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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Alunos desenvolvem projetos inovadores para auxiliar pessoas com deficiência
Um robô acionado por um aplicativo para smartphone e que funciona como guia na locomoção de deficientes visuais, conduzindo o usuário de maneira segura, é um dos projetos apresentados na 10ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), que começou hoje (19) e termina no dia 21. Os 210 projetos são baseados em conhecimentos adquiridos na sala de aula e têm como objetivo atender as necessidades de pessoas com deficiência e equacionar problemas ambientais, além de mostrar soluções criativas para o cotidiano.
De acordo com o professor-orientador da equipe criadora do robô, Dalton Bochelli, a ideia é vender a prestação do serviço e não o robô. “Eles podem prestar o serviço para empresas como Metro, casa de espetáculo, shopping center, aeroporto, para fornecer acessibilidade aos usuários”, explicou. O projeto consiste em uma bengala com rodinhas e sensores que indicam os obstáculos no caminho. “O portador de deficiência baixaria o aplicativo para o seu celular e assim que ele entra no local o celular vibra avisando que há aquele serviço no local”.
Um dos idealizadores da bengala robô, Otávio Pellegrini Buscaratto, aluno de Automação Industrial na Faculdade de Tecnologia - Fatec Itaquera - Prof. Miguel Reale, explica que a bengala inteligente começa a funcionar quando a pessoa coloca o indicador em um sensor em sua ponta superior. “No caso do Metrô ele consegue seguir as linhas táteis, consegue identificar os locais por meio de um GPS do próprio metrô e por meio da vibração do celular ele identifica onde ele chegou”.
Meio ambiente
Voltado para a economia de água, o vaso sanitário inteligente reduz a água da descarga para 1,5 litro, utilizando pressurização com um jato de ar dentro do vaso sanitário. Segundo o orientador, Raphael Garcia Moreira, a equipe do curso de manutenção industrial da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Osasco, já está com a invenção patenteada e há duas empresas de grande porte interessadas em comercializar o produto, que tem um custo muito baixo para instalação.
“É preciso só trocar a tampa do vaso sanitário. Hoje se a pessoa for usar descarga com vácuo vai ter que trocar tubulação, vaso, fazer uma adaptação trabalhosa e cara na casa. Lembrando que cada pessoa em média dá cinco descargas por dia e em uma residência média de São Paulo há quatro pessoas. As caixas acopladas convencionais mais eficientes usam seis litros de água e com a nossa podemos economizar muito”, defendeu.
Para esta edição da Feteps foram inscritos 1.047 projetos de estudantes, dos quais foram selecionados 156 das Etecs e 39 de Fatecs, além de projetos de estudantes do Amazonas, Chile, Colômbia, México e Peru. No último dia da feira serão premiados os melhores trabalhos em cada categoria, seguindo critérios de inovação, criatividade e apresentação.
O texto foi alterado às 14h12 do dia 24 de outubro para correção da grafia do nome de Otávio Pellegrini Buscaratto e da instituição da qual é aluno: Faculdade de Tecnologia - Fatec Itaquera - Prof. Miguel Reale, e não Escola Técnica Estadual (Etec) de Itaquera
Fonte:
AGÊNCIA BRASIL
segunda-feira, 2 de março de 2015
Promulgada Emenda Constitucional que estimula avanço da ciência, tecnologia e inovação
O Congresso Nacional promulgou, no último dia 26, a Emenda Constitucional (EC) 85 de 2015, proveniente da PEC 290/2013 (PEC 12/2014, no Senado Federal), que altera e adiciona dispositivos na Constituição Federal para atualizar o tratamento das atividades de ciência, tecnologia e inovação no País.
Para o presidente do Senado Federal e do Congresso, senador Renan Calheiros, a emenda é um marco para o desenvolvimento científico nacional. Com essa emenda, o senador acredita que o Brasil deverá dar “uma arrancada” nos conhecimentos científicos.
Na sessão solene, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aldo Rebelo, reconheceu os esforços da comunidade científica nessa vitória. “Essa emenda constitucional é resultado do esforço e da determinação da comunidade científica, dos pesquisadores, dos professores, do empenho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de suas lideranças, da sua presidente Helena Nader, do empenho do governo, principalmente dos meus antecessores que ocuparam o MCTI. E acima de tudo da compreensão do Congresso Nacional”.
No olhar do titular do MCTI, a ciência, tecnologia e inovação “estão associados à construção de um país próspero, a uma sociedade socialmente equilibrada e a uma democracia profunda, verdadeira e digna.”
Além do senador Renan Calheiros e do ministro Aldo Rebelo, participaram da mesa solene o vice-presidente do Senado Federal, o senador Jorge Viana, o 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados e vice-presidente do Congresso Nacional, o deputado Waldir Maranhão, o 2º vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado Giacobo; e o deputado Sibá Machado. Também participaram da mesa solene a deputada Margarida Salomão, primeira signatária da PEC 290/2013, a presidente da SBPC, Helena Nader, e o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Hernan Chaimovich.
O objetivo das mudanças é estimular soluções tecnológicas para problemas enfrentados pelo setor produtivo. A emenda estabelece, como nova função do Estado, o estímulo à articulação entre os entes do setor, tanto públicos como privados, na execução das atividades de pesquisa, capacitação científica e tecnológica e inovação, promovendo, ainda, a atuação no exterior das instituições públicas.
Com a promulgação da emenda constitucional, o ministro Rebelo disse que o Congresso Nacional entrega à sociedade e ao País as atribuições, compromissos e os horizontes da ciência, tecnologia e inovação. “Esses são três grandes desafios que traduzem as exigências e os anseios do futuro do nosso País”.
Pesquisa básica
O senador Renan Calheiros lembrou do empenho do senador Aloysio Nunes Ferreira, que percebeu a necessidade de deixar explicitado que a pesquisa básica deverá receber tratamento prioritário do Estado. “Sem tal explicitação, o incentivo à pesquisa básica ficava apenas subentendido, o que poderia dar margens a interpretações equivocadas e até mesmo de descaso. A pesquisa básica é imprescindível para o fomento do desenvolvimento científico e tecnológico e deve, portanto, ser apoiada”, explicou o senador.
Vale destacar que o senador Aloysio Nunes Ferreira apresentou uma emenda de redação, devolvendo ao Art. 216, parágrafo 1º da Constituição, a palavra “básica”, motivado pela SBPC, que desde o início da tramitação da PEC na Câmara dos Deputados defendeu a explicitação da palavra no artigo em referência.
Outro ponto que o senador ressaltou, em seu pronunciamento, foi que a emenda constitucional 85 demarcou a competência para proporcionar os meios de acesso à tecnologia, pesquisa e a inovação a todos os entes federativos, União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Dessa forma, agora em diante será possível que todos os níveis federativos firmem instrumentos de cooperação entre órgãos públicos e entidades privadas. Também caberá aos entes federativos estimular a formação e o fortalecimento da inovação nas empresas e nos demais entes públicos e privados, por meio, inclusive da criação e manutenção de parques e polos tecnológicos e de outros ambientes que promovam a inovação e atuação de inventores independentes, ajudando ainda na criação, absorção, na difusão e na transferência tecnológica.
Renan Calheiros acrescentou que esses ajustes na Constituição brasileira são importantes para que o Brasil deixe de ser tão somente um país do futuro, mas uma nação que busca, no presente, soluções para os problemas que ainda afligem a população brasileira.
Na ocasião, Calheiros saiu em defesa de recursos para ciência, tecnologia e inovação. Para ele, “é essencial que essas áreas tenham mais e novos aportes de recursos para que o Brasil possa se igualar ao desenvolvimento e avanço tecnológico de muitos países do mundo, de igual potencialidade de nosso país.”
Beatriz Bulhões, para o Jornal da Ciência
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Cozinho, logo existo - Suzana Herculano-Houzel
Folha de São Paulo
CIÊNCIA
Ou como as Ofélias e os Atalas da pré-história aprimoraram nosso cérebroRESUMO O domínio da técnica de cozer alimentos representou vantagem competitiva para o homem em relação a outros animais. O aprendizado lhe permitiu obter rápida e facilmente combustível energético para alimentar 86 bilhões de neurônios e deu impulso a funções cerebrais cognitivas, não ligadas à sobrevivência.
SUZANA HERCULANO-HOUZEL
O QUE TEM o cérebro humano de tão especial? Por que nós estudamos o cérebro de outros animais, e não vice-versa? O que o nosso tem ou faz que nenhum outro alcança?
Quando me interessei por essas questões, cerca de dez anos atrás, era consenso na área que todos os cérebros de mamíferos --incluindo o humano-- eram construídos da mesma maneira, como versões maiores ou menores de um mesmo plano-padrão e, portanto, com um número de neurônios sempre proporcional ao tamanho daqueles, ainda que não linearmente.
Uma das implicações básicas desse raciocínio é que dois cérebros de um mesmo tamanho deveriam possuir número semelhante de neurônios. Considerando que neurônios são as unidades funcionais de processamento de informação do cérebro, era de esperar que os donos de cérebros de dimensões idênticas exibissem habilidades cognitivas semelhantes.
Mas não é o que se vê. Vacas e chimpanzés têm cérebros de cerca de 400 gramas; capivaras e macacos, de 70-80 gramas; mas chimpanzés e macacos são capazes de comportamentos muito mais variados, complexos e flexíveis do que seus parentes não primatas de tamanho cerebral equivalente.
(Para ser absolutamente correto, é preciso reconhecer a possibilidade de vacas e capivaras terem uma vida mental interior tão rica que até escolham não deixar suas habilidades mentais transparecerem. Mas é bem pouco provável: as diferentes habilidades de cérebros de porte igual como esses são uma primeira evidência de que órgãos diferentes não devem ser apenas versões maiores ou menores de um mesmo plano básico.)
Mais problemática ainda é a outra inferência da suposta universalidade das regras de construção dos cérebros: a de que os maiores deveriam sempre possuir mais neurônios do que os menores. Ou seja, quanto maior o órgão, mais cognitivamente capaz seu dono deveria ser. Desse modo, o maior cérebro na face da Terra também deveria ser o mais capaz.
Naturalmente, nós nos consideramos a espécie mais capaz de todas. E aqui está o paradoxo: não possuímos nem de longe o maior cérebro de todos. O de elefantes, que oscila entre quatro e cinco quilos, é cerca de três vezes maior do que o nosso, que pesa em geral de 1,2 kg a 1,5 kg. Os de baleias chegam a pesar nove quilos. Se fôssemos nos fiar pela lógica, então, elas é que deveriam estar nos estudando. (O escritor e comediante britânico Douglas Adams, morto em 2001, era quem sabia o que andava pelos pensamentos de um cachalote, conforme segredou n' "O Guia do Mochileiro das Galáxias".)
É por causa dessa discrepância que, para explicar nossa superioridade cognitiva, por muito tempo a ciência recorreu ao argumento de que o cérebro humano era especial, literalmente extraordinário: uma exceção às regras. Outros podiam até ser maiores; mas o nosso devia ser"¦ melhor.
Ele parece mais avantajado do que o "necessário" para dar conta das funções do corpo. O que significa que sobra córtex cerebral para funções cognitivas, e não meramente vegetativas.
A lógica por trás desse argumento da encefalização máxima no ser humano é a de que o tamanho do cérebro geralmente acompanha o do corpo. Por isso, uma baleia que pesa várias dezenas de toneladas supostamente precisaria ter um cérebro maior do que o humano --mas que serviria apenas para dar conta do corpo, sem "restar" córtex cerebral para tarefas mais complexas.
A maior prova da suposta enorme encefalização do homem, no entanto, viria da comparação da nossa espécie com grandes primatas. Gorilas, por exemplo, chegam a ser duas a três vezes maiores do que humanos, do que se tira que o cérebro deles deveria ser maior do que o nosso --mas, ao contrário, o humano é que é três vezes maior do que o do grande macaco.
A necessidade energética também faz o cérebro humano parecer especial. Embora represente apenas 2% do peso do corpo do homem, o órgão consome sozinho 25% de toda a energia usada por ele num dia: são cerca de 500 kcal de um total de 2.000 calorias diárias, simplesmente para manter o aparato mental funcionando. Em outros animais, em comparação, o custo relativo do cérebro chega a no máximo 8% do gasto energético total do organismo.
EXCEÇÃO
Esse era o consenso quando comecei a estudar cérebros de humanos e outros bichos: o nosso é especial, por ser maior do que "deveria ser" e custar muito mais energia do que aquilo que se esperaria para o seu tamanho. Mas essa unanimidade entrava em choque com minha formação em biologia, ciência que busca entender as regras que se aplicam à vida em geral. Por que as regras da evolução deveriam se aplicar a todos os outros animais, mas nós seríamos uma exceção?
Pensei que o problema talvez estivesse na premissa básica de que todos os cérebros de mamíferos seriam construídos da mesma maneira. Talvez dois cérebros de tamanhos semelhantes pudessem na verdade conter números de neurônios bastante diferentes; talvez um órgão enorme, como o do elefante, pudesse até ter menos neurônios do que um mais modesto. Talvez o cérebro humano tivesse mais neurônios do que qualquer outro, independentemente de sua dimensão --especialmente no córtex, sede de funções como o raciocínio abstrato.
Para mim, então, a questão mais importante passou a ser quantos neurônios tem o cérebro humano, e como isso se compara com outros animais. Dizia a lenda que temos 100 bilhões de neurônios --mas nenhum de meus colegas conhecia o estudo original que teria chegado a esse número e, em todas minhas buscas, nunca o localizei. Até onde sei, ninguém havia contado o contingente de neurônios humanos ou de outros animais.
A técnica disponível até então era impossível de se aplicar à totalidade do órgão --e, de toda forma, boa parte dos cientistas parecia acreditar que a questão já estava resolvida.
Inventei uma maneira de contar células no cérebro e tive a sorte de contar com o apoio do professor Roberto Lent, da UFRJ, que me cedeu seu laboratório quando eu não tinha nenhum. Eu ia contar células"¦ em sopas de cérebro.
Soa repulsivo pensar em transformar em sopa o que um dia foi o âmago biológico de uma pessoa, eu reconheço. Mas, veja bem, não é muito diferente do que já se faz em tantos laboratórios, que é contar cérebros em pedacinhos mínimos para analisar sob o microscópio. A diferença é que meus pedacinhos seriam tão menores que o conjunto viraria líquido.
A base do método é dissolver o cérebro em um detergente que destrói todas as membranas das células, mas mantém intactos os núcleos delas, que passam assim a flutuar, soltos, em suspensão. Como o conjunto agora é líquido (com a aparência de um consomê claro), basta agitar a sopa para deixar os núcleos distribuídos homogeneamente e então extrair algumas amostras de volume definido para contá-los ao microscópio. Voilà: conhecendo-se o volume total da "sopa", basta uma regra de três para chegar ao número total de células no cérebro em apenas 15 minutos ao microscópio.
Dois anos depois, sabíamos de que eram feitos os cérebros de uma dúzia de animais, entre roedores e primatas. E foi uma agradável não surpresa descobrir que, de fato, eles são construídos de modo distinto.
Entre espécies de roedores, conforme se multiplica no cérebro a quantidade de neurônios, essas células também aumentam de tamanho, o que faz com o que o órgão infle muito mais rapidamente do que ganha neurônios. Mas entre primatas, cérebros maiores possuem mais neurônios cujo tamanho médio praticamente não aumenta --o que é uma maneira muito econômica, em termos de espaço, de ganhar neurônios. A consequência é que primatas sempre têm mais neurônios concentrados em um mesmo volume de cérebro do que roedores.
No cérebro humano, encontramos uma média de 86 bilhões de neurônios (a quem me diz que soa parecido com 100 bilhões, lembro que a diferença corresponde a um cérebro inteiro de babuíno). Desses, 16 bilhões compõem o córtex cerebral --provavelmente o maior número de neurônios em qualquer cérebro no planeta, mesmo nos maiores do que o nosso, o que acredito ser a explicação mais simples para nossa capacidade cognitiva notável.
Mas os "86 bilhões" deixam mesmo de ser apenas um número e ganham significado quando os cotejamos com o quinhão celular de outros animais.
Como descobrimos que a relação entre o tamanho do cérebro e seu número de neurônios pode ser descrita matematicamente, pudemos calcular como seria o cérebro humano se fosse construído como um cérebro de roedor: com 86 bilhões de neurônios, um roedor genérico pesaria 89 toneladas e teria um cérebro de impossíveis 36 quilos (tamanho de uma criança de dez anos). Um órgão assim não seria viável, pois colapsaria esmagado pelo próprio peso.
O fato de não termos 89 toneladas nem um cérebro descomunal ilustra, então, o que deveria ser óbvio: não somos roedores nem possuímos um cérebro grande de rato. Comparar humanos a roedores e concluir que somos especiais em comparação a eles é, portanto, enredar-se num paralelo vazio, do tipo laranjas com maçãs.
Primatas que somos, é em relação a eles que devemos nos medir. E aqui a matemática mostra que um primata genérico com 86 bilhões de neurônios teria um cérebro de 1,2 kg (o que é bem próximo da nossa média) e um corpo de 66 quilos (dentro dos padrões).
A conclusão nada surpreendente, mas ainda assim extremamente importante, porque contraria nossa suposta excepcionalidade, é uma só: temos um cérebro de primata. Nem mais, nem menos. (Divirto-me pensando que Darwin teria gostado de ler esta manchete: "Cérebro humano feito à imagem de outros cérebros de primata!".)
O cérebro humano, portanto, é notável, sim --mas não especial ou extraordinário, no sentido estrito da palavra. Fico satisfeita de ter contribuído à ciência uma descoberta que nos lembra de nosso lugar na natureza --o que deveria inspirar um pouco de humildade.
Se não é especial, por que sorve tanta energia? Como já havia dados na literatura sobre o custo energético do cérebro de humanos e outros animais, agora que conhecíamos os montantes de neurônios ficara fácil fazer as contas.
Já trabalhando em meu próprio microlaboratório, cheguei à conclusão de que cérebros humanos, de macacos, babuínos e roedores têm gasto energético semelhante: uma média de seis quilocalorias diárias por bilhão de neurônios. O custo total de energia de um cérebro é, portanto, uma simples função linear do número de neurônios que ele possui. Posto dessa maneira, o órgão humano mais uma vez apenas se encaixa no esperado: com seus 86 bilhões de neurônios, consome tanto quanto deveria --cerca de 500 kcal por dia.
ENERGIA
Como conseguimos esse número notável de neurônios? E, em particular, se grandes primatas são ainda maiores do que nós, por que eles não têm mais neurônios do que nós? Quando me dei conta de quão caro é ter uma enormidade de neurônios, passei a suspeitar que talvez grandes primatas simplesmente não conseguissem energia suficiente para sustentar concomitantemente um corpanzil e um cérebro grande.
Com Karina Fonseca-Azevedo, aluna de iniciação científica, fiz as contas. Calculei, de um lado, quanta energia um primata consegue obter por dia com sua dieta típica de alimentos crus e, de outro, quanto "custa" um corpo de um certo tamanho e um cérebro dotado de um certo contingente de neurônios. Depois, busquei as combinações de tamanho corporal e número de neurônios que um primata conseguiria sustentar comendo um certo número de horas por dia.
Devido ao alto custo dos neurônios, descobri que existe um "toma lá, dá cá" entre neurônios e massa corporal. Um primata que come oito horas por dia conseguiria bancar um máximo de 53 bilhões de neurônios --mas, neste caso, não teria como pesar mais do que 25 quilos.
Para ficar maior do que isso e continuar energeticamente viável (ou seja, para não morrer de fome), seria preciso abrir mão de neurônios. Quando se come como um primata, ou se é corpulento, ou se tem um cérebro equipado com neurônios a não mais poder; não se deve aspirar a ambos.
Uma alternativa, é claro, seria passar ainda mais horas por dia comendo. Mas isso é brincadeira perigosa que logo se torna irrealizável. Gorilas e orangotangos custeiam seus cerca de 30 bilhões de neurônios comendo oito horas e meia por dia --e, convenhamos, não conseguem fazer muito mais do que isso. Nove horas diárias de alimentação parecem ser o limite prático para um primata.
E nós, humanos? Com 86 bilhões de neurônios e 60-70 quilos de massa corporal, pela lógica, deveríamos passar mais de nove horas por dia comendo --o que naturalmente não é o caso, e nem seria possível. Se comêssemos como fazem os demais primatas, não deveríamos estar aqui.
Como chegamos então aos 86 bilhões de neurônios, se nosso cérebro não custa nada a menos do que deveria e se não podemos passar o dia todo à mesa? A alternativa que resta é, de alguma maneira, extrair mais calorias das mesmas porções de alimento. Essa, sim, é uma alternativa extremamente interessante --e que casa com uma invenção creditada a nossos antepassados na época certa, cerca de 1,5 milhão de anos atrás: a cozinha.
Cozinhar é essencialmente usar fogo para pré-digerir alimentos fora do corpo. Dito assim, não soa nada apetitoso. Mas produtos cozidos, muito mais macios, podem ser facilmente mastigados e triturados na boca, o que faz com que sejam totalmente digeridos por enzimas no estômago e absorvidos no intestino.
O domínio dessa técnica permite ao homem extrair de alimentos até três vezes mais energia do que se eles fossem ingeridos crus --e o ganho é também de tempo, vale destacar. Cozinhar, pois, nos rende não só mais calorias como também tempo livre.
VANTAGEM
Graças à cozinha, o que até então era um risco cada vez maior --um cérebro fervilhando com neurônios-- se tornou uma grande vantagem, principalmente agora que nossos antepassados tinham tempo disponível para direcionar seus neurônios a atividades mais interessantes do que pensar obsessivamente em comida, procurá-la e consumi-la. Essa me parece a explicação mais simples para a evolução tão rápida de um cérebro tão grande quanto o nosso --e somente do nosso.
Com um órgão cheio de neurônios mantidos por alimentos cozidos, nossa espécie passou rapidamente da comida crua à ciranda de cultura, agricultura, civilização, mercados, eletricidade, geladeiras --todo esse aparato que hoje nos permite obter todas as calorias de que precisamos em uma sentada só na lanchonete da esquina. O que um dia foi a solução hoje passou a ser o problema: fomos da incerteza de calorias diárias ao excesso em cada refeição. E, numa reviravolta irônica da evolução, agora tentamos resolver o problema"¦ voltando à comida crua das saladinhas.
(Ao pessoal do crudivorismo que perdeu sua "explicação" favorita de que "a comida crua era a alimentação dos nossos ancestrais" e me ataca dizendo que "você está errada, pois obviamente é possível comer só comidas cruas", eu respondo completando a frase deles com um ""¦hoje em dia, quando temos na esquina de casa mercados de frutas e hortaliças já plantadas, colhidas e servidas --e geladeiras para preservar tudo". Mesmo assim, o preço do crudivorismo é alto: fome permanente, perda da saúde e de peso. Bom, esta eu concedo: comer exclusivamente alimentos crus é a única dieta verdadeiramente infalível que conheço.)
Qual é, então, a vantagem de ser humano? O que nós temos que nenhum outro animal tem --e que é a explicação mais simples para nossas vultosas habilidades cognitivas? "O maior número de neurônios no córtex cerebral", eu diria. E o que nós fazemos que nenhum outro animal faz, e que, de quebra, acredito ter sido fundamental para nos permitir chegar ao número enorme de neurônios corticais? Cozinhamos o que comemos. Nenhum outro animal cozinha --e, para mim, foi o que nos tornou humanos.
Estudar o cérebro humano mudou minha maneira de pensar a comida. Hoje, toda vez que olho minha cozinha, faço reverências mentais a ela -- e agradeço a nossos ancestrais por uma invenção que nos legou a humanidade.
-Não possuímos nem de longe o maior cérebro de todos. O de elefantes, que oscila entre quatro e cinco quilos, é três vezes maior do que o nosso, que pesa em geral de 1,2 kg a 1,5 kg
Com 86 bilhões de neurônios e 60-70 quilos de massa corporal, pela lógica, deveríamos passar mais de nove horas por dia comendo --o que não é o caso
Graças à cozinha, [...] nossos antepassados tinham tempo para direcionar seus neurônios a atividades mais interessantes do que pensar em comida, procurá-la e consumi-la
Embora represente apenas 2% do peso do homem, o cérebro consome 25% de toda a energia usada por ele num dia: são cerca de 500 kcal de um total de 2.000 calorias
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Brasil terá novo navio e instituto oceânico
Herton Escobar - O Estado de S.Paulo
A presença da ciência brasileira nos oceanos vai ganhar o reforço de um novo navio oceanográfico de grande porte e um novo instituto nacional, com quatro centros de pesquisa espalhados pela costa.
O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e Hidroviárias (Inpoh) começou a surgir na sexta-feira em uma reunião na Academia Brasileira de Ciências, no centro do Rio, com a criação de uma associação civil que pretende se credenciar como organização social (OS), apta a assinar contratos de gestão com o poder público e a iniciativa privada.
A ideia é que o instituto funcione em um modelo semelhante ao do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, uma OS que gerencia quatro laboratórios nacionais em Campinas - de luz síncrotron, biociências, biotecnologia do etanol e nanotecnologia.
Dessa forma, o Inpoh poderá firmar contratos com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para gestão de projetos e programas específicos, sem fazer parte do organograma da pasta - libertando-o, assim, de várias amarras burocráticas e legais que costumam atravancar o funcionamento da máquina pública.
Um dos projetos que o instituto deverá pleitear é o contrato de gestão do novo navio, de R$ 162 milhões, cuja compra deve ser finalizada nesta semana (mais informações nesta página). "Não é algo que está na agenda inicial, mas certamente há a expectativa de que o Inpoh possa se capacitar para isso num segundo momento", disse ao Estado o engenheiro oceânico Segen Estefen, diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe/UFRJ, escolhido como diretor provisório da associação.
O objetivo maior do Inpoh, segundo ele, será "colocar o Brasil em linha com os países desenvolvidos" no campo das ciências oceanográficas, tanto para fins de pesquisa quanto de exploração sustentável dos recursos marinhos. "Eu diria que é um marco histórico para o Brasil; um passo de afirmação sobre a necessidade de conhecermos essa parte oceânica do País, que nas próximas décadas terá uma relevância econômica muito importante para o projeto de nação que buscamos construir", afirma Estefen.
O instituto deverá ter quatro centros de pesquisa: dois dedicados à oceanografia (um para o Atlântico Tropical e outro, para o Atlântico Sul), um dedicado à pesca e aquicultura e outro, voltado para portos e hidrovias.
Oficialmente, a localização dos centros ainda não está definida. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, porém, já estaria praticamente decidido que o do Atlântico Tropical será no Ceará, o do Atlântico Sul no Rio Grande do Sul, o de portos e hidrovias no Rio de Janeiro, e o de pesca em Santa Catarina. "Tem mais influência política do que justificativa técnica nessas decisões", afirmou uma fonte.
A presença da ciência brasileira nos oceanos vai ganhar o reforço de um novo navio oceanográfico de grande porte e um novo instituto nacional, com quatro centros de pesquisa espalhados pela costa.
O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e Hidroviárias (Inpoh) começou a surgir na sexta-feira em uma reunião na Academia Brasileira de Ciências, no centro do Rio, com a criação de uma associação civil que pretende se credenciar como organização social (OS), apta a assinar contratos de gestão com o poder público e a iniciativa privada.
A ideia é que o instituto funcione em um modelo semelhante ao do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, uma OS que gerencia quatro laboratórios nacionais em Campinas - de luz síncrotron, biociências, biotecnologia do etanol e nanotecnologia.
Dessa forma, o Inpoh poderá firmar contratos com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para gestão de projetos e programas específicos, sem fazer parte do organograma da pasta - libertando-o, assim, de várias amarras burocráticas e legais que costumam atravancar o funcionamento da máquina pública.
Um dos projetos que o instituto deverá pleitear é o contrato de gestão do novo navio, de R$ 162 milhões, cuja compra deve ser finalizada nesta semana (mais informações nesta página). "Não é algo que está na agenda inicial, mas certamente há a expectativa de que o Inpoh possa se capacitar para isso num segundo momento", disse ao Estado o engenheiro oceânico Segen Estefen, diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe/UFRJ, escolhido como diretor provisório da associação.
O objetivo maior do Inpoh, segundo ele, será "colocar o Brasil em linha com os países desenvolvidos" no campo das ciências oceanográficas, tanto para fins de pesquisa quanto de exploração sustentável dos recursos marinhos. "Eu diria que é um marco histórico para o Brasil; um passo de afirmação sobre a necessidade de conhecermos essa parte oceânica do País, que nas próximas décadas terá uma relevância econômica muito importante para o projeto de nação que buscamos construir", afirma Estefen.
O instituto deverá ter quatro centros de pesquisa: dois dedicados à oceanografia (um para o Atlântico Tropical e outro, para o Atlântico Sul), um dedicado à pesca e aquicultura e outro, voltado para portos e hidrovias.
Oficialmente, a localização dos centros ainda não está definida. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, porém, já estaria praticamente decidido que o do Atlântico Tropical será no Ceará, o do Atlântico Sul no Rio Grande do Sul, o de portos e hidrovias no Rio de Janeiro, e o de pesca em Santa Catarina. "Tem mais influência política do que justificativa técnica nessas decisões", afirmou uma fonte.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Neuroprótese cria sexto sentido em ratos que passam a "tocar" luz infravermelha em pesquisa de brasileiro
Acima à esquerda, um modelo da câmara de comportamento com três portas de recompensa separadas por um mesmo ângulo. O rato tem um detector de infravermelho afixada em sua cabeça, e o cone vermelho da imagem mostra a área em que ele irá responder a estímulos de infravermelho. A porta 3 emana o sinal infravermelho, como é visto pelas linhas semicirculares. Ao lado (b), há a indicação de como é cada porta, com uma luz infravermelha, porta para água e uma luz LED normal. Na imagem d, é possível ver onde os eletrodos foram colocados
Uma neuroprótese foi capaz de criar sexto sentido em ratos, que aprenderam a "tocar" luz infravermelha, em uma nova pesquisa da equipe do brasileiro Miguel Nicolelis, publicada na Nature Communications, nesta terça-feira (12).
Segundo o pesquisador, esta é a primeira vez que uma prótese cortical foi usada para aumentar a capacidade neurológica de animais adultos. Os mamíferos não são capazes de enxergar a luz infravermelha, mas após o experimentos os ratos conseguiram identificar localização e intensidade da luz pelo tato.
A neuroprótese acopla um sensor infravermelho ao córtex somatossensorial (relacionado ao tato) via microestimulação intracortical. Os animais facilmente aprendem a usar esta fonte de novas informações, e a gerar estratégias de exploração para diferenciar os sinais infravermelhos deseu ambiente.
Em testes percebeu-se que a prótese não desloca a representação original táctil. Assim, as próteses sensoriais corticais, além de restaurar funções neurológicas normais, podem servir para expandir as capacidades perceptivas naturais de mamíferos.
A neuroprótese foi usada para identificar a luz infravermelha, mas poderia ter sido usada para qualquer comprimento de onda, como ultrassom ou raio-x.
Como foi o experimento
Inicialmente seis ratos fêmeas foram treinadas na câmara com luz normal. Ao piscar a luz em uma das portas, o rato se aproximava e ao tocar a porta com o nariz, recebia água. Depois de aprendida a lição: luz = água, em aproximadamente 25 dias com 70% de acerto, foi colocada a prótese.
Eles foram então recolocados na câmara, onde deveriam realizar a mesma tarefa, mas agora com a luz infravermelha, invisível para a visão deles. Estímulos elétricos aumentavam à medida que os ratos se aproximavam da fonte de luz ou orientavam suas cabeças para o local. A estimulação no mesmo local é conhecida por induzir sensações táteis em homens e macacos.
Os seis ratos demoraram cerca de 26 dias para aprender a nova tarefa com os 70% de acerto. No início, eles não conseguiam identificar os sinais sensoriais com a fonte de luz, chegando a, ocasionalmente, arranhar sua face em resposta à estimulação. Mas após alguns dias eles mudaram seu comportamento. No começo, as portas estavam separadas a 90º, mas os ratos conseguiram obter sucesso também com elas a uma distância inferior a 60º.
UOL
Uma neuroprótese foi capaz de criar sexto sentido em ratos, que aprenderam a "tocar" luz infravermelha, em uma nova pesquisa da equipe do brasileiro Miguel Nicolelis, publicada na Nature Communications, nesta terça-feira (12).
Segundo o pesquisador, esta é a primeira vez que uma prótese cortical foi usada para aumentar a capacidade neurológica de animais adultos. Os mamíferos não são capazes de enxergar a luz infravermelha, mas após o experimentos os ratos conseguiram identificar localização e intensidade da luz pelo tato.
A neuroprótese acopla um sensor infravermelho ao córtex somatossensorial (relacionado ao tato) via microestimulação intracortical. Os animais facilmente aprendem a usar esta fonte de novas informações, e a gerar estratégias de exploração para diferenciar os sinais infravermelhos deseu ambiente.
Em testes percebeu-se que a prótese não desloca a representação original táctil. Assim, as próteses sensoriais corticais, além de restaurar funções neurológicas normais, podem servir para expandir as capacidades perceptivas naturais de mamíferos.
A neuroprótese foi usada para identificar a luz infravermelha, mas poderia ter sido usada para qualquer comprimento de onda, como ultrassom ou raio-x.
Como foi o experimento
Inicialmente seis ratos fêmeas foram treinadas na câmara com luz normal. Ao piscar a luz em uma das portas, o rato se aproximava e ao tocar a porta com o nariz, recebia água. Depois de aprendida a lição: luz = água, em aproximadamente 25 dias com 70% de acerto, foi colocada a prótese.
Eles foram então recolocados na câmara, onde deveriam realizar a mesma tarefa, mas agora com a luz infravermelha, invisível para a visão deles. Estímulos elétricos aumentavam à medida que os ratos se aproximavam da fonte de luz ou orientavam suas cabeças para o local. A estimulação no mesmo local é conhecida por induzir sensações táteis em homens e macacos.
Os seis ratos demoraram cerca de 26 dias para aprender a nova tarefa com os 70% de acerto. No início, eles não conseguiam identificar os sinais sensoriais com a fonte de luz, chegando a, ocasionalmente, arranhar sua face em resposta à estimulação. Mas após alguns dias eles mudaram seu comportamento. No começo, as portas estavam separadas a 90º, mas os ratos conseguiram obter sucesso também com elas a uma distância inferior a 60º.
UOL
domingo, 18 de novembro de 2012
Grupo da Nasa afirma que viagem mais rápida que a luz pode ser possível
A julgar pelo corajoso trabalho de alguns cientistas, o futuro da exploração espacial parece bastante promissor. Enquanto o maior caçador de planetas americano sai em busca de supercivilizações, um físico da Nasa desenvolve um meio de visitá-las.
Geoff Marcy, da Universidade da Califórnia, ficou famoso a partir de 1995, quando começou a descobrir uma penca de planetas fora do Sistema Solar -e por pouco não inaugurou esse campo de estudo, iniciado meses antes por Michel Mayor, do Observatório de Genebra.
Encorajado pelo sucesso, ele agora decidiu investir seus talentos em trabalhos mais especulativos. E o surpreendente é que lhe deram a verba -inicialmente modesta, é verdade- para isso.
O dinheiro, equivalente a R$ 400 mil, vem da britânica Fundação Templeton. O plano mais chamativo que Marcy tem para o financiamento é a busca de povos alienígenas extremamente avançados, tão tecnológicos que chegariam a modificar estrelas.
Tais povos criariam estruturas apelidadas de esferas de Dyson (em homenagem ao físico Freeman Dyson, responsável por propor que elas seriam possíveis) em torno de suas estrelas natais.
Elas serviriam para obter o máximo possível de recursos energéticos de determinado astro. E esse "parasitismo" cósmico deixaria traços na luminosidade que escapa da estrela, permitindo, em tese, que telescópios aqui na Terra detectassem tais pistas.
APRESSADINHO
Enquanto isso, Harold "Sonny" White trabalha em um laboratório do Centro Espacial Johnson, da Nasa, para tornar as viagens interestelares possíveis.
Com as tecnologias atuais, atravessar a vasta distância entre as estrelas é dureza. Veja, por exemplo, a espaçonave Voyager-1, lançada em 1977 e hoje o objeto mais distante já enviado pelo homem ao espaço. Se fosse apontada na direção de Alfa Centauri, o sistema estelar mais próximo, ela chegaria lá em cerca de 75 mil anos.
Pior ainda, as viagens interestelares esbarram na inconveniente teoria da relatividade, que dita que nada pode viajar mais depressa que a luz. O limite de velocidade universal seria, portanto, 300 mil km/s -4,3 anos para chegar a Alfa Centauri.
A saída seria usar outro truque da relatividade. Se, por um lado, há um limite máximo de velocidade, por outro a teoria sugere que é possível "curvar" o espaço, compactando-o e esticando-o conforme a necessidade.
Essa foi a premissa usada na série de TV "Jornada nas Estrelas" para impulsionar a nave Enterprise. Encurtando o espaço à frente da nave, pode-se viajar a uma velocidade modesta e ainda assim, para um observador externo, ir mais rápido que a luz.
Ficção? Em 1994, o físico mexicano Miguel Alcubierre escreveu um artigo científico sugerindo que tal feito seria possível, mas exigiria níveis de energia equivalentes à massa de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar.
VERSÃO 2.0
Harold White vem trabalhando em cima do problema e descobriu que, mudando a configuração da criação do campo de dobra, é possível obter o mesmo efeito com energia equivalente à da massa da espaçonave Voyager-1, pouco mais de 700 kg.
"As descobertas mudam o status da pesquisa de impraticável para plausível e meritória de mais investigação", diz White, que está montando um experimento de laboratório para testar a ideia.
Usando lasers e uma bobina com forma de anel, ele espera criar a primeira demonstração experimental de uma dobra espacial, que tentará distorcer o espaço-tempo em escalas submicroscópicas.
Ainda é muito pouco para levar uma nave até Alfa Centauri, mas seria ao menos uma prova de princípio.
Mesmo com a redução da energia necessária (e vale dizer que 700 kg de matéria convertida em energia equivale ao consumo anual dos EUA), ainda resta um problema: as distorções para a dobra espacial exigem o que os físicos chamam de densidade de energia negativa.
Isso não é expressamente proibido pela física (no mundo quântico, das partículas elementares, às vezes surgem quantidades diminutas de energia negativa), mas ninguém sabe como chegar lá. Um teste de laboratório talvez seja capaz de funcionar com os efeitos quânticos diminutos que os físicos já geram, mas uma espaçonave exige bem mais.
Para resolver isso, os físicos estão explorando soluções como manipular energia escura (a força de expansão acelerada do Universo, hoje pouco compreendida) e a possibilidade de que existam mais dimensões além das quatro que conhecemos. Há muito trabalho pela frente.
Folha
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Caranguejo no fundo do mar usa visão ultravioleta para comer
Uma espécie de caranguejo que vive no fundo do mar, a cerca de 800 metros de profundidade, tem um complexo sistema de visão que o permite enxergar em luz azul e ultravioleta. Essa sensibilidade às cores possibilita que o animal consiga se alimentar em uma região completamente escura, aponta um novo estudo publicado este mês na revista "Journal of Experimental Biology".
Segundo cientistas da Universidade Nova Southeastern, na Flórida, EUA, a visão ultravioleta permite detectar objetos em um comprimento de onda menor, o que faz com que os bichos realmente peguem comida, e não veneno.
O plâncton que esses caranguejos comem, por exemplo, tem um brilho azul, enquanto corais tóxicos onde eles se sentam apresentam uma bioluminescência verde.
Para a bióloga Tamara Frank, que liderou o estudo em três locais das Bahamas, no Caribe, descobertas como essa podem levar a inovações úteis anos mais tarde, a exemplo de um telescópio de raio-X que já se baseou nos olhos de uma lagosta.
A pesquisadora explica que trabalhos anteriores já haviam descoberto animais das profundezas que veem em luz ultravioleta, mas essa é a primeira vez que se testa como eles respondem à luz.
Além de fazer vídeos e fotos dos caranguejos, os cientistas capturaram e examinaram com microeletrodos os olhos de oito indivíduos encontrados nesses três lugares do Caribe e em expedições anteriores.
Para testar a hipótese de que a luz ultravioleta realmente funciona como um "código de barras" para os crustáceos saberem o que é comida e o que não é, os pesquisadores precisam coletar mais espécimes e testar a sensibilidade deles a comprimentos de onda ainda mais curtos.
Outro desafio é saber se a forma como os animais estão agindo no vídeo é natural, já que os submarinos, redes e veículos usados na pesquisa acabam perturbando os bichos. De acordo com o biólogo Sönke Johnsen, o estudo é uma espécie de investigação biológica "forense", pois observa os animais e o ambiente para depois tentar juntar os pedaços e reconstruir o que realmente aconteceu.
G1
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Ondas cerebrais podem ser hackeadas
Um aparelho chamado Emotiv foi usado para fazer a leitura. Ele custa US$ 299 e foi desenvolvido para controlar o computador sem usar as mãos. Os cientistas testaram voluntários ao mostrar-lhes uma série de mapas, bancos e senhas. Quando o indivíduo via algo que conhecia, o Emotiv era capaz de perceber. Isso porque ele consegue captar o sumiço de um sinal cerebral (o P300), que desaparece quando alguém reconhece algo familiar.
Segundo o estudo publicado pelos pesquisadores, os experimentos mostraram “a possibilidade de usar um aparelho de interação entre cérebro e computador barato e disponível ao consumidor para revelar parcialmente informações privadas e secretas dos usuários”. Ou seja, em um futuro próximo, nem nosso cérebro estará a salvo.
Estadão
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Astrônomos acham açúcar ao redor de estrela jovem pela primeira vez
Um time internacional de astrônomos detectou, pela primeira vez, moléculas de açúcar ao redor de uma estrela jovem, informou nesta quarta-feira (29) o Observatório Europeu do Sul (ESO). A descoberta foi feita pelo telescópio Alma, localizado a 5 mil metros de altura no deserto do Atacama, no Chile.
Os resultados aparecem na revista científica "Astrophysical Journal Letters" e mostram que os blocos de "glicoaldeído", um tipo simples de açúcar – com a fórmula química C2H4O2 –, estavam no disco de gás e poeira que circunda a estrela IRAS 16293-2422.
O astro fica na constelação do Serpentário, a cerca de 400 anos-luz de distância da Terra, o que é considerado "próximo" na escala do Universo. Ele tem massa semelhante à do Sol e pertence a um sistema binário, ou seja, onde há duas estrelas orbitando um centro comum.
Segundo os cientistas, o açúcar encontrado estava no local e na altura certos para serem incluídos na formação dos planetas desse sistema. Além disso, as moléculas se movimentavam na direção correta, caindo sobre um dos astros.
O glicoaldeído já havia sido observado anteriormente no espaço entre as estrelas, mas nunca tão perto de um corpo do tipo solar, a uma distância equivalente entre Urano e o Sol.
Segundo o principal autor do artigo, Jes Jørgensen, do Instituto Niels Bohr, na Dinamarca, essa forma de açúcar não é muito diferente da que usamos para adoçar o café, por exemplo. Moléculas assim são um dos ingredientes necessários para a formação do RNA, composto orgânico que está ligado ao DNA e é um dos elementos essenciais à vida.
"A grande questão é: qual a complexidade que essas moléculas podem atingir antes de serem incorporadas em novos planetas? Isso pode nos dizer algo sobre como a vida aparece em outros locais, e as observações do Alma são vitais para desvendar esse mistério", diz Jørgensen.
G1
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Pâncreas artificial é nova promessa tecnológica para tratar diabete tipo 1
O diabete tipo 1 é uma doença autoimune, caracterizada pela destruição das células do pâncreas que produzem insulina – o hormônio responsável pelo transporte do açúcar para dentro das células. Nesses pacientes, os níveis de açúcar no sangue ficam aumentados, por isso eles precisam aplicar várias injeções de insulina diariamente para normalizar os índices. Por isso, o desenvolvimento de um pâncreas artificial, que assuma essas funções sem a intervenção do paciente, é uma das principais buscas de pesquisadores do mundo todo há mais de 15 anos.
O projeto Dream (sigla de Consórcio para o pâncreas artificial sem fio, em tradução livre) é um dos experimentos nessa área. Trata-se de uma pesquisa internacional, liderada pelo pesquisador israelense Moshe Phillip, cujos resultados serão apresentados no Brasil no início de setembro, durante o Tratamentos&Tecnologias Avançadas para o Diabete – um evento no Rio dedicado às novidades.
O grupo de Phillip desenvolveu um sistema chamado MD Logic. Trata-se de um sensor de glicose subcutâneo, que monitora os níveis de glicemia associados à bomba de insulina. Ambos são conectados por programas que informam e estipulam a quantidade de insulina a ser liberada para manter a glicemia dentro dos parâmetros normais. Tudo isso sem que o paciente tenha de realizar testes de ponta de dedo e calcular a quantidade de insulina a ser aplicada.
Os pesquisadores avaliaram o funcionamento do pâncreas artificial em 18 crianças entre 12 e 15 anos, durante um acampamento de três dias. Foi a primeira vez que um aparelho do tipo foi testado em um ambiente real, fora do hospital. Um estudo anterior de outro grupo, usando um sistema semelhante, foi feito com 24 pacientes hospitalizados.
No caso de Israel, um grupo de engenheiros e médicos ficava em uma sala de controle, de onde supervisionavam remotamente as variações de glicemia das crianças, que realizavam atividades de lazer normalmente. Os resultados demonstram que a ideia funcionou – ainda que de maneira experimental.
Bomba. Hoje em dia, já existe no mercado a bomba de infusão de insulina, que funciona de maneira parecida: um aparelho monitora a glicemia e envia um sinal para a bomba, que fica presa à cintura do paciente. Mas, para a bomba funcionar e liberar a insulina, o paciente precisa fazer o cálculo da quantidade e acionar o botão.
“As crianças tomam de 4 a 6 picadas de insulina todos os dias, além de fazer o controle da ponta de dedo. O sonho de todo paciente é não ter lembrar de tomar insulina várias vezes. E a promessa do pâncreas artificial é fazer tudo isso sozinho”, diz o endocrinologista Luis Eduardo Calliari, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
A endocrinologista Denise Reis Franco, diretora da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), também vê com otimismo os resultados do pâncreas artificial. “A tecnologia está mais rápida do que o desenvolvimento de novas drogas. O futuro é esse”, afirmou. Ainda em fase experimental, não há data para que o pâncreas artifical chegue ao mercado.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Cientistas criam chip para que pessoas com deficiência possam voltar a andar
Em Avatar, filme dirigido por James Cameron, o ex-fuzileiro Jake Sully (interpretado por Sam Worthington) é paraplégico. Mas, quando decide participar do Programa Avatar, suas conexões neurais o conectam a um avatar e então o ex-fuzileiro consegue andar. No filme, isso só ocorre quando o cérebro de Sully consegue controlar, de forma virtual, o seu avatar no belo mundo de Pandora.
No mundo real, apesar de muitos estudos científicos sobre o tema, ainda não é possível fazer uma pessoa com as limitações de Jake Sully voltar a andar. Mas cientistas brasileiros estimam que isso pode começar a ocorrer em 2030. A ideia de pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, é que um chip seja implantado na parte mais externa do córtex cerebral. Quando for ativado, esse dispositivo poderá comandar os movimentos de uma pessoa com deficiência física por meio de um exoesqueleto (espécie de esqueleto artificial feito de metais resistentes).
"À medida que um campo magnético mantido fora da cabeça se aproximasse desse chip, ele iria se energizar e passaria a ler e enviar os comandos do cérebro para fora, utilizando essa mesma energia", explicou em entrevista à Agência Brasil Mario Alexandre Gazziro, professor do Departamento de Ciência da Computação da USP.
O mecanismo está em estudo por um grupo de pesquisadores de São Carlos, do qual participa Gazziro. A pesquisa está sendo desenvolvida em parceria com a Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, com a participação do professor Stephen Saddow. "Certamente essa é a solução mais promissora para fazer com que, por meio de esqueletos mecânicos ou robotizados, paraplégicos e pessoas com outras deficiências voltem a andar de novo", disse o professor da USP.
Atualmente, segundo ele, o que existe em termos de experimento nesse sentido é a instalação de eletrodos no cérebro. "O que se faz é colocar o eletrodo dentro do cérebro, diretamente, nos experimentos. Não está disponível comercialmente nem aprovado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", lembrou Gazziro.
O novo chip, no entanto, funcionaria de forma semelhante ao sistema implantado no personagem Neo, do filme Matrix, mas sem o uso de um fio. "Imagine que aquela conexão na cabeça que é feita neles [personagens do filme] seria feita só de se chegar próximo [à cabeça]. Esta é a nossa proposta: uma interface em que colocamos um chip dentro do cérebro e 'conversamos' com o chip só de chegarmos próximo [a ele]", disse.
Além do chip sem fio, uma condição para que um paraplégico volte a andar, nessa situação, será o desenvolvimento de exoesqueletos. "Precisará ter um exoesqueleto, um esqueleto para movimentar perna e braço. Esse exoesqueleto teria uma antena, escondida embaixo do cabelo. O chip seria colocado em uma região específica do córtex. E a pessoa aprenderia a usar aquele membro eletrônico. Seria como aprender a andar de novo", explicou o professor. Segundo Gazziro, a tecnologia de criação do exoesqueleto está bem encaminhada.
A pesquisa, que será desenvolvida no instituto durante três anos, pretende focar no desenvolvimento de chips sem fio e de baixo consumo. Eles serão feitos com material biocompatível, como o carbeto de silício, que, segundo a equipe de pesquisa coordenada por Saddow, tem a propriedade necessária para desenvolver uma interface cerebral.
"É um chip especificamente desenhado para ser interligado ao córtex motor. O que fazemos aqui é uma complementação do estudo do professor Miguel Nicolelis [que pretende construir um exoesqueleto robótico, comandado diretamente pelo cérebro, para que pessoas com paralisia voltem a andar], que tem conhecimento das pesquisas feitas em São Carlos. O que fazemos é propor uma solução para tirar o fio que atualmente seria usado em uma interface cerebral", disse o professor.
O estudo está dividido em duas partes. A primeira aborda a questão da biocompatibilidade, que já foi resolvida pela universidade norte-americana. A outra, considerada um gargalo no mundo científico, trata da redução do consumo de energia pelo chip, o que ficará a cargo dos pesquisadores da USP. "Em parceria com o pessoal do sul da Flórida, estamos desenvolvendo novas técnicas para baixar o consumo do chip de forma que, nos próximos quatro ou cinco anos, consigamos ter um com pouca energia conseguindo funcionar dentro do cérebro", disse o professor.
Depois de desenvolvido, o chip de baixo consumo será testado em ratos. "Nossa estimativa é que isso [implantar o chip em ser humano com sucesso] possa vir a se tornar corriqueiro no dia a dia em torno de 2030. O processo de validação para humanos leva mais de dez anos. Estamos com o plano de terminar nossos chips entre 2018 e 2020. A partir daí, serão mais dez anos de estudos clínicos para poder validar para uso comercial", explicou.
O estudo, denominado 'Interface Neural Implantável', foi aprovado pelo programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal, e tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Atualmente temos R$ 250 mil, que acabaram de ser aprovados. E estamos pleiteando mais R$ 2 milhões nos próximos anos. Mas, como vamos usar a fábrica de chip experimental da Flórida, esses R$ 250 mil já vão ser suficientes para fazer os primeiros. Não estamos com carência de recursos. Para cumprir essa meta para os primeiros chips, esse orçamento já cobre. Mas estamos pedindo mais orçamento para aprimorar e construir processos de fabricação industrial aqui", disse Gazziro.
Além de possibilitar que, no futuro, pessoas com deficiência possam voltar a andar, o projeto pretende impulsionar a pesquisa e a indústria nacional. "Se esse projeto for bem administrado, mantendo a propriedade intelectual e fazendo a transferência para a indústria, ajudará não só as pessoas, mas a indústria médica no país. O interessante seria dar incentivo para que empresas nacionais, via incubadoras, fabricassem esses sistemas, podendo gerar renda [para o país]", destacou o professor.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Aparelho ajuda a 'escrever' com a mente
Demora e dá um bocado de trabalho, mas aparelhos de ressonância magnética já podem ser empregados para "conversar" usando apenas a força do pensamento.
A tecnologia, descrita por pesquisadores da Holanda e da Alemanha em artigo na revista científica "Current Biology", usa padrões cerebrais específicos para codificar cada uma das letras do alfabeto e mais uma "tecla de espaço" mental.
Dessa forma, usando apenas sua atividade cerebral, voluntários saudáveis na faixa dos 30 anos conseguiram formar palavras e responder perguntas dos cientistas.
Trata-se de uma forma extremamente incômoda e lenta de "telepatia". Mas a técnica tem chance de virar uma importante ferramenta para que pessoas totalmente incapazes de se mexer voltem a se comunicar com o mundo.
Esse problema, conhecido como "síndrome de locked-in" (do inglês "trancado dentro de si mesmo"), é um dos mais aterrorizantes problemas neurológicos.
Por conta de um derrame que afeta as funções motoras, por exemplo, a pessoa tem sua consciência e inteligência preservadas, mas simplesmente não consegue se mexer.
Algumas dessas pessoas têm movimentos residuais, como o dos olhos, que podem ser usados na comunicação, mas em alguns casos nem isso é possível.
No caso de pacientes em situação ainda mais grave, em estado aparentemente vegetativo, o método poderia até ajudar a determinar se, afinal de contas, eles possuem algum grau de consciência.
O sistema criado pela equipe de Bettina Sorger, da Universidade de Maastricht, não é simplesmente uma leitura da letra A quando a pessoa "pensa num A", digamos.
Como não existem medições confiáveis sobre como as letras seriam representadas na atividade cerebral vista pela ressonância magnética, os cientistas precisaram criar um código, baseado em "tarefas" mentais, que correspondiam a certos grupos de letras.
Havia três tipos de tarefas: imaginar um movimento, fazer um cálculo mental ou "falar" consigo mesmo.
A pessoa, além disso, tinha de escolher entre três durações dessa "ação" mental (10, 20 ou 30 segundos) e três tempos de atraso para colocá-la em prática (nenhum atraso, 10 ou 20 segundos).
MÚLTIPLOS DE TRÊS
A combinação de todos esses tipos de variante -- três vezes três vezes três, perfazendo 27 -- chega a um conjunto de 26 letras mais a "tecla de espaço", permitindo a formação de qualquer palavra.
Em laboratório, os voluntários conseguiram responder a perguntas simples dos pesquisadores, como "Onde você passou as suas férias?" ou "Qual é o seu hobby?".
Por enquanto, o processo é de uma lentidão excruciante: em torno de 50 segundos por letra, com taxa de acerto de 82%. Métodos usando eletroencefalograma conseguem resultados com mais rapidez, mas exigem certo grau de treinamento, e os pacientes às vezes não pegam o jeito da coisa. Embora trabalhoso, o
método da ressonância é menos difícil e tem potencial para ficar mais rápido.
Por enquanto, não há perigo algum de que a tecnologia seja empregada para bisbilhotar os pensamentos de outra pessoa sem permissão, escrevem os autores.
"É importante salientar que apenas a ativação cerebral gerada intencionalmente foi empregada para decodificar as letras." Ah, bom.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Roncar pode aumentar em 5 vezes o risco de desenvolver câncer
O ronco e outros distúrbios respiratórios do sono podem privar o corpo de oxigênio suficiente por algumas horas.
Os cientistas acreditam que os baixos níveis de oxigênio no sangue podem desencadear o desenvolvimento de tumores cancerígenos, promovendo o crescimento dos vasos que os alimentam.
Eles dizem que, no futuro, será possível prever doenças nas pessoas, impedindo que elas ronquem. O estudo americano analisou a taxa de câncer em mais de 1.500 pessoas com problemas de sono, com idades acima dos 22 anos.
Os cientistas disseram que aqueles com a respiração desordenada grave ao dormir tinham quase 5 vezes mais chances de desenvolver câncer do que aqueles sem nenhum problema respiratório no momento do sono.
Um dos problemas do sono é a apneia. Pesquisas recentes dizem que a apneia está diretamente ligada com vários problemas, como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, ataques cardíacos e acidente vascular cerebral.
Estudos laboratoriais mostraram que a hipóxia intermitente (ou seja, baixos níveis de oxigênio) promovem o crescimento de tumores em ratos com câncer de pele. A falta de oxigênio estimula o crescimento de vasos sanguíneos que alimentam os tumores, um processo chamado de angiogenese.
Dr. Javier Nieto, líder da pesquisa, comentou: “A consistência das evidências a partir das experiências com animais mostram aspectos epidemiológicos muito atrativos para comparação com humanos”.
“O nosso primeiro estudo revelou uma associação entre o ronco e doenças respiratórias de sono com um elevado risco de mortalidade por câncer em uma determina amostra populacional”, acrescentou.
O pesquisador, no entanto, enfatiza que são necessárias mais provas sobre esta ligação. Os resultados do estudo foram apresentados na Sociedade Torácica Americana em São Francisco, EUA e publicadas na revista American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.
Jornal Ciência
terça-feira, 22 de maio de 2012
‘Sexto sentido’ de irmão gêmeo salva homem de câncer
Craig Gurney foi ao médico para fazer exames depois de dias com uma forte dor de cabeça, mas a ressonância magnética não mostrou nada de errado. Então ele convenceu seu irmão Brenton, que não estava sentindo nada, a participar de um estudo médico com gêmeos, que incluía esse exame.
Foi assim que Brenton descobriu um tumor de 4 centímetros na base do crânio. “Nós somos muito conectados e sempre conseguimos entender um ao outro, saber o que o outro está sentindo”, disse Craig ao programa de TV australiano “Nine News”. O tumor já foi removido e Brenton se recupera bem.
Para os dois, o caso reforça a importância de se estudar mais a fundo a relação entre irmãos gêmeos, em pesquisas como a de que eles fizeram parte.
G1
terça-feira, 15 de maio de 2012
USP vai desenvolver banco de células tronco
Uma equipe de 17 pesquisadores vai desenvolver na Universidade de São Paulo (USP) um banco de células-tronco de pluripotência induzida. São células adultas que são induzidas artificialmente para reproduzir a capacidade de formar qualquer tecido do corpo. Segundo a coordenadora do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias (Lance) da USP, Lygia Vieira Pereira, as primeiras pesquisas com o banco poderão começar a ser desenvolvidas em dois ou três anos. O sistema só deverá funcionar plenamente em aproximadamente cinco anos.
O banco será formado a partir de amostras de sangue coletadas pelo Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa). A iniciativa do Ministério da Saúde vai monitorar, com entrevistas e exames clínicos, a saúde de 15 mil pessoas ao longo de 30 anos para avaliar os fatores de risco de doenças crônicas.
Com isso, além das células de uma amostra significativa da população, estarão disponíveis dados clínicos relativos ao material. “Isso vai acabar servindo, em um futuro bem próximo, como uma população brasileira in vitro”, diz Lygia. “Então, no caso de uma nova droga, antes dela ser lançada, tem que ser testada na população brasileira para ver se ela é tóxica. A gente poderia antes de ir para as pessoas, testar nas células, na população brasileira in vitro”, exemplifica a pesquisadora.
Outra utilização, prevista por Lygia, diz respeito ao próprio estudo de como se desenvolvem as doenças crônicas. “A gente pega os dados clínicos dessas pessoas e vemos quantas têm depressão. Será que a gente consegue enxergar isso nas células delas? A gente conseguiria prever que essas pessoas teriam depressão?”diz.
Entre as dificuldades para a realização do projeto está a necessidade de se aperfeiçoar o processo para induzir a pluripotência nas células. “Isto é uma técnica que se você está pensando em fazer para poucas células é uma coisa tranquila, mas agora a gente tem que pensar em uma forma de fazer isso em um número grande de células. Então ai você tem que adaptar protocolos para trabalhar com um número grande de células”.
Agência Brasil
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Raciocínio lógico pode afetar fé em Deus, diz pesquisa
O "ministério da cultura" adverte: contemplar a escultura "O Pensador", do francês Auguste Rodin (1840-1917), pode fazer com que você fique menos religioso.
A frase soa como loucura, mas esse é um dos achados de um estudo que acaba de sair na revista "Science".
Trata-se, na verdade, de um caso particular de um fenômeno mais amplo: aparentemente, levar as pessoas a pensarem de modo mais "racional", por meio de influências sutis (como a exibição da célebre imagem do homem refletindo), reduz as tendências religiosas dos sujeitos.
A pesquisa é assinada por Ara Norenzayan e Will Gervais, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), que estão entre os mais destacados estudiosos da psicologia da religião.
Eles partiram de uma hipótese apoiada por outros estudos, segundo a qual pessoas religiosas preferem usar a intuição ao processar dados, enquanto os não religiosos usam o raciocínio detalhado.
Os religiosos, por exemplo, acabam caindo com mais facilidade em "pegadinhas" lógicas, independentemente de seu QI ou nível educacional.
A dupla de pesquisadores combinou esse dado com uma técnica comum de psicologia experimental, o chamado "priming", que envolve o uso de um estímulo prévio para "preparar" a mente do participante de forma a reagir de certa maneira.
Sabe-se que o "priming" funciona em contextos educacionais. Se alunos de uma escola da periferia leem, antes de uma prova de ciências, sobre garotos pobres que se tornaram grandes cientistas, tiram notas melhores.
No estudo canadense, dezenas de voluntários tinham de realizar tarefas, metade das quais poderia levar a um "priming" do pensamento analítico, enquanto a outra metade era neutra.
Sabe-se que até ler um texto com letras miúdas pode favorecer a ativação desse tipo de raciocínio.
Os voluntários que fizeram as tarefas "analíticas" tiveram menos propensão a se declarar religiosos depois.
Para os pesquisadores, um motivo possível para isso é que a religiosidade depende de processos mentais intuitivos, como detectar "personalidade" no mundo -mesmo em contextos inanimados, como a natureza, o que levaria à crença em deuses. O raciocínio analítico poderia bloquear isso.
Folha de SP
domingo, 29 de abril de 2012
Nasce ovelha geneticamente modificada por chineses para produzir apenas gordura saudável em sua carne
Os cientistas clonaram ovelhas com modificações genéticas para desenvolverem apenas boas gorduras.
Essas gorduras ditas saudáveis são encontradas naturalmente em peixes, sementes, nozes e verduras, reduzindo o risco de ataques cardíacos e doenças cardiovasculares.
A ovelha chamada de Peng Peng nasceu com 5,74 kg em um laboratório da região do extremo oeste da China, em Xinjiang. “A ovelha está crescendo muito bem e é muito saudável como qualquer ovelha normal”, comentou o cientista Du Yutao do Instituto de Genômica de Pequim (BGI) em Shenzhen, sul da China, em declaração a agência de notícias Reuters, publicada no portal britânico Daily Mail.
Du e seus colegas inseriram genes ligados á produção de ácidos graxos polinsaturados em uma célula retirada da orelha de um carneiro. A célula foi então inserida em um óvulo não fertilizado e implantado no útero de uma ovelha de aluguel.
“O gene foi originalmente introduzido em um tipo de verme, cujo nome científico é Caenorhabditis elegans para provar suas propriedades na produção de gordura saudável, sendo bom para a saúde humana”, comentou Du.
A China precisa alimentar 22% da população mundial, mas tem apenas 7% de terras aráveis, dedicando-se na exploração de tecnologias para aumentar a produção nacional de grãos, carnes e outros produtos alimentícios.
Mas há preocupações sobre a segurança de alimentos geneticamente modificados e levará alguns anos para que a carne de animais com genes modificados ganhe as prateleiras dos mercados chineses.
“O governo chinês encoraja projetos de transgênicos, mas precisamos ter melhores métodos e resultados para provar que plantas e animais transgênicos são inofensivos e seguros para o consumo, o que é crucial”, comentou o pesquisador.
Alguns grupos de defesa do meio ambiente dizem que isso é mais um passo para encarar a criação de animais apenas como uma simples mercadoria para os benefícios da indústria de alimentos ao redor do mundo.
“A modificação genética de animais é susceptível em altos índices de fracasso, assim como ocorre como as plantas, e isso pode ter implicações para o bem-estar do animal”, comentou Pete Riley, diretor de um grupo de defesa dos animais.
A grande questão é que já sabemos que mantendo uma dieta balanceada, evitando excessos e fazendo exercícios físicos regularmente, podemos evitar problemas cardíacos.
“Neste contexto modificar geneticamente ovelhas é simplesmente algo estúpido e o dinheiro poderia ser aplicado em programas de saúde pública destinado a todas as pessoas no planeta para terem acesso a uma dieta equilibrada”, comentou Pete.
Os Estados Unidos é líder mundial na produção de alimentos geneticamente modificados. Seu órgão de regulamentação, o FDA (com papel semelhante ao da ANVISA no Brasil) já aprovou a venda de alimentos provenientes de clones e seus descendentes, afirmando que os produtos são indistinguíveis dos animais não clonados.
A empresa AquaBounty, EUA, patenteou um salmão do Atlântico geneticamente modificado que consegue crescer em níveis assustadores e deve ser aprovado para venda e consumo ainda este ano no país.
Jornal Ciência
sexta-feira, 27 de abril de 2012
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