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sábado, 23 de abril de 2011

Pelo fim da Páscoa

Chega de Páscoa Sofrida
Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo

Escritor propõe o Feriado do Coelhinho em substituição
à Semana Santa
Estimados leitores, essa coluna inicia aqui o movimento internacional e global pelo fim da Páscoa. O que não significa o final do feriado, de maneira alguma. Todo mundo vai poder continuar ficando preso em engarrafamento livremente, não se preocupem.

Mas, o que eu acho que seria uma excelente ideia é apenas remover do nosso calendário emocional uma data baseada no pior do catolicismo: a ideia de compartilhar do sofrimento de algo ou alguém que estava lá de propósito e para isso mesmo.

Páscoa, estimados leitores, está centrada na tal paixão de Cristo. Mas paixão aqui no sentido latino, de passio, ou sofrimento. Na paixão de Cristo, o coitado é sovado sem dó por romanos e por quem mais estiver assistindo, e a gente é convidado a compartilhar da pancadaria na condição de quem a sofre. No grande final, o sujeito que veio até aqui para salvar todo mundo dos seus pecados é solenemente crucificado. Essa não é a minha ideia de divertimento, estimados leitores.

Apenas como comparação linguística, compaixão é compartilhar do sofrimento do outro. Na forma germânica, compaixão é Mitgefühl, ou algo assim, significando co-sentir, ou compartilhar dos sentimentos do outro. Eu gostaria muito, muito mais se a gente passasse a comemorar um feriado onde se praticasse o Mitgefühl, e a gente se dedicasse a sentir o outro, e, eventualmente, compreendê-lo, do que passar dias pensando no coitadinho do outro e o quanto ele se sacrificou por nós, sem que a gente pedisse.

Culpa, dor, sofrimento. Essa é a parte do catolicismo que mais me incomoda, o culto ao que existe de pior na vida, a celebração da morte, o que invariavelmente leva a sentimentos de vingança. Meu pobre pai sofre até hoje pelo que ele e os meninos da sua vizinhança faziam no sábado de malhar Judas, instigados pelo padre, quem mais.

Saibam que os romanos crucificavam todo mundo e por qualquer motivo. O cara espirrou torto, pimba, crucifiquem. Madeira e mão de obra custavam pouco, a civilização romana, com toda sua sofisticação, era muito cruel na essência. Não havia nada de especial em crucificar alguém, apenas o horror da coisa, que os contemporâneos viam e temiam. A cruz somente foi adotada pelo cristianismo uns quatro séculos depois de pararem com a prática da crucificação, quando a memória do seu horror já estava distante o suficiente para a cruz poder ser tratada como símbolo, um símbolo muito, muito eficaz. Para que celebrarmos hoje em dia o que existe de pior em uma religião tão preocupada com o sofrimento nesse mundo? Vamos para o outro lado, vamos curtir o feriado imersos em pensamentos mais felizes.

O coelhinho da Páscoa é o meu candidato a se tornar o símbolo da Nova Páscoa. Chocolate é muito melhor enquanto proposta de vida. Estimulante, prazeroso pra caramba, mais saudável do que dizem. E o coelhinho, por diversos motivos, é símbolo do que existe de divertido na vida, não é?

Não que coelhos ovíparos sejam exatamente algo muito racional. Mas, se pensarmos em crenças esquisitas, o mito cristão é tão esquisito quanto, e muito menos feliz. Feriado do Coelhinho, já. Começou a campanha e unam-se a ela, caros leitores.

O mundo era o que era, e é certo lembrar dele como foi, para compreendermos melhor o que nos tornamos. Mas celebrar os seus piores aspectos, eternizando-os em nossa mente coletiva não me parece uma boa maneira de caminhar pela vida, como sociedade.

Guerras, lutas, morte, dureza, fome, constituíram a experiência central da humanidade por milênios, mas lutamos muito e superamos parte desse karma. Existem guerras, existe infelizmente ainda a fome. Mas a maioria dos humanos não está experimentando nada disso e provavelmente nunca irá ter a tristeza de passar por tanta desgraça. Temos vacinas, produzimos comida, criamos sistemas de governo centrados na ideia de que o bem comum deve ser buscado por todos e para todos. Queremos aprender a parar de aquecer o planeta, devastar sua natureza e eliminar a pobreza mais dura. Assim que conseguirmos isso e ainda por cima fizermos desaparecer o axé, estaremos bem. Isso, sim, merece ser celebrado, e creio que o Coelhinho, com sua mensagem de fertilidade e alegria será um ótimo representante do novo feriado.

Enquanto vocês pensam no assunto, vou aqui praticar a felicidade fazendo o meu inigualável chocolate quente, receita do Café Hermés, de Paris, com o maravilhoso chocolate Rey, em pó e em barra, vindo da Venezuela especialmente para essa ocasião.

Quem quiser se juntar a mim nos festejos da Nova Páscoa, é só pedir e eu mando a receita do chocolate quente perfeito. Uma feliz Nova Páscoa a todos, é o que lhes deseja esse seu servo, eu.


Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.



Aurelio comenta:
De fato, não precisamos mais de mitos religiosos em nossa sociedade. Melhor pensar mesmo no coelho da páscoa do que em uma história sem sentido de um deus sádico e que manda seu filho para morrer.






quarta-feira, 20 de abril de 2011

Padre cachaceiro e ladrão causa acidente em rodovia de SP

Esse papo de que vinho de missa não embebeda nunca me enganou.


Agência Estado

Detido diversas vezes por dirigir embriagado e causar acidentes em São Jose do Rio Preto, a 440 quilômetros de São Paulo, o padre Aparecido Donizete Bianchi, de 52 anos, está internado, em estado grave, no Hospital de Base do município, vítima de mais um acidente após dirigir sob efeito de álcool. Segundo boletim médico divulgado às 17 horas de hoje, Bianchi - que está em coma induzido e respira com auxílio de aparelhos - não apresentou qualquer melhora desde às 21h30 do último sábado, quando foi internado. Ele fraturou a bacia, sofreu uma forte lesão num dos pulmões e corre risco de morrer. Na manhã de hoje, ele recebeu a visita de um padre, que foi abençoá-lo, e da irmã.
O padre ia para uma festa, na cidade de Planalto, quando perdeu o controle do veículo, modelo Gol, que dirigia e bateu de frente com um caminhão guincho. O acidente foi na estrada vicinal que liga Ubarana a Santa Luzia, duas cidades próximas de Planalto, município para onde ele foi transferido, em 16 de abril do ano passado. Ele perdeu o cargo de diácono da Catedral de São José (igreja matriz de Rio Preto) por causa das ocorrências policiais. Os fiéis de Planalto o aguardavam para comemorar um ano de atividades do padre na comunidade, mas o acidente adiou a festa. Mais uma vez o padre, que estava com a carteira nacional de habilitação (CNH) suspensa por conta dos acidentes, estaria dirigindo sob efeito de álcool.

Segundo a polícia, no carro, que ficou com a frente totalmente destruída, foram encontradas latas de cerveja. O padre também é acusado de, antes do acidente, pegar R$ 20 em mercadorias na loja de conveniência de um posto de combustíveis e sair sem pagar. O dono do posto, localizado em frente do trevo de Ubarana, fez boletim de ocorrência contra o padre e disse aos policiais que o religiosos estava bêbado.

A assessoria da Diocese de Rio Preto informou que o bispo dom Paulo Mendes Peixoto estava viajando e deveria dar entrevista coletiva amanhã para comentar o assunto. A Diocese divulgou uma nota explicando os procedimentos adotados diante dos acontecimentos envolvendo o padre.

Em 2006, Bianchi foi processado e posteriormente condenado por dirigir embriagado, desacatar e tentar corromper policiais. Parado na blitz, bêbado, ele aumentou o volume do som do carro e desacatou os policiais militares dançando a música do "É O Tchan". Pelo deboche, e posterior tentativa de suborno, e por dirigir embriagado, pegou pena de dois anos em regime fechado, mas a punição foi transformada em serviços para a comunidade. Em 2007 e 2008, ele foi flagrado atravessando preferenciais e o sinal vermelho em ruas da cidade, supostamente embriagado.

Em 2009, com a CNH vencida e com cerveja no carro, atropelou dois motociclistas e fugiu sem prestar socorro. Por conta do acidente, foi transferido para Planalto, e após suposto tratamento contra o álcool, seria pego novamente, desta vez por policiais rodoviários, dirigindo em ziguezague na rodovia BR-153. Ainda em 2010, ele teria sido acusado de assédio moral por hostilizar a acompanhante de uma idosa.

Fonte