenvolve um relacionamento com Jane Wide, que se torna "guia" do roteiro desenvolvido pelo diretor Jason Marsh. A performance de Eddie Redmayne é impecável no papel de Hawking, conseguindo emular com perfeição os problemas enfrentados pelo proeminente homem da ciência, seja para subir escadas, seja para escrever suas teses com um lápis no papel.


Em sua juventude, ele começa a sentir os efeitos da doença, tendo dificuldades para realizar tarefas simples, porém é sempre apoiado por sua amiga - que depois se torna sua esposa - e seus colegas.
A progressão da perda dos movimentos e a negação da enfermidade é mostrada com tranquilidade, sem com destaque na interpretação corporal de Redmayne - vencedor do Osca de melhor ator, em 2015.

Os momentos mais interessantes são quando, mais para a frente, ele começa a utilizar o sistema de computador da Intel que lhe devolveu a fala, com sua conhecida voz robótica e quando ele aparece  dando palestras, falando sobre o cosmos e sobre como suas pesquisas lhe deram  uma liberdade que possui uma forma única.
Passagens espinhosas da biografia do cientista são abordadas, como a dúvida se o terceiro filho do casal é realmente dele ou de um amigo da família, assim como a separação de Jane. Tempos depois, ele casou-se com Elaine Mason, mas também separou-se.



 A película possui uma fotografia simples, que reforça o foco no protagonista e a trilha sonora não chama atenção. Se cumprir a tarefa de fazer com que mais pessoas se interessem em ler os livros de Hawking  (e por conseguinte, por ciência), assim como passar uma lição de superação de dificuldades, já terá cumprido seu papel.

Trailer:

segunda-feira, 2 de março de 2015

Promulgada Emenda Constitucional que estimula avanço da ciência, tecnologia e inovação



O Congresso Nacional promulgou, no último dia 26, a Emenda Constitucional (EC) 85 de 2015, proveniente da PEC 290/2013 (PEC 12/2014, no Senado Federal), que altera e adiciona dispositivos na Constituição Federal para atualizar o tratamento das atividades de ciência, tecnologia e inovação no País.

Para o presidente do Senado Federal e do Congresso, senador Renan Calheiros, a emenda é um marco para o desenvolvimento científico nacional. Com essa emenda, o senador acredita que o Brasil deverá dar “uma arrancada” nos conhecimentos científicos.

Na sessão solene, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo, reconheceu os esforços da comunidade científica nessa vitória. “Essa emenda constitucional é resultado do esforço e da determinação da comunidade científica, dos pesquisadores, dos professores, do empenho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de suas lideranças, da sua presidente Helena Nader, do empenho do governo, principalmente dos meus antecessores que ocuparam o MCTI. E acima de tudo da compreensão do Congresso Nacional”.

No olhar do titular do MCTI, a ciência, tecnologia e inovação “estão associados à construção de um país próspero, a uma sociedade socialmente equilibrada e a uma democracia profunda, verdadeira e digna.”

Além do senador Renan Calheiros e do ministro Aldo Rebelo, participaram da mesa solene o vice-presidente do Senado Federal, o senador Jorge Viana, o 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados e vice-presidente do Congresso Nacional, o deputado Waldir Maranhão, o 2º vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado Giacobo; e o deputado Sibá Machado. Também participaram da mesa solene a deputada Margarida Salomão, primeira signatária da PEC 290/2013, a presidente da SBPC, Helena Nader, e o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Hernan Chaimovich.

O objetivo das mudanças é estimular soluções tecnológicas para problemas enfrentados pelo setor produtivo. A emenda estabelece, como nova função do Estado, o estímulo à articulação entre os entes do setor, tanto públicos como privados, na execução das atividades de pesquisa, capacitação científica e tecnológica e inovação, promovendo, ainda, a atuação no exterior das instituições públicas.

Com a promulgação da emenda constitucional, o ministro Rebelo disse que o Congresso Nacional entrega à sociedade e ao País as atribuições, compromissos e os horizontes da ciência, tecnologia e inovação. “Esses são três grandes desafios que traduzem as exigências e os anseios do futuro do nosso País”.

Pesquisa básica

O senador Renan Calheiros lembrou do empenho do senador Aloysio Nunes Ferreira, que percebeu a necessidade de deixar explicitado que a pesquisa básica deverá receber tratamento prioritário do Estado. “Sem tal explicitação, o incentivo à pesquisa básica ficava apenas subentendido, o que poderia dar margens a interpretações equivocadas e até mesmo de descaso. A pesquisa básica é imprescindível para o fomento do desenvolvimento científico e tecnológico e deve, portanto, ser apoiada”, explicou o senador.

Vale destacar que o senador Aloysio Nunes Ferreira apresentou uma emenda de redação, devolvendo ao Art. 216, parágrafo 1º da Constituição, a palavra “básica”, motivado pela SBPC, que desde o início da tramitação da PEC na Câmara dos Deputados defendeu a explicitação da palavra no artigo em referência.

Outro ponto que o senador ressaltou, em seu pronunciamento, foi que a emenda constitucional 85 demarcou a competência para proporcionar os meios de acesso à tecnologia, pesquisa e a inovação a todos os entes federativos, União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Dessa forma, agora em diante será possível que todos os níveis federativos firmem instrumentos de cooperação entre órgãos públicos e entidades privadas. Também caberá aos entes federativos estimular a formação e o fortalecimento da inovação nas empresas e nos demais entes públicos e privados, por meio, inclusive da criação e manutenção de parques e polos tecnológicos e de outros ambientes que promovam a inovação e atuação de inventores independentes, ajudando ainda na criação, absorção, na difusão e na transferência tecnológica.

Renan Calheiros acrescentou que esses ajustes na Constituição brasileira são importantes para que o Brasil deixe de ser tão somente um país do futuro, mas uma nação que busca, no presente, soluções para os problemas que ainda afligem a população brasileira.

Na ocasião, Calheiros saiu em defesa de recursos para ciência, tecnologia e inovação. Para ele, “é essencial que essas áreas tenham mais e novos aportes de recursos para que o Brasil possa se igualar ao desenvolvimento e avanço tecnológico de muitos países do mundo, de igual potencialidade de nosso país.”

Beatriz Bulhões, para o Jornal da Ciência

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Legalização da maconha: a quem interessa?

Por Dr Cláudio Jerônimo da Silva - psiquiatra e Diretor Técnico do UNAD



É natural que um assunto complexo gere discussão e polêmica. Mas, sempre que ouço alguma opinião a esse respeito, me pergunto: quais são a motivação, os interesses e as avaliações que estão subjacentes à ideia da legalização da maconha? Naturalmente, são diversos motivos. Alguns dos que imagino, gostaria de compartilhar com os leitores.

Antes, alguns dados objetivos precisam estar em mente: 75% dos brasileiros não concordam com a legalização; 11% concordam. O restante não sabia opinar ou não respondeu à pesquisa Lenad 2012. Em número de pessoas, isso significa que 111 milhões de brasileiros não concordam com a legalização e que 16 milhões concordam. Como os dados com o perfil dessas pessoas não foram ainda avaliados, e suas motivações não foram objeto da pesquisa, vamos aqui levantar algumas hipóteses a respeito de quem seria essa minoria de brasileiros que concordam com a legalização.

Entre eles existe um grupo, manifesto, que acredita que a legalização vai regular o consumo, a produção, a distribuição, e com isso haverá diminuição do tráfico e da violência. Está subjacente à essa ideia o alto controle estatal, como aconteceu no Uruguai. O Estado deverá conseguir fiscalizar a venda de sementes, o número de pés de maconha plantados, a idade de quem planta, quem usa e a quantidade que usa, quem comercializa e quem compra. Quem defende essa posição deve acreditar que a maconha é uma droga que merece controle, que não deve ser liberada totalmente. Deve acreditar que pelo menos para alguns a maconha traz prejuízo, caso contrário não faria sentido tanta regulação do Estado.

Eu faço parte de um grupo que questiona: tendo em vista que a experiência brasileira na regulação e no controle do mercado de álcool e cigarro não é boa, por que seria diferente com a maconha? Regular tantas etapas do processo, além do comércio ilegal que continuará existindo, é viável, factível? Tendo em vista a dimensão do Brasil, nossa história, nossa cultura e nossos hábitos, podemos nos comparar com Uruguai, Holanda, Portugal, Estados Unidos? Se o Estado brasileiro não conseguiu fazer frente às forças do mercado de bebida e de cigarro no controle de propaganda, distribuição e venda de seus produtos, por que seria diferente com a maconha? Por exemplo, não se conseguiu restringir o consumo de bebida nos estádios durante a Copa. A lei foi rediscutida em razão do poder econômico. Ao se formar um mercado de maconha, ele não vai se organizar, se fortalecer e exercer seu poder sobre o Estado? Ou, ao contrário do mercado de bebida e cigarro, ele vai passar a considerar interesses de saúde pública e dos mais vulneráveis (crianças, adolescentes, doentes mentais)?

Existe outro grupo que acredita que a liberdade das pessoas deve ser prioridade. As pessoas todas teriam plena condição para avaliar os riscos e os benefícios de seu comportamento e para decidir o que é melhor para si. Essa é uma questão filosófica interessante. Existe uma teoria em psicanálise que diz que a cidadania e a convivência coletiva só foram possíveis quando o homem conseguiu reprimir alguns de seus impulsos primitivos individuais em prol do interesse da maioria e do bem comum. Para o bem-estar do grupo, não sujamos as ruas fazendo nossas necessidades fisiológicas, embora isso nos custe algum esforço e o cumprimento de algumas regras que contrariam a satisfação imediata e pura dos impulsos e desejos primitivos. Este é o princípio: se algum desejo individual prejudica o bem-estar do grupo, ele precisa ser revisto. Assim, pergunto: o que é melhor para o bem comum, e não para o indivíduo? A vontade do indivíduo deve se sobrepor à vontade do grupo?

Ainda nesse campo, temos a psicologia comportamental, que se baseia no argumento de que o ambiente (cultural, social, econômico etc.) influencia a decisão das pessoas. Ninguém é totalmente livre e desprovido de interferências externas. O mercado, a propaganda, o preço, a atitude do grupo influenciam a decisão das pessoas. Não é só isso. A dependência turva a liberdade de escolha. E maconha causa dependência: 37% dos brasileiros que usaram maconha no último ano preenchiam critérios de dependência (Lenad). Isso não é um questionamento. É um fato.

Existe ainda o grupo de usuários de maconha. Essas pessoas gostariam de sair da ilegalidade e não sofrer preconceito e exclusão. E, naturalmente, uma parte delas gostaria de continuar usando. Fato: cerca de 3% da população brasileira usa maconha. Questão: nesse grupo, imagino que existam vários subgrupos, como aqueles que usaram eventualmente e não tiveram problemas e querem continuar usando. Aqueles que usaram, tiveram problemas (desenvolveram um quadro psicótico e perderam a capacidade de ajuizamento crítico) e não conseguem perceber os prejuízos e, por isso, querem continuar usando. E aqueles que, embora usem, gostariam de parar.

Sobre isso, me pergunto: não seria mais fácil e justo proteger os mais vulneráveis com capacidade de ajuizamento crítico prejudicado? Não existe outro modo de tratar os usuários sem preconceito e exclusão que não seja colocar em risco os outros mais vulneráveis? De fato, os mais vulneráveis talvez sejam a minoria. Mas qual é o papel das políticas públicas se não proteger os mais vulneráveis? Não deveria o Estado proteger a minoria mais vulnerável?

Evidentemente, existem muitos outros grupos, mas esses são os maiores. É evidente também que todas essas questões são passíveis de discussão e que assim seja. Essa é a intenção deste post. Quero levantar dúvida e gerar questionamento. Se formos capazes de duvidar, seremos capazes de responder um dia. O que preocupa é a indisposição para o debate e decisões que desconsiderem o que pensa a maioria das pessoas.

Mas a dúvida que mais preocupa e incomoda é que deve existir um grupo que lucraria muito com a legalização da maconha. Não são os 3% de usuários ou os 11% que concordam com a legalização. É um grupo muito menor, que vê em nossa ingenuidade e na possibilidade econômica uma grande oportunidade. Nesse grupo não há espaço para ingênuos, do que se conclui que entre os que concordam também há um grupo de ingênuos.

A pergunta que cabe neste caso é o que fazer para não ficar nesse grupo e inadvertidamente lutar pelos interesses de tão pouca gente?

Questionar e duvidar pode ser o primeiro passo. Saber em qual grupo nos incluímos, o segundo. E, por fim, tentar responder: a quem de fato interessa que a maconha seja legalizada? Interessa a você, leitor? Por qual motivo?

domingo, 22 de fevereiro de 2015

É uma piada" o silêncio da Globo sobre o caso HSBC



Da Rede Brasil Atual - O HSBC é um exemplo privilegiado de como corporações que estão no limite da criminalidade impõem na economia internacional seus interesses. O professor de filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Vladimir Safatle indica a instituição financeira como exemplo de promiscuidade entre mercado financeiro, política e mídia, com raízes no crime, em entrevista à Rádio Brasil Atual hoje (20). “Desde sua criação, o banco tem as piores credenciais possíveis. Essa instituição bancária foi criada em 1860, depois da última guerra do Ópio entre Inglaterra e China, quando os ingleses forçaram a abertura dos portos chineses para que o tráfico da droga continuasse”, relata.

“Os chineses resolveram impedir o comércio de ópio porque a população já estava entrando em um processo de ser dizimada pela droga. Então, o banco foi criado exatamente para financiar o tráfico de drogas, entre outras coisas. E ele cresceu, a partir dos anos 70, comprando bancos dos Estados Unidos e da Europa, muitos dos quais tinham carteiras extremamente problemáticas", diz Safatle. "Foi o caso do banco do finado Edmond Safra, que tinha entre seus clientes traficantes de diamantes e negócios com a máfia russa. O Safra foi assassinado em uma situação, no mínimo, bastante misteriosa. Seu banco iria ser comprado pelo American Express e o negócio foi desfeito por causa de problemas internos."

Esse foi o processo de crescimento do banco, segundo o professor. "Comprou o Bamerindus aqui, um banco que estava com problemas enormes. E não só isso, quer dizer, ele é reincidente, faz anos que o banco tem sido julgado por várias instâncias mundiais, exatamente por esses seus negócios com tráfico, negócios ilícitos. Foi declarado culpado nos Estados Unidos por um caso que envolvia tráfico com colombianos e mexicanos. Só que pagou uma mixaria de um milhão e novecentos mil dólares de multa.”

O que ocorre com o HSBC não é novo, é uma prática comum, para Safatle: “E não é para estigmatizar o banco, mas para esclarecer o que é o sistema financeiro internacional. São corporações que estão acima dos governos. Não só não se quebra como não se regulamenta um banco como o HSBC, porque ele está tão acima dos governos que o seu diretor à época desses chamados Swiss Leaks era pastor anglicano e hoje é ministro do David Cameron, no governo britânico."

O professor ressalta que se percebe uma relação incestuosa entre o sistema financeiro e a classe política. "É o diretor do banco que vira ministro de um gabinete da Inglaterra, que, com certeza, não vai desenvolver políticas que sejam estranhas ou contra os interesses do sistema financeiro que ele representa muito bem. A imprensa começou a questionar o ministro e ele não dá resposta alguma, porque ele sabe que está numa situação de ser completamente intocado, não há nada que possa acontecer com essas pessoas", lamenta.

Para o filósofo, todo mundo fica completamente exacerbado por problemas como tráfico de drogas, de armas, guerras. "Se não existissem esses bancos, que têm como uma suas finalidades lavar esse dinheiro, com certeza o problema não seria dessa magnitude em hipótese alguma. Só há crime nessa magnitude porque há um sistema financeiro que é completamente conivente, cresceu dentro desse meio.”

Ele destaca que não é só a tráfico de drogas que o HSBC está ligado, mas que há também fraudes de evasão fiscal, no momento em que a economia mundial e os estados estão em crise, tentando segurar o que restou de bem-estar social. “Os países da União Europeia socorreram bancos falidos. Então, quando os bancos cometem crimes, o que se espera é que os responsáveis sejam punidos, presos, mas não é isso o que ocorre”, observa.

Safatle lamenta que a imprensa brasileira não noticie os fatos, ao contrário da europeia. “É inaceitável o tipo de silêncio tácito que está ocorrendo, salvo raríssimas exceções muito pontuais. Na imprensa francesa ou britânica, mesmo nos Estados Unidos, foi dito que vão utilizar esses dados para tentar reaver o dinheiro." Nesses casos, a imprensa apresentou os nomes: "O Le Monde, que mobilizou um pouco tudo isso, chegou a brigar com seus acionistas porque um deles fez uma declaração dizendo que achava um absurdo que o jornal expusesse esses nomes. Ou seja, a imprensa fez o seu papel. No caso brasileiro é inacreditável".

O Brasil é, a princípio, o nono país em número de contas nessa filial genebrina do HSBC. São 8.667 contas, das quais 55% são contas de nacionais, ou seja, são mais de 4 mil pessoas. "A pergunta que eu gostaria de fazer é quem são essas pessoas. O sujeito não abre uma conta em um banco suíço com esse histórico à toa. Quem são as pessoas que fizeram evasão fiscal, fraude fiscal e coisas dessa natureza?”, questiona.

Alguns nomes de brasileiros que possuem contas no HSBC com depósitos sem origem comprovada na agência em Genebra foram conhecidos por intermédio de sites angolanos. “Aí apareceu o nome do rei do ônibus do Rio de Janeiro, o nome da família Steinbruch, que é do grupo Vicunha. Essas pessoas cometeram crimes, quais foram os crimes? É muito estranho que não só a imprensa, mas, ao que parece, a própria Receita Federal adiou a análise de coisas desse tipo."

Para Safatle, isso demonstra um dado muito evidente: "A elite rentista brasileira é completamente blindada, sabe que é e tem uma relação incestuosa entre poder político e estrutura de comunicação, que faz com que em última instância seja um grupo só, de uma forma ou de outra, que sabe que pode fazer o que quiser, porque sabe que não existe nenhuma possibilidade de a Justiça pegar, a não ser existam embates internos, em brigas internas, aí sim vão pegar um ou outro".

O professor da USP se pergunta como ampliar essa discussão oculta na imprensa tradicional. “Os nomes que vazam dessa lista de brasileiros com contas no HSBC em Genebra são de envolvidos na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Quer dizer, os nomes são divulgados dependendo do interesse do meio de comunicação. Só são esses os nomes dos 4 mil correntistas, só são esses dez ou 15 que tiveram problemas? Isso é uma brincadeira.”

A extrema gravidade da história exige que se faça algo. “Se tem algo que destrói a moralidade é a parcialidade, é você começar a perceber que há um uso estratégico do discurso sobre a moralidade, porque é um uso que serve simplesmente para você voltar suas atividades contra seus inimigos. Nesse momento, a moralidade perde completamente seu valor. Eu diria que na política brasileira isso acontece a torto e a direito, é um traço característico da política brasileira."

Safatle lembra: "A moralidade exige a simetria completa dos julgamentos. É julgar todos da mesma forma, independente do que vá acontecer. Isso falta dentro da política brasileira. É por isso que não se consegue fazer com que essas indignações se transformem em saltos qualitativos da política. E aí vira simplesmente um jogo em que se tenta colocar um ou outro contra a parede.”

Safatle identifica que há um processo de desgaste constante do governo pela mídia e, por isso, os nomes envolvidos em negócios ilícitos no HSBC são seletivos. “Se a gente quisesse mesmo fazer uma limpeza geral no que diz respeito ao caso Petrobras, por exemplo, todos denunciantes falaram: 'Olha, desde 1997 eu recebo propina'. Ou seja, tem um dado estrutural, não existe um caso de governo ou de partido, é um caso de estrutura, em que vai todo mundo. E nessa situação o mínimo que se espera é que se mostre claramente a extensão do processo e a necessidade geral de punição. Mas isso nunca ocorre, isso desgasta toda a força da indignação moral”, lamenta. “Todo mundo que conhece um pouco da sociedade brasileira sabe que lá você vai encontrar alguns dos nossos empresários mais conhecidos, alguns dos políticos mais conhecidos.”

Quanto ao silêncio que a Rede Globo dedica ao caso do HSBC, Safatle comenta: "Isso é uma piada, é completamente inacreditável. Eu gostaria que eles explicassem muito claramente qual é a noção deles de notícia, porque é surreal. Você pode pegar as páginas do The Guardian, jornal britânico, ou do francês Le Monde, e a televisão de maior audiência não dá nada? O que é isso? Eles transformam o jornalismo em uma grande brincadeira".

Para a secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Maria da Silva, é uma "vergonha" que esse caso só apareça em alguns sites e blogs e seja ignorado pelos grandes meios de comunicação, que não têm interesse em divulgar os nomes de brasileiros que estão nessa lista com depósitos sem origem comprovada no HSBC em Genebra. “Um dos clientes que já apareceu na lista foi o Clarín, da Argentina. Não vamos ficar surpresos se os meios de comunicação aqui do Brasil também aparecerem na lista, ou se os donos desses meios estiverem guardando dinheiro lá fora para não pagar impostos. Talvez por isso essa lista não seja divulgada. Começaram a soltar os nomes seletivamente, e por isso surgem os nomes relacionados com a Lava Jato. Mas tinha que soltar o nome de todo mundo”, diz.

Brasil 247

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Inglaterra proíbe fumar dentro de carros com crianças



Motoristas e passageiros de veículos que estiverem transportando crianças não poderão mais fumar no interior do carro na Inglaterra. A lei, que entrará em vigor a partir de outubro, visa proteger os mais novos e evitar que eles sejam fumantes passivos desde cedo.

Com a nova legislação, quem for pego fumando dentro de um carro que tenha crianças como passageiros terá de pagar uma multa de £50 (cerca de R$ 220).


UOL