O artigo 228 da Constituição afirma que menores de 18 anos não podem ser presos nem receber penas previstas no Código Penal.
Para os chamados menores delinquentes, existem regras especiais, incluídas no Estatuto da Criança e do Adolescente. A punição mais grave --geralmente aplicada aos menores envolvidos em homicídios-- é a internação pelo prazo máximo de três anos.
Em qualquer situação, a lei manda soltar o autor da infração ou crime aos 21 anos de idade.
Nas últimas duas décadas, o Congresso recebeu cerca de 150 projetos e propostas de emenda à Constituição para reduzir a maioridade penal ou aumentar a punição aos menores, mas nenhum chegou a ser votado em plenário.
No Senado, há uma proposta que pretende reduzir para 13 anos a maioridade penal, apresentada pelo senador Magno Malta (PR-ES).
O projeto chegou a ser aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mas acabou arquivado no início desse ano, na virada da Legislatura.
O político afirma que não desistirá da ideia e promete viajar pelo Brasil, depois do Carnaval, em campanha pela redução da maioridade penal. Dessa vez, Malta quer extinguir o limite de idade.
"O país não pode conviver com a violência que convive, que de cada dez assassinatos, oito tem um menor no meio. Menor não, um homem de 17, 15, 16 anos que mata, que estupra, que sequestra, e depois, quando a polícia põe a mão, e ele diz tira a mão de mim, que sou menor e conheço meus direitos", afirma.
Para mudar a Constituição e permitir penas comuns a menores de 18 anos é necessário o apoio de pelo menos três quintos dos votos da Câmara e do Senado, ou seja, 308 deputados e 49 senadores. Além disso, a proposta deve passar por dois turnos de votação em cada Casa. As informações são da Rádio Senado.
Folha
Sou a favor da diminuição da idade penal, no mínimo para 15 anos. Já sabe-se muito bem o que está fazendo e um moleque que mata nesta idade não é nenhum "menor de idade" ingênuo.
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segunda-feira, 7 de março de 2011
Coma mais arroz integral
Ele é adorado por vários povos, é a base da alimentação de cerca de metade população mundial, e talvez o prato mais presente na refeição diária do brasileiro. Quem ele é? Ajuda se disser que é quase inseparável de seu par nutricionalmente perfeito, o feijão? Claro que estamos falando do arroz!
Nos últimos anos, a preocupação com a alimentação saudável, por atletas e simpatizantes da qualidade de vida, tem elevado a atenção a outro tipo de arroz – o integral, conhecido por suas privilegiadas propriedades nutricionais.
O arroz integral mantém suas qualidades nutritivas, e energéticas e vitais, pois seu grão está completo, com todas as porções comestíveis que originalmente a natureza lhe forneceu. Porções relativas ao farelo do gérmen do arroz estão presentes no arroz integral, o que o torna além de fonte de carboidrato (como também é o arroz polido ou refinado), fonte de proteínas, fibras e gorduras insaturadas essenciais à saúde. A presença destes produtos e outros compostos é que dá a coloração castanha característica desse arroz. Além disso, vitaminas, minerais e vários antioxidantes já foram encontrados no arroz integral.
Entre vitaminas, as do complexo B se destacam, como as vitaminas B1, B2, B3, B6, essenciais para a formação de energia pela célula e na produção de neurotransmissores. Entre os minerais, o magnésio é o mais importante, além do fósforo e potássio. Magnésio é um mineral deficiente em grande parcela de nossa população, e com funções nas mais variadas partes do corpo, incluindo a síntese de neurotransmissores, como a serotonina, a contração da musculatura, a formação óssea e a produção de energia, entre centenas de outras!
Clinicamente, isso coloca o arroz como um alimento extremamente útil para o tratamento da TPM (tensão pré menstrual), do cansaço e falta de energia crônicos, da depressão (substituindo a farinha de trigo e seus derivados com muitas vantagens), da ansiedade, da osteoporose, da constipação intestinal (também conhecida como prisão de ventre). Enfim, é um alimento ideal para ser consumido por todos aqueles que desejam uma alimentação saudável.
Além disso, a presença de fibras, proteínas, magnésio e algumas vitaminas tornam o arroz integral um alimento especialmente importante para aqueles que buscam o emagrecimento. Ele pode auxiliar na saciedade, redução do colesterol, da glicose sanguínea, da ansiedade e da depressão, devido a estes nutrientes. Obviamente, isso só será alcançado quando o arroz fizer parte de uma alimentação individualmente equilibrada e rotineira.
Alguns estudioso indicam a ingestão de arroz integral nos casos de desarranjo intestinal, inflamação cutânea, falta de resistência imunológica e pelas vitaminas suas vitaminas, no tratamento de doenças celíacas (alergia a glúten). O refinamento convencional ou comum (branco polido) do arroz leva a perda de muitas, senão todas essas propriedades benéficas que ele oferece: vitaminas, minerais e fibras.
Em termos de benefícios à saúde, o arroz integral contém três vezes mais fibras do que o refinado, e também possui cinco vezes mais vitamina E, e quatro vezes mais magnésio.
Somado a isso tudo, a grande vantagem do arroz integral é que ele possui um fitoquímico, nutriente antioxidante e anti-inflamatório, chamado Orizanol, que está sendo estudado por sua capacidade de prevenção de doenças. Outra característica desse alimento é que ele é hipoalergênico, ou seja, poucas são as chances de desenvolver alergia a ele. Diferentemente do que ocorre com o trigo, base de produtos como massas, pastéis, bolos e pães. O trigo é responsável por muitas alergias alimentares, e o seu uso contínuo tem sido associado com possíveis problemas de saúde.
Economicamente falando, cabe ressaltar que o Brasil, em especial o Rio Grande do Sul, é um grande produtor mundial de arroz, e consumindo-o, estamos ajudando a reforçar a economia do nosso país. Por outro lado, o trigo é em grande parte importado, gerando evasão de divisas do Brasil para o exterior. Então, vamos comer mais arroz integral?
Dicas de como preparar o arroz integral:
Ferva três xícaras de água para cada xícara de arroz integral. Ao ferver, adicionar o arroz. Aguardar retomar fervura, colocar em fogo baixo, e deixar então a panela semi-tampada. É só aguardar que a água seque, o que deve levar em torno de 20min.
Se você está habituado com o arroz branco que fica pronto em menos de 10min, faça o seguinte: inicie o preparo de sua refeição pelo arroz. Mesmo levando 20min, não atrasará em nada a sua hora de comer!
Tempere seu arroz integral com especiarias! Folhas de alecrim, tomilho, gengibre em pó, casca de cúrcuma (mais conhecido como açafrão), amêndoas, passas de uva, damasco picado. Enfim, são infinitas as possibilidades. Você não vai mais querer comer outro alimento! Ele é versátil, gostoso e saudável.
Por Peter Katzenbeisser e Ricardo Bortman do Ello Gastronômico (www.ellogastronomico.com.br)
Escola laica, liberdade e igualdade
Típico ato proporcionado pela religião: terrorismo maometano
ROSELI FISCHMANN
O lugar do ensino religioso não é na escola pública, mas na família e nas comunidades religiosas, para quem assim o quiser.
Por ser ligado ao direito à liberdade de consciência, de crença e de culto, o ensino religioso depende de ser buscado, não de ser oferecido sob a égide do Estado, por ser matéria íntima, de escolha, segundo a consciência de cada pessoa.
Daí o caráter facultativo para o aluno que a Constituição estabelece para o ensino religioso nas escolas públicas, buscando preservar tanto o direito à liberdade de crença quanto a laicidade inerente à escola pública. Razões de ordem ética, jurídica, histórica e pedagógica amparam essa posição.
Crianças pequenas, de seis anos, iniciando o ensino fundamental, têm suas consciências tenras plasmadas pela escola. Quais as repercussões de conteúdos religiosos conflitantes ao que recebe no lar, em sua compreensão do mundo?
Aprender a não fazer ao outro o que não quer que lhe façam indica formação para autonomia, valorizando a alteridade -cerne da educação. Na escola, o respeito aos outros não pode ser amparado em divindade, mesmo para quem creia.
Porque amparar-se no inefável para garantir a não violência é menosprezar a capacidade humana de respeito mútuo e a própria fé, que não depende de constrangimento e submissão. A escola pública deve explicitar o que é humano (como a ciência) como mutável, porque falível e passível de debate e discussão, sempre sujeito a aperfeiçoamento. Como a Constituição.
A possibilidade de uma PEC que retire o parágrafo primeiro do artigo 210 da Constituição é uma urgência histórica, em prol das próprias religiões. Porque, ao tentar regulamentar o não regulamentável, qual seja, o acordo entre religiões sobre o que ensinar, como conteúdo único, a Lei de Diretrizes e Bases da educação criou mais dificuldades que soluções para o que já era problemático na Constituição.
Mesmo internamente a Constituição parece inconsistente, já que o seu artigo 19 estabelece que é vedado ao Estado "estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança" e "criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si".
Promover um ensino religioso que seja ligado a denominação religiosa específica no âmbito da escola pública (como propôs o acordo da Santa Sé com o Brasil) é promover distinção entre brasileiros.
Mesmo que fosse possível cumprir a promessa de que "todas as religiões serão oferecidas", seriam desrespeitados em seus direitos os agnósticos e ateus.
Supor que seja possível tratar as religiões de forma "neutra", na escola pública, é menosprezar consequências de perseguições e raízes de guerras religiosas que a humanidade travou. Propor ensino religioso como história das religiões pode ser adequado só para jovens e não crianças, e não terá sentido se o professor conduzir o ensino privilegiando sua crença ou descrença.
A escola pública precisa ser entendida como lugar de desconstrução das discriminações que perpassam nossa cultura, de forma silenciosa ou denegada, que desrespeitam religiões e, sobretudo, seus adeptos, todos igualmente brasileiros e brasileiras.
Argumentar que a maioria "democraticamente" tem o direito de impor no espaço público sua crença e que na escola "só fará bem ter (uma certa) religião" reduz a democracia à tirania, pois nega o direito de as minorias serem integralmente respeitadas, a ponto de (como ensina Bobbio e dita a regra do jogo democrático) um dia se tornarem maioria.
ROSELI FISCHMANN é coordenadora do programa de pós-graduação em educação da Universidade Metodista de São Paulo e pesquisadora do CNPq para o tema do ensino religioso. Foi membro da Comissão Especial de Ensino Religioso do Governo do Estado de São Paulo (1995-1996).
Folha de SP-6 de Março de 2010
Novos direitos e deveres para consumidores de energia elétrica
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) divulgou em seu site oficial a nova Resolução nº. 414/2010 que entrará em vigor no dia 15 de março. Essa norma estabelece os direitos e deveres de quem utiliza a energia elétrica, assim como também as condições gerais do fornecimento do serviço. As mudanças foram pensadas para trazer avanços positivos na relação entre a distribuidora de energia e o consumidor.
Entre as exigências, o corte de energia, por falta de pagamento da conta, só poderá ser feita em horário comercial e corte até 90 dias após a constatação do atraso. Além disso, o item mais solicitado pelos consumidores à agência, finalmente será atendido. Todos os municípios deverão instalar postos de atendimento presencial com horários de funcionamento e prazo máximo para a implantação variando de acordo com o número de unidades consumidoras.
Para locais com unidades consumidoras entre duas mil e 10 mil, a carga horária estipulada é de no mínimo quatro horas diárias e devem ter postos até o dia 15 de junho. Já os com mais de 10 mil unidades consumidoras devem ter postos já a partir de 15 de março e oito horas diárias de funcionamento. Todos devem ter estipulado o tempo máximo de espera de 45 minutos, exceto em casos marcados devido à urgência da situação.
Outra exigência será referente aos contratos. O consumidor poderá finalizar o contrato com a distribuidora mesmo se tiver contas de energia em atraso. Lembrando que isso não exclui a dívida existente, que poderá ser cobrada judicialmente. Também haverá a mudança na cobrança da tarifa mínima proporcional ao período em que o serviço estava disponível e, não como era antigamente, cobrada de forma integral.
Em cobranças indevidas, o valor pago a mais era devolvido ou descontado da fatura seguinte. A partir deste mês, todo o valor pago em excesso será ressarcido em dobro. O prazo para ligar a energia elétrica também sofre alterações. Antes se esperava mais de três dias, com a norma, o prazo é de dois dias úteis. Lembrando que emergências devem ser atendidas em quatro horas quando solicitado pelo consumidor, mas com o preço diferenciado.
Mesmo sendo a Aneel responsável por conscientizar a população, o consumidor ainda é o principal fiscal de seus direitos e obrigações, portanto cabe a ele cobrar e colocar em prática as alterações adotadas.
A premonição sob a luz da ciência
Estudo feito por um renomado psicólogo da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, reacende o debate sobre a capacidade humana de antever o futuro
Débora RubinOUSADIA
Um dos melhores pesquisadores de sua geração, o psicólogo Daryl J.
Bem transgrediu as regras da academia ao estudar sobre premonição
Num diálogo do livro “Alice no Outro Lado do Espelho”, de Lewis Carroll, a continuação do clássico “Alice no País das Maravilhas”, a Rainha Branca diz à Alice que tem memória nos dois sentidos, para o passado e para o futuro. Tese que a menina considera um absurdo: “Ninguém pode acreditar em coisas impossíveis”, rebate. A soberana, no entanto, explica que é somente uma questão de prática e a aconselha a imaginar ao menos seis coisas impossíveis antes mesmo do café da manhã. Menos cético que a carismática personagem, o renomado professor americano Daryl J. Bem, um dos mais proeminentes pesquisadores de psicologia de sua geração, segundo o “The New York Times”, ousou deixar de lado a regra silenciosa que paira sobre o ambiente acadêmico, segundo a qual tudo o que foge de uma explicação racional deve ser solenemente ignorado. E desobedeceu a esse hermetismo em grande estilo, ao investigar a capacidade humana de antever o futuro, popularmente conhecida como premonição. Tal qual a Rainha Branca, ele crê na memória com a seta indicando para a frente.
ESTUDO
O procurador aposentado Valter Borges montou um
instituto de pesquisa após a premonição da morte do filho
O mais recente estudo de Bem, publicado no “Journal of Personality and Social Psychology”, da Associação Americana de Psicologia, teve um efeito explosivo sobre a comunidade internacional. Menos por seu conteúdo, também bastante surpreendente, e mais pelas credenciais de seu autor, um notório professor de psicologia da Universidade de Cornell, Nova York, uma das mais prestigiosas dos Estados Unidos. Ele tem mais de 70 artigos publicados e é formado em física pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Até então, os trabalhos sobre as chamadas percepções extrassensoriais, também conhecidas como ESP (sigla em inglês para extrasensory perception) eram considerados menores, pouco científicos. O de Bem e sua equipe quebraram essa escrita. Em sua pesquisa, Daryl J. Bem relata nove experimentos feitos com mais de mil universitários. Os testes, reproduções de estudos clássicos sobre percepção extrassensorial, eram extremamente simples (leia quadro na pág. 50). Neles, os participantes tinham que antever que tipo de imagem iria aparecer no computador ou em qual das duas janelas mostradas na tela iria surgir uma foto. Quando o conteúdo em questão tinha um teor erótico, os estudantes acertavam mais. “Isso entre pessoas comuns, escolhidas de forma aleatória. Meu palpite é de que se eu usar gente mais talentosa, melhor nisso, elas poderão prever qualquer foto”, disse o pesquisador, sem explicar o que quer dizer, ao certo, “gente mais talentosa”.
CHOQUE
A funcionária pública Erilene Pereira anteviu
dois acidentes de carro, com o filho e o cunhado
Segundo Bem, em oito dos nove experimentos houve um índice de acerto acima do que é considerado coincidência ou obra do acaso. Também foi feito um teste no qual o aluno escolhia se queria arriscar mais nas respostas ou se desistia de tentar. “Os que aceitaram correr mais riscos foram os que tiveram mais acertos”, conta Bem. O psicólogo é cuidadoso ao tirar suas conclusões, mas acredita que todo mundo pode ter capacidades precognitivas, embora uns as tenham mais desenvolvidas do que outros. Também explica que as percepções extrassensoriais são fruto do processo evolutivo no qual antever situações de perigo ou propícias à reprodução se tornaram vantajosas ferramentas de sobrevivência. Isso ajudaria a comprovar a existência de premonições.
Outra pesquisa, feita com universitários brasileiros, mostra que pensamentos premonitórios rondam o inconsciente bem mais do que se imagina. Segundo o trabalho realizado em 2008 na Universidade de São Paulo, 71,5% relataram premonição através de sonhos (leia quadro na pág. 55). No Instituto do Sono, de São Paulo, 30% dos pacientes contam ter sonhado com algo que depois se concretizou. Apesar de ser comum e fazer parte da vida de muitos brasileiros, essa capacidade de antever o futuro ainda é encarada como um grande mistério. Poucos cientistas se dispõem a estudar o tema e, mais do que isso, se recusam a comentá-lo. Lá fora, não é diferente. O artigo produzido em Cornell foi recepcionado com duras críticas. Ray Hyman, professor de psicologia da Universidade de Oregon (EUA), disse ao jornal “The New York Times” que o trabalho é loucura pura. “É um embaraço para a categoria”, atacou. Uma das censuras recebidas foi pelo fato de o professor Bem ter avisado os estudantes de que se tratava de um teste de premonição, o que pode ter influenciado as respostas. O físico Rory Coker, da Universidade do Texas (EUA), um crítico contumaz do que chama “pseudociência”, também fez ressalvas ao colega pesquisador. “A ciência não ignora os fenômenos paranormais, o problema é que tudo o que se vê são estudos feitos para provar aquilo no que se acredita. Dificilmente há resultados significativos e poucos trabalhos são reproduzíveis”, disse à ISTOÉ.
Daryl Bem não é o único acadêmico a colocar a mão nesse vespeiro ao longo da história. Em 1934, o professor Joseph Banks Rhine lançou a primeira edição do livro “Percepção Extrassensorial” a partir de vários testes realizados na Universidade de Duke (EUA). Foi ele quem cunhou o termo “parapsicologia” como o nome da ciência que estuda tais fenômenos. Mais recentemente, em 2001, outro professor de psicologia e neurologia da Universidade do Arizona (EUA), Gary Schwartz, testou em laboratório cinco médiuns, entre eles o mais famoso da tevê americana, John Edwards. No experimento, que foi exibido no Brasil pelo canal pago History Channel, Edwards ficava separado de pessoas que queriam saber sobre seus entes falecidos. Eles não se viam, apenas se ouviam e, como no programa, Edwards apenas confirmava as informações. O índice de acertos, segundo o pesquisador, foi de 83%. Schwartz também já esteve na mira do implacável professor Hyman, de Oregon, que o acusou de forjar resultados. “Muitas vezes na história da ciência nós estávamos errados. Quando achamos que a terra era plana, quando consideramos que o sol girava em torno da terra e tantas outras vezes. Prefiro estar sempre aberto a qualquer possibilidade”, defende-se o professor do Arizona.
Daryl Bem não é o único acadêmico a colocar a mão nesse vespeiro ao longo da história. Em 1934, o professor Joseph Banks Rhine lançou a primeira edição do livro “Percepção Extrassensorial” a partir de vários testes realizados na Universidade de Duke (EUA). Foi ele quem cunhou o termo “parapsicologia” como o nome da ciência que estuda tais fenômenos. Mais recentemente, em 2001, outro professor de psicologia e neurologia da Universidade do Arizona (EUA), Gary Schwartz, testou em laboratório cinco médiuns, entre eles o mais famoso da tevê americana, John Edwards. No experimento, que foi exibido no Brasil pelo canal pago History Channel, Edwards ficava separado de pessoas que queriam saber sobre seus entes falecidos. Eles não se viam, apenas se ouviam e, como no programa, Edwards apenas confirmava as informações. O índice de acertos, segundo o pesquisador, foi de 83%. Schwartz também já esteve na mira do implacável professor Hyman, de Oregon, que o acusou de forjar resultados. “Muitas vezes na história da ciência nós estávamos errados. Quando achamos que a terra era plana, quando consideramos que o sol girava em torno da terra e tantas outras vezes. Prefiro estar sempre aberto a qualquer possibilidade”, defende-se o professor do Arizona.
Para confirmar as teses dos estudiosos no tema, dezenas de relatos de premonições vêm a público diariamente, manifestados por pessoas comuns – que trabalham, estudam, têm filhos, professam uma religião ou não. Elas costumam ser atropeladas em seu inconsciente por um acontecimento, uma certeza, quase um clarão, que se impõe sobre sua lucidez e se materializa em realidade horas, dias, meses depois, deixando-as, normalmente, assustadas. Roteiro cumprido pela arquiteta Silvia Arruda, de São Paulo. Em fevereiro de 1986, ela sonhou com uma cena de quebradeira no Brasil. Gente falindo, perdendo dinheiro, corrida aos bancos e supermercados. No dia seguinte, o então ministro da Fazenda, Dílson Funaro, anunciou o Plano Cruzado, que congelou o valor de salários, bens e serviços e provocou uma das maiores crises do governo de José Sarney (1985-1990). Vinte anos depois, um novo sonho premonitório, menos, digamos assim, coletivo. A arquiteta viu o então namorado com uma dançarina ruiva de cabelos cacheados. Contou para ele como quem relata uma curiosidade e foi ridicularizada. Pouco tempo depois descobriu que ele estava saindo com uma mulher tal e qual a do sonho. Detalhe: Silvia não é mística e nem sequer acredita em premonição. Ou, ao menos, não acreditava. “Não acho que seja algo sobrenatural, mas sim uma capacidade da mente em captar pensamentos e sensações não ditos”, afirma.
VISÃO
A gerente de marketing Carolina Oliveira enxergou a separação de um
casal desconhecido, que aconteceu três meses depois
Colocar a mediunidade no mesmo pacote das experiências extrassensoriais é assunto delicado. “A parapsicologia não lida com questões transcendentais, como a comunicação entre vivos e mortos, mas sim com a aptidão humana de manifestar poderes incomuns nas relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo material”, define o procurador de Justiça aposentado Valter da Rosa Borges, de Pernambuco. Nos anos 70, ele criou o Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (IPPP) para tentar entender esses poderes incomuns, motivado por uma premonição que tivera anos antes. Em 1968, ele perdeu o filho Ulisses, de apenas 4 anos, vítima de um edema pulmonar agudo. “No dia em que ele faleceu, ao sair do apartamento onde eu morava, passei por uma alucinação auditiva. Uma voz me disse, por duas vezes, que meu filho ia morrer naquela tarde”, recorda.
“Não é um fenômeno religioso, não é loucura, paranoia, coincidência nem algo sobrenatural”, argumenta a parapsicóloga Márcia Cobêro, professora do Centro Latino-Americano de Parapsicologia (Clap). “É uma faculdade natural que todos têm, mas poucos se dão conta.” Segundo Márcia, a primeira reação das pessoas que têm premonições é achar que possuem um dom. O segundo passo é temer esse dom. Quando começou a ter premonições, o corretor de imóveis de Santo André (SP) Robson Leiva Lazarini ficou assustado e procurou ajuda na religião – primeiro católica, depois batista. Também criou o blog Sonhos Premonitórios (www.premonitoriosonho.blogspot.com), no ano passado. “As pessoas me mandam e-mails para tirar dúvidas. Não sou especialista, mas tento ajudar contando minha experiência.” Uma das que mais o impressionaram foi com um avião que tentava levantar voo no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, não conseguia, virava para a esquerda e batia num prédio baixo. No dia seguinte, foi buscar um cliente no aeroporto e ficou com muito medo que acontecesse algo com o jatinho dele. Quando o cliente aterrissou, respirou aliviado. Minutos depois, o avião da TAM, voo 3054, colidiu com o prédio da própria empresa após tentar arremeter num dia chuvoso. Lazarini ficou arrasado. “Mas o que eu posso fazer com esses sonhos? Ligar para a Anac e avisar? Não sei o que fazer com eles, então resolvi pelo menos registrar os mais recentes no blog.”
REDE
O corretor Robson Lazarini conta suas premonições,
como a de um acidente de avião, em um blog
A paulistana Carolina Oliveira, 33 anos, gerente de marketing , também foi buscar ajuda para lidar com os eventos estranhos que rondavam sua vida. Há dois anos, ela passou a se sentir parte de um roteiro de filme do além. Luzes que acendiam logo após ela ter apagado, barulhos estranhos e fortes intuições do que estava para acontecer – a tal premonição. Quando morava na Itália, uma amiga apresentou um casal e ela, na mesma hora, sem nenhuma informação, viu os dois se separando em pouco tempo. A amiga negou e disse que eles se davam muito bem. Três meses depois, aconteceu o rompimento. “No começo eu tinha muito medo”, recorda Carolina. “Por isso procurei o espiritismo.” Hoje, ela atribui todos os acontecimentos aos espíritos que a guiam e ajudam no dia a dia. E garante que a vida ficou melhor ao saber lidar com esses episódios.
REAL
A arquiteta Silvia Arruda anteviu a traição
do namorado e o advento do Plano Cruzado
“Não existe, até hoje, um estudo que comprove como isso acontece biologicamente. É metafísico e não sabemos como se dá. Mas é inegável que é importante como um processo de autoconhecimento”, destaca o neurologista Luciano Ribeiro, do Instituto do Sono, de São Paulo. Foi essa preocupação que levou a psicóloga Fátima Regina Machado a fazer sua tese de doutorado “Experiências Anômalas na Vida Cotidiana”, defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 2010. Segundo ela, o objetivo era justamente chamar a atenção da comunidade acadêmica e dos profissionais da saúde para a importância das percepções extrassensoriais. “Compreendê-las é auxiliar o ser humano a lidar com elas”, destaca. Afinal, argumenta a psicóloga, mesmo sendo um tema marginalizado pela academia, são eventos que “insistem em acontecer” desde que o mundo é mundo.
Na vida da funcionária pública alagoana Maria Erilene Pereira, premonições e fortes intuições insistem em acontecer há algum tempo. Como quando, relaxando em uma rede, ela teve um insight com o filho mais velho, que havia saído com o carro à noite pela primeira vez. Erilene teve uma visão de um sinal próximo de sua casa. Sentiu um aperto no peito e ficou com receio de que acontecesse algo quando o filho passasse por ali. Ligou para ele e pediu que voltasse para casa. O jovem tentou acalmá-la, dizendo que estava tudo bem. Horas depois, ligou, aflito: havia batido o carro naquele local. “Tivemos sorte, só o veículo sofreu danos sérios. Ele ficou bem”, relembra. Muito pior foi o sonho no qual um de seus cunhados recolhia pedaços de um corpo após um acidente de carro. Dois meses depois ela perdeu um outro cunhado numa batida. E aquele do sonho, que recolhia os pedaços, foi o primeiro a chegar ao local do acidente. Os eventos ajudaram Erilene a cuidar de sua espiritualidade e se sintonizar mais com sua intuição. “Isso me ajuda a me conhecer melhor.”
Rory Coker, o físico americano que se dedica a denunciar os malefícios da pseudociência, acredita que tudo não passa de probabilidades. “Se toda vez que um parente meu sofresse algo eu sentisse, aí sim seria um fenômeno a ser examinado. Mas isso acontece muito de vez em quando e, portanto, fica dentro das estatísticas”, diz. No entanto, ele admira a coragem de pesquisadores como Daryl Bem. “É saudável que existam cientistas rebeldes que estão sempre imaginando como trilhar novos caminhos, por mais absurdos que eles soem aos nossos ouvidos.” Não à toa, Bem termina seu trabalho citando o diálogo da Rainha Branca e de Alice que abrem esta reportagem. O professor diz que 34% dos psicólogos que estão nas universidades concordam com Alice. E finaliza: “Quem sabe esse estudo não incentive os outros 66% dos meus colegas a investigar ao menos uma coisa anormal por dia.” Afinal, premonições são como as bruxas. Você pode até não acreditar nelas, mas que elas existem, ah, existem.
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Istoé
Pessoalmente, já passei por experiências assim. Penso que é extremamente plausível que tenhamos algumas capacidades no cérebro, com mecanismos ainda não compreendidos completamente, que interajam de maneiras "anômalas" com o espaço-tempo.
Existe um grupo de pesquisa na PUC de São Paulo chamado Interpsi, que estuda estas possiblidades psicológicas. Clique aqui para ler mais sobre o tema.
domingo, 6 de março de 2011
Astrobiólogo diz ter encontrado evidência de vida extraterrestre
O astrobiólogo da Nasa, Richard Hoover, afirmou ter encontrado evidências de vida extraterrestre em um meteorito, segundo estudo publicado neste sábado na revista científica Journal of Cosmology. De acordo com Hoover, ele teria encontrado microfósseis similares a cianobactérias existentes em uma classe extremamente rara de meteoriotos, o CI1, encontrado em áreas remotas do planeta, como Antártica, Sibéria e Alasca.
Para Hoover, o estudo pode permitir a implicação de que a vida está em todos os lugares e que a vida na Terra pode ter surgido a partir de corpos vivos em outros planetas. Segundo Rudy Schild, pertencente do centro de astrofísica Harvard-Smithsonian e editor-chefe do Journal of Cosmology, em comunicado oficial, a análise atenciosa de Hoover fornece provas definitivas de que existe vida microbial em corpos do universo, sendo que alguns destes podem inclusive proceder a origem da Terra e até mesmo do Sistema Solar. "Estas bactérias fossilizadas não são contaminantes para a Terra. São restos fossilizados de organismos vivos que existiram em corpos celestes similares aos deste meteoro, como cometas, luas e outros", destaca o artigo.
Em declarações ao canal de televisão norte-americano Fox News , Hoover afirmou que este campo de estudo não é amplamente explorado porque muitos grandes cientistas afirmaram que é impossível. A publicação ainda convidou mais de 100 especialistas e 5 mil cientistas para revisarem e opinarem sobre o artigo, devido à "controvertida polêmica que pode gerar este descobrimento", afirmou Schild.
Nasa cogita explorar Titã, lua de Saturno
No mês passado, Barack Obama anunciou a inclusão da Nasa no seu plano de corte de gastos. As prioridades da agência nas próximas décadas ainda não foram definidas, mas devem refletir a nova situação. Missões não-tripuladas, como a dos robôs marcianos, podem ganhar destaque: além de um custo menor, oferecem maior segurança de resultados.
O brasileiro Alberto Elfes, de 57 anos, trabalha desde 2001 no Jet Propulsion Lab (JPL, na sigla em inglês), justamente a unidade responsável pelas missões não-tripuladas da agência espacial americana. Há cerca de 5,5 mil funcionários no JPL. Apenas cem possuem o cargo de "principal researcher" - algo equivalente a pesquisador sênior ou professor titular, no Brasil -, o mais alto na hierarquia de pesquisa. Elfes, um filho de alemães que nasceu em Maceió, pertence a este seleto grupo.
No ano passado, veio ao Brasil para um seminário sobre mineração do futuro organizado pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), entidade que coordena as ações de ciência e tecnologia da Vale. Falou ao Estado sobre seu trabalho na Nasa e o sonho de uma missão para Titã.
Quais são seus principais projetos no JPL da Nasa?
Trabalho na área de sistemas robóticos autônomos. Meus principais projetos são um dirigível autônomo - para missões aéreas em Vênus, Titã (um satélite de Saturno), os gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) e até mesmo Marte -, barcos robóticos - úteis para estudos oceanográficos e fluviais na Terra - e, por fim, veículos robóticos para ambientes extremamente difíceis de serem explorados como as florestas tropicais, por exemplo.
A tendência agora é só mandar robôs ao espaço?
É uma discussão complicada. Há dois partidos na Nasa: o pessoal das missões tripuladas - com sede no Johnson Space Center, em Houston (Texas), responsável pelos ônibus espaciais e pela Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) - e o pessoal das missões não-tripuladas - com sede no JPL, em Pasadena (Califórnia). Se você conversar com a turma das missões não-tripuladas, ouvirá que missão tripulada é uma bobagem: você coloca vidas em risco, é absurdamente caro e não traz o resultado científico de uma missão não-tripulada. Obviamente, o pessoal das missões tripuladas vai responder: 'Temos de ir para outros lugares porque esse é o destino humano: procurar novos horizontes, vencer novas fronteiras.' Sou da área de missões não-tripuladas e concordo com o argumento do risco humano e do custo, mas reconheço que o outro lado tem alguma razão. Poderíamos ficar em casa e ver fotos de Paris ou da Amazônia. Mas ninguém fica satisfeito com isso. Queremos ver ao vivo, colocar os pés lá. De qualquer forma, mandar um ser humano para Marte e trazê-lo de volta é um desafio tecnológico brutal e ainda não temos o conhecimento necessário para fazer isso. Uma proposta de missão tripulada para Marte previa três anos de viagem - um para ir, outro para permanecer lá e outro para voltar - e um custo da ordem de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões). Muito otimismo. Pode colocar mais um zero no custo. Basta pensar, por exemplo, no problema da radiação cósmica. A atmosfera de Marte é rarefeita e o campo magnético do planeta não é contínuo. Como consequência, há vastas regiões onde a incidência de radiação cósmica é muito forte. Como proteger os astronautas? Blindando as naves, os módulos que vão desembarcar no planeta e até os trajes espaciais? Tudo fica pesado demais e aumentam as dificuldades da missão. Na verdade, já conhecemos uma solução para esse problema: há regiões onde o campo magnético marciano é extremamente forte e outras onde ele praticamente não existe. Poderíamos levar os astronautas para regiões onde o campo magnético é forte, diminuindo o efeito da radiação cósmica. Mas ainda há inúmeras questões semelhantes a esta sem resposta.
Há continuidade entre seu trabalho na Nasa e sua carreira no Brasil?
Sim. Fui diretor do Instituto de Automação do Centro Tecnológico de Informática (CTI, atual Centro de Tecnologia de Informação Renato Archer), em Campinas, um centro de pesquisa ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Quando assumi o cargo, percebi que era necessário escolher bons projetos para recuperar o entusiasmo do pessoal. Propus então um dirigível autônomo para monitoramento ambiental: o Projeto Aurora. Começamos a trabalhar em 1996. Dois anos depois, publicamos o primeiro paper com os resultados preliminares. Preferimos um dirigível a um helicóptero ou a um avião não-tripulados, pois ele pode permanecer mais tempo no ar a um custo muito menor. Foi o primeiro projeto no mundo de um dirigível autônomo. No Brasil, foi provavelmente o primeiro veículo aéreo não-tripulado a alçar voo. Os papers que a equipe do CTI publicou entre 1998 e 2005 são os trabalhos mais citados quando o assunto é dirigíveis autônomos. Cheguei no JPL em 2001. Em 2002, escrevi um projeto para conseguir dinheiro para desenvolver um dirigível autônomo na Nasa. Já se cogitava o uso dessa tecnologia em missões para Titã ou Vênus. O dinheiro saiu em 2003. Compramos o veículo de uma empresa inglesa - a mesma que forneceu o primeiro dirigível que usamos em Campinas - e começamos a recheá-lo com nossa tecnologia: processadores, sensores, GPS etc. Minha equipe do JPL pesquisou então todos os artigos já publicados que poderiam orientar nosso trabalho. Vieram então me dizer: 'Alberto, os trabalhos mais importantes nesta área são os da sua equipe no Brasil.' Como brasileiro, fiquei muito contente. Temos gente qualificada no País capaz de fazer pesquisa de nível internacional. Só em 2009 alcançamos no JPL o mesmo nível de conhecimento e desenvolvimento do Projeto Aurora.
E qual é o estado atual da missão para Titã?
No começo de 2009, foi apresentada uma proposta de missão para Titã chamada Titan Saturn System Mission (TSSM). A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) também participaria, uma forma de diminuir custos e incentivar a cooperação. Há a expectativa de que a missão para Titã seja aprovada para lançamento em 2018. Neste exato momento, a Nasa realiza seu 'decadal survey', uma pesquisa decenal em diferentes áreas, entre elas, o espaço profundo. Estão decidindo, por exemplo, quais os alvos para os próximos 10, 20 ou 30 anos e quais as principais perguntas científicas a serem respondidas. Os resultados devem sair neste semestre. Estamos torcendo para que a missão de Titã seja considerada de alta prioridade, para ser lançada em um futuro próximo.
Fale um pouco sobre a TSSM.
Eles propuseram um objeto que permaneceria na órbita de Titã - um orbitador - e realizaria o mapeamento do satélite no infra-vermelho e com radares. Também haveria um veículo aéreo - provavelmente um Montgolfière (balão de ar quente) - e um pequeno barco que desceria de pára-quedas em um dos lagos de satélite de Saturno. Os dois permaneceriam ativos por um tempo limitado, realizariam análises físico-químicas de Titã e enviaram os dados antes de acabar a energia.
Por que a energia é um limitante tão importante?
As missões que ultrapassam Marte não podem mais contar com a energia solar. As sondas Galileu (que explorou Júpiter), Cassini (que investiga Saturno) e as Voyagers (que já estão deixando o Sistema Solar) usaram um Radioisotophe Thermal Generator (RTG): uma pílula muito pequena de material radioativo, normalmente plutônio. O decaimento da substância produz calor que é transformado em energia elétrica. Na missão para Titã, o orbitador e o veículo aéreo possuiriam RTGs.
Vocês estão estudando dirigíveis, mas disse que a missão para Titã prevê um Montgolfière.
Há vantagens e desvantagens nos dois modelos. O dirigível é mais ágil, mas você precisa levar hélio da Terra para encher o balão e sempre pode vazar um pouco. Um colega realizou um estudo sobre a viabilidade de se substituir o hélio por hidrogênio extraído da atmosfera de metano de Titã: desta forma, não precisaríamos levar o gás da Terra. Mas seria mais um sistema, mais uma complexidade e, portanto, mais um fator de risco. Ou seja, o dirigível é um veículo com uma capacidade de exploração científica muito alta, mas com alguns fatores de risco. No balão de ar quente, não precisamos levar o gás da Terra: basta pegar o ar atmosférico e aquecê-lo para encher o balão. Qual a desvantagem? Você não o controla. Só consegue fazer que suba ou desça. Fica refém das correntes de ar. Fiz um estudo sobre como são os ventos em Titã para prever como poderíamos aproveitar as correntes e visitar lugares onde gostaríamos de realizar observações. Analisamos também soluções híbridas como, por exemplo, colocar hélices na gôndola. Não teria a mesma agilidade de um dirigível, mas haveria um pouco de controle.
A tecnologia já está madura?
Por enquanto, estamos amadurecendo os subsistemas. Já conseguimos, por exemplo, demonstrar que o dirigível é capaz de passar por vários pontos especificados no espaço tridimensional da atmosfera. Também descobrimos um jeito de coletar material na superfície do planeta: um cilindro oco que lançamos na direção do chão como um arpão. Ele se finca no chão e depois pode ser içado carregando um pouco de terra. A amostra seria analisada pelo laboratório químico a bordo do dirigível e os dados enviados para a Terra. Também testamos mecanismos para diagnóstico de falhas e as respectivas ações de emergência. Mas se a Nasa perguntasse 'estão prontos?', a resposta seria 'ainda não'.
Quais os critérios para a escolha de uma missão?
Para uma missão ser aprovada, você apresenta um conceito (equivalente a um esboço) de missão ao centro de operações da Nasa. Se eles gostarem, você volta para casa e detalha a proposta especificando o tipo de pesquisa que pretende realizar, os instrumentos e equipamentos que gostaria de levar, uma estimativa do custo etc. Depois retorna ao centro de operações e reapresenta a proposta. Se gostarem mais uma vez, pedirão para detalhar ainda mais. Essas idas e vindas repetem-se algumas vezes. Chega uma hora que você consegue listar as tecnologias maduras, imaturas etc. Com toda essa informação, a Nasa avalia a viabilidade da missão com base em três variáveis: ganho científico, custo e risco. A preocupação número um é o risco. Quando uma missão fracassa, há um impacto imenso na opinião pública e no moral das pessoas que investiram anos da sua vida naquilo. Além disso, sempre há gente no Congresso (dos EUA) perguntando se vale a pena gastar tanto dinheiro com o programa espacial. Na prática, se a Nasa tem dois esboços para a mesma missão - um mais arriscado e promissor do ponto de vista científico e outro mais seguro e modesto nos resultados -, preferirá o de menor risco. Talvez sugira aos autores do esboço mais audaz: 'Gostamos da ideia, mas vocês precisam trabalhar para amadurecer a tecnologia e baixar o risco.'
E como a Nasa garante a segurança de uma tecnologia?
A Nasa utiliza uma escala chamada Nível de Maturidade da Tecnologia (TRL, na sigla em inglês). Há nove níveis. O TRL-1 é aquela ideia que tivemos conversando em um bar e rascunhamos no guardanapo. No outro extremo, o TRL-9 é o robô em Marte, feito para permanecer só 180 dias funcionando, mas que há sete anos continua trabalhando sem apresentar problemas. O TRL-3 é quando você pegou sua ideia do guardanapo e montou um mecanismo precário sobre a bancada do laboratório para provar que a ideia faz sentido. O TRL-6 é quando você venceu a etapa de pesquisa e desenvolvimento e já construiu um sistema autônomo de verdade, pronto para ser testado fora do laboratório, em campo, onde ele fica vulnerável às intempéries. Mas ainda está longe do TRL-9, que é quando o veículo poderia ser enviado para Titã, por exemplo. A Nasa estima que o itinerário de TRL-1 para TRL-6 corresponde a 10% dos custos de uma missão. Cerca de 90% do dinheiro é gasto para levar o equipamento de TRL-6 a TRL-9. Isso dá uma ideia de onde está o foco de atenção.
Como são as discussões que acompanham o desenho de uma missão?
Participar de discussões que definem as missões espaciais da Nasa é muito interessante e, às vezes, muito frustrante. Há diferentes grupos, com objetivos muito diferentes. Os cientistas sempre querem mais: mais instrumentos, mais medidas, mais observações, mais tempo, mais terabytes de dados... O pessoal da engenharia joga um balde de água fria: 'Pode esquecer. Se colocarmos tudo o que vocês querem, a nave não sai da órbita da Terra de tão pesada. Além disso, o custo seria dez vezes o orçamento da Nasa'. Ao mesmo tempo, o pessoal da engenharia deseja muito colocar em prática suas soluções brilhantes e inovadoras. Então, é a vez do pessoal de (coordenação das) missões jogar um balde de água fria: 'Pode esquecer. O risco é muito alto. Vamos usar tecnologias com mais de 30 anos de estrada para ter certeza que funciona'. Como é fácil imaginar, algumas discussões ficam extremamente emocionais.
Como o JPL funciona por dentro?
O JPL tem uma estrutura complexa que poderíamos chamar de matricial. Imagine uma tabela. As colunas seriam as diretorias das diferentes áreas: exploração de marte, planetas exteriores (aqueles que estão depois de marte), ciências terrestres etc. As linhas seriam as diversas equipes organizadas segundo a aptidão dos seus membros: a minha linha é o departamento de robótica por exemplo. O dinheiro costuma entrar pelas colunas (pelas diretorias) e as pessoas são alocadas em uma determinada linha dependendo do departamento a que pertencem. Cada colaborador costuma estar sempre na intersecção de uma linha com uma ou várias colunas. No meu caso, por exemplo, estou na linha do departamento de robótica e recebo financiamento para o dirigível autônomo pela área de planetas exteriores (que é onde se encaixa a missão para Titã). Já para os barcos de monitoramento ambiental, recebo dinheiro da área de ciências terrestres.
Há intercâmbio com agências espaciais de outros países?
Depende. Não é só uma questão de tecnologia, mas também de política. Atualmente, há muita cooperação com a agência espacial russa. Há até uma certa dependência dos russos: com o fim do programa dos ônibus espaciais, a Nasa precisa deles para levar carga e astronautas à ISS. Existe também cooperação com a agência espacial japonesa em várias missões. Com os europeus, o JPL enviou a sonda Cassini para explorar Saturno, que chegou ao destino em 2004. Quando a Cassini passou perto de Titã, em fevereiro de 2005, lançou a sonda Huygens - pertencente à ESA - em direção ao satélite. Os dados obtidos na missão foram captados pelos americanos no Deep Space Network e retransmitidos aos europeus. Ou seja, há muito trabalho conjunto. Já houve até cooperação com os brasileiros no treinamento do astronauta (Marcos Pontes). Mas não sei se há muitos projetos com a China, por exemplo.
Por que alguém recorreria a veículos robóticos na Terra?
Já estive algumas vezes na Amazônia. Sem dúvida, é muito divertido. Mas, no dia a dia, eu prefiro ficar em uma sala com ar condicionado, enquanto um robô lá fora coleta dados e imagens em alta resolução, no meio do calor e dos mosquitos. Você diminui o risco. Além disso, sistemas robóticos são mais baratos que uma missão exploratória com seres humanos. Um barco convencional de pesquisa custa milhões de dólares. A operação do barco e a tripulação, idem. Um barco robótico (marítimo) custa, no máximo, US$ 15 mil (cerca de R$ 25 mil). Colegas da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, desenvolveram embarcações autônomas para lagos de até US$ 5 mil (cerca de R$ 8 mil). Ou seja, com um barco convencional tripulado é possível adquirir vários veículos robóticos. Desta forma, posso distribuí-los na região que desejo estudar. Algo útil para situações como o acidente no Golfo do México (em abril, quando uma plataforma da British Petroleum explodiu e milhões de barris de óleo foram lançados no oceano): se esta tecnologia estivesse disponível poderíamos monitorar a extensão da mancha de petróleo e o impacto ecológico do vazamento.
Qual é o grau de autonomia que um robô pode ter?
Não existem robôs totalmente autônomos. Para realizar sua função, todo veículo precisa ser teleoperado (controlado à distância) ou pré-programado - ou as duas coisas ao mesmo tempo. Damos autonomia ao robô nas operações mais simples para que o ser humano possa se concentrar nas decisões estratégicas. No barco robótico, por exemplo, o cientista define as áreas de interesse e o veículo escolhe sozinho a trajetória e o modo como mapeará essas áreas. Naturalmente, quanto maior a distância do supervisor humano, maiores são as exigências de autonomia. O tempo de comunicação entre a Terra e Marte - ida e volta de uma mensagem - costuma variar de 15 a 30 minutos. Se o robô em Marte enviasse uma imagem mostrando que ele caminha rapidamente para o abismo, não adiantaria apertar o botão vermelho "pare" na Terra: quando a ordem chegasse ao planeta vizinho, já não haveria robô lá para ouvir. O robô deve identificar o perigo - e evitá-lo - sozinho. O tempo de comunicação entre Terra e Titã é ainda maior: em média, duas horas e meia. Ou seja, a autonomia de uma missão para Titã deve superar a de Marte. No planeta vermelho, o robô recebe comandos do tipo: vá cinquenta metros a frente, aproxime-se daquela rocha e realize tal conjunto de medidas. Na lua de Saturno, as ordens seriam mais complexas: explore esta região ou aquele lago.
Suas pesquisas podem ser úteis para aplicações mais próximas ao cotidiano das pessoas, como a criação de um sistema autônomo para guiar os carros em uma cidade, por exemplo?
Sim. Não é uma aplicação direta, mas há um conjunto de tecnologias de base que você precisa para qualquer sistema autônomo. Há, por exemplo, uma metodologia para mapeamento e navegação chamada 'occupancy grid' que inventei no meu doutorado na Carnegie Mellon. Ela despertou muito interesse na comunidade de robótica móvel, pois pode ser aplicada em um espectro amplo de projetos. Na época, os 'olhos' dos nossos robôs eram sensores de sonar de 30 dólares - os mesmos usados para ajustar o foco em máquinas polaroid. Cada robô tinha vários sensores e direcionava os sonares para todos os lados. Com os dados obtidos dos sensores, o robô montava um mapa geométrico do mundo circundante formado por linhas. Mas, várias vezes, os obstáculos absorviam a onda emitida pelo sonar ou ela incidia de forma muito oblíqua no obstáculo, sem retornar da forma esperada ao robô. Os dados obtidos não eram precisos e os mapas construídos ficavam péssimos. Esse modelo esquece a incerteza inerente a qualquer medida obtida por sensores. Decidi substituir os mapas geométricos por um modelo que usa uma grade para representar o mundo: para cada quadradinho da grade, eu calculo uma probabilidade daquele lugar estar ocupado ou vazio. Se um sonar fala que há um obstáculo naquele quadradinho, cresce a probabilidade de existir algo ali. Se outro afirma que não há nada, a probabilidade diminui. Nunca tenho certeza absoluta sobre o que há em cada quadradinho, mas posso me mover pelo trajeto em que a probabilidade de encontrar obstáculos é baixa. Funciona surpreendentemente bem. Quando cheguei ao JPL, em 2001, um dos colegas comentou comigo: 'Você sabia que a tecnologia dos 'occupancy grids' inventada por você é usada no sistema de navegação dos robôs que serão enviados à Marte?' Naquela época eles ainda estavam na Terra passando pelos últimos testes. Foram enviados ao planeta vermelho dois anos depois, em 2003.
Você veio ao Brasil para um evento do Instituto Tecnológico Vale. Quais os pontos em comum da robótica espacial e da robótica na mineração?
Nas duas, há a exigência de que o negócio funcione. Os sistemas devem ser robustos. Na universidade, se você precisa de um equipamento e ele não funciona, basta consertar e amanhã refazer o experimento. Você não deixará de escrever o paper. Agora, se o equipamento quebra em uma lua de Saturno ou 500 metros debaixo da terra, temos um problema sério. Normalmente, não dá para trazer o equipamento de volta e mandar para o conserto. Você precisa prever todas as falhas e corrigi-las antes que se manifestem.
Há outras vantagens no uso de sistemas robóticos?
Além do custo, há a questão da segurança, pois você não precisa colocar pessoas em situações de risco. Áreas como a mineração podem beneficiar-se muito da robótica. Todos os meses, vemos nos jornais histórias de mineiros que ficaram presos depois de um desmoronamento ou de uma explosão: Chile, EUA, China... Seria ótimo se máquinas pudessem arcar com os riscos no lugar dos humanos. Além disso, o sistema robótico pode ser adaptativo: extrai o material e, ao mesmo tempo, realiza uma análise química rápida para determinar a direção do veio de minério. A precisão aumenta a eficiência e pode diminuir a produção de resíduos, algo interessante do ponto de vista ecológico, uma preocupação cada vez maior das empresas do setor. Como comentamos, há espaço também para a robótica ambiental que pode ser usada para monitorar o entorno da área de mineração: com barcos robóticos, redes de sensores, veículos aéreos... É possível fazer um rastreamento muito detalhado do impacto ecológico.
É mais fácil criar sistemas autônomos para operarem na Terra?
Nem sempre. Há uma dificuldade associada aos sistemas autônomos na Terra. Na adolescência, eu adorava os livros do Isaac Asimov. Lembro até hoje da primeira lei da robótica que ele inventou: 'Um robô não pode ferir um ser humano'. De fato, aqui precisamos nos preocupar com as pessoas que estão ao redor do robô, pois ele não pode feri-las. Em 2000, fiz um ano sabático na Alemanha e participei do projeto de uma cadeira de rodas inteligente: o cadeirante só precisava especificar o ponto onde queria chegar e a cadeira escolhia o percurso. Testamos em vários lugares, inclusive na estação de trem municipal durante o horário de rush. O mecanismo que inventamos era polido: se uma pessoa pretendia cruzar o caminho do cadeirante, a cadeira de rodas parava e cedia passagem. Se alguém caminhava na direção do cadeirante, a cadeira desviava e passava ao largo. É um exemplo simples, mas mostra como um sistema robótico que vai trabalhar em um ambiente com gente tem requisitos de segurança ainda mais exigentes.
Você pensa em voltar ao País?
Um dos meus sonhos é voltar ao Brasil para trabalhar em sistemas robóticos para monitoramento ambiental e pesquisa de biodiversidade. Há muita coisa interessante que pode ser feita. Eu gostaria, por exemplo, de usar sistemas robóticos para explorar a copa das florestas tropicais, um dos ecossistemas menos conhecidos e com uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta. Há pouco conhecimento pois o ambiente de trabalho é normalmente inóspito e, às vezes, diretamente hostil: há coisas querendo morder ou envenenar você, há calor, umidade, doenças como micoses, malária... Além disso, existe a questão logística: não é fácil movimentar-se ou carregar equipamento na floresta. Você acaba precisando de gente, um recurso caro. E quando o objetivo é explorar as copas, o problema torna-se praticamente impossível de resolver. Não temos um jeito razoável de se locomover lá: em alguns lugares utilizam torres, pontes suspensas, guindastes... em outros, o pessoal usa equipamento de alpinismo. Enfim, sempre é penoso. Muito mais fácil estudar a biodiversidade da savana. Basta um jipe. Mas convém estudar as copas. Não só pela biodiversidade: outra questão interessante que poderia ser estudada na copa das árvores é o balanço da troca de gases ou de água da floresta com a atmosfera. Já pensei em um dirigível autônomo que para e desce os sensores para dentro da copa, mede os gases, grava vídeos, coleta folhas... depois anda um quilômetro e repete o processo. Mas também poderíamos pensar em robôs parecidos com macacos que andariam por dentro da copa das árvores, algo, sem dúvida, muito mais complexo.
Estadão
Os países desenvolvidos deveriam gastar mais recursos na pesquisa espacial. Precisamos conhecer mais nossa "vizinhança" na Via-Láctea. Se todos os países parassem de gastar tanto em recursos militares, a pesquisa espacial estaria bem mais desenvolvida.
sábado, 5 de março de 2011
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