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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dilma, Lula e o regabofe do Dr. Kalil

Por Renato Rovaí



Dilma e Lula foram no sábado ao casamento do médico Roberto Kalil. Ambos eram padrinhos do noivo. Ao chegar a presidenta teve de enfrentar um manifestação de meia dúzia de paneleiros com cara de mal-amados que moram ali nas imediações do Itaim, bairro do buffet Leopoldo, um dos mais chiques da cidade.

Nada de mais. Nada de menos. Presidentes da República e ex-presidentes têm o direito de ser padrinhos e madrinhas de casamentos. E necessariamente esses amigos não têm de ser pobres.

Podem ser muito ricos, como o médico em questão parece ser.

Mas neste caso há uma outra questão em jogo. O momento do país não é nem dos melhores e nem sequer razoável. Vive-se uma crise política de grandes proporções abatendo o governo e o partido de Lula e Dilma.

Num momento como esse não se deve agir apenas de maneira racional. E tampouco deve-se fazer as coisas que parecem não ser erradas.

Nessas horas é preciso estar atento aos significados e símbolos.

O casamento de Roberto Kalil foi um evento típico das cortes. Lá estavam presentes representantes de toda a elite econômica e política do país.

Mais do que isso, foi um evento realizado com pompas de uma produção hollywodiana.

E num momento onde o discurso do governo é de ajustes e a prática é de corte de direitos, não é hora para a presidenta do país ir numa badalação dessas. Muito menos para o ex-presidente Lula, que é o principal patrimônio popular do PT.

Era hora de dizer ao “companheiro” Kalil que infelizmente seria um erro ir na sua festa porque neste momento é preciso estar mais próximo dos companheiros de sempre: os acampados do MST, os sindicalistas, os catadores, as mães trabalhadoras, os professores em luta, os petistas que estão sendo perseguidos, os jovens que são massacrados pela polícia nas periferias etc.

Era hora de mais seriedade.

Não se trata de sectarismo barato. Nem de moralismo babaca. A questão é que ao serem fotografados numa festa que é um acinte para maior parte dos brasileiros, Lula e Dilma acabam sendo entendidos como parte desta elite.

E perdem muito mais do que ganham.

E não só eles.

Aqueles que acham que eles são diferentes dessa elite também perdem muito.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Recado para quem reclama no Facebook que o Lula é ladrão

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Lula e a família Sarney

Voltou a circular na internet um vídeo de 2010, onde um repórter questiona Lula sobre Sarney e o então presidente diz para o jornalista tratar, pois isto seria "preconceito" contra o ex-presidente do Senado, eleito pelo Amapá.

De certo Sarney foi eleito democraticamente pelo povo do Amapá (assim como Roseana também foi eleita democraticamente ao governo do Maranhão). Foi um direito do povo eleger ambos.

Isto não impede que as pessoas questionem as alianças do PT com o PMDB, tampouco o Sarney. Não há nada de "preconceito" em questionar o Sarney.
Lula errou ao falar que questionar o ex-presidente do Senado era "preconceito" contra ele ou contra quem elegeu-o.
Eu mesmo acho este sistema político, onde são necessárias algumas alianças desagradáveis para ter governabilidade, bem ultrapassado.
Pessoalmente, gostaria que não fossem necessárias alianças com partidos que exigem mais ministérios para continuar apoiando o governo federal e, por conseguinte, permitindo a aprovação de leis e emendas.

O PT do Rio, ao que parece, já vai se desligar do PMDB. Quem sabe um dia o governo federal consegue fazer o mesmo, sem depender do partido dos Sarneys para ter governabilidade?
É por isto que a reforma política é mais do que necessária.


sábado, 12 de janeiro de 2013

O patrimônio de Lula









Já FHC, tem apartamentos em Paris, São Conrado (bairro de elite no Rio de Janeiro), em Higienópolis (bairro de elite em São Paulo) e uma fazenda em Betim (quando presidente, usava o Exército para fazer a segurança da propriedade).

Um blog do Financial Times publicou um artigo interessante sobre os dados de Lula vazados pelo hacker @nbdu1nder. A conclusão do artigo: pra quem esperava palacetes ou imóveis em condomínios de elite quebrou a cara. O que se revelou sobre o patrimônio de Lula mostra que o ex-presidente não é rico. Pelo contrário! Para o FT, os imóveis de Lula são classificados como "mal pintados" e "localizados em subúrbios perigosos". O FT conclui que o hacker, a despeito de incriminar o ex-presidente — considerado "ladrão" pela direita brasileira —, acabou por revelar que ele não tem nada de mais para quem tem mais de 30 anos de vida pública. Interessante que ninguém se preocupou com os imóveis subvalorizados do senador Aécio Neves (PSDB). Mesmo com um apartamento no Leblon e outro em Ipanema (entre outros imóveis em BH e Nova Lima, além da Rádio Arco-Íris), Aécio tem um patrimônio de pouco mais de 600 mil reais declarados em sua última prestação de contas eleitoral. Isso é que é ser bom comprador!

Fonte  

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Exames confirmam regressão do câncer de Lula



Exames realizados nesta quarta-feira pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, confirmaram a regressão completa do câncer na laringe, descoberto em outubro de 2011. Lula passou a manhã no hospital e foi submetido a uma bateria de testes para detectar eventual reaparecimento do tumor. Todos os exames deram negativo.


O edema na garganta, resultado do tratamento para eliminar o tumor, também regrediu de forma satisfatória, segundo a assessoria de Lula. O hospital não divulgou boletim.

O retorno periódico para reavaliação faz parte de uma rotina que deve ser mantida nos próximos quatro anos para eliminar o risco de uma recidiva, ou seja, o reaparecimento do câncer. O tratamento foi iniciado em 31 de outubro do ano passado, logo após a descoberta do tumor, e incluiu três ciclos de quimioterapia e 33 sessões de radioterapia.

A última sessão foi realizada em fevereiro deste ano e, no mês seguinte, o paciente era considerado curado. Em agosto, após nova bateria de testes, o ex-presidente foi liberado pelos médicos para fazer o que quisesse, inclusive subir em palanques - Lula fez comícios com discursos em 17 cidades durante a campanha para as eleições municipais.

Apesar da boa forma física, o ex-presidente terá de manter sessões de fonoaudiologia para recuperar a voz, ainda rouca, e uma rotina de exercícios fisioterápicos para aliviar as dores de uma bursite no ombro esquerdo. O tratamento inclui eletrochoques. O presidente tem sido acompanhado por um fisioterapeuta, inclusive nas viagens.

O câncer de Lula
Após queixa de dores de garganta, Lula realizou uma série de exames na noite de 28 de outubro do ano passado. Na manhã do dia seguinte, foi divulgado boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, informando que foi diagnosticado um tumor maligno na laringe, que seria inicialmente tratado por quimioterapia.

Após três ciclos de quimioterapia e 33 sessões de radioterapia, o tumor teve "uma remissão completa", conforme anunciou o porta-voz do Instituto Lula, José Chrispiniano, e confirmou o Sírio-Libanês em 28 de março de 2012. Para ser considerado curado do câncer, Lula terá de se submeter a exames durante os próximos cinco anos.

O câncer na região da laringe é mais comum entre homens e o de maior incidência na região da cabeça e pescoço. Os principais fatores que potencializam a doença são o tabagismo e o consumo de álcool. Já os sintomas são: dor de garganta, rouquidão, dificuldade de engolir, sensação de "caroço" na garganta e falta de ar.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Lula prestigia reta final da campanha de Isaac do Carmo em Taubaté

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva esteve presente em Taubaté (cidade no Vale do Paraíba, interior de SP) para prestigiar a reta final da campanha do candidato Isaac do Carmo, do PT, no segundo turno das eleições. Aclamado por  uma multidão, Lula mostrou o quanto é querido pela população.





Fotos: André Veronez

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A desonestidade direitista não tem fim: Blogs publicam matéria de 2011 contra Lula, como se fosse recente

A esgotosfera direitsta brasileira, na sanha de atacar o ex-presidente Lula, resolveu publicar de maneira maciça uma matéria de Fevereiro do ano passado.
No desespero e de má-fé, nem ao menos viram a data. Pegaram como fonte um jornal português. Copiam, dão a fonte, mas não dizem a data
Fonte: "Ministério Público pede bloqueio de bens de Lula."
Ou seja, é matéria requentada e os desonestos estão publicando como se fosse fato novo. O pedido foi feito em Fevereiro de 2011. Estamos em Setembro de 2012 e os bens de Lula não foram bloqueados.
Quando o objetivo é atacar o ex-presidente Lula, apelam até para matéria antiga de jornal português, com fato que não deu em absolutamente nada. Por que não usam como fonte uma matéria de hoje, 20 de setembro, da Folha, do Estadão, do Globo etc?


Atualização-Novembro de 2012:

O PROCESSO FOI EXTINTO:


"No presente caso, a ação de improbidade administrativa foi ajuizada no dia 31 de janeiro de 2011, um mês após o fim do mandado do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, pela suposta prática de ato reputado pelo Ministério Público Federal como capitulado na Lei de Improbidade Administrativa que remonta à data de 29 de setembro de 2004, ainda durante primeiro mandato.
O suposto ato atentatório à probidade da administração praticado pelo Presidente da República constitui, em sua gênese, crime de responsabilidade, não se transformando em ato de improbidade administrativa pelo fim do mandato.
Ainda que se admitisse a propositura de ação de improbidade administrativa para processar Presidente da República, verifico que, no caso concreto, estaria prescrita, uma vez que os fatos atribuídos aos requeridos ocorreram em 29 de setembro de 2004, excedendo o prazo para ajuizamento previsto no art. 23, I e II da Lei 8.429/92, não tendo a reeleição o condão de interromper esse prazo.
(...)

f) O esvaziamento das sanções político-administrativas, gerado pelo não exercício da ação por crime de responsabilidade, afasta a possibilidade de utilização da ação de improbidade administrativa para veicular pretensão exclusiva de ressarcimento ao erário, havendo outras no ordenamento jurídico pátrio que podem ser utilizadas com aquele objetivo.

(...)

Ante o exposto, JULGO EXTINTO o processo, sem resolução de mérito, com base no art. 267, VI, § 3o, do Código de Processo Civil, pela inadequação da via eleita."


Fonte-TRF

Portanto, quem insiste em compartilhar isto está agindo de má-fé ou é ingênuo que não pesquisou o assunto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Câncer de Lula regrediu 75%, dizem médicos



O câncer do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reduzido em pelo menos 75%, disse nesta segunda-feira (12) o cardiologista Roberto Kalil Filho, que integra a equipe de médicos que cuida de sua saúde.

Lula, que retornou ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para uma avaliação do tratamento que faz para combater um tumor na laringe descoberto em outubro, tem estado de saúde muito bom, de acordo com os especialistas, e deve iniciar a terceira sessão de quimioterapia ainda hoje - antes, os médicos haviam decidido adiar o começo para terça-feira (13), mas mudaram de ideia. Ele deve ter alta amanhã à noite, quando será divulgado um novo boletim médico.

Segundo a equipe, os resultados foram bons. A laringoscopia mostrou redução visual importante do tumor, informou o otorrinolaringologista Rubens de Brito. Quando foi descoberto, o tumor tinha entre dois e três centímetros de diâmetro.




Em 8 ou 10 de janeiro, o ex-presidente começará a sessão de radioterapia, que irá durar entre seis e sete semanas. Ele ficará em um ambulatório do hospital recebendo diariamente o tratamento aliado a doses reduzidas de quimioterapia.

Os médicos estão otimistas com a recuperação do ex-presidente, que tem 66 anos. Segundo os especialistas, a voz dele está voltando ao normal aos poucos. Ele não apresenta mais a rouquidão observada após o primeiro ciclo do tratamento, realizado no início de novembro.

De acordo com um dos membros da equipe médica, a proporção dos pacientes com quadro clínico semelhante ao do ex-presidente que apresentam resposta satisfatória ao tratamento de quimioterapia é de 80% a 90%.

Segundo os médicos, todo o tratamento deve terminar em fevereiro e Lula deve retomar suas atividades normais em março.




R7

sábado, 19 de novembro de 2011

Mano Menezes visita Lula e o presenteia com camisa da Seleção



O treinador da Seleção, Mano Menezes, prestou solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que luta contra um câncer na laringe, nesta sexta-feira. O técnico o presenteou com uma camisa do Brasil e afirmou contar com o ex-mandatário em 2014, ano que em que o Brasil recebe a Copa do Mundo.

Mano visitou a residência do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (ABC paulista). "Força, eterno 'presidente Lula', contamos com você em 2014", escreveu o treinador.

Lula também recebeu uma carta escrita a mão do cantor Milton Nascimento. "Que os anjos e todas as criaturas do céu tomem conta do nosso presidente, para nossa alegria", afirmava ela. Desde que descobriu a doença, Lula recebeu mais de 3 mil e-mails com votos de boa saúde or meio do endereço saudelula@icidadania.org, criado para essa finalidade.

Entre as pessoas que enviaram mensagens - algumas delas via Correio, telefone ou por meio de embaixadores - estão presidentes de diversos países, como Abdullah Gül (Turquia), Aníbal Cavaco Silva (Portugal), Bento XVI (chefe de Estado do Vaticano), Cristina Kirchner (Argentina), Fernando Lugo (Paraguai), Hugo Chávez (Venezuela), Juan Manuel Santos (Colômbia), José Mujica (Uruguai), Leonel Fernández (República Dominicana), Malam Bacai Sanhá (Guiné Bissau), Maurício Funes (El Salvador), Nicolas Sarkozy (França), Ollanta Humala (Peru), Rafael Correa Delgado (Equador) e Raul Castro (Cuba).




O câncer de Lula
Após queixa de dores de garganta, Lula realizou uma série de exames na noite de 28 de outubro. Na manhã do dia seguinte, foi divulgado boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, informando que foi diagnosticado um tumor maligno na laringe, que seria inicialmente tratado por quimioterapia.

O câncer na região da laringe é mais comum entre homens e o de maior incidência na região da cabeça e pescoço. Os principais fatores que potencializam a doença são o tabagismo e o consumo de álcool. Já os sintomas são: dor de garganta, rouquidão, dificuldade de engolir, sensação de "caroço" na garganta e falta de ar.




Terra

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Projeto da grande imprensa é varrer a ‘era Lula’


Querem varrer a 'era Lula'
Imprensa não suporta rua cheia pobres ou aeroporto superlotado. Nem que pobre decida eleição
Roberto Amaral*
CartaCapital


O ponto de partida dessas reflexões é uma obviedade: a crise dos partidos, que no Brasil não é maior nem menor do que a crise dos partidos europeus e norte-americanos. No velho e exausto continente desapareceu a esquerda socialista e os socialdemocratas se confundem com os conservadores, e todos se afundam de braços dados na crise do capitalismo. Nos EUA, o bipartidarismo tacanho é construtor de impasses institucionais, de que é exemplo a negociação do teto da dívida. Em nosso país reproduz-se o esgarçamento ideológico dos partidos de esquerda e é crescente a distância entre a vontade do eleitor e o titular do mandato, construindo a falência do sistema representativo, de que a desmoralização do Legislativo e da vida parlamentar é exemplo acachapante. Ainda no caso brasileiro, talvez nos separando da crise europeia, identificamos perigoso desdobramento, a saber, a desconstituição da política, com a desmoralização do seu fazer e o anúncio de sua desnecessidade.


Tira-se a política da vida democrática, fica o quê?


Tiram-se os partidos do processo político, fica o que?


Tirem-se os políticos da política, ficará o quê?


Ainda que a expressão golpe sugira putsch, ação rápida, virada de mesa, os golpes-de-Estado são longamente preparados. A implantação do Estado Novo foi gestada já nas entranhas do governo constitucional de 1934; o golpe militar que culminou com o suicídio de Vargas e a posse de Café Filho, a serviço da UDN e dos militares, foi longamente preparado pela grande imprensa que também preparou a opinião pública para o golpe de 1964 que, na caserna, começou a ser tramado pelo Gal. Denis (cf. suas memórias) no dia imediato da posse de João Goulart.


De comum, na retórica dos golpistas, a denúncia da corrupção, não como fenômeno em si, mas como doença sistêmica do Estado e, agora, manipulada pelos partidos que ousam ocupar os cargos para os quais seus representantes foram eleitos pela vontade da soberania popular. Foi igualmente o combate à corrupção que construiu Jânio Quadros (“varre-varre vassourinha, a sujeira desse país”) e Fernando Collor (o ‘caçador de marajás’), com os resultados conhecidos.


Vargas, homem probo, era acusado por Carlos Lacerda de governar sentado sobre um “mar de lama”, que se revelou igual às ‘armas de destruição em massa’ de Saddam.


Não afirmo que esteja em gestação um golpe-de-Estado (como realmente esteve em 2005), mas digo que estão sendo criadas as condições subjetivas que amanhã poderão tornar palatável um ataque ao sistema democrático, como consequência natural da perseguida desmoralização dos políticos, dos partidos, da democracia, da política e do Poder Legislativo.


A quem interessa essa desmoralização da vida pública, afastando o cidadão da política, ao convencê-lo de que a corrupção é elemento intrínseco ao fazer político?


Pode o sistema democrático-representativo conviver com a demonização dos partidos?


Quando a imprensa reduz todos os problemas do país à corrupção, e a apresenta como intrínseca à política – ameaçando a continuidade do processo democrático –, ela está igualmente interditando o debate sobre as questões centrais do país: a desfuncionalidade do regime capitalista.


No Brasil, a crise dos partidos atinge indistintamente esquerda e direita. A esquerda renuncia ao papel finalístico de crítica ao regime econômico, a direita ora se esconde sob o disfarce da socialdemocracia, ora se transforma em porta-voz de uma imprensa sem compromissos com a democracia e os interesses nacionais. É esta imprensa, todavia, que pauta a vida política nacional.


No Brasil, ao invés de os partidos possuírem meios de comunicação ou de utilizá-los em seu processo de vida, isto é, na batalha ideológica, é a imprensa que possui partidos e nessa condição dita-lhes metas, temas, ações e conspirações. Dessa forma a chamada “grande imprensa” articula a oposição. A mesma imprensa que participou das operações de desestabilização do governo Vargas e da preparação do golpe de 1964, por ela sustentado, é a mesma que não consegue assimilar a emergência social e política das parcelas menos aquinhoadas da população. Para essa imprensa preconceituosa, é insuportável as ruas cheias de carros dirigidos por pobres e pobres superlotando os aeroportos. E mais: é insuportável que seja essa gente, a gente do povo, quem esteja decidindo as eleições no Brasil.


Fernando Henrique Cardoso, em um de seus inumeráveis momentos de excepcional infelicidade, anunciou o fim da “era Vargas”, prometendo realizar o que os militares não haviam logrado em 20 anos de ditadura. Também não conseguiu. Mas a direita é renitente. O projeto, agora, é varrer a “era Lula”, preferentemente destruindo o político Lula, ainda que seja ao preço de destruir a democracia, para poder destruir o que ele representa, e representou a frustrada experiência de João Goulart, donde a sentença de morte executada no dia 1º de abril de 1964: a emergência das massas.


Mas, lamentavelmente, não é só isso, pois é inesgotável o poço de preconceitos de nossas elites.


A Presidência da República foi sempre um posto reservado “aos mais iguais”, os marechais, os generais, os grandes fazendeiros ou seus representantes, os doutores. Mas eis que uma disfunção sistêmica permite a eleição de um outsider: um operário, um líder sindical, de sobrenome Silva, sem passagem pela academia, expulso pela seca do rincão mais profundo e pobre do sertão nordestino. E… escandalizam-se os repórteres, um monoglota. Esse intruso, além de eleger-se, se reelege, e, suprema humilhação, elege sua sucessora. Nada obstante toda a resistência que provoca, Lula pode retornar ao poder – este o grande temor da direita brasileira –, se não fisicamente, muito provavelmente mediante um governo que seja a continuidade do seu.


Nesse ponto se dão as mãos o reacionarismo da grande imprensa e a degenerescência cultural de grande parte da classe-média brasileira: ambas desprezam o povo, nosso povo, o homem comum das ruas, mestiço, trabalhador, a quem negam as qualidades de pioneiro e construtor. Por isso, a elite brasileira quer ser branca, fisicamente europeia e culturalmente norte-americana; depois de sonhar com Londres e Paris, construiu como meta de vida passear na Disneylândia. Para essa elite, para essa classe-média, para essa imprensa é insuportável a vitória do homem do povo, de um “Zé da Silva”. Pois foi um Silva, nordestino (ainda mais um nordestino!) expulso de sua terra pela inclemência do clima, que consertou o Brasil e refez a obra, a desastrada obra de desconstituição do País, encetada pelo “príncipe” dos sociólogos brasileiros, professor titular da orgulhosa USP.


É preciso, pois, demolir um sistema político que permite a eleição de um Lula.


O ponto de partida é a destruição da política, depois da desmoralização dos políticos e dos partidos. Como sabemos que é impossível sustentar uma democracia sem políticos e sem partidos políticos…


Esta operação está em curso.


Nem mesmo os néscios de carteirinha supõem que a atual campanha da grande imprensa tem por objeto a defesa dos interesses de nosso povo ou de nosso país. Senão a desmoralização da política


No Brasil, a liberdade de imprensa, que precisa ser a mais ampla possível, limita-se à liberdade, sem responsabilidade, das grandes empresas de comunicação, que expressam o pensamento único, não apenas em seus editoriais (que ninguém lê), mas agora quase principalmente no noticiário, seja nacional seja internacional (repertório das grandes agências), nas reportagens e no pensamento de seus colunistas e colaboradores. Estes são escolhidos ou por partilharem do pensamento patrão, ou por a ele se haverem adaptado para serem colunistas. E nesta hipótese, serviçais, procuram ser mais realistas do que o próprio rei.


Não sejamos injustos, porém, atribuindo esse discurso único e a cantilena reacionária exclusivamente ao mando dos interesses do baronato da grande imprensa: ela é alimentada, cevada, por uma geração de jornalistas e repórteres fiel a essa forma unilateral de ver o mundo. Para essa gente a defesa dos interesses do país é um arcaísmo, a especulação financeira um sinal de modernismo, a concentração de renda o caminho do desenvolvimento, a política, um entrave, a democracia, um “detalhe”.


Um de seus subprodutos é o denuncismo gratuito, irresponsável, a acusação que primeiro se faz, para depois perquirir a prova. O denunciado é condenado já pela simples denúncia, sem possibilidade de reparação pública. Se amanhã a acusação não se comprova, azar.


Nos recentes tempos da recente ditadura seus opositores eram, primeiro demitidos, presos, torturados e muitas vezes “desaparecidos”, para depois serem processados e em alguns casos até “absolvidos”. Vencido o terrorismo militar, os políticos são expostos à execração da opinião pública, eviscerados em sua intimidade política, e ao fim destruídos eleitoralmente, depois de assassinados moralmente, culpados ou não. A regra é a mesma: primeiro a pena, depois o julgamento.


Se, por um lado, é plenamente respeitada e garantida a liberdade de imprensa, por qualquer de seus meios, falta ao povo a liberdade de informação ou o direito à informação isenta. Faltam-nos meios de obter outras visões da mesma realidade, de uma análise crítica das questões nacionais e internacionais, e qualquer tentativa de alterar o lamentável quadro vigente é, de forma alarmante, noticiada pelas empresas de comunicação como ameaça à liberdade de imprensa.


Ainda sob os efeitos das vitórias de Lula, alcançadas sob o tiroteio implacável de uma imprensa unanimemente opositora, os partidos de esquerda tendem a subestimar o papel ideologicamente corrosivo exercido pela grande imprensa – rádios AM, televisão, jornais e revistas — exercem sobre as cabeças e mentes dos brasileiros.


*Roberto Amaral é cientista político, advogado e escritor. Foi ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro governo Lula e diretor-geral da Binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). Atualmente, é membro do Conselho de Administração do BNDES, conselheiro da Itaipu Binacional, secretário-geral da Coordenação Socialista Latino-americana (CSL) e primeiro vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ex-primeira-dama corta cabelo e barba de Lula








A ex-primeira-dama Marisa Letícia cortou o cabelo e raspou a barba do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz tratamento contra o câncer de laringe.

A informação é do Instituto Lula, que divulgou fotos do ex-presidente nesta quarta-feira (16). Lula, que tem a barba como sua marca registrada, ficou careca e deixou só o bigode.


Toda nossa força ao nosso querido ex-presidente Lula, pois a luta contra o câncer é difícil, embora possível de se vencer!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O SUS, Lula e as redes sociais


É uma pena o rumo tomado pelas discussões em torno da polêmica gerada pelos posts no Facebook, sugerindo que o ex presidente trate sua doença pelo SUS. Mais uma vez, estamos perdendo a chance de uma discussão rica. Ficamos presos nos pontos, na minha opinião, secundários. O mais relevante, que seriam as críticas positivas e negativas ao nosso Sistema Público de Saúde, ficou perdido, sem vez em meio a um lamaçal podre de politicagem, rancor, pobreza de espírito e outras baixarias, de ambos os lados da discussão.

Assim dito, quero aqui propor uma limpeza nas apelações dos debates e dar a minha contribuição à polêmica, na ótica do que julgo ser relevante. E faço isso pensando nos vários e vários pacientes que chegam a mim com cânceres diversos e "intratáveis", simplesmente porque não conseguem fazer suas quimioterapias em tempo hábil. Aliás, escrevo esse artigo em homenagem a um paciente de 14 anos (e sua família), que faleceu com um tumor cerebral depois de nem sequer ter conseguido vencer a fila do único hospital oncológico vinculado ao SUS em Salvador.

Quando li os posts de linchamento (ou quase) de Lula, pouco me interessou saber quais eram as reais motivações de quem os criou: se fazer uma brincadeira, uma ironia, ou se desejavam mesmo o pior para Lula. Vi ali uma forma de protesto, até certo ponto compreensível, e ponto final. Mas aí vieram as respostas, com mensagens que pareciam colocar a sugestão do tratamento pelo SUS como uma sentença de morte. A elas, se seguiram textos de pessoas contando experiências de tratamentos bem sucedidos feitos na rede pública, relatos emocionados que até nos fazem pensar que é assim com todo mundo. Até a competência do INCA foi trazida para a discussão. Alguém, indignado, escreveu linhas em defesa da assistência prestada na instituição, dizendo ser exemplar. E é mesmo. Pena que para alguns poucos felizardos. Mas aqui há um erro de interpretação grosseiro: quem está questionando a competência do INCA? O que se questiona é a incapacidade que essa e outras instituições do SUS encontram para absorver e tratar os milhares de pacientes portadores de câncer, que morrem antes mesmo de terem uma única consulta com um oncologista. Se o serviço de assistência é excelente ou não, pouco importa para o doente que não consegue sequer ter acesso a esse serviço.

Xingamentos, boas e más intenções e suas consequências à parte, quero focar aqui no que entendo como o que há de mais válido nos posts do Facebook: trazer o assunto do problema da saúde pública à tona, para protestar. Afinal, não é também para isso que servem as redes sociais? É em momentos como esse que a denúncia se faz ouvida. Ou será que alguém aí pararia para reclamar se tirássemos a figura do Lula e colocássemos a do Seu Zé? Pois saibam que morrem Zés aos montes, todos os dias, e é contra isso que as pessoas deveriam se indignar. Experimentem passar um dia na porta de um hospital público e aí sim vão ter motivos reais pra encherem seus perfis virtuais de mensagens de repúdio.

Por que só agora, com Lula, e não antes com José Alencar, Roseana Sarney, Ana Maria Braga, o Hebe, é questionamento secundário. Talvez por ter sido ele a representação máxima do poder público e do descaso com a saúde nos últimos anos, sei lá. Obviamente, isso não justifica as mensagens rancorosas, de mau agouro, preconceituosas e discriminatórias que pululam na internet.

Obviamente também, não desejo a Lula ou a qualquer pessoa que veja sua vida dependente do SUS. Não pelo potencial do sistema, que é enorme, principalmente quando pegamos como exemplo instituições sérias, bem geridas e com profissionais comprometidos; mas pela incapacidade do SUS de, como está, garantir uma assistência no mínimo suficiente. Condeno e me envergonho com o rumo das discussões. Pois, enquanto nossos argumentos forem passionais, continuaremos sujeitos a propostas passionais eleitoreiras que, como vemos, desaguarão em desapontamento e raiva. Mas apoio o protesto e acho que a iniciativa foi válida em sua origem, ainda que tenha servido apenas para criar polêmica. Mas o SUS vai continuar deficitário e o Seu Zé vai continuar sem acesso ao Sírio Libanês.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Críticas revelam preconceito contra ascensão de Lula, avalia pesquisadora





A notícia de que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva passará por um tratamento contra câncer na laringe no hospital Sírio Libanês foi recebida com protestos em redes sociais. Na internet, um grupo pede que o petista utilize hospitais públicos e o Sistema Único de Saúde (SUS). Para a pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) Sandra Regina Nunes, "as críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido".

- Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: "Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça" - questiona Sandra, membro do Laboratório de Estudos da Intolerância e professora de comunicação da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).

Uma campanha no Facebook pedindo que Lula se trate no SUS já ganhou mais de 800 adeptos. Os internautas também se organizam para divulgar as críticas em sites de notícias. A rede de TV internacional CNN, por exemplo, publicou a informação sobre a doença do ex-presidente e recebeu uma série de comentários irônicos de brasileiros sobre o sistema de saúde nacional.

Leia a entrevista.

Terra Magazine - O anúncio de que o ex-presidente Lula sofre de câncer foi seguido por manifestações críticas e um protesto para que ele se trate no SUS. Por que esse tipo de expressão acontece e se espalha na internet?
Sandra Regina Nunes - O que me parece é que tem algo bastante próprio daqui do Brasil. As críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido. Isso é visto quase como uma afronta. Faz com que as pessoas acreditem que necessariamente ele deveria ser fiel àquilo que ele pregava. Por muitas vezes ouvi pessoas dizendo "Ah, ele era trabalhador, não podia estar usando Armani". Agora dizem que o Lula tem que usar o SUS. Não me parece que aconteceu isso quando alguém do PSDB tem algum tipo de problema de saúde. Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: "Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça".

É curioso porque em geral anúncios como o do ex-presidente - de uma doença - geram apenas comoção...
Eu acho que as pessoas não estão tratando como doença. A ideia é mais questionar o motivo de Lula estar usando um produto de luxo.

As redes sociais ampliam esse tipo de reação negativa?
As redes sociais fizeram com que as pessoas tivessem maior liberdade de expressão. Eu acredito que as pessoas poderiam usar isso de forma mais interessante. Existem na rede movimentos bastante positivos, por exemplo, em apoio à saúde da mulher. Então, utilizar as redes sociais para dar vazão à indignação pode ser ruim, mas tem lados positivos. As redes sociais têm essa dimensão que é muito boa. É a possibilidade de expressão.

Seria papel da imprensa desestimular?
Eu acho que o gesto de expressão não deve se impedir jamais. É preciso dar voz a todo mundo. Mas o papel da imprensa deve ser pontuar o que determinadas falas representam. Ou seja, dizer que tipo de movimento é esse e o que é que ele traz.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O JORNALISMO-URUBÚ E A DOENÇA DE LULA




Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo
Maria Inês Nassif
A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.

(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo

Lula agradece pelo apoio recebido

domingo, 30 de outubro de 2011

Sindicato dos urubus ralha e torce contra a recuperação de Lula contra o câncer





Desejar a morte de alguém é uma das coisas mais baixas que um ser humano pode fazer. Tenho visto muitas pessoas, de certas preferências políticas, desejando a morte do ex-presidente Lula. É um ato de ignorância que demonstra falta de caráter.
"Que o câncer te vença", "já vai tarde" e "já morreu" foram algumas das coisas chocantes que li, em murais de perfis de alguns jornais no Facebook.
Primeiramente, demonstra ignorância ao acharem que câncer significa automaticamente "morte".
Discordar da visão política de alguém, de um governo ou algo assim é saudável. Já desejar a morte de uma pessoa com uma doença tão cruel como o câncer é mal-caratismo puro. Os principais líderes da oposição tiveram a grandeza de torcer pela pronta recuperação do ex-presidente, até agora.
Já algumas pessoas, que se dizem "humanas" torcem para ele morrer. Pior é ver esta atitude vinda de pessoas que se dizem muito religiosas, que ficam compartilhando mensagens cristãs em seus murais e agora mostram suas verdadeiras faces. Para quem deseja a morte do Lula, torço de coração que a pessoa nunca passe por um câncer ou nunca veja alguém lutando contra esta maldita doença.
No exterior, quando um político de um partido está com uma doença grave, eleitores e partidários de outras agremiações sempre torcem por sua pronta recomendação, pois diferenças políticas à parte, é gente que merece o desejo do melhor.
Particularmente posso não concordar com certos prefeitos ,vereadores, deputados e ex-presidentes, mas jamais vou desejar que um destes políticos sofra com o câncer ou qualquer outra doença tão triste.
Alguns usam um argumento falacioso: " Por que ele não se trata no SUS?". Primeiramente, esta pergunta já é por si só desrespeitosa com quem está se tratando pelo sistema público de saúde, pois insinua que quem passa pelo mesmo certamente vai morrer.

O SUS em si funciona, porém depende também dos governos municipais e estaduais. Muitas vezes os recursos chegam à quem administra estes e não são bem utilizados. O Brasil precisa de uma otimização dos recursos do mesmo nas três esferas (federal, estadual e municipal), cortando a corrupção que muitas vezes atinge os recursos da saúde, os gastos desnecessários, o dinheiro direcionado de maneira equivocada que poderia equipar hospitais etc.
No mais, o tratamento do ex-presidente em um hospital particular não é ilegal ou imoral, pois ele ganha um bom capital dando palestras no Brasil e no exterior, podendo custear seu tratamento no Sírio Libanês. Qual o crime nisto? Qual o pecado?
Quem está sugerindo para ele se tratar no SUS, se trata no mesmo? Ou são pessoas, que têm inveja de ver um migrante que saiu da extrema pobreza, foi presidente duas vezes sem nenhuma formação acadêmica e agora é respeitado no Brasil e no exterior? Aliás, um dado: se um dia você precisar de um transplante, ele será feito pelo SUS e a taxa de sucesso é maior do que 98%. Portanto é melhor parar de insinuar que o Sistema Único de Saúde é uma grande desgraça.
Uma notícia que vai chocar muitas pessoas:

Transplantes: Einstein chega a 1500 transplantes pelo SUS


Hospital comemora e desponta como multiplicador de conhecimento pioneiro entre profissionais de todo o país.

Dezembro de 2009 ficará marcado na história do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) como o mês em que a instituição alcançou a marca de 1500 transplantes de órgãos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E esse nem é o único motivo de comemoração. Na busca para aumentar a doação de órgãos no país, os programas realizados pelo HIAE têm apresentado resultados melhores do que o esperado.

O Sistema Nacional de Transplante (SNT) subsidia, pelo SUS, mais de 90% dos transplantes realizados no país. O HIAE é, desde 2002 e por iniciativa própria, uma das instituições credenciadas para a realização dessas cirurgias.

Desde então, o Einstein tornou-se responsável pelo maior número de transplantes de fígado da América Latina. Hoje é também um dos principais transplantadores de rim no Brasil e o terceiro maior em transplantes de coração, no estado de São Paulo. “O contrato do HIAE com o SUS faz parte do Programa de Filantropia da instituição. Atingir esse número, de 1500 transplantes, demonstra o sucesso desse programa, criado para ajudar a população e dar acesso às melhores práticas cirúrgicas possíveis”, explica o dr. Ben-Hur Ferraz Neto, gerente médico do Programa Integrado de Transplante de Órgãos do HIAE. “Temos orgulho de contribuir com a sociedade brasileira em área tão nobre da medicina”, afirma o médico.

A partir do momento em que o indivíduo é encaminhado ao HIAE, por médicos de todas as regiões do país, torna-se um paciente do hospital para sempre. O atendimento é realizado desde a primeira avaliação, passando pelo tempo em que fica na lista de espera por um órgão e permanecendo por todo o acompanhamento após o transplante.

“Além disso, os resultados apresentados pelos transplantes no HIAE são mesmo diferenciados. No mínimo, 10% superiores à média em São Paulo. Isso significa que temos 10% mais pacientes transplantados vivos do que a média dos hospitais no estado”, afirma.

Ao todo, o HIAE realiza 12 mil consultas por ano, atendendo pacientes antes e depois do transplante.

Entre os pacientes do HIAE na lista de espera por órgãos - controlada pela Secretaria de Estado da Saúde - 600 esperam por um rim, enquanto 200 esperam por um fígado. Cem pessoas aguardam a chegada de pâncreas e rim (ao mesmo tempo), seis estão à espera de um pulmão e 20, de um novo coração.

De 2002 a 2009, o HIAE realizou 110 transplantes privados e 1500 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A demanda, pelo SUS, é muito maior, claro. Afinal, atende pessoas que, sem essa ajuda, não teriam condições de arcar com as despesas de uma cirurgia desse porte e acabariam morrendo”, explica o médico.


Estes são fatos históricos, não é necessário partidarismo para reconhecê-los. Pode-se discordar das políticas de seu governo, mas o que mencionei acima são fatos incontestáveis.
Torço sinceramente que quem agora chega na baixeza de desejar a morte e o sofrimento do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva nunca sofra com um câncer ou nunca veja um parente próximo lutando contra esta doença. Cada vez que alguém fala isto, a palavra "humanidade" perde um pouco do sentido.

Comentário do Celso:
Pode-se concordar ou discordar do posicionamento político de Lula, mas desejar-lhe a morte por causa do aparecimento de um câncer é coisa de gente chula, baixa e que nunca passou pelo tratamento desta doença, ou não teve conhecidos e/ou parentes que foram vitimadas por ela.
Não me lembro de ninguém ter mandado a Dona Ruth Cardoso ir se tratar no sistema público de saúde do Estado de SP, que é perfeito na visão dos tucanos.






sábado, 29 de outubro de 2011

Ex-presidente Lula está com tumor na laringe e fará quimioterapia


O ex-presidente Lula, em São José dos Campos, em 2008. Foto:Aurelio Moraes

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou exames neste sábado (29) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tendo sido diagnosticado um tumor localizado de laringe.
Segundo o hospital, ele será tratado com quimioterapia.
"O paciente encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial", afirma a nota do Sírio-Libanês.
O câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem esta área e 2% de todas as doenças malignas. Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem na corda vocal verdadeira e 1/3 acomete a laringe supraglótica (ou seja, localizam-se acima das cordas vocais).
Na história do paciente, o primeiro sintoma é o indicativo da localização da lesão. Assim, odinofagia (dor de garganta) sugere tumor supraglótico e rouquidão indica tumor glótico e subglótico. O câncer supraglótico geralmente é acompanhado de outros sinais e sintomas como a alteração na qualidade da voz, disfagia leve (dificuldade de engolir) e sensação de um "caroço" na garganta. Nas lesões avançadas das cordas vocais, além da rouquidão, pode ocorrer dor na garganta, disfagia e dispnéia (dificuldade para respirar ou falta de ar).
Com informações do INCA.