Pesquisar este blog
sexta-feira, 3 de julho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Morre Chris Squire, baixista e fundador da banda YES
Faleceu aos 67 anos neste Domingo (28), nos Estados Unidos o baixista e compositor Chris Squire, fundador de rock progressivo da banda Yes. Ele lutava desde maio contra um tipo raro de leucemia.
O músico esteve presente em todas as formações do grupo de rock progressivo. Seu último álbum com a banda se chama "Heaven and Earth". Squire também realizou trabalhos com outros músicos, como com o tecladista Rick Wakeman, amigo e parceiro o Yes.
O músico esteve presente em todas as formações do grupo de rock progressivo. Seu último álbum com a banda se chama "Heaven and Earth". Squire também realizou trabalhos com outros músicos, como com o tecladista Rick Wakeman, amigo e parceiro o Yes.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Morre o jornalista João Rural
Faleceu na madrugada desta terça (23) o historiador e jornalista João Evangelista de Faria, popularmente conhecido como "João Rural". Ele teve um infarto no hospital Pio XII ,de São José dos Campos.
Profundo conhecedor da cultura caipira e das comidas tópicas do Vale do Paraíba, ele administrava várias mídias sobre a cultura da região, como um site, DVDs e livros sobre culinária e até um romance, tendo a região do Vale como cenário.
sábado, 20 de junho de 2015
Resenha do filme "Jurassic World"
"Jurassic World- O Mundo dos Dinossauros" é o tipo de filme que faz referência ao original ("Jurassic Park", de 1993), agradando tanto novos fãs, que não conhecem a franquia quanto os que assistiram o primeiro, no referido ano. O diretor Colin Trevorrow respeita bastante o trabalho de Steven Spielberg, com uma dinâmica adequada para 2015.
No primeiro filme, o parque ainda não estava aberto. Agora, não só está como precisa constantemente de novas atrações, para manter o público interessado em conhecê-lo. Tudo é grandioso. Os lugares onde as pessoas podem passear próximas aos monstros pré-históricos, mini-fazendas de dinossauros para crianças etc.
Na história, dois irmãos são enviados para passar alguns dias no parque e acabam se perdendo. Os protagonistas Owen (ex-militar que reside na ilha e é uma espécie de domador de raptors) e Claire (chefe-de operações do parque e tia dos meninos) vão em busca deles e vivem um par amoroso.
Vàrios elementos do filme de 1993 estão lá, como quando os garotos encontram o centro de visitantes do filme original, ou quando um dos operadores do parque usa uma camiseta do Jurassic Park e até mesmo o Dr. Henry Wu, ex-geneticista do parque original, que desta vez criou Indominux Rex, um dinossauro criado em laboratório e que toca o terror nos visitantes do parque, causando uma série de problemas, como a liberação de vários pterossauros, que em uma cena digna de Hitchock, saem atormentando os inocentes visitantes do local.
Há vários momentos de empatia forte do público com os seres gigantes do filme, como quando os protagonistas chegam próximos a um brontossauro triste, machucado pelo dino vilão da história.
Há vários momentos de empatia forte do público com os seres gigantes do filme, como quando os protagonistas chegam próximos a um brontossauro triste, machucado pelo dino vilão da história.
Grandes questões ficam no ar: Há limites para a engenharia genética? Qual o limite da busca pelos lucros, em um negócio como este?
Hoje em dia, fala-se na possível resssurreição dos mamutes. Será que aconteceriam problemas, na reintrodução deles ao meio ambiente?
Outro cacoete que traz o filme original à tona é o personagem Vic Hoskins, que vê a oportunidade de ganhar dinheiro com usos militares dos Raptores e em um estranho conluio com o Dr. Wu.
Agora, o parque pertence a um empresário chamado Simon Masrani, que gosta de acompanhar de perto tudo o que o corre em seu empreendimento.
A trilha sonora de Michael Giacchino utiliza novamente os conhecidos acordes consagrados de John Williams, tornando a película mais ainda um misto de remake e continuação.
Já especulam, aliás, que haja outros filmes da franquia. Será que vai dar certo? O importante é que "Jurassic World" agrada tanto os novos e antigos fãs de dinossauros.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
O ouro de Pequim
Carta Capital
Depois de os militares tomarem o poder no Brasil em 1964, em cumprimento dos desígnios dos oligarcas, nove cidadãos da China comunista foram presos no Rio de Janeiro, torturados e condenados a dez anos de cadeia, acusados de subversão. Sete estavam aqui a negócios, empenhados em organizar uma exposição comercial e comprar algodão.
O grupo ficou encarcerado um ano e só foi solto após muita pressão internacional, como relata o livro O Caso dos Nove Chineses, lançado em 2014. O Brasil era então um dos países que mais cresciam no mundo e ignorava a atrasada nação comunista de Mao Tsé-tung. As coisas mudaram muito de lá para cá. Na virada dos anos 60 para os 70, as duas economias equivaliam-se no quesito participação no comércio internacional. Meio século depois, embora integrem o mesmo acrônimo, BRICS, sinônimo de países emergentes, existe um abismo entre elas.
Em 2015, a China tornou-se oficialmente a maior potência econômica do planeta. Em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou-a pela primeira vez à frente dos Estados Unidos, ao calcular o Produto Interno Bruto dos países com base na paridade de poder de compra, um método neutralizador de disparidades cambiais. Por esse critério, o PIB chinês no ano anterior somou 17,6 trilhões de dólares, ante 17,4 trilhões dos EUA.
Em sétimo no ranking, com 3,2 trilhões, o Brasil enxerga em um atrelamento à economia chinesa uma chance de sair do atoleiro. Para o presumível orgulho dos cinco chineses presos no passado e ainda vivos e apesar de o Partido Comunista ter decidido reduzir a marcha do crescimento interno e priorizar a qualidade de vida da população.
O ouro de Pequim é cobiçado por Dilma Rousseff como alternativa às desconfianças dos “mercados”, basicamente ocidentais, em relação à capacidade administrativa de seu governo e também para viabilizar obras de infraestrutura essenciais e investimentos industriais. A presidenta também mira uma agenda internacional mais ampla. Em junho irá a Washington encontrar-se com Barack Obama.
Em agosto, receberá Angela Merkel, premier alemã. De olho em matérias-primas para suas fábricas, alimentos para sua população e oportunidades de lucro para suas abundantes reservas de capital, a China dispõe-se a ajudar o país com quem selou sua primeira parceria estratégica, em 1974, e a quem vê como uma espécie de China do Oeste e um “gigante”, nas palavras de seu primeiro-ministro, Li Keqiang.
Por tudo isso, a visita do premier ao Brasil, etapa inicial de sua viagem pela América do Sul, só poderia terminar de uma maneira. Repetidas palavras de apreço mútuo, reiterados gestos de confiança recíproca e uma penca de acordos. Entre esses, um Plano de Ação Conjunta 2015-2021, assinado por Dilma e Keqiang e descrito pela brasileira como um evento que “inaugura uma etapa superior” na relação entre os dois países. Insuficiente, porém, para afastar todas as dúvidas sobre se o Brasil tem uma visão estratégica ao lidar com a neossuperpotência ou se apenas aproveita a circunstância para resolver assuntos imediatos.
Não falta apetite aos chineses. Nas tratativas que antecederam a chegada de Keqiang, os negociadores de Pequim entregaram aos brasileiros uma lista de 58 obras de infraestrutura, mineração e indústria que os interessam. A lista incluía previamente a empresa que poderia participar dos projetos e o orçamento das obras.
Um total de 53 bilhões de dólares, 3 bilhões referentes a empreitadas em curso e 50 bilhões, a planos novos. Ao mesmo tempo, ofereceram outros 50 bilhões de dólares do ICBC, banco industrial e comercial, dinheiro capaz de financiar as tais obras. Tudo resolvido? Nem tanto.
O Brasil tem uma Lei de Licitações, ao contrário da China comunista. E não tem uma estrutura estatal com tal preparo e capacidade de planejamento, também ao contrário dos orientais. O País terá de examinar a lista com cuidado, até para entender exatamente os projetos em questão, o estágio em que se encontram, sua aderência às prioridades brasileiras e as estimativas de custos.
Em Brasília, houve quem sentisse certa pressão para a lista de obras ser incluída nos acordos assinados pelos dois mandatários. A solução encontrada foi criar um comitê conjunto de prospecção de oportunidades de investimento nos dois países, não somente no Brasil. O governo brasileiro tem interesse em viabilizar a instalação de uma unidade da Marcopolo, fabricante de ônibus, em território chinês. A primeira reunião do grupo deve ocorrer em julho, na China.
Já a oferta de 50 bilhões de dólares em crédito do ICBC virou um entendimento com a Caixa Econômica Federal. Nos próximos dois meses, as duas instituições financeiras discutirão como o dinheiro será empregado. O destino parece certo: infraestrutura, especialmente o programa de concessões prometido para junho, além de habitação e agricultura. Mas o modo de aplicá-lo, não. A Caixa ficará com tudo ou vai direcionar parte ao setor privado, modelo mais ao gosto do ministro da Fazenda, Joaquim Levy?
Ao contrário do que esperava o Itamaraty, o banco dos BRICS despontou nas conversas entre Dilma e Keqiang. Segundo a brasileira, os dois países esperam avanços concretos na próxima reunião de cúpula dos emergentes, em julho, na Rússia. Concebido para concorrer com os filhotes de Bretton Woods, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, a instituição foi anunciada no ano passado.
A proposta foi ratificada nos Parlamentos chinês, russo e indiano. O governo brasileiro espera que o aval ocorra até o fim do semestre, a tempo de Dilma levar a notícia à reunião do grupo na Rússia. Na terra de Vladimir Putin deve ser ratificada a direção do banco, sediado em Xangai. O primeiro presidente será o indiano Kundapur Kamath. O representante brasileiro, provavelmente nomeado para uma das vice-presidências, será o economista Paulo Nogueira Batista Junior, há 12 anos no FMI, do qual é um conhecido crítico.
Batista Junior igualmente critica a postura do Brasil nas discussões para a criação do banco dos BRICS, iniciadas em 2012. Os negociadores indicados pelo Ministério da Fazenda, acredita, não estariam à altura do desafio. O economista reclama da opção brasileira de não disputar a sede da instituição, o que poderia ter sido usado como moeda de troca em outros temas. Queixa-se da postura do Banco Central brasileiro nas negociações do Acordo Contingente de Reservas.
O ACR será um hospital financeiro para países em crise. Não terá, presume-se, o gosto do FMI por remédios ortodoxos amargos. Segundo Batista Junior, o BC brasileiro, a quem coube coordenar a modelagem do ACR, tentou sabotar a iniciativa, sob o argumento de não comprometer suas reservas em dólares. Tamanha seria a soberba do BC que o economista costuma se referir à instituição como “sexto BRIC”.
Detalhes à parte, o cardápio de 35 acordos selados é variado. Fabricantes chinesas de celulares uniram-se a operadoras de telefonia atuantes no Brasil para pesquisas e negócios. A parceria na fabricação de um satélite sino-brasileiro de monitoramento ambiental foi renovada, com a decisão de produzir nova versão do CBERS. Um banco chinês anunciou a compra de 80% do brasileiro BBM, o que fará a China estrear neste setor no País. Haverá mais alunos do programa Ciência sem Fronteiras nas universidades daquele país. O primeiro contrato de venda de jatos da Embraer para a Tianjin, um lote de 22 unidades com preço estimado em 1,1 bilhão de dólares, foi enfim assinado. Houve até um acordo para fomentar o pingue-pongue e o badminton.
Uma das iniciativas mais vistosas foi, porém, a decisão de um estudo de viabilidade de uma ferrovia que saia do Brasil, cruze o Peru e chegue ao Pacífico. É um projeto imponente, estimado em 10 bilhões de dólares. Os estudos serão pagos pelos chineses e ficarão prontos em um ano. O Brasil será responsável pelas análises ambientais. Keqiang firmaria o mesmo acordo com o presidente do Peru, Ollanta Humala, ao passar por Lima entre os dias 22 e 24. Para os chineses, a Transoceânica baratearia a importação de alimentos e ferro produzidos no Brasil. A uma plateia de empresários dos dois países, Dilma classificou a obra como uma “logística bastante desafiadora” e um marco na logística nacional e nas relações com a China.
O embargo à carne brasileira imposto pela China em 2012, por suspeitas de mal da vaca louca no Paraná, também foi derrubado. Diversos acenos haviam sido feitos, mas só agora, na visita de Keqiang, a decisão materializou-se. A partir da segunda-feira 25, oito frigoríficos que exportavam até o embargo retomam os embarques e há outros nove na fila para receber a certificação chinesa. Curiosidade: no almoço no Itamaraty entre as autoridades das duas nações, o prato principal era carne bovina. Keqiang, 59 anos, bacharel em Direito, fluente em inglês, gostou tanto do prato que resolveu deixar de lado o discurso escrito que havia preparado e falar de improviso no tradicional brinde celebrado entre os chefes de governo nestas ocasiões.
Duas das maiores empresas brasileiras mereceram um capítulo à parte na passagem do premier chinês por Brasília. Desgastada pela Operação Lava Jato, com problemas contábeis decorrentes de corrupção, a Petrobras arrumou 7 bilhões de dólares emprestados. Um providencial alívio financeiro e uma demonstração de força para quem há três meses tinha sido rebaixada em seu rating pela Moody’s, uma das principais agências de risco. Não foi só. O presidente da estatal, Aldemir Bendine, fechou com o ICBC um acordo de relacionamento de longo prazo, um sinal de que, no aperto, a Petrobras poderá contar com respaldo chinês por um bom tempo.
A Vale é outra beneficiada. Keqiang garantiu que seu país será um importador de longo prazo de minério de ferro, uma forma de indicar que a mineradora manterá um cliente cativo. Não é a primeira vez que o futuro da empresa se atrela de tal modo aos rumos de uma nação asiática. No início dos anos 60, sob o comando de Eliezer Batista, a Vale fez do Japão seu esteio. Batista enxergou uma oportunidade de expandir os negócios a partir da reconstrução do parque siderúrgico japonês no pós-Guerra. O plano levaria à construção de portos nos dois países, induziria à invenção dos chamados navios-graneleiros (na volta do Japão, eles paravam no Golfo Pérsico para trazer petróleo) e contratos de venda de minérios por 15 anos.
Agora, além da promessa de compras futuras, a mineradora obteve mais 4 bilhões de dólares do ICBC. “Para nós, é importante cada vez mais encorpar o relacionamento com a China”, afirma o presidente da Vale, Murilo Ferreira, impressionado com o interesse dos parceiros. “Os chineses estão mesmo decididos a dar um grande apoio no setor de infraestrutura e a alguns setores produtivos.”
Em companhia da comitiva oficial, desembarcou no Brasil uma delegação de cerca de 200 empresários, de áreas diversas como bancos, fabricantes de máquinas e equipamentos e empreiteiras. Perto de 25% pertenciam ao setor privado, proporção incomum nesse tipo de viagem.
O Brasil desconhecia o tamanho da delegação até poucos dias antes da visita, razão de certo corre-corre para mobilizar empresários brasileiros para reuniões com os colegas. Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, o embaixador Sergio Amaral vê um “ponto de inflexão” na relação entre os países. “Passamos de uma presença chinesa mais pontual para uma mais orgânica. No setor produtivo, torna-se mais ampla e diversificada.”
A visita das empreiteiras chama atenção em especial por causa do momento em que o País discute se sobrará alguma companhia nacional capaz de tocar as grandes obras de concessão planejadas pelo governo, dado o estrago provocado pelas investigações da Lava Jato. Chineses do ramo bateram à porta de vários ministérios em Brasília, interessados em entender as regras do País, incluída a Lei de Licitações, inexistente na África, laboratório da expansão internacional dessas companhias. Segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Claudio Puty, o setor vai passar por uma forte reorganização societária, por força da Lava Jato, e os chineses talvez participem ativamente desse processo.
A generosidade financeira demonstrada pela China tem duas explicações, diz o secretário. A primeira é que sobra dinheiro por lá. Graças às exportações na última década, a China tornou-se a maior reserva de dólares do planeta. Cerca de 4 trilhões, cifra equivalente ao PIB do Mercosul. Esta montanha de recursos permite ao país comprar sem limites títulos públicos dos EUA, o que faz de Pequim o maior credor de Washington.
O outro motivo é a desaceleração da economia global desde a crise de 2008. Não há tantas oportunidades de investimento no mundo rico. “Hoje é vantajoso investir no Brasil e na América Latina e existe, claro, interesse chinês também em ter acesso às nossas commodities”, afirma Puty. “Mas a presença da China não deve nos espantar e nos permite ter relações mais qualificadas com outros países industrializados.”
Não deveria espantar, mas servir de alerta, a bem dos interesses do Brasil. Secretário-geral do Itamaraty no governo Lula, o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães diz que, no geral, o conteúdo dos acordos parece satisfatório, com iniciativas no setor industrial e em infraestrutura, áreas mais valiosas, não somente em commodities. Em um momento em que o Brasil sofre contestações por parte do “mercado”, a disposição da China de investir no Brasil seria significativa e ajudaria a desfazer certas suspeitas. Mas o embaixador vê também motivos para preocupações, o que deveria levar o Brasil a definir melhor suas posições.
Segundo ele, a emergência da nação asiática como maior potência econômica representaria um desafio ao Brasil, ao Mercosul e à América Latina. Sem ação dos governos locais, a tendência é a relação dos chineses com a região se dar em bases indesejadas: eles compram nossas matérias-primas e exportam seus artigos manufaturados. É nesses termos que ela se tornou nossa maior parceira comercial, absorvendo 18% das nossas exportações. “Seria de extraordinária importância a celebração de acordos de comércio e investimento industrial com a China para o processamento das matérias-primas aqui, em conjunto com garantia de acesso lá, em um sistema de cotas.”
Ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e estudioso da história do desenvolvimento econômico, Marcio Pochmann concorda. Os chineses, compara, lembram os ingleses do século XIX. Berço da Revolução Industrial, a Inglaterra acumulou capital e saiu pelo mundo em busca de matérias-primas, inclusive com o financiamento de infraestrutura. O economista acredita que a América do Sul se arrisca a estabelecer uma relação de “trocas desiguais” com a China. De um ano para cá, lembra, a Venezuela e a Argentina correram atrás de capitais chineses para resolver problemas internos.
A primeira levou 20 bilhões de dólares e a segunda, 18 bilhões. Agora é a vez do Brasil. “A relação com a China é uma grande oportunidade, mas será que existe uma estratégia brasileira por trás disso ou é só por uma escassez de moeda?” E acrescenta: “Sem uma visão estratégica, será uma adesão passiva à China. E até agora eu não vi uma explicação estratégica por parte do governo”.
Em resumo: o Brasil corre o risco de trocar de colonizador mais uma vez. Depois de portugueses, ingleses e norte-americanos, teria chegado a hora dos chineses?
Depois de os militares tomarem o poder no Brasil em 1964, em cumprimento dos desígnios dos oligarcas, nove cidadãos da China comunista foram presos no Rio de Janeiro, torturados e condenados a dez anos de cadeia, acusados de subversão. Sete estavam aqui a negócios, empenhados em organizar uma exposição comercial e comprar algodão.
O grupo ficou encarcerado um ano e só foi solto após muita pressão internacional, como relata o livro O Caso dos Nove Chineses, lançado em 2014. O Brasil era então um dos países que mais cresciam no mundo e ignorava a atrasada nação comunista de Mao Tsé-tung. As coisas mudaram muito de lá para cá. Na virada dos anos 60 para os 70, as duas economias equivaliam-se no quesito participação no comércio internacional. Meio século depois, embora integrem o mesmo acrônimo, BRICS, sinônimo de países emergentes, existe um abismo entre elas.
Em 2015, a China tornou-se oficialmente a maior potência econômica do planeta. Em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou-a pela primeira vez à frente dos Estados Unidos, ao calcular o Produto Interno Bruto dos países com base na paridade de poder de compra, um método neutralizador de disparidades cambiais. Por esse critério, o PIB chinês no ano anterior somou 17,6 trilhões de dólares, ante 17,4 trilhões dos EUA.
Em sétimo no ranking, com 3,2 trilhões, o Brasil enxerga em um atrelamento à economia chinesa uma chance de sair do atoleiro. Para o presumível orgulho dos cinco chineses presos no passado e ainda vivos e apesar de o Partido Comunista ter decidido reduzir a marcha do crescimento interno e priorizar a qualidade de vida da população.
O ouro de Pequim é cobiçado por Dilma Rousseff como alternativa às desconfianças dos “mercados”, basicamente ocidentais, em relação à capacidade administrativa de seu governo e também para viabilizar obras de infraestrutura essenciais e investimentos industriais. A presidenta também mira uma agenda internacional mais ampla. Em junho irá a Washington encontrar-se com Barack Obama.
Em agosto, receberá Angela Merkel, premier alemã. De olho em matérias-primas para suas fábricas, alimentos para sua população e oportunidades de lucro para suas abundantes reservas de capital, a China dispõe-se a ajudar o país com quem selou sua primeira parceria estratégica, em 1974, e a quem vê como uma espécie de China do Oeste e um “gigante”, nas palavras de seu primeiro-ministro, Li Keqiang.
Por tudo isso, a visita do premier ao Brasil, etapa inicial de sua viagem pela América do Sul, só poderia terminar de uma maneira. Repetidas palavras de apreço mútuo, reiterados gestos de confiança recíproca e uma penca de acordos. Entre esses, um Plano de Ação Conjunta 2015-2021, assinado por Dilma e Keqiang e descrito pela brasileira como um evento que “inaugura uma etapa superior” na relação entre os dois países. Insuficiente, porém, para afastar todas as dúvidas sobre se o Brasil tem uma visão estratégica ao lidar com a neossuperpotência ou se apenas aproveita a circunstância para resolver assuntos imediatos.
Não falta apetite aos chineses. Nas tratativas que antecederam a chegada de Keqiang, os negociadores de Pequim entregaram aos brasileiros uma lista de 58 obras de infraestrutura, mineração e indústria que os interessam. A lista incluía previamente a empresa que poderia participar dos projetos e o orçamento das obras.
Um total de 53 bilhões de dólares, 3 bilhões referentes a empreitadas em curso e 50 bilhões, a planos novos. Ao mesmo tempo, ofereceram outros 50 bilhões de dólares do ICBC, banco industrial e comercial, dinheiro capaz de financiar as tais obras. Tudo resolvido? Nem tanto.
O Brasil tem uma Lei de Licitações, ao contrário da China comunista. E não tem uma estrutura estatal com tal preparo e capacidade de planejamento, também ao contrário dos orientais. O País terá de examinar a lista com cuidado, até para entender exatamente os projetos em questão, o estágio em que se encontram, sua aderência às prioridades brasileiras e as estimativas de custos.
Em Brasília, houve quem sentisse certa pressão para a lista de obras ser incluída nos acordos assinados pelos dois mandatários. A solução encontrada foi criar um comitê conjunto de prospecção de oportunidades de investimento nos dois países, não somente no Brasil. O governo brasileiro tem interesse em viabilizar a instalação de uma unidade da Marcopolo, fabricante de ônibus, em território chinês. A primeira reunião do grupo deve ocorrer em julho, na China.
Já a oferta de 50 bilhões de dólares em crédito do ICBC virou um entendimento com a Caixa Econômica Federal. Nos próximos dois meses, as duas instituições financeiras discutirão como o dinheiro será empregado. O destino parece certo: infraestrutura, especialmente o programa de concessões prometido para junho, além de habitação e agricultura. Mas o modo de aplicá-lo, não. A Caixa ficará com tudo ou vai direcionar parte ao setor privado, modelo mais ao gosto do ministro da Fazenda, Joaquim Levy?
Ao contrário do que esperava o Itamaraty, o banco dos BRICS despontou nas conversas entre Dilma e Keqiang. Segundo a brasileira, os dois países esperam avanços concretos na próxima reunião de cúpula dos emergentes, em julho, na Rússia. Concebido para concorrer com os filhotes de Bretton Woods, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, a instituição foi anunciada no ano passado.
A proposta foi ratificada nos Parlamentos chinês, russo e indiano. O governo brasileiro espera que o aval ocorra até o fim do semestre, a tempo de Dilma levar a notícia à reunião do grupo na Rússia. Na terra de Vladimir Putin deve ser ratificada a direção do banco, sediado em Xangai. O primeiro presidente será o indiano Kundapur Kamath. O representante brasileiro, provavelmente nomeado para uma das vice-presidências, será o economista Paulo Nogueira Batista Junior, há 12 anos no FMI, do qual é um conhecido crítico.
Batista Junior igualmente critica a postura do Brasil nas discussões para a criação do banco dos BRICS, iniciadas em 2012. Os negociadores indicados pelo Ministério da Fazenda, acredita, não estariam à altura do desafio. O economista reclama da opção brasileira de não disputar a sede da instituição, o que poderia ter sido usado como moeda de troca em outros temas. Queixa-se da postura do Banco Central brasileiro nas negociações do Acordo Contingente de Reservas.
O ACR será um hospital financeiro para países em crise. Não terá, presume-se, o gosto do FMI por remédios ortodoxos amargos. Segundo Batista Junior, o BC brasileiro, a quem coube coordenar a modelagem do ACR, tentou sabotar a iniciativa, sob o argumento de não comprometer suas reservas em dólares. Tamanha seria a soberba do BC que o economista costuma se referir à instituição como “sexto BRIC”.
Detalhes à parte, o cardápio de 35 acordos selados é variado. Fabricantes chinesas de celulares uniram-se a operadoras de telefonia atuantes no Brasil para pesquisas e negócios. A parceria na fabricação de um satélite sino-brasileiro de monitoramento ambiental foi renovada, com a decisão de produzir nova versão do CBERS. Um banco chinês anunciou a compra de 80% do brasileiro BBM, o que fará a China estrear neste setor no País. Haverá mais alunos do programa Ciência sem Fronteiras nas universidades daquele país. O primeiro contrato de venda de jatos da Embraer para a Tianjin, um lote de 22 unidades com preço estimado em 1,1 bilhão de dólares, foi enfim assinado. Houve até um acordo para fomentar o pingue-pongue e o badminton.
Uma das iniciativas mais vistosas foi, porém, a decisão de um estudo de viabilidade de uma ferrovia que saia do Brasil, cruze o Peru e chegue ao Pacífico. É um projeto imponente, estimado em 10 bilhões de dólares. Os estudos serão pagos pelos chineses e ficarão prontos em um ano. O Brasil será responsável pelas análises ambientais. Keqiang firmaria o mesmo acordo com o presidente do Peru, Ollanta Humala, ao passar por Lima entre os dias 22 e 24. Para os chineses, a Transoceânica baratearia a importação de alimentos e ferro produzidos no Brasil. A uma plateia de empresários dos dois países, Dilma classificou a obra como uma “logística bastante desafiadora” e um marco na logística nacional e nas relações com a China.
O embargo à carne brasileira imposto pela China em 2012, por suspeitas de mal da vaca louca no Paraná, também foi derrubado. Diversos acenos haviam sido feitos, mas só agora, na visita de Keqiang, a decisão materializou-se. A partir da segunda-feira 25, oito frigoríficos que exportavam até o embargo retomam os embarques e há outros nove na fila para receber a certificação chinesa. Curiosidade: no almoço no Itamaraty entre as autoridades das duas nações, o prato principal era carne bovina. Keqiang, 59 anos, bacharel em Direito, fluente em inglês, gostou tanto do prato que resolveu deixar de lado o discurso escrito que havia preparado e falar de improviso no tradicional brinde celebrado entre os chefes de governo nestas ocasiões.
Duas das maiores empresas brasileiras mereceram um capítulo à parte na passagem do premier chinês por Brasília. Desgastada pela Operação Lava Jato, com problemas contábeis decorrentes de corrupção, a Petrobras arrumou 7 bilhões de dólares emprestados. Um providencial alívio financeiro e uma demonstração de força para quem há três meses tinha sido rebaixada em seu rating pela Moody’s, uma das principais agências de risco. Não foi só. O presidente da estatal, Aldemir Bendine, fechou com o ICBC um acordo de relacionamento de longo prazo, um sinal de que, no aperto, a Petrobras poderá contar com respaldo chinês por um bom tempo.
A Vale é outra beneficiada. Keqiang garantiu que seu país será um importador de longo prazo de minério de ferro, uma forma de indicar que a mineradora manterá um cliente cativo. Não é a primeira vez que o futuro da empresa se atrela de tal modo aos rumos de uma nação asiática. No início dos anos 60, sob o comando de Eliezer Batista, a Vale fez do Japão seu esteio. Batista enxergou uma oportunidade de expandir os negócios a partir da reconstrução do parque siderúrgico japonês no pós-Guerra. O plano levaria à construção de portos nos dois países, induziria à invenção dos chamados navios-graneleiros (na volta do Japão, eles paravam no Golfo Pérsico para trazer petróleo) e contratos de venda de minérios por 15 anos.
Agora, além da promessa de compras futuras, a mineradora obteve mais 4 bilhões de dólares do ICBC. “Para nós, é importante cada vez mais encorpar o relacionamento com a China”, afirma o presidente da Vale, Murilo Ferreira, impressionado com o interesse dos parceiros. “Os chineses estão mesmo decididos a dar um grande apoio no setor de infraestrutura e a alguns setores produtivos.”
Em companhia da comitiva oficial, desembarcou no Brasil uma delegação de cerca de 200 empresários, de áreas diversas como bancos, fabricantes de máquinas e equipamentos e empreiteiras. Perto de 25% pertenciam ao setor privado, proporção incomum nesse tipo de viagem.
O Brasil desconhecia o tamanho da delegação até poucos dias antes da visita, razão de certo corre-corre para mobilizar empresários brasileiros para reuniões com os colegas. Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, o embaixador Sergio Amaral vê um “ponto de inflexão” na relação entre os países. “Passamos de uma presença chinesa mais pontual para uma mais orgânica. No setor produtivo, torna-se mais ampla e diversificada.”
A visita das empreiteiras chama atenção em especial por causa do momento em que o País discute se sobrará alguma companhia nacional capaz de tocar as grandes obras de concessão planejadas pelo governo, dado o estrago provocado pelas investigações da Lava Jato. Chineses do ramo bateram à porta de vários ministérios em Brasília, interessados em entender as regras do País, incluída a Lei de Licitações, inexistente na África, laboratório da expansão internacional dessas companhias. Segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Claudio Puty, o setor vai passar por uma forte reorganização societária, por força da Lava Jato, e os chineses talvez participem ativamente desse processo.
A generosidade financeira demonstrada pela China tem duas explicações, diz o secretário. A primeira é que sobra dinheiro por lá. Graças às exportações na última década, a China tornou-se a maior reserva de dólares do planeta. Cerca de 4 trilhões, cifra equivalente ao PIB do Mercosul. Esta montanha de recursos permite ao país comprar sem limites títulos públicos dos EUA, o que faz de Pequim o maior credor de Washington.
O outro motivo é a desaceleração da economia global desde a crise de 2008. Não há tantas oportunidades de investimento no mundo rico. “Hoje é vantajoso investir no Brasil e na América Latina e existe, claro, interesse chinês também em ter acesso às nossas commodities”, afirma Puty. “Mas a presença da China não deve nos espantar e nos permite ter relações mais qualificadas com outros países industrializados.”
Não deveria espantar, mas servir de alerta, a bem dos interesses do Brasil. Secretário-geral do Itamaraty no governo Lula, o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães diz que, no geral, o conteúdo dos acordos parece satisfatório, com iniciativas no setor industrial e em infraestrutura, áreas mais valiosas, não somente em commodities. Em um momento em que o Brasil sofre contestações por parte do “mercado”, a disposição da China de investir no Brasil seria significativa e ajudaria a desfazer certas suspeitas. Mas o embaixador vê também motivos para preocupações, o que deveria levar o Brasil a definir melhor suas posições.
Segundo ele, a emergência da nação asiática como maior potência econômica representaria um desafio ao Brasil, ao Mercosul e à América Latina. Sem ação dos governos locais, a tendência é a relação dos chineses com a região se dar em bases indesejadas: eles compram nossas matérias-primas e exportam seus artigos manufaturados. É nesses termos que ela se tornou nossa maior parceira comercial, absorvendo 18% das nossas exportações. “Seria de extraordinária importância a celebração de acordos de comércio e investimento industrial com a China para o processamento das matérias-primas aqui, em conjunto com garantia de acesso lá, em um sistema de cotas.”
Ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e estudioso da história do desenvolvimento econômico, Marcio Pochmann concorda. Os chineses, compara, lembram os ingleses do século XIX. Berço da Revolução Industrial, a Inglaterra acumulou capital e saiu pelo mundo em busca de matérias-primas, inclusive com o financiamento de infraestrutura. O economista acredita que a América do Sul se arrisca a estabelecer uma relação de “trocas desiguais” com a China. De um ano para cá, lembra, a Venezuela e a Argentina correram atrás de capitais chineses para resolver problemas internos.
A primeira levou 20 bilhões de dólares e a segunda, 18 bilhões. Agora é a vez do Brasil. “A relação com a China é uma grande oportunidade, mas será que existe uma estratégia brasileira por trás disso ou é só por uma escassez de moeda?” E acrescenta: “Sem uma visão estratégica, será uma adesão passiva à China. E até agora eu não vi uma explicação estratégica por parte do governo”.
Em resumo: o Brasil corre o risco de trocar de colonizador mais uma vez. Depois de portugueses, ingleses e norte-americanos, teria chegado a hora dos chineses?
domingo, 31 de maio de 2015
O uso de plantas medicinais pode fazer mal?
O mastruz
Eliane Evanovich- mestra em Ciências Biológicas - Universidade Federal do Pará
As primeiras escrituras sobre o uso de plantas medicinais data de cerca de 3700 a.C da China. Relatos sumérios, egípcios, hindus e de populações pré-colombianas também são clássicos sobre o uso de extratos de plantas para diferentes fins. No Brasil, por contarmos com uma enorme diversidade botânica e origem multiética, o uso de plantas medicinais está diretamente atrelada à nossa cultura. Atualmente, os conhecimentos etnofarmacológicos extraídos de povos amazônicos por cientistas, principalmente estrangeiros, auxiliam na aquisição de informações necessárias para o desenvolvimento de novos medicamentos a partir de substâncias extraídas de plantas locais. Esses povos muitas vezes sabem qual planta deverá ser usada para tratar determinada moléstia e qual a dose aproximadamente necessária. Apesar de ser um conhecimento passado de geração a geração será que muitas dessas plantas não causariam mais problemas ao leigo que as usam do que soluções?
Quando preparo um determinado chá de planta X para tratar um problema Y, sei mesmo qual a quantidade apropriada para 1 litro de água?
Sabemos a veracidade da popular frase de Paracelso: "A diferença entre um remédio e um veneno está só na dosagem” quando lemos as bulas de medicamentos e percebemos os efeitos colaterais, interações medicamentosas e as consequências de uma superdosagem. Mas, remédios extraídos da natureza seriam capazes de causar tais reações? Ah, sempre ouvimos dizer que é tudo natural é bom, e se bem não fizer, mal não poderá causar! Será?
Uma importante informação que os cientistas que fazem pesquisas de etnofarmacologia sabem, mas poucos povos da floresta entrevistados conhecem, é que uma mesma planta pode apresentar vários princípios ativos - alguns com efeito medicinal e outros tóxicos (muitas vezes letal). Desta forma, ao usar um chá de uma planta como anestésico poderei ao mesmo tempo consumir outra substância que mata minhas células hepáticas.
Afinal, para que a preocupação em escrever essa matéria?
A preocupação está em ver centenas de páginas no Brasil que estimulam o uso de plantas medicinais comprovadamente tóxicas. Algumas dessas até sugerem o uso para tratamento do "Câncer" (como se este fosse somente uma doença e não várias com diferentes causas). Não podemos afirmar que certa planta de fato não possui o princípio ativo que irá auxiliar na busca e desenvolvimento de tratamentos para conter o crescimento de células tumorais. Seria pretensão afirmar isso, mas também é um ato pretensioso e perigoso dizer que certo tratamento natural terá um poder curativo sobre um problema letal como câncer (nesse momento generalizo câncer como crescimento descontrolado de um determinado tipo celular).
Alguns exemplos do uso indiscriminado e danoso de plantas é o confrei (Symphytum officinale) - planta usada normalmente como cicatrizante (para uso externo) ou em forma de chá. O uso dessa planta exótica extremamente usada pelo mundo é responsável por algumas mortes por hepatite tóxica, sendo, portanto o uso caseiro condenado pela Organização Mundial de Saúde nas últimas décadas (MAGNABOSCO et al., 1997; TANIGUCHI et al., 2002). Apesar dessa proibição, em pesquisas no google, ainda encontramos inúmeras páginas nacionais de medicina alternativa que indicam o uso desta planta. Fígados e rins em geral são os órgãos mais afetados pelo uso indiscriminado de plantas medicinais por causa da presença de substâncias como safrol, ligninas, alcalóides pirrolizidínicos (também com potencial carcinogênico), terpenos e saponinas.
O mastruz (Chenopodium ambrosioides), extremamente disseminado em nossa cultura no tratamento humano e de animais domésticos como antifúngico, antibactericida, anti-helmíntico, cicatrizante, anestésico, etc., com múltiplas funções na "medicina popular" dispõe de doze princípios ativos que servem para muitos tratamentos, incluindo os citados acima, mas também apresenta terpenos e saponinas, substâncias não isoladas no uso comum, sendo os efeitos tóxicos inevitáveis 1.
A trombeteira (Brugmansia suaveolens), planta ornamental normalmente utilizada na forma de chá (das flores) ou cigarro para uso antiasmático, anticonvulsional, cardiotônico e narcótico, apresenta dezenas de substâncias ativas, dentre elas alucinógenos que causam uma lista gigantesca de efeitos colaterais, como náuseas, vômito, mudança comportamental, retenção urinária, redução dos reflexos, hipotermia, alteração do controle hidroeletrolítico, etc. Portanto, os efeitos neurológicos da planta são claros. E antes que alguém se empolgue com seu uso experimental, trabalhos com ratos revelaram efeito neurotóxico e promotor de estresse oxidativo, afetando várias regiões cerebrais que coordenam a capacidade cognitiva (Dickel et al., 2010).
A trombeteira
Arruda (Ruta graveolens), planta aromática usada desde a Grécia antiga para diferentes males inclusive o "mau-olhado" e energia negativa é comumente usado como anestésica, anti-helmíntica, antibactericida, calmante, etc. Os perigos de seu uso são tão evidentes que mesmos as páginas e livros que a indicam para tratamento de doenças pedem prudência em seu uso devido os inúmeros efeitos colaterais como hemorragias uterinas, aborto e até morte. Segundo Ritter et al. (2002), a arruda apresenta alcaloides que estimulam as contrações uterinas resultando em aborto. De Freitas et al. (2005) observou a morte de fetos de camundongos após o tratamento de fêmeas grávidas com a arruda, assim, estes autores sugerem evitar o uso de qualquer planta medicinal durante a gestação. A presença de substâncias fotossensíveis também causa queimaduras e lesões cutâneas. Portanto, o uso desta planta precisa de cautela.
Outras plantas que também possuem afeito abortivo e potencial efeito teratogênico são o boldo-do-chile (Peumus boldus Molina), falso boldo (Plectranthus barbatus Andr. Benth), Buchinha-do-norte ou cabacinha (Luffa operculata L. Cogn.) e Losna (Artemisia absinthium L.) (Costa et al., 2004). Esses são apenas alguns exemplos, muitos outros poderiam ser citados.
Na França durante a década de 90 vários casos de hepatite foram relatados devido ao uso de cápsulas de têucrio (Teucrium chamaedrys) - medicamente usado normalmente para emagrecer. Outros casos similares foram observados no norte do Brasil decorrentes do uso de sacaca (Croton cajucara Benth), planta usada no tratamento de emagrecimento e males intestinais2.
Quando fazemos pesquisas mais minuciosas verificamos que intoxicações por plantas são comuns, principalmente por superdosagem ou metabolização daquelas substâncias indesejadas citadas acima (não isoladas nos preparos caseiros). E por isso poderia discorrer durante mais linhas sobre a toxicidade já comprovada de várias plantas medicinais em humanos, animais domésticos ou cobaias, mas não é esse o meu objetivo. Apenas peço cautela e tento alertar para os inúmeros riscos associados a um hábito tão comum em nossa cultura, mas que pode ser letal.
Referências Bibliográficas
Costa KCS, Bezerra SB, Norte, CM, et al. Medicinal plants with teratogenic potential: current considerations. Braz. J. Pharm. Sci. vol.48 no.3 São Paulo July/Sept. 2012.
De Freitas, TG.; Augusto, P.; Montanari, T. Effect of Ruta graveolens L. on pregnant mice. Contraception, v.71, n.1, p.74-77, 2005.
Dickel et al. Efeitos comportamentais e neurotóxicos do extrato aquoso de Brugmansia suaveolens em ratos. Rev. Bras. Farm., 91(4): 189-99. 2010.
Magnabosco M.; Rivera m. L.; Prolla i. R.; de Verney y. M.; de Mello e. S. Hepatic veno-oclusive disease: report of case, Journal of Pediatrics, Nova York, v. 73, n. 2, p. 115-118, 1997.
Taniguchi, A. N. R.; Ccélia, Vieira, S. M.; Ferreira, C. T.; Zaffonatto et al. Relato de caso – Doença veno-oclusiva induzida por chá de Senecio brasiliensis. 2002.
Link Consultado:
1 http://www.ansci.cornell.edu/plants/medicinal/epazote.html
2 http://www1.unimed.com.br/nacional/bom_dia/saude_destaque.asp?nt=13337
Comentário:
Excelente artigo, que serve para alertar quem confia cegamente em páginas do Facebook como "Cura pela natureza" e dá credibilidade a sites que garantem que determinados chás curam várias doenças. Consulte sempre um médico antes de acreditar em curas naturais, indicadas na internet.
Tossir durante um infarto NÃO SALVA ninguém
Boato – Sabe como sobreviver a um ataque cardíaco? É só tossir repetidamente e com força pode salvar vida durante infarto.
A “TV Revolta” foi a página do Facebook, no Brasil com maior crescimento durante a semana do dia 9 até 16 de maio. O sucesso da página pode ser atribuído a alguns motivos como entrar constantemente em assuntos polêmicos e discursos políticos contra o Governo Federal. É o que diz o blog Pragmatismo Político.
Com uma rápida passagem pela página, é possível encontrar mensagens de caráter, no mínimo, questionável. Seria verdade todas as informações que a TV Revolta divulga? Não vamos falar de política nesta postagem, mas sim de outra informação.
Em postagem do dia 14 de março, a página divulga uma dica para salvar vidas durante um possível infarto. De acordo com a imagem, se você estiver sozinho, basta tossir repetidamente a cada dois segundo sem parar. Segundo a TV Revolta, os movimentos realizados ao tossir bombeiam sangue para o coração, assim o sangue continua circulando. Confira o texto na íntegra abaixo:
Como sobreviver a um infarto se você está sozinho! Compartilhe com os seus amigos!
“Os cardiologistas dizem que se todos que leem isso compartilharem com outras 10 pessoas, você pode ter certeza que estará salvando uma vida.. COMPARTILHE! SALVE UMA VIDA! Muitas pessoas estão sozinhas quando infartam. Sem ajuda, a pessoa cujo coração está batendo irregularmente começa a sentir-se fraca, e tem apenas 10 segundos antes de desmaiar. Entretanto, estas vítimas podem se ajudar tossindo repetidamente com bastante força! Você deve respirar bem fundo antes de cada tossida e a tosse deve ser forte e prolongada, vindo do fundo do peito. Uma inspiração e uma tosse devem ser repetidas a cada 2 segundos sem parar, até que chegue ajuda, ou que você sinta que o coração está batendo normalmente. As inspirações profundas trazem oxigênio para os pulmões e os movimentos de tossir bombeiam o coração e mantém o sangue circulando. Essa pressão no coração também faz com que ele volte a bater normalmente e dessa maneira a vítima tem tempo de chegar à um hospital. Compartilhe isso com o maior número de pessoas! Você pode estar salvando suas vidas!”
Esse tipo de boato é aquele clássico caso de lenda sobre saúde muito dificilmente de ser comprovada empiricamente. Afinal, ela só pode ser testada se você está sofrendo um ataque cardíaco. Mas saiba que a história não passa de um antigo boato que circula online.
A “técnica” de tossir para evitar um infarto é um antigo boato que circula na Internet. Ele surgiu por meio de um e-mail com o nome “Técnica de ressuscitação” ou “ressuscitation technique”. Porém, a teoria nunca foi comprovada, nem pela American Heart Association.
O site Mendedhearts.org afirma que é apenas um rumor contagioso, que não evitará um infarto. Ou seja, conforme reforçam diversos sites de confiança, tossir não evita infartos. Deixar de compartilhar informações ruins, assim sim, pode evitar.
sábado, 30 de maio de 2015
Brincadeira do espírito Charlie é marketing do filme ‘A Forca’
A "brincadeira do espírito Charlie", que está na moda no Facebook e no twitter (com direito a um "twitaço" de fanáticos religiosos na referida rede social) faz parte de uma ação para o lançamento do filme A Forca. Nele, curiosamente, existe um espírito de um menino chamado Charlie, que morreu enforcado em um acidente durante uma peça de teatro estudantil, assombra os estudantes de uma escola. O trailer você pode ver aqui:
Every school has its spirit. New trailer for #TheGallows, in theaters July 10th. https://t.co/UqYK4O4eah
— The Gallows (@TheGallowsMovie) May 22, 2015
O filme é uma produção de Jason Blum, o mesmo de Atividade Paranormal (2007) e Sobrenatural (2010), e deve estrear no Brasil no começo de julho.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Consumo de maconha junto com álcool eleva quantidade de THC no sangue, diz estudo
Poucas pesquisas se debruçam sobre a reação do nosso organismo ao consumo simultâneo de álcool e maconha, apesar da frequência com que muitas pessoas combinam ambas as drogas. Mas um novo estudo da Associação Americana para a Química Clínica (AACC, na sigla em inglês) mostra que essa mistura faz com que a quantidade de tetrahidrocanabinol (THC), a substância psicoativa da maconha, no sangue do indivíduo seja muito mais elevada do que quando ele fuma sem beber.
O objetivo da pesquisa foi mostrar os perigos gerados pelo consumo das duas drogas por uma pessoa antes de dirigir. Boa parte dos motoristas que se envolvem em acidentes de carro nos EUA beberam álcool e fumaram maconha antes de entrar no carro.
Na pesquisa, 19 pessoas foram examinadas enquanto ingeriam álcool, ou um placebo, em doses pequenas dez minutos antes de inalar canabis vaporizada em doses pequenas ou grandes. Quando houve o consumo de álcool, a concentração do THC no sangue desse participação se mostrou elevada. Assim, o risco de essa pessoa se envolver em um acidente de carro é muito maior do que se ela usar apenas uma das drogas.
O GLOBO
Perguntas e respostas sobre o fim da reeleição para cargos executivos
Leia a matéria do Jornal O GLOBO:
Já era tarde da noite quando o plenário da Câmara aprovou ontem, quarta-feira, o fim da releição para cargos executivos. Todos os partidos orientaram a favor da medida e a emenda foi aprovada por 452 voto sim e apenas 19 votos não, a mais ampla vantagem até o momento na votação da reforma política. O GLOBO selecionou algumas perguntas e respostas para tirar as dúvidas do leitor sobre como ficarão os novos mandatos a partir de 2016, caso a proposta seja aprovada no Congresso Nacional.
O que determina a regra aprovada pela Câmara?
Ela proíbe a reeleição do presidente da República, governadores e prefeitos.
A regra já está valendo?
Não. Para que isso aconteça, ela precisa ser aprovada em segundo turno pelos deputados e a ser analisada, também em dois turnos, pelos senadores. A tramitação é mais rigorosa por se tratar de uma regra que muda a Constituição.
Se for aprovada, os atuais governantes já estarão proibidos de concorrer novamente?
Não. A regra prevê um período de transição. Prefeitos eleitos em 2012 e governadores eleitos em 2014 poderiam ser reconduzidos, como, por exemplo, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB).
E Dilma Rousseff?
Como ela se reelegeu, já não poderia se candidatar novamente.
Os vice-governadores e vice-prefeitos vão poder disputar o posto novamente no cargo?
Quem ocupar o cargo nos seis meses antes do pleito estará inelegível. Esse mecanismo é comum e foi usado, por exemplo, na eleição do ano passado pelo governador eleito Luiz Fernando Pezão, que era vice de Sérgio Cabral e assumiu o cargo seis meses antes do pleito.
O tempo de mandato muda?
Os apoiadores do fim da reeleição, em geral, defendem que a mudança venha acompanhada da extensão dos mandatos de 4 para 5 anos. Mas essa mudança também precisa ser aprovada no pacote da reforma política que está tramitando.
Quais são os benefícios da regra?
Seus defensores acreditam que ela gera alternância de poder, impedindo que partidos se perpetuem por muito tempo no comando. Também creem que a administração deixa ser pautada pensando exclusivamente na recondução ao cargo.
E os contras?
Em alguns casos, pode gerar a descontinuidade de políticas públicas, especialmente em projetos que dependem de longo prazo para surtir efeito, como políticas de educação, por exemplo.
Algum partido se beneficia mais da mudança?
Difícil dizer. Primeiro, porque a medida só valeria, no mínimo, a partir de 2020. Segundo, porque a regra nunca foi testada após a redemocratização. Seria assim ao fim do mandato de Fernando Collor, mas ele sofreu impeachment.
Por que a aprovação da regra teve placar tão elástico?
Ela foi encampada pelos principais partidos, por lógicas diferentes. O PSDB, que instituiu a reeleição, já havia defendido o seu fim na campanha presidencial de Aécio Neves. O PT, por sua vez, não tinha motivação para votar contra Dilma - que já se reelegeu e, ainda que estivesse em primeiro mandato, a regra não se aplicaria a ela. Mas os partidos ainda vão analisar possíveis cenários e podem mudar de posição.
--------------------------------------------
Bônus:
Conheça a história da compra de votos a favor da emenda da reeleição, no governo Fernando Henrique Cardoso. Clique aqui.
domingo, 24 de maio de 2015
Resenha do filme Mad Max - Fury Road (2015)
É raro ver nos dias de hoje onde vários personagens assumam o protagonismo em harmonia, sem sobressaltos. Claro que há o principal, Max, mas George Miller acertou na mão tanto no elenco quanto nos personagens, em Mad Max - Fury Road. É bom ressaltar que há pouca computação gráfica e quase tudo é feito " na raça". Os carros são reais, assim como quase todas as cenas de ação.
Repetindo mais o clima do segundo filme da franquia (Mad Max 2: A Caçada Continua), novos elementos são introduzidos e até uma polêmica envolvendo o feminismo foi levantada - explico mais abaixo.
Em vez de um mundo apocalíptico pós-Guerra Fria, temos um ambiente hostil causado pela falta d´água, mudanças climáticas e problemas causados pela escassez de petróleo.
A trama se desenvolve quando Max (Tom Hardy) é capturado para servir de "bolsa de sangue" para um War Boy ("garoto guerreiro", em uma tradução simples) de Immortan Joe, na Cidadela, e passa um bom trecho da história deixando o espectador em agonia, o qual anseia-o por vê-lo logo livre e lutando contra os que pegaram-no.
Tudo ocorre em um mundo onde miseráveis se estapeiam por água, dependendo da generosidade deste antagonista. Já começa aí uma boa metáfora sobre o que ocorre no capitalismo moderno. Pobres dependendo da bondade do que é concentrado na mão dos ricos.
Quando ele consegue escapar, acaba por encontrar a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), que tenta voltar para sua terra-natal com um dos veículos da Cidadela. Vale dizer que esse protagonismo feminino e feminista, onde mulheres lutal de igual para igual com os homens, irritou vários machista na internet, gerando muitos debates. Certamente muitos homens, diria eu inseguros, se sentiram inconscientemente ameaçados com o que aparece. E, mais para a frente na história, outra "gangue" de mulheres fortes e duronas aparecerá.
Tudo no filme é mercadoria: pessoas que são bolsas-vivas de sangue, mulheres que servem apenas para gerar filhos, água, gasolina e até leite materno, que serve de alimento para os guardiões da cidadela (!).
Não falarei muito sobre a trama, que têm várias reviravoltas e prefiro discorrer sobre a fotografia e a música. As imgens em Cinemascope, capturando grandes paisagens do deserto australiano e os veículos insanos feitos com carcaças de carros antigos são espetaculares, assim como a trilha sonora. A máquina de guerra da cidadela precisa de uma trilha-sonora constante e para isto, temos duas coisas fantásticas: Uma bateria de tambores constantes e rompantes, assim como um guitarrista-insano metaleiro "do mal" tocando uma guitarra que solta fogo, com acordes em tons bem graves. E o mais interessante: O guitarrista do filme é realmente um músico (Sean Hape, mais conhecido como iOTA e um músico de rock popular na Austrália, onde o filme foi gravado) e estava tocando de verdade, nas gravações!
Leia aqui uma entrevista como isto foi possível.
O maior mérito do diretor é aliar todos estes elementos sem sobressaltos, em um equilíbrio raro nos dias de hoje. Diria que os diálogos em si não são tão extensos, mas são marcantes e o que realmente induz o espectador a prestar atenção em toda a película são as sequências insanas no deserto, com muitas explosões e batalhas nos veículos bisonhamente montados para o filme.
Uma sequência deve sair para este "reboot" de Mad Max e sem dúvidas será-bem vindo.
Talvez a geração atual de cinéfilos não tenha assistido à trilogia original, mas fica aqui a dica.
Nota: 10
Trailer:
Trailer:
Curiosidade: Trechos do "Making of" do filme:
domingo, 17 de maio de 2015
Resenha do filme "Chappie"
Terceiro longa-metragem do diretor sul-africano Neil Blomkamp, "Chappie" lida com várias questões que teóricos futurólogos, físicos e cientistas da computação lidam atualmente: o que vai acontecer quanto as máquinas adquirirem consciência? Precisarão aprender as coisas como crianças? Questionarão seus criadores? É possível transferir uma consciência para uma máquina?
A película sem dúvidas bebe em várias fontes do gênero, como Robocop (os subúrbios que lembram Detroit) e "Um robô em curto circuito" (justamente na questão do robô inteligente com dilemas).
Em vez dos problemas sociais envolvendo alienígenas, como em "Distrito 9", Blomkamp agora lida com a criminalidade de Joanesburgo e como a polícia local utiliza robôs para combatê-lo. É aí que surge o protagonista. Dev Patel é o cientista da computação Deon e ele aproveita que um desses robôs utilizados pela polícia apresenta defeito para implantar a inteligência artificial que ele acaba de criar em casa, após muito tempo. Mesmo sem autorização de sua chefe Michelle Bradley (Sigourney Weaver), ele vai atrás desse objetivo.
Seus planos não ocorrem exatamente como ele previa, quando uma gangue de bandidos da cidade sequestra o cientista (liderados por "Ninja" -Watkin Tudor Jones- e Yolan Visser, interpretando versões malvadas deles mesmos) , quando ele ia para casa com o robô. Estes querem que Patel transforme Chappie em uma máquina do cirme. É interessante notar que não é esta gangue que faz o papel de antagonista, mas sim Vincent (Hugh Jackman), também engenheiro de computação da mesma firma onde trabalha Patel, que tem um projeto paralelo de robôs para a polícia chamado "O Alce". Este tuddo faz para sabotar o simpático robô-protagonista com a sua máquina, que lembra muito o robô-inimigo de Robocop, ED-209.
É importante dizer que Chappie no princípio é uma criança, que precisa explorar o mundo para adquirir conhecimento. Aos poucos, meio assustado, começa a questionar o universo dos humanos e porque eles mentem tanto. Com muitas referências ao filme "Um robô em curto-circuito 2", ele começa a ficar rebelde, falando várias gírias de gangues e tomando atitudes bastante radicais para ajudar a gangue que vai tomando conta dele. É bom ressaltar que o responsável pelos movimentos magistrais do protagonista ficam a cargo do ator Sharlto Coppley.
É interessante saber que Chappie na verdade nasceu de um filme de curta-metragem de Blomkamp, chamado "Tetra Vaal" (que agora é o nome da empresa que produz os robôs policiais) , de 2004:
Como todas essas referências e ingredientes, Chappie é um filme que não só mostra os possíveis desdobramentos do futuro da computação, como o fato de que sem dúvidas somos produtos do meio em que vivemos.
Trailer:
A película sem dúvidas bebe em várias fontes do gênero, como Robocop (os subúrbios que lembram Detroit) e "Um robô em curto circuito" (justamente na questão do robô inteligente com dilemas).
Em vez dos problemas sociais envolvendo alienígenas, como em "Distrito 9", Blomkamp agora lida com a criminalidade de Joanesburgo e como a polícia local utiliza robôs para combatê-lo. É aí que surge o protagonista. Dev Patel é o cientista da computação Deon e ele aproveita que um desses robôs utilizados pela polícia apresenta defeito para implantar a inteligência artificial que ele acaba de criar em casa, após muito tempo. Mesmo sem autorização de sua chefe Michelle Bradley (Sigourney Weaver), ele vai atrás desse objetivo.
Seus planos não ocorrem exatamente como ele previa, quando uma gangue de bandidos da cidade sequestra o cientista (liderados por "Ninja" -Watkin Tudor Jones- e Yolan Visser, interpretando versões malvadas deles mesmos) , quando ele ia para casa com o robô. Estes querem que Patel transforme Chappie em uma máquina do cirme. É interessante notar que não é esta gangue que faz o papel de antagonista, mas sim Vincent (Hugh Jackman), também engenheiro de computação da mesma firma onde trabalha Patel, que tem um projeto paralelo de robôs para a polícia chamado "O Alce". Este tuddo faz para sabotar o simpático robô-protagonista com a sua máquina, que lembra muito o robô-inimigo de Robocop, ED-209.
É importante dizer que Chappie no princípio é uma criança, que precisa explorar o mundo para adquirir conhecimento. Aos poucos, meio assustado, começa a questionar o universo dos humanos e porque eles mentem tanto. Com muitas referências ao filme "Um robô em curto-circuito 2", ele começa a ficar rebelde, falando várias gírias de gangues e tomando atitudes bastante radicais para ajudar a gangue que vai tomando conta dele. É bom ressaltar que o responsável pelos movimentos magistrais do protagonista ficam a cargo do ator Sharlto Coppley.
É interessante saber que Chappie na verdade nasceu de um filme de curta-metragem de Blomkamp, chamado "Tetra Vaal" (que agora é o nome da empresa que produz os robôs policiais) , de 2004:
Como todas essas referências e ingredientes, Chappie é um filme que não só mostra os possíveis desdobramentos do futuro da computação, como o fato de que sem dúvidas somos produtos do meio em que vivemos.
Trailer:
sábado, 16 de maio de 2015
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Dilma, Lula e o regabofe do Dr. Kalil
Por Renato Rovaí
Dilma e Lula foram no sábado ao casamento do médico Roberto Kalil. Ambos eram padrinhos do noivo. Ao chegar a presidenta teve de enfrentar um manifestação de meia dúzia de paneleiros com cara de mal-amados que moram ali nas imediações do Itaim, bairro do buffet Leopoldo, um dos mais chiques da cidade.
Nada de mais. Nada de menos. Presidentes da República e ex-presidentes têm o direito de ser padrinhos e madrinhas de casamentos. E necessariamente esses amigos não têm de ser pobres.
Podem ser muito ricos, como o médico em questão parece ser.
Mas neste caso há uma outra questão em jogo. O momento do país não é nem dos melhores e nem sequer razoável. Vive-se uma crise política de grandes proporções abatendo o governo e o partido de Lula e Dilma.
Num momento como esse não se deve agir apenas de maneira racional. E tampouco deve-se fazer as coisas que parecem não ser erradas.
Nessas horas é preciso estar atento aos significados e símbolos.
O casamento de Roberto Kalil foi um evento típico das cortes. Lá estavam presentes representantes de toda a elite econômica e política do país.
Mais do que isso, foi um evento realizado com pompas de uma produção hollywodiana.
E num momento onde o discurso do governo é de ajustes e a prática é de corte de direitos, não é hora para a presidenta do país ir numa badalação dessas. Muito menos para o ex-presidente Lula, que é o principal patrimônio popular do PT.
Era hora de dizer ao “companheiro” Kalil que infelizmente seria um erro ir na sua festa porque neste momento é preciso estar mais próximo dos companheiros de sempre: os acampados do MST, os sindicalistas, os catadores, as mães trabalhadoras, os professores em luta, os petistas que estão sendo perseguidos, os jovens que são massacrados pela polícia nas periferias etc.
Era hora de mais seriedade.
Não se trata de sectarismo barato. Nem de moralismo babaca. A questão é que ao serem fotografados numa festa que é um acinte para maior parte dos brasileiros, Lula e Dilma acabam sendo entendidos como parte desta elite.
E perdem muito mais do que ganham.
E não só eles.
Aqueles que acham que eles são diferentes dessa elite também perdem muito.
Dilma e Lula foram no sábado ao casamento do médico Roberto Kalil. Ambos eram padrinhos do noivo. Ao chegar a presidenta teve de enfrentar um manifestação de meia dúzia de paneleiros com cara de mal-amados que moram ali nas imediações do Itaim, bairro do buffet Leopoldo, um dos mais chiques da cidade.
Nada de mais. Nada de menos. Presidentes da República e ex-presidentes têm o direito de ser padrinhos e madrinhas de casamentos. E necessariamente esses amigos não têm de ser pobres.
Podem ser muito ricos, como o médico em questão parece ser.
Mas neste caso há uma outra questão em jogo. O momento do país não é nem dos melhores e nem sequer razoável. Vive-se uma crise política de grandes proporções abatendo o governo e o partido de Lula e Dilma.
Num momento como esse não se deve agir apenas de maneira racional. E tampouco deve-se fazer as coisas que parecem não ser erradas.
Nessas horas é preciso estar atento aos significados e símbolos.
O casamento de Roberto Kalil foi um evento típico das cortes. Lá estavam presentes representantes de toda a elite econômica e política do país.
Mais do que isso, foi um evento realizado com pompas de uma produção hollywodiana.
E num momento onde o discurso do governo é de ajustes e a prática é de corte de direitos, não é hora para a presidenta do país ir numa badalação dessas. Muito menos para o ex-presidente Lula, que é o principal patrimônio popular do PT.
Era hora de dizer ao “companheiro” Kalil que infelizmente seria um erro ir na sua festa porque neste momento é preciso estar mais próximo dos companheiros de sempre: os acampados do MST, os sindicalistas, os catadores, as mães trabalhadoras, os professores em luta, os petistas que estão sendo perseguidos, os jovens que são massacrados pela polícia nas periferias etc.
Era hora de mais seriedade.
Não se trata de sectarismo barato. Nem de moralismo babaca. A questão é que ao serem fotografados numa festa que é um acinte para maior parte dos brasileiros, Lula e Dilma acabam sendo entendidos como parte desta elite.
E perdem muito mais do que ganham.
E não só eles.
Aqueles que acham que eles são diferentes dessa elite também perdem muito.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Assinar:
Postagens (Atom)


