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domingo, 29 de janeiro de 2012

Como proceder em caso de interrupção no fornecimento de energia elétrica em sua residência

Todas empresas de distribuição de energia elétrica no país são obrigadas a seguir alguns índices de qualidade de fornecimento.

Os dois principais índices são:
DIC - que estabelece a duração máxima de interrupção mensal no fornecimento de energia elétrica (por exemplo: 2,42 horas);
FIC - que estabelece a frequência máxima de interrupção mensal no fornecimento de energia elétrica (por exemplo 1,33 vezes).

Para um dado grupo de consumidores esses índices não podem exceder valores estabelecidos por portarias do órgão regulamentador, a ANEEL, e podem ser conferidos em sua fatura de energia.

Em caso de interrupção no fornecimento de energia elétrica em sua residência, proceda da seguinte forma:
a) anote data e horário do início da interrupção;
b) ligue para sua empresa distribuidora de energia elétrica, comunique a interrupção e anote o número do protocolo o qual é de fornecimento obrigatório;
c) anote data e horário do término da interrupção.

Quando for entregue a fatura mensal de fornecimento de energia elétrica verifique se os índices apurados correspondem à realidade. Muitas empresas de energia elétrica mascaram estes valores para não sofrerem multas.

Em caso de divergência, principalmente de valores aquém da realidade, abra um processo junto a ANAEEL solicitando o reembolso que lhe é devido e que foi negado por omissão.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Aos eco-chatos: números sobre Belo Monte

Aneel aprova cobrança de luz segundo o horário de consumo

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou nesta terça-feira uma nova forma de cobrança na conta de luz. O consumidor que optar pela modalidade terá tarifas diferenciadas de acordo com o horário, sendo a energia no horário de pico a mais cara.

A nova regra passará a vigorar a partir de janeiro de 2014 para os consumidores que quiserem e que tiverem medidor eletrônico de energia. Em 2013, serão feitas simulações, e os resultados, divulgados.
Haverá três momentos tarifários: ponta (pico), fora de ponta e intermediário.

A nova regra aprovada define que o horário de pico terá tarifa cinco vezes maior do que o horário fora de pico. O horário intermediário terá tarifa três vezes maior que o momento fora de pico.

O horário de pico terá três horas de duração. O intermediário terá duas, uma antes e outra depois do horário de pico. Cada distribuidora vai determinar seu horário de pico, mas a decisão terá de passar por consulta pública e passar pelo crivo da Aneel.

O objetivo da mudança é alterar os hábitos de consumo e desafogar as linhas de transmissão nos horários em que há mais demanda por energia. O mesmo raciocínio é a justificativa para o horário de verão, que visa deslocar o consumo para mais tarde da noite.

Geralmente o horário de pico vai das 18h às 21h.


FLEXIBILIDADE
De acordo com a Aneel, a nova modalidade será adequada para os consumidores que têm flexibilidade para alterar os modos de consumo de energia elétrica.

Além de reduzir o consumo durante os horários de maior carregamento do sistema elétrico, a agência espera que o consumidor se oriente pelos resultados dos testes de 2013 e decida aderir à nova forma de cobrança caso esteja seguro de que haverá redução da sua fatura.

A nova modalidade tarifária será opcional para todos os consumidores residenciais, exceto para o mercado de baixa renda, que já conta com a chamada tarifa social.


Essa modalidade de cobrança só vale a pena para as indústrias, que já a adotam há décadas, pois podem flexibilizar seus horários de consumo.
Os consumidores residenciais tem perfil de consumo diferenciado e seu pico é alcançado justamente ente as 18h e 21h. Somente os mal informados optarão por esta tarifa diferenciada, a qual já teve tentativa de implantação na França com fracasso retumbante.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Globais gravam vídeo de protesto contra Belo Monte

Artistas globais gravaram um vídeo de protesto contra a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA). No vídeo, atores como Juliana Paes, Cissa Guimarães, Eriberto Leão, Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Maitê Proença, entre outros, questionam a viabilidade da usina.

Confira o vídeo:



Eles participam de um movimento chamado "Gota D'Água", que se propõe a "mostrar que o bem é um bom negócio e envolver a sociedade brasileira na discussão de grandes causas que impactam o nosso país".

"A primeira campanha do movimento discute o planejamento energético do país pela análise do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, a mais polêmica obra do PAC. O braço técnico desta campanha é formado por especialistas ligados a duas organizações de reconhecida importância para a causa: 'Movimento Xingu Vivo Para Sempre' e o 'Movimento Humanos Direitos'", informa nota no site do movimento.

A obra de Belo Monte tem custo estimado em R$ 26 bilhões. Uma das críticas à nova hidrelétrica é que ela não irá operar na capacidade máxima, visto que, durante o período de seca, a baixa vazão do rio Xingu irá obrigar a redução na geração de energia.

Além disso, duas terras indígenas --Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu-- ficam no trecho do rio Xingu que terá sua vazão reduzida por causa da barragem. Como os índios dependem do rio para alimentação e transporte, o modo de vida tradicional dessas populações está ameaçado pela usina.

Fonte

Comentário do Celso:
O Brasil é um dos poucos países do mundos que tem sua matriz energética principalmente baseada em recursos hidroelétricos cuja geração não é poluente, conforme ilustrado abaixo:



Pode-se verificar que quase 76% da energia gerada em nosso país vem de usinas hidroelétricas e, se somarmos as energias de origem nuclear, biomassa e eólica (todas não emissoras de poluentes) esse valor ultrapassa os 83%.

Devido a nossa imensa área e aos nossos rios de grande volume d'água somos o país com o maior recurso hidroelétrico mundo, mas ainda ficamos atrás do Canadá e dos Estados Unidos em volume de geração, mas esse fato será revertido em alguns anos pois somos uma economia com forte crescimento e, portanto, ávida de energia.

A geração de energia elétrica dá-se sem poluição, não há emissão de dióxido de carbono (CO2) e o único incoveniente é a grande área ocupada pelo lago que as usinas requerem, fato esse de importância diminuída pela extensão de nosso país.

A principal alternativa às usinas hidroelétricas é a geração por fusão nuclear, a qual também requer grandes volumes de água, é cara por causa dos materias empregados na sua construção segura e por causa dos custos de sua matéria prima e seu principal problema é o destino seguro do material radioativo que gera.

A energia elétrica produzida por painéis solares ainda é muito cara, ineficiente pois gera poquissima potência por unidade. Já a energia eólica depende exclusivamente dos ventos mas os geradores são custosos, empregam materias derivados de petróleo na construção de suas pás, requerem mantenção constante, necessitam de grandes áreas para gerar pouca energia a qual não é constante por causa justamente dos ventos e geram um barulho ensudecedor; produzem sons na faixa audível e no infrassom, causando grandes danos a humanos e animais.

Não vou me alongar mais  com considerações técnicas mesmo porque o vídeo dessa "campanha" me deu muito medo, tive pavor indescritível ao imaginar os seios que a Maitê Proença ameaçou mostrar. Fui poupado desse pesadelo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pacientes em tratamento médico em casa não pagarão conta de luz

As pessoas em tratamento médico que mantêm em casa equipamentos de saúde e que estão inscritas no cadastro único do governo federal não vão pagar mais pela luz que consomem.

A portaria que determina a isenção do pagamento de tarifa de energia elétrica foi assinada nesta terça-feira pelos ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e de Minas e Energia, Edison Lobão.

Um dos grandes problemas enfrentados por quem precisa manter permanentemente em casa equipamentos médicos essenciais, como de aspiração de secreções ou de apoio à respiração, é a dificuldade de pagar a conta de energia, relatou o ministro da Saúde.

"Esse é um dos grandes problema da atenção domiciliar, um dos grandes gastos feitos pelas famílias".

Para ter direito à isenção, é necessário comprovar, por meio de laudo da secretaria de saúde estadual ou municipal, a necessidade de uso dos equipamentos e atualizar regularmente as informações cadastrais na concessionária de distribuição de energia e na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

segunda-feira, 7 de março de 2011

Novos direitos e deveres para consumidores de energia elétrica

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) divulgou em seu site oficial a nova Resolução nº. 414/2010 que entrará em vigor no dia 15 de março. Essa norma estabelece os direitos e deveres de quem utiliza a energia elétrica, assim como também as condições gerais do fornecimento do serviço. As mudanças foram pensadas para trazer avanços positivos na relação entre a distribuidora de energia e o consumidor.

Entre as exigências, o corte de energia, por falta de pagamento da conta, só poderá ser feita em horário comercial e corte até 90 dias após a constatação do atraso. Além disso, o item mais solicitado pelos consumidores à agência, finalmente será atendido. Todos os municípios deverão instalar postos de atendimento presencial com horários de funcionamento e prazo máximo para a implantação variando de acordo com o número de unidades consumidoras.

Para locais com unidades consumidoras entre duas mil e 10 mil, a carga horária estipulada é de no mínimo quatro horas diárias e devem ter postos até o dia 15 de junho. Já os com mais de 10 mil unidades consumidoras devem ter postos já a partir de 15 de março e oito horas diárias de funcionamento. Todos devem ter estipulado o tempo máximo de espera de 45 minutos, exceto em casos marcados devido à urgência da situação.

Outra exigência será referente aos contratos. O consumidor poderá finalizar o contrato com a distribuidora mesmo se tiver contas de energia em atraso. Lembrando que isso não exclui a dívida existente, que poderá ser cobrada judicialmente. Também haverá a mudança na cobrança da tarifa mínima proporcional ao período em que o serviço estava disponível e, não como era antigamente, cobrada de forma integral.

Em cobranças indevidas, o valor pago a mais era devolvido ou descontado da fatura seguinte. A partir deste mês, todo o valor pago em excesso será ressarcido em dobro. O prazo para ligar a energia elétrica também sofre alterações. Antes se esperava mais de três dias, com a norma, o prazo é de dois dias úteis. Lembrando que emergências devem ser atendidas em quatro horas quando solicitado pelo consumidor, mas com o preço diferenciado.

Mesmo sendo a Aneel responsável por conscientizar a população, o consumidor ainda é o principal fiscal de seus direitos e obrigações, portanto cabe a ele cobrar e colocar em prática as alterações adotadas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Grandes apagões viram rotina no Brasil


Dez anos depois de mergulhar no maior racionamento da história, o Brasil volta a conviver com problemas no setor elétrico. Mas, desta vez, a crise não está na falta de energia, como ocorreu em 2001, mas na dificuldade de fazer o produto chegar até o consumidor final. Nos últimos meses, uma série de apagões e blecautes regionais causaram transtornos e prejuízos aos brasileiros.

Só neste ano, até o dia 22, foram 14 grandes ocorrências, conforme relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A maior delas deixou o Nordeste sem luz por até cinco horas. O incidente - ainda sem explicações precisas - garantiu ao Brasil o título de país com o maior número de blecautes de grandes proporções. Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas.

Além dos grandes apagões, que normalmente ocorrem por falhas no sistema de transmissão, a população também tem convivido com uma série de desligamentos na rede de distribuição, de responsabilidade das concessionárias. Nesses casos, os cortes estão limitados às áreas de concessões das empresas, cidades ou bairros. As companhias alegam que a culpa é de São Pedro e que as redes não têm suportado as fortes chuvas.

Os constantes blecautes estão traduzidos na piora do indicador de qualidade do fornecimento de eletricidade, medido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nos últimos três anos, o tempo médio que o brasileiro ficou sem luz subiu quatro horas. "Hoje temos energia e não conseguimos entregá-la com a qualidade necessária. O problema é que o governo nunca explica o real motivo dos apagões", afirma o diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria.
Para especialistas, a origem dos apagões está em investimentos menores que a necessidade da rede de transmissão e distribuição. "Houve um descompasso entre os investimentos da geração e transmissão", afirma o presidente da Compass Energia, Marcelo Parodi. Mas o problema não é a falta de novos empreendimentos, já que a Aneel tem feito leilões contínuos de linhas de transmissão e as distribuidoras, ampliado o número de clientes.

O problema está nos equipamentos antigos, que nem sempre recebem a manutenção adequada, especialmente diante do forte aumento do consumo. De 2000 pra cá, o uso de energia pelo brasileiro subiu 36%, apesar do racionamento, que derrubou em 8% o consumo em 2001.
"Se uma empresa não está investindo o suficiente agora, o problema só vai ocorrer anos mais tarde", afirma o presidente da PSR Mário Veiga. Ou seja, os apagões de hoje podem ser resultado de anos sem investimentos adequados.

Disse e repito: os tucanos, através de FHC, Covas e Alckimin, venderam as empresas de energia elétricas estaduas e federais a preços simbólicos e, há tempos, os grupos estrangeiros gratificados só pensam em redução de custos e remessas às matrizes. Investimento em  novas tecnologias (como, por exemplo, distribuição subterrânea de energia) não é cogitado.
Preparem-se, a situação realmente só tende a piorar.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Deputados querem devolução de R$ 7 bi a consumidor

Um grupo de deputados quer que as concessionárias de energia elétrica devolvam ao consumidor o que receberam indevidamente durante sete anos. Estimativa feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que um equívoco de cálculo fez com as empresas recebessem R$ 1 bilhão a mais por ano no período de 2002 a 2009. A devolução dos recursos, estimados inicialmente em R$ 7 bilhões, está prevista no Projeto de Decreto Legislativo 10/2011, apresentado na última quarta-feira (23) na Câmara.

Segundo a proposição, as distribuidoras cobraram na conta de luz, durante sete anos, uma contribuição com o pretexto de custear o fornecimento de energia em localidades e sistemas isolados do país. A cobrança foi considerada irregular pelo TCU. No último dia 25 de janeiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a decisão tomada em dezembro de 2009 de desobrigar as concessionárias de restituir os valores aplicados irregularmente.

A proposta apresentada na Câmara susta “os efeitos normativos” da agência reguladora. Na justificativa do projeto de decreto legislativo, os deputados que assinam a proposta acusam a Aneel de “negar o direito dos consumidores brasileiros de serem ressarcidos do erro da metodologia de cálculo que elevou ilegalmente as tarifas de energia elétrica” entre 2002 e 2009.

“Mas esse cálculo não levou em conta o crescimento do número de consumidores e as distribuidoras arrecadaram mais do que foi efetivamente gasto na manutenção desses sistemas. Essa arrecadação excedente é proibida pelas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica”, aponta a assessoria do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), um dos responsáveis pela apresentação do projeto. O parlamentar pernambucano disse ao Congresso em Foco que a iniciativa já reúne 180 assinaturas de parlamentares na condição de “co-autores” da matéria.

“No plenário, não tenho a menor dúvida de que vamos conseguir a aprovação, até porque é um direito dos consumidores brasileiros. Temos um apoiamento quase unânime”, avalia Eduardo, para quem o valor cobrado indevidamente dos consumidores pode dobrar, feitas as correções inflacionárias. “Não menos que R$ 7 bilhões – o Tribunal de Contas da União [TCU] disse que a dívida estava calculada em R$ 1 bilhão por ano [entre 2002 e 2009]. Mas esse valor pode chegar a R$ 15 bilhões. Só vamos ter essa certeza quando esse levantamento for finalizado pela Aneel.”

Segundo a justificativa do projeto de decreto legislativo, o pagamento indevido de tarifas fere dispositivos da Constituição, do Código de Defesa do Consumidor e da própria Aneel, na definição de direitos e deveres do consumidor, “em especial do direito ao ressarcimento pelos valores cobrados indevidamente (artigos 76 a 78 da Resolução Aneel n.º 456, de 2000; e o artigo 113 da Resolução Aneel nº 414, de 2010)”. Eduardo da Fonte diz que, em vez de funcionar como agência reguladora, a Aneel demonstra estar a serviço das distribuidoras de energia elétrica.

“Não foi erro. Foi roubo”
O caso teve início em 2007, no âmbito da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara. Na ocasião, o deputado Elismar Prado (PT-MG) e alguns membros do colegiado pediram uma auditoria nas contas administradas pelas concessionárias de energia elétrica.

Os indícios de irregularidade resultaram na instalação da CPI das Tarifas de Energia Elétrica, que, entre outras resoluções, levaram ao indiciamento do diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, junto ao Ministério Público Federal. Segundo Eduardo da Fonte, ele “obstruiu o trabalho da CPI por não ter fornecido os dados referentes às cobranças indevidas” do período 2002-2009. Também foi determinado que cerca de 20 agentes da agência fossem investigados, mas por outras questões.

No entanto, depois de reunião dos membros do colegiado, decidiu-se que as investigações deveriam ser estendidas a todos os citados no relatório final da CPI – inclusive Hubner, mas sem que o pedido de indiciamento dele fosse levado adiante. Na ocasião, o diretor-geral disse que não poderia ter apresentado os dados sem que a defesa das distribuidoras de energia tivesse sido encaminhada à Aneel.

Em novembro de 2010, o relatório final da chamada CPI da Conta de Luz determinou que a Aneel exigisse das empresas concessionárias a devolução dos valores recebidos indevidamente dos consumidores. Em desobediência ao colegiado, a agência se limitou a executar a revisão dos contratos com 63 distribuidoras, e definiu um novo sistema de reajuste de tarifas que impediria cobranças indevidas. A restituição dos valores não foi determinada pela Aneel, sob o argumento de que, por falta de fundamentação jurídica, as regras do novo contrato não poderiam retroagir.

“Ao se negar a devolver esses valores, eles patrocinaram um calote ao povo brasileiro”, fustigou Eduardo da Fonte, lembrando que, em audiência pública na Câmara, os próprios representantes da Aneel reconheceram o erro e se dispuseram a corrigi-lo, mas sem que os valores fossem repostos. “Na minha avaliação, não foi um erro, foi um roubo. Eles [responsáveis pelas distribuidoras] agiram de má fé”, completou Weliton Prado (PT-MG), que também subscreve o projeto protocolado na Mesa Diretora. Weliton é irmão de Elismar Prado, o ex-membro da CDC.

Weliton disse à reportagem que trabalha no projeto desde antes da posse para a atual legislatura. E garantiu que, mesmo na semana pré-carnavalesca, continuará a conscientizar “o máximo de deputados” em relação à importância da matéria. Ele acredita que, longe de uma ação isolada, o conjunto de deputados em defesa do tema “dará força ao projeto”. “Costumo dizer que o Parlamento é igual a feijão: só funciona na pressão”, diz o petista, ressalvando o papel da imprensa em manter o assunto em evidência.

O Congresso em Foco quis saber a posição da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) sobre o assunto. A assessoria informou que seguidas e longas reuniões, “a portas fechadas”, impediriam que a direção da Abradee, sociedade civil de direito privado, falasse com a reportagem nesta sexta-feira (25). Ainda segundo a assessoria, a entidade está em fase de estruturação em Brasília, uma vez que está em pleno processo de mudança da matriz do Rio de Janeiro para Brasília.


“Tarifa amarela” 
Agora, diz Eduardo da Fonte, o objetivo é conseguir a aprovação de “urgência urgentíssima” para a votação do projeto. Para tanto, são necessárias 171 assinaturas (um terço dos 513 deputados), o que levaria a matéria à condição de item prioritário de votações no plenário da Câmara. Mas, além de a pauta estar trancada por diversas medidas provisórias, o provável baixo quorum na semana que antecede o Carnaval deve atrasar as deliberações.

Para passar a valer, o projeto de decreto legislativo deve ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado. Alcançado esse objetivo, não há necessidade de que a matéria seja submetida a sanção presidencial – o texto entra em vigor tão logo as duas Casas legislativas o aprovem em maioria simples (metade mais um dos parlamentares presentes em plenário). No dia em que o documento foi formalizado, apenas o deputado Guilerme Campos (DEM-SP) pediu a exclusão de sua assinatura de adesão à matéria.

O projeto de decreto legislativo é a primeira cruzada dos deputados contra o que consideram abuso das distribuidoras. Weliton Prado diz que apresentará um projeto contestando as chamadas “tarifas amarelas” que, a depender dessas empresas, seriam cobradas com valores diferenciados, referentes ao consumo em horários de pico.

“Isso é uma forma disfarçada de aumentar a conta de luz”, diz o petista, para quem o consumo em horários não concentrados deve ser estimulado por meio de benefícios, e não de penalizações. Em março, adianta o deputado, será realizada uma audiência pública para debater o assunto. Weliton disse ainda que, desde 2007, parlamentares têm impedido que as distribuidoras apliquem as tais tarifas “diferenciadas”.

A ANEEL, notório cabide de emprego de políticos e técnicos altamente incapacitados desde a época do governo FHC, sempre comeu na mão das distribuidoras de energia elétrica cujos proprietários são, na sua maioria, grupos estrangeiros.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Para Crea, "há riscos de novos apagões" no Rio de Janeiro

Moradores de diversos pontos do Rio de Janeiro precisaram tirar as velas das gavetas na sexta. Faltou luz em vários bairros da Zona Norte à Zona Sul, passando pela Zona Oeste, além de Niterói, São Gonçalo e Baixada Fluminense. A maior parte dos bairros foi atingida de madrugada, mas, em alguns lugares, o problema continuou até a tarde. Especialistas alertam que a rede elétrica precisa ser renovada ou, assim como no ano passado, a população fluminense corre o risco de passar o verão no escuro.
 
Para o engenheiro eletricista Luiz Antônio Cosenza, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio (Crea-RJ), o material usado pela Light e pela Ampla na distribuição de energia não acompanhou o aumento do consumo nos últimos anos: "o problema já existe há tempos e não é resolvido de uma hora para outra. Com certeza há riscos de novos apagões".
 
 
Comissão concluiu que faltou investimento
As constantes faltas de energia causaram transtornos para os cariocas no verão do ano passado. Uma comissão chegou a ser criada na Câmara do Rio para apurar o problema. Os trabalhos, presididos pelo vereador Paulo Messina (PV), concluíram que a gestão anterior da Light deixou de investir. "Houve negligência nos investimentos e hoje estamos sofrendo os reflexos disso", afirmou o vereador.
 
Apesar dos problemas ocorridos, a Light afirma que está investindo na melhoria da rede. Segundo a empresa, só para manutenção foram destinados R$ 10 milhões em 2010, R$ 6 milhões a mais que no ano anterior. A concessionária ainda diz que investiu R$ 525 milhões só para distribuição.
 
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por sua vez, constatou falta de manutenção na rede subterrânea, que alimenta regiões como Zona Sul e Centro. A empresa ressalta que, para a melhoria dessa rede, "foram destinados R$ 32 milhões em 2010, R$ 20 milhões a mais que o aplicado em 2009".
 
 
Na Tijuca, tarde sem energia elétrica prejudica moradores e comerciantes
No dia mais quente do ano, quando os termômetros chegaram a marcar quase 42ºC, a dificuldade para enfrentar o calor ficou ainda maior com a falta de luz. À tarde, de 12h às 17h, não havia energia em alguns pontos da Tijuca, e moradores tiveram que improvisar para suprir a falta de ar-condicionado e ventiladores. Muitos saíram de suas casas e foram caminhar pelas ruas. Outros resolveram sair do bairro e ir para onde havia energia.

Na Rua Alfredo Pinto, uma senhora de 81 anos, que mora em um edifício, não conseguiu retornar para sua casa, que fica no sétimo andar. "Não consigo subir pelas escadas, vou ter que ficar na portaria até a luz voltar", lamentou a aposentada Sara Gutwilen.
 
Comerciantes também sofreram com a falta de energia do bairro. "Em um ano enfrentei vários problemas por falta de luz. Mas com este calor está difícil de trabalhar", reclama Antônio Alves, dono do estabelecimento.
 
Recente pesquisa da Fecomércio-RJ apontou que mais da metade dos comerciantes da capital foi afetada pela falta de energia elétrica nos dois últimos meses de 2010. Ainda segundo o levantamento, esses comerciantes amargaram um prejuízo médio de R$ 11,1 mil, cada. No fim de 2009, apagões causaram R$ 1 bilhão em perdas.
 
Na madrugada de sexta, a interrupção no fornecimento de energia ocorreu por volta das 0h40 devido a uma falha na subestação da Light em Piedade, deixando sem luz até de manhã os moradores de lá e dos bairros do Méier, Abolição, Engenho Novo e Engenho de Dentro. O problema também foi registrado em Realengo, Centro, Catumbi, Estácio, Catete, Flamengo e Laranjeiras. Na Tijuca, algumas áreas ficaram no escuro até a tarde.
 
Na Baixada, trechos de ruas em Belford Roxo, São João de Meriti, Mesquita e Nova Iguaçu foram afetados. A Light apura as causas da interrupção. A Ampla explicou que em pontos isolados de São Gonçalo faltou luz na madrugada por causa do contato de um vergalhão com a rede elétrica. Em Niterói, a concessionária ainda apura os motivos de casos pontuais de queda de energia.

Esta notícia reflete o caos em que se encontra o sistema de distribuição de energia elétrica no país, gerido por empresas na sua maioria estrangeiras, que "compraram" estatais vendidas a preços simbólicos pelos tucanos, as quais priorizam a remessa de lucros para suas matrizes no exterior em detrimento de investimento na expansão de suas redes.