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domingo, 21 de julho de 2013
domingo, 1 de julho de 2012
Por que é quase impossível criar um bom substituto para carne
Cientistas ao redor do mundo vêm trabalhando há anos para criar um substituto convincente para a carne. Ou feito com soja, ou sintetizado a partir de células-tronco – se ele tiver o gosto da carne real, ele pode mudar o mundo. Mas nem mesmo um prêmio de US$1 milhão foi o bastante para torná-lo realidade: nesta quarta-feira, faltando menos de uma semana, o prazo de um concurso patrocinado pela PETA a fim de criar carne in vitro foi estendido até 2013. Qual é o problema?
Quem deixa de comer carne tem vários motivos para isso: fazendas industriais e matadouros tratam animais de forma cruel, sem abatê-los de forma indolor; uma dieta vegetariana reduz o risco de várias doenças e até câncer; e produzir carne exige muito mais recursos que a agricultura, e prejudica mais o meio ambiente.
A jornada para encontrar um substituto satisfatório para a carne se tornou uma obsessão entre pessoas como eu – sou vegetariano, mas adoro o gosto da carne, e nos oito anos desde que parei de comê-la, eu venho procurando todo tipo de reprodução de carne vermelha, aves ou peixes que pudesse encontrar. Eu experimentei tofurky assado (peru de tofu e glúten), burritos de soy-rizo (chouriço de soja), churrasco grego de seitan (carne de glúten), e “pato falso” (também de glúten) em inúmeros restaurantes tailandeses. Eu já sujei o rosto e as mãos com molho de carne moída vegana. Até o momento, a diferença entre carne vegetal e real tem sido óbvia. Mas há diversos motivos para crer que isto pode mudar em breve.
Sim, já existem muitas formas profundamente não-apetitosas de se criar um substituto de carne. Primeiro, a carne clonada; depois, o cientista japonês Mitsuyuki Ikeda. Ele criou uma forma de transformar excremento humano em carne artificial. Boa sorte tentando convencer alguém a comer hambúrguer de merda.
O melhor substituto de carne
Quando a esperança parecia ter acabado para entusiastas de carne vegetal, Fu-Hung Hsieh, professor de bioengenharia na Universidade de Missouri, revelou seu grande avanço. Depois de uma década de pesquisas, em 2010, Hsieh e sua equipe criaram o que agora é considerado como o melhor substituto de carne – e não é pelo gosto. O desafio é criar a sensação na boca: carne moída de soja, por exemplo, não se desmancha numa panela quente como a carne real. Carne sintética de ave não se desfaz em fios como a carne de verdade. Pelo menos, não até Hsieh dar uma solução.
A receita de Hsieh, que inclui ingredientes como proteína de soja, proteína de ervilha e fibra de cenouras, foi comprada ano passado por uma startup em Maryland chamada Beyond Meat. Quem está bastante envolvido no mundo da tecnologia já deve conhecê-la por cima, porque a Beyond Meat é a primeira empresa alimentícia a atrair investimento de Evan Williams e Biz Stone, os co-fundadores do Twitter. Uma porta-voz da empresa disse que tem planos de levar completamente sua carne vegetal de frango ao mercado em 2013 – mas já é possível comprá-la em algumas lojas da Whole Foods na Califórnia.
E qual é o gosto? Mark Bittman, do New York Times, experimentou e parece ter gostado, dizendo: “Quando você pega o produto [da Beyond Meat], corta e combina com, por exemplo, tomate picado, alface e maionese com um pouco de tempero, e embrulha num burrito, você não vai ver a diferença entre ele e frango. Eu, pelo menos, não senti, e este é o tipo de coisa que eu faço todo dia.”
Enquanto isso, na Europa, cientistas e empresas alimentícias da Espanha à Holanda estão trabalhando em um projeto chamado LikeMeat, uma tentativa de produzir um substituto de carne mais gostoso e com melhor textura para consumidores. E na Universidade de Stanford, nos EUA, o professor de bioquímica vegana Patrick Brown também acredita que ele conseguiu algo grande em “carne” baseada em vegetais, dizendo em uma conferência à imprensa em Vancouver, Canadá, que ele está próximo de criar “um produto que pode competir de frente com produtos de carne e leite, baseado em sabor e valor para o consumidor médio”.
In vitro
Não importa quanto trabalho duro os cientistas tenham em inúmeros laboratórios ao redor do mundo, sempre haverá aqueles que dizem sentir a diferença entre carne vegetal e a carne de verdade, mesmo que um especialista em comida de Nova York diga que não sente diferença. Meu pai faz isso, e no dia de Ação de Graças ele chama meu Tofurky de “comida pra coelho”. Para esse tipo de pessoa, cientistas estão ocupados desenvolvendo uma forma de obter carne de verdade sem qualquer produto vegetal, poluição ou sangramento.
O PETA, grupo que defende os direitos dos animais, ofereceu um prêmio em 2008: eles vão pagar US$1 milhão para quem conseguir criar carne in vitro – e levá-la ao mercado – até 30 de junho de 2012. Faltando menos de uma semana, o PETA estendeu o prazo até 2013, para dar mais tempo a diversos laboratórios que prometem este trabalho.
Andras Forgacs, CEO do grupo Modern Meadow, é o primeiro cientista norte-americano a criar um produto de carne com tecido artificial. Em fevereiro, o Los Angeles Times informou que um investidor privado anônimo colocou mais de US$300.000 para apoiar outro projeto, liderado por Mark Post, chefe do departamento de fisiologia na Universidade de Maastricht, na Holanda.
Post e sua equipe pegaram células-tronco de porcos e as colocaram num soro de feto de vaca, permitindo que as células virassem tecido muscular. Os cientistas então formaram o tecido muscular através de tensão mecânica e choques elétricos, aumentando seu volume em várias vezes. A equipe espera ter um protótipo de carne de hambúrguer até outubro.
Os benefícios
A própria ideia de criar carne em laboratório pode acabar com o apetite de muita gente que vá comer uma costeleta de porco. Mas se você conseguir superar a repulsa inicial, os benefícios de ter muitos e bons substitutos de carne são difíceis de se ignorar. Imagine um mundo onde cientistas possam criar bifes com gosto de bife, mas imbuído com ômega-3, encontrado em peixes. Ou uma carne que permitiria a crianças do terceiro mundo ingerir tantas proteínas quanto as de países ricos. Com o substituto de carne, diz Post, a produção de carne exigiria 40% menos energia que hoje.
A redução de energia deve se destacar para qualquer pessoa que simplesmente se recuse a desistir de carne real. É verdade que as pessoas deveriam, na maior parte dos casos, poder comer o que quiserem. Mas um conjunto crescente de pesquisas mostra que comer carne dificilmente é uma escolha pessoal. Talvez já tenha sido. Mas hoje, quando a grande maioria da carne vem de fazendas industriais, que consomem muita energia, prejudicam o meio ambiente e são cruéis com os animais, comer carne em países ricos é uma escolha pessoal quase tanto quanto fumar em aviões costumava ser uma escolha pessoal. Claro, você pode fazer isto, mas assim você ferra com os outros.
Desenvolver uma tecnologia para imitar carne de forma convincente beneficia todo mundo – porque sério, lá no fundo, quem não curte um x-burguer?
—
Cord Jefferson é um escritor de Los Angeles. Seu trabalho já apareceu na National Geographic, GOOD, The Awl, The Root, NPR, Gawker e outros.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
Diário de um ecochato
Escritor encara 4 dias de "ecologista radical" e conta que se sentiu fraco com dieta vegana e que não topou fazer xixi só no banho
1º dia
A pior característica do nosso tempo é o desprezo pelo coletivo. Por isso aceitei o convite para passar três dias atento à quantidade de gás carbônico que emito.
Também vou obedecer à "dieta vegana". Não vou comer nem sequer ovo, leite ou derivados.
O uso indiscriminado de energia é um vilão. Cortei o elevador. Logo cedo, desci sete lances de escada para buscar as compras, mas o zelador não permitiu que eu voltasse carregando-as. "Quinze dias de casado e já endoidou". Ele colocou a caixa no elevador e interfonou para a minha mulher.
No banho, o chuveiro ligado é só para enxaguar. A pasta de dente vegana é péssima e um tubo de 50 g custa R$ 13! Passei a manhã sem acender as luzes. Estava um dia claro. Fiquei ansioso demais com tudo isso e não consegui trabalhar no meu livro novo.
No almoço, enchi o prato de verdura. Logo, um constrangimento: havia ovo no arroz e, diante do olhar horrorizado de uma senhora, devolvi as duas colheres.
Almocei 750 g de alimento exclusivamente vegetal, e não fiquei satisfeito. Passei a tarde irritado e com medo de falhar. Vim escrever em um café, mas mesmo os salgados vegetarianos levam leite na massa. Pedi uma salada de frutas e me acalmei.
Talvez minha fome seja imaginária. (Não me sinto bem dizendo isso.) Mas algo é muito claro: meu corpo está estranho. O medo e a ansiedade são físicos. Não quero enfraquecer.
2º dia
Preparei uma "feijoada vegetariana" para o almoço. Ficou um horror. Precisei de uma porção de banana com quinua e linhaça para me sentir alimentado. Emocionalmente, o dia foi bem pior que ontem. Começo a me perguntar se não há algum fetiche no vegetarianismo radical. Por que vocês precisam ser tão fortes?
Antes de começar meu "plano verde", fiz várias pesquisas e concluí que conseguiria cumpri-lo sem prejudicar minha vida.
Quanto à energia, tudo bem. Não uso mais o elevador do meu prédio. Além disso, não sei dirigir, tenho economizado muita energia e meu banho está sendo o mais racional possível.
Quero continuar dessa forma para sempre. Prometo que nunca mais vou usar o elevador.
A dieta vegana, por sua vez, está mexendo comigo. Estou irritado. Sem dizer de outros medos, que me envergonham: será que eu posso ficar burro?
Não são os indivíduos, mas as empresas os principais emissores de gás carbônico. A China é um dos grandes poluidores. Essa gente, além de censurar e prender os artistas, ainda está acabando com o planeta. Devíamos parar de comprar os produtos deles. É tudo de péssima qualidade mesmo...
3º dia
8h: Acordei às 3h com um forte enjôo e assustado com os pesadelos. Sonhei com um boi que, mesmo abatido, continuava gritando comigo.
Depois, fui atacado por uma horta. Estou me sentindo ridículo.
Às 5h, estava com uma fome terrível. Talvez alguém diga que tenho obedecido à dieta errada: coma mais grãos e verduras. Tenho me alimentado bastante, mas não me sinto forte. Eu queria muito comer um pedaço de bolo que está na geladeira.
De resto, tomei meu banho racional e usei a escada. Não acendi nenhuma lâmpada e fiz apenas uma xícara de café na máquina. Gastei um pouco mais de água porque me barbeei. Sinto-me fraco e nervoso.
22h40: O dia foi mais sossegado. Almocei em um restaurante vegetariano e passei a tarde comendo frutas. De noite, hambúrguer de soja e salada. Antes de dormir, leite de soja com melão.
Não vou ser vegano (nem vegetariano). Só não jogo o tal extrato de clarofila fora porque custou uma nota. Talvez eu coma menos carne. Sempre me senti culpado por causa do abate dos animais e essa experiência me fez pensar mais nisso.
Não acho cruel extrair leite de um animal para consumo. Por outro lado, com certeza não uso mais o elevador e meu consumo de água vai ser racional. Só não vou topar essa história de segurar a urina até a hora do banho, porque adoro ir para o chuveiro de manhã. Não vou passar, depois, 24 horas com vontade. Compenso esse pecadilho não dirigindo: não tenho um carro para lavar. Parece um bom negócio: um carro pelo xixi.
Estou me sentindo fraco e com o raciocínio embotado. Também tenho vergonha.
4º dia
Encerrei a "dieta vegana" no jantar, com um peixe. Não tive nenhum prazer especial. Meu pedido por um copo de leite puro causou estranhamento, mas, quando contei os motivos, o garçom se solidarizou.
Algo me surpreendeu: no final de tudo, engordei 300 g! Também fiz um orçamento: o veganismo é caro. Os preços médios dos restaurantes vegetarianos são altos.
Falando com mais calma, tudo isso reforça a hipótese de que há fetichismo nesse radicalismo todo. Uma pergunta secundária: até o ovo? E outra, crucial: que culpa de fato está sendo expiada aqui?
Não me resta dúvida de que preciso usar a energia de forma mais racional. Os chineses são péssimos, concordo. E é necessário discutir eticamente nossa relação com os animais. Mas o problema urgente é a fome.
Folha de SP
Esse radicalismo de não comer carne é totalmente desnecessário. Melhor economizar energia em alguns momentos do que ser fanático a ponto de não querer comer nenhum derivado animal, se quer ajudar o meio-ambiente.
domingo, 3 de abril de 2011
Mesmo sem rostos, as plantas também querem viver
Por que as plantas mereceriam morrer mais que os animais? Sob esse aspecto, não há razão para ser vegetariano, defende a bióloga e autora do livro 'Naming Nature - The Clash Between Instinct and Science', Carol Kaesuk Yoon
Carol Kaesuk Yoon, The New York Times
Há alguns anos, após dirigir por tempo demais atrás de um caminhão repleto de porcos malcheirosos sendo levados ao abate, parei de comer carne. Eu já vinha criando uma crescente aversão pela crueldade que pode ser a pecuária industrial, mas o verdadeiro problema era uma antiga simpatia por suas (na verdade, minhas) vítimas. Até mesmo sujos e berrantes porcos, ou talvez especialmente os sujos e berrantes porcos, podem evocar uma forte compaixão, enquanto se amontoam num caminhão que os leva à morte.
Se você pensar no assunto, e é muito mais simples não pensar, pode ser difícil justificar o fato de outros seres precisarem sofrer dor, medo e morte para que nós possamos aproveitar sua carne. Em especial, devido às nossas muitas ligações aos animais, e sem esquecer que nós mesmos somos animais, isso pode gerar uma pausa para reflexão: nosso contato mais frequente com esses seres pode ser exatamente quando os devoramos.
Minha entrada no que parecia ser um alto patamar moral, contudo, foi surpreendentemente desagradável. Fui confrontada não só por um desejo incrivelmente intenso por frango, mas também por pesadelos nos quais eu comia maravilhosos bifes mal passados - sentindo com distinção os sabores da gordura - e dos quais acordava em pânico, até perceber que estava sendo carnívora apenas na imaginação.
Tentações e provações estavam em toda parte. A mais surpreendente foi a percepção de que eu não conseguia realmente explicar, a mim mesma ou a qualquer pessoa, por que matar um animal era pior do que matar as muitas plantas que passei a comer.
Claro, pensei, a ciência pode defender o óbvio, que a carnificina do matadouro é errada sob aspectos em que colher um campo de alfaces ou, digamos, aparar um gramado, não é. Em vez disso, começou a parecer que formular uma lógica verdadeiramente racional para não comer animais, ao menos enquanto consumimos todo tipo de outros organismos, era bastante difícil, se não impossível.
Antes que você clique "enviar" em seu e-mail de ódio, deixe-me dizer isto. Diferentes pessoas têm diferentes motivos para as escolhas sobre o que matar para comer. Talvez não exista uma escolha mais pessoal, ou menos sujeita à racionalidade ou ao julgamento dos outros, que essa. Acontece que, se comer uma salsicha vegetariana é um crime tão grave quanto comer um salsichão de porco, então eu fico com o salsichão.
Quais são as reais diferenças entre animais e plantas? Existem muitas. As células das plantas, por exemplo, abrigam os cloroplastos, minúsculas organelas que conseguem transformar a energia da luz em açúcar. Quase nenhuma dessas diferenças, porém, parece importar àqueles que estão tentando descobrir o que comer.
As diferenças de importância aparente são coisas como o fato de as plantas não possuírem nervos ou cérebros. Com isso concluímos que elas não sentiriam dor. Em outras palavras, as diferenças que importam são aquelas que provam que uma planta não sofre como nós. Também se torna importante o fato de plantas não terem rostos. Rosto é um requisito para os humanos, não só para provar que lidamos com um indivíduo, mas também que aquele indivíduo é capaz de sofrer.
Por outro lado, os animais (e não apenas os evolutivamente mais próximos, como chimpanzés e gorilas, mas espécies bastante distintas, mamíferos como vacas e porcos), podem sentir o que qualquer um concordaria ser sofrimento e dor. Quando atacados, esses animais entram em agonia, gritam, lutam e correm o mais rápido que conseguem. Obviamente, se não matarmos esses animais para comê-los, todo esse sofrimento é evitado.
Enquanto isso, se você arranca uma folha ou um pedaço de caule, uma planta não faz caretas ou grita de dor. As plantas não parecem se importar em serem mortas, pelo menos até onde podemos ver. Mas a dificuldade pode ser exatamente essa.
Diferente de uma vaca em fuga, as reações das plantas a um ataque são muito mais difíceis de notar. Porém, assim como uma galinha correndo em círculos sem a cabeça, um pé de milho arrancado do solo luta para se salvar com o mesmo ardor e inutilidade, mesmo sendo menos óbvio aos ouvidos e olhos humanos.
Quando uma planta é ferida, entra imediatamente em modo de proteção. Ela libera um conjunto de químicos voláteis que mostrou, em alguns casos, induzir as plantas vizinhas a iniciarem suas próprias defesas químicas e, em outros, atrair predadores dos seres que causam os danos. Dentro da planta, sistemas de reparos são iniciados e as defesas se preparam. Os detalhes moleculares ainda estão sendo estudados por cientistas, mas o processo envolve moléculas de sinalização fluindo pelo corpo para reunir as tropas celulares, chegando a alistar o próprio genoma - que começa a produzir proteínas ligadas à defesa.
Mas as plantas não se limitam a reagir aos ataques. Elas ficam sempre de prontidão. Note que elas são armadas de inúmeros espinhos, pelos que ferroam e transmitem venenos mortais. Se todo esse esforço não se parece com um organismo tentando sobreviver, nada mais pareceria. As plantas não são tão inertes quanto gostaríamos que fossem.
Se os inúmeros esforços das plantas para evitar seu consumo não são suficientes para fazê-lo parar de comer salada, talvez ajude saber que as plantas fazem muitas coisas que consideramos típicas de animais. Elas se movem, realizando atividades que só poderiam ser consideradas como comportamento, mesmo que num ritmo visível apenas por fotografias de alta velocidade. Não muito tempo atrás, cientistas reportaram evidências de que as plantas podiam detectar e crescer de forma diferente caso estivessem na presença de parentes próximos, um nível de sofisticação comportamental ainda não identificado na maioria dos animais.
Para deixar a questão ainda mais confusa, os animais nem sempre são os poços de sensibilidade que imaginamos. Esponjas são animais, mas assim como as plantas, elas não possuem nervos ou cérebro. A água-viva, que pode ser muito saborosa quando fatiada e posta em conserva, não possui cérebro - somente uma rede simples de nervos, uma estrutura comprovadamente menos complexa do que os sistemas de sinalização de muitas plantas. Como decidir a importância do grau e do tipo de sensibilidade?
Àqueles buscando evitar esse dilema com uma dieta somente de cogumelos, esqueçam. Sob quase qualquer aspecto de comparação, os fungos são provavelmente mais similares a nós do que as plantas, já que eles são nossas relações evolutivas mais próximas.
Pensando a respeito, porém, por que deveríamos esperar que qualquer organismo se deite e morra para ser nosso jantar? Os seres evoluíram para fazer tudo em seu poder para evitar a extinção. Por quanto tempo uma linhagem seguiria existindo se os seus membros realmente não se importassem em serem mortos?
Talvez o verdadeiro problema em afirmar que matar plantas é aceitável porque elas não "sentem" como nós seja que esse era o mesmo argumento usado para justificar o que hoje enxergamos como erros imperdoáveis.
A escravidão e o genocídio foram justificados pela afirmação de que alguns tipos de pessoas não sentiam dor ou amor - não seriam realmente humanos - da mesma forma que outros. O mesmo pensamento levou a outras práticas, menos drásticas, mas igualmente terríveis. Por exemplo, médicos não usavam anestesia em bebês durante cirurgias, pois acreditavam que esses "quase-humanos" não sentiam dor.
Ainda assim, mesmo meneando a cabeça em relação ao passado, continuamos lutando para definir a linha ao redor daqueles considerados realmente humanos. Questionamos se aqueles que amam pessoas do mesmo sexo merecem todos os direitos humanos. O mesmo fazemos com fetos.
O cardápio do jantar nos empurra ainda além. Outras espécies de animais seriam merecedoras de nossa consideração? E o que dizer de plantas, fungos e micróbios?
Talvez tudo isso lhe pareça sem sentido. Talvez você esteja com dificuldades para equiparar um rabanete a uma ovelha e a seu amado primogênito. Isso não é uma surpresa. É extremamente difícil aceitar novos membros em nossa tribo e isso só piora quanto menos eles se parecem conosco. Pode ser incrivelmente inconveniente se pôr no lugar de cada indivíduo que encontramos e compartilhar com ele a mais preciosa das mercadorias: a compaixão.
O que devemos fazer para o jantar de hoje? Quem sabe?
Os seres humanos sobrevivem consumindo outros seres vivos. Eu quero não só comer, mas sobreviver. Mesmo assim, uma forma cruamente lógica de julgar o valor de um organismo sobre outro - a legitimidade da morte de uma planta frente à de um animal - para mim parece fora do alcance.
Meu empenho em renunciar à carne não durou mais que dois anos. Ainda assim, imagino o que nossos tataranetos pensarão de nós. Será que teremos problemas em explicar-lhes por que matamos animais ou plantas com fins alimentícios? E se for esse o caso, o que estaremos comendo?
Veja
Carol Kaesuk Yoon, The New York Times
Há alguns anos, após dirigir por tempo demais atrás de um caminhão repleto de porcos malcheirosos sendo levados ao abate, parei de comer carne. Eu já vinha criando uma crescente aversão pela crueldade que pode ser a pecuária industrial, mas o verdadeiro problema era uma antiga simpatia por suas (na verdade, minhas) vítimas. Até mesmo sujos e berrantes porcos, ou talvez especialmente os sujos e berrantes porcos, podem evocar uma forte compaixão, enquanto se amontoam num caminhão que os leva à morte.
Se você pensar no assunto, e é muito mais simples não pensar, pode ser difícil justificar o fato de outros seres precisarem sofrer dor, medo e morte para que nós possamos aproveitar sua carne. Em especial, devido às nossas muitas ligações aos animais, e sem esquecer que nós mesmos somos animais, isso pode gerar uma pausa para reflexão: nosso contato mais frequente com esses seres pode ser exatamente quando os devoramos.
Minha entrada no que parecia ser um alto patamar moral, contudo, foi surpreendentemente desagradável. Fui confrontada não só por um desejo incrivelmente intenso por frango, mas também por pesadelos nos quais eu comia maravilhosos bifes mal passados - sentindo com distinção os sabores da gordura - e dos quais acordava em pânico, até perceber que estava sendo carnívora apenas na imaginação.
Tentações e provações estavam em toda parte. A mais surpreendente foi a percepção de que eu não conseguia realmente explicar, a mim mesma ou a qualquer pessoa, por que matar um animal era pior do que matar as muitas plantas que passei a comer.
Claro, pensei, a ciência pode defender o óbvio, que a carnificina do matadouro é errada sob aspectos em que colher um campo de alfaces ou, digamos, aparar um gramado, não é. Em vez disso, começou a parecer que formular uma lógica verdadeiramente racional para não comer animais, ao menos enquanto consumimos todo tipo de outros organismos, era bastante difícil, se não impossível.
Antes que você clique "enviar" em seu e-mail de ódio, deixe-me dizer isto. Diferentes pessoas têm diferentes motivos para as escolhas sobre o que matar para comer. Talvez não exista uma escolha mais pessoal, ou menos sujeita à racionalidade ou ao julgamento dos outros, que essa. Acontece que, se comer uma salsicha vegetariana é um crime tão grave quanto comer um salsichão de porco, então eu fico com o salsichão.
Quais são as reais diferenças entre animais e plantas? Existem muitas. As células das plantas, por exemplo, abrigam os cloroplastos, minúsculas organelas que conseguem transformar a energia da luz em açúcar. Quase nenhuma dessas diferenças, porém, parece importar àqueles que estão tentando descobrir o que comer.
As diferenças de importância aparente são coisas como o fato de as plantas não possuírem nervos ou cérebros. Com isso concluímos que elas não sentiriam dor. Em outras palavras, as diferenças que importam são aquelas que provam que uma planta não sofre como nós. Também se torna importante o fato de plantas não terem rostos. Rosto é um requisito para os humanos, não só para provar que lidamos com um indivíduo, mas também que aquele indivíduo é capaz de sofrer.
Por outro lado, os animais (e não apenas os evolutivamente mais próximos, como chimpanzés e gorilas, mas espécies bastante distintas, mamíferos como vacas e porcos), podem sentir o que qualquer um concordaria ser sofrimento e dor. Quando atacados, esses animais entram em agonia, gritam, lutam e correm o mais rápido que conseguem. Obviamente, se não matarmos esses animais para comê-los, todo esse sofrimento é evitado.
Enquanto isso, se você arranca uma folha ou um pedaço de caule, uma planta não faz caretas ou grita de dor. As plantas não parecem se importar em serem mortas, pelo menos até onde podemos ver. Mas a dificuldade pode ser exatamente essa.
Diferente de uma vaca em fuga, as reações das plantas a um ataque são muito mais difíceis de notar. Porém, assim como uma galinha correndo em círculos sem a cabeça, um pé de milho arrancado do solo luta para se salvar com o mesmo ardor e inutilidade, mesmo sendo menos óbvio aos ouvidos e olhos humanos.
Quando uma planta é ferida, entra imediatamente em modo de proteção. Ela libera um conjunto de químicos voláteis que mostrou, em alguns casos, induzir as plantas vizinhas a iniciarem suas próprias defesas químicas e, em outros, atrair predadores dos seres que causam os danos. Dentro da planta, sistemas de reparos são iniciados e as defesas se preparam. Os detalhes moleculares ainda estão sendo estudados por cientistas, mas o processo envolve moléculas de sinalização fluindo pelo corpo para reunir as tropas celulares, chegando a alistar o próprio genoma - que começa a produzir proteínas ligadas à defesa.
Mas as plantas não se limitam a reagir aos ataques. Elas ficam sempre de prontidão. Note que elas são armadas de inúmeros espinhos, pelos que ferroam e transmitem venenos mortais. Se todo esse esforço não se parece com um organismo tentando sobreviver, nada mais pareceria. As plantas não são tão inertes quanto gostaríamos que fossem.
Se os inúmeros esforços das plantas para evitar seu consumo não são suficientes para fazê-lo parar de comer salada, talvez ajude saber que as plantas fazem muitas coisas que consideramos típicas de animais. Elas se movem, realizando atividades que só poderiam ser consideradas como comportamento, mesmo que num ritmo visível apenas por fotografias de alta velocidade. Não muito tempo atrás, cientistas reportaram evidências de que as plantas podiam detectar e crescer de forma diferente caso estivessem na presença de parentes próximos, um nível de sofisticação comportamental ainda não identificado na maioria dos animais.
Para deixar a questão ainda mais confusa, os animais nem sempre são os poços de sensibilidade que imaginamos. Esponjas são animais, mas assim como as plantas, elas não possuem nervos ou cérebro. A água-viva, que pode ser muito saborosa quando fatiada e posta em conserva, não possui cérebro - somente uma rede simples de nervos, uma estrutura comprovadamente menos complexa do que os sistemas de sinalização de muitas plantas. Como decidir a importância do grau e do tipo de sensibilidade?
Àqueles buscando evitar esse dilema com uma dieta somente de cogumelos, esqueçam. Sob quase qualquer aspecto de comparação, os fungos são provavelmente mais similares a nós do que as plantas, já que eles são nossas relações evolutivas mais próximas.
Pensando a respeito, porém, por que deveríamos esperar que qualquer organismo se deite e morra para ser nosso jantar? Os seres evoluíram para fazer tudo em seu poder para evitar a extinção. Por quanto tempo uma linhagem seguiria existindo se os seus membros realmente não se importassem em serem mortos?
Talvez o verdadeiro problema em afirmar que matar plantas é aceitável porque elas não "sentem" como nós seja que esse era o mesmo argumento usado para justificar o que hoje enxergamos como erros imperdoáveis.
A escravidão e o genocídio foram justificados pela afirmação de que alguns tipos de pessoas não sentiam dor ou amor - não seriam realmente humanos - da mesma forma que outros. O mesmo pensamento levou a outras práticas, menos drásticas, mas igualmente terríveis. Por exemplo, médicos não usavam anestesia em bebês durante cirurgias, pois acreditavam que esses "quase-humanos" não sentiam dor.
Ainda assim, mesmo meneando a cabeça em relação ao passado, continuamos lutando para definir a linha ao redor daqueles considerados realmente humanos. Questionamos se aqueles que amam pessoas do mesmo sexo merecem todos os direitos humanos. O mesmo fazemos com fetos.
O cardápio do jantar nos empurra ainda além. Outras espécies de animais seriam merecedoras de nossa consideração? E o que dizer de plantas, fungos e micróbios?
Talvez tudo isso lhe pareça sem sentido. Talvez você esteja com dificuldades para equiparar um rabanete a uma ovelha e a seu amado primogênito. Isso não é uma surpresa. É extremamente difícil aceitar novos membros em nossa tribo e isso só piora quanto menos eles se parecem conosco. Pode ser incrivelmente inconveniente se pôr no lugar de cada indivíduo que encontramos e compartilhar com ele a mais preciosa das mercadorias: a compaixão.
O que devemos fazer para o jantar de hoje? Quem sabe?
Os seres humanos sobrevivem consumindo outros seres vivos. Eu quero não só comer, mas sobreviver. Mesmo assim, uma forma cruamente lógica de julgar o valor de um organismo sobre outro - a legitimidade da morte de uma planta frente à de um animal - para mim parece fora do alcance.
Meu empenho em renunciar à carne não durou mais que dois anos. Ainda assim, imagino o que nossos tataranetos pensarão de nós. Será que teremos problemas em explicar-lhes por que matamos animais ou plantas com fins alimentícios? E se for esse o caso, o que estaremos comendo?
Veja
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Pais vegetarianos são condenados por morte de bebê na França
Um tribunal do norte da França condenou nesta sexta-feira um casal de vegetarianos a cinco anos de prisão, sendo 30 meses em regime fechado, pela morte em 2008 de sua filha de 11 meses, devido à falta de cuidados médicos e a uma alimentação inapropriada. A representante da Procuradoria havia solicitado 10 anos de prisão em regime fechado.
"Não estamos aqui para fazer um julgamento sobre um modo de vida diferente, mas para decidir se este homem e esta mulher cometeram uma falha nos cuidados que causaram a morte de sua filha", declarou a representante Anne-Laure Sandretto. "Estamos aqui para dizer que no século XXI, uma criança não pode morrer de fome sem que seus pais reajam em momento algum", acrescentou.
O casal, que compareceu em liberdade ao tribunal de Amiens, depois de ter passado quatro meses em prisão preventiva, pode não ter que voltar à prisão, devido à regressão da pena, segundo advogados ao final da audiência. A menina, Louise, morreu no dia 25 de março de 2008 na casa dos pais, Joël e Sergine Le Moaligou, que hoje têm 45 e 40 anos.
Preocupados com o enfraquecimento da criança, os pais, cuja dieta vegetariana impede o consumo de qualquer alimento de origem animal, tinham chamado os bombeiros, que apenas constataram a morte da criança em sua casa de Saint-Maulvis (norte). Quando os pais se deram conta da palidez e da magreza do bebê, chamaram os serviços de emergência. A vítima, que era alimentada por sua mãe exclusivamente com leite materno, pesava apenas 5,7 kg contra uma média de 8 kg nesta idade.
A necrópsia revelou uma carência de vitaminas A e B12 que, segundo especialistas, aumenta a vulnerabilidade a infecções e teria sido registrada "devido a um desequilíbrio alimentar". A representante da Procuradoria ressaltou "a cegueira, a certeza de estar com a verdade" do casal, não colocando em questão o amor que sentiam por Louise, mas lamentou que "apenas uma coisa tenha prevalecido nesse amor: suas convicções".
Muito desconfiados em relação à medicina convencional, os pais preferiam cuidar de seus filhos por seus próprios meios, com a ajuda de conselhos obtidos em livros. Sergine e Joël Le Moaligou poderiam incorrer, na teoria, a 30 anos de reclusão por "privação de cuidados ou de alimentos seguido de morte".
Fonte.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Conversando amistosamente com vegetarianos
Pezinho de soja
Recentemente, no debate em um fórum que participo, um cidadão desprovido de capacidade de pesquisar temas afirmou várias coisas sobre a soja. Citando pesquisas antigas, alegou o seguinte:
"Eu sei pouco sobre o assunto? Não seja estúpido, somente uma pessoa sem informação recomenda soja (idem o link) que transforma o homem em mulher, afinal, existe alta concentração de hormônio feminino na soja..
' você viu que faz mal para os espermatozóides, puro hormônio feminino... nunca viu os vegetarianos que mais parecem mulheres de tão femininos?!? Justamente pela soja.."
Fonte
Será que isto é verdade?
Não. Quanta besteira.
Vejamos o que pesquisas científicas recentes demonstram.
A tradução foi feita pelo google, mas certamente todos vão compreender:
Exposição à Isoflavona de soja não feminiliza homem
OBJETIVO: avaliar criticamente as evidências clínicas, e quando não estiver disponível, os dados do animal, mais relevantes para as preocupações de que a exposição de isoflavonas na forma de suplementos ou alimentos de soja tem efeitos sobre a feminização dos homens.
PROJETO: Medline revisão de literatura e de referência cruzada dos dados publicados.
RESULTADO (S): Em contraste com os resultados de alguns estudos com roedores, os resultados de uma meta-análise publicada recentemente e estudos posteriormente publicados mostram que nem suplementos de isoflavonas de soja ou isoflavonas ricos afetam testosterona total ou livre (T) níveis. Da mesma forma, basicamente, não há evidências de nove estudos clínicos identificaram que a exposição de isoflavona afeta os níveis circulantes de estrogênio nos homens. A evidência clínica indica também que as isoflavonas não têm efeito sobre os parâmetros de esperma ou sêmen, embora somente três estudos de intervenção foram identificados e nenhum estava mais de 3 meses de duração. Finalmente, os resultados de estudos em animais sugerem que as isoflavonas aumentam o risco de disfunção erétil não são aplicáveis aos homens, por causa das diferenças no metabolismo de isoflavonas entre roedores e seres humanos ea quantidade extremamente elevada de isoflavonas, que os animais foram expostos.
CONCLUSÃO (S): Os dados de intervenção indicam que as isoflavonas não exercem efeitos sobre a feminização dos homens no nível de ingestão igual e até consideravelmente superiores são típicos para homens asiáticos.
Pubmed
Outro artigo interessante: A proteína de soja isolados de diferentes teor de isoflavonas não afectam negativamente a qualidade do sêmen em homens jovens saudáveis.
A quem recorri para rebater as alegações irreais sobre a soja? Aos seus maiores consumidores, ou seja, os vegetarianos. Entrei em uma comunidade do orkut e logo me passaram estes links, de estudos científicos recentes. O portal Pubmed sempre possui artigos científicos recentes. O que o proponente de que a soja faz mal estava fazendo? Pegando textos de fontes não-confiáveis, pesquisando de forma aleatória no google e sem buscar fontes acadêmicas recentes. Quando uma pessoa faz isto, em um debate sobre um tema científico, ela é apenas uma palpiteira ignorante.Tenho que reconhecer que, independente de discordar de alguns argumentos dos vegetarianos, neste ponto foram muito solícitos e não recorreram aos achismos e palpites desprovidos de fatos. Recomendar artigos científicos para demonstrar algo é o mais honesto que podemos fazer, para não sermos apedeutas.
domingo, 20 de junho de 2010
Veganismo desmascarado
Talvez, vocês tenham presenciado uma cena semelhante: Você vem andando pela calçada e é abordado por uma moça. Ela pede um minuto de sua atenção e você, como todo bom idiota, para para (maldito acordo ortográfico!) dar atenção - e depois lamentar de não ter continuado andando. Ela diz que quer falar com você e lhe entrega um panfleto. Ela, com seu sorrisinho, fala pra você mudar de postura, pois a mesma é errada, que você deveria ver o mundo com outros olhos, ser mais ético. Que, assim que mudar, sua vida melhorará e ajudará a fazer um mundo sem sofrimento.
Você deve estar pensando em alguma Testemunha de Jeová, com sua revista Sentinela, mas não. Estou falando de uma das novas religiões que apareceram nos últimos tempos: o Veganismo. Sim, pois a onda Vegan está mais parecida com religião do que qualquer outra coisa, e aqui eu demonstrarei o porquê.
Primeiro de tudo, vamos entender o que é veganismo e, para isso, vamos ver sua origem: o vegetarianismo. Não, os dois não são a mesma coisa.
O vegetarianismo não tem nada de complicado: A pessoa não gosta de comer carne e prefere alimentar-se apenas de vegetais. Simples assim. Há alguns que se alimentam de ovos, leite e derivados (seja de vaca, cabra ou outro animal qualquer), ovas (de peixe, claro) etc. Não é muito diferente se eu não quiser comer ovos mexidos, por exemplo (detesto ovos mexidos), ou quiabo (odeio quiabo!). A pessoa come o que quiser e pronto! Fim da história. É mais ou menos como acontecem nas religiões: Um camarada cisma que existe um deus (chamemos Coxarrebolante). Ele faz umas preces a Coxarrebolante, venera Coxarrebolante e continua a sua vidinha. Outros acham que isso deve ser seguido com maior rigor, daí constroem um templo para Coxarrebolante, fazem “UUUUUUhhhhh” para Coxarrebolante, dedicam oferendas e assim tem início a religião do Coxarrebolantismo. Todos TÊM que ser coxarrebolantistas, pois caso contrário serão considerados hereges e atirados no inferno.
Com o Veganismo não é diferente. Em 1944, Donald Watson (1910 - 2005) fundou aVegan Society, por ter se indisposto com a Vegetarian Society por diferenças ideológicas - coisa que não ficou muito bem explicada, mas isso nós vemos acontecer em qualquer religiões. Assim, Watson (que não é aquele Watson) se juntou a mais 6 pessoas, e decidiram criar uma nova sociedade, criando até mesmo um novo nome. Watson foi criado numa fazenda quando garoto e resolveu ser vegetariano quando ele viu o que acontecia com os porcos, de modo a virarem o amado bacon nosso de cada dia. Ele (Watson e não o bacon) surtou com pena dos animais e achou que a humanidade era boba, feia e chata; e essa humanidade boba, feia e chata tinha que defender os animais.
Sinceramente, não acho nada de errado defender os animais. Mas há algo sinistro que governa os destinos dos seres vivos. Há algo malévolo, pérfido, indiferente a qualquer coisa que nasce, vive e morre. Essa coisa, como já falei várias vezes, é a Seleção Natural. Ela é quem comanda a sua vida, seu mortal idiota! Antes de prosseguir, demonstrando porque o veganismo está caindo para as raias do absurdo (se é que não começou lá), vamos dar uma repassadinha básica em certos detalhes do mundo biológico.
Nós, seres humanos, somos apenas uma ridícula e insignificante porção da biodiversidade. Somos tão ridículos que só há uma única espécie do gênero Homo. Nenhum dos outros sobreviveu. Apesar de sermos ridiculamente insignificantes, a Seleção Natural demonstrou que somos vencedores, dados os milhares de anos que oHomo sapiens anda por aí. Todos os demais indivíduos do gênero Homo não sobreviveram para contar a história, pois foram extintos. Se algo contribuiu para isso foi a nossa dieta onívora (comemos qualquer coisa, ou quase) Antes, éramos caçadores-coletores, isto é, vivíamos exclusivamente da caça e da coleta de víveres que estavam facilmente ao alcance das mãos. Isso perdurou até que inventamos a agricultura. Nosso cérebro era pequeno e não muito bom para formar o que poderíamos chamar de civilização tecnológica (emprego “tecnologia” como o conhecimento de usar ferramentas, mesmo as mais rudimentares). Alguma coisa fez a diferença, e essa diferença foi a ingestão de proteínas de origem animal.
Esse é o ponto que o vegan fica estarrecido, arregala os olhos e diz: NOOOOOOOOO!!! Mas, esperem! As plantas também produzem proteínas, logo o que há de diferente entre elas?
Vegans, como costumam ser os religiosos fanáticos, não leem nada que divirja de sua opinião pré-concebida e preconceituosa, isto é, eles costumam não entender NADA de bioquímica. Façam um teste: peguem um livro de bioquímica e tomem um capítulo. Escolham um vegan e peça para ele explicar. Digamos, ciclo de Krebbs. Se você estiver num debate online, o co-debatedor correrá pro Google, acessará a Wikipédia e dará copy/paste. Peça para ele explicar o que está escrito ali. Ele não saberá. No máximo, recorrerá a sites como o Go Vegan, o Answer in Genesis do Veganismo.
Muito bem, a maioria das plantas sintetizam seu próprio alimento através da fotossíntese, como qualquer criança de Ensino Fundamental sabe. Mas é um processo MUITO complexo. A planta sintetiza também proteínas - que nada mais são que junção de vários aminoácidos - além de enzimas que possibilitam muitas reações químicas no organismos (às vezes elas participam da reação, às vezes só agem como catalisadores, acelerando - mas não participando - da reação). Os animais sintetizam proteínas de forma diferente. Eles montam e desmontam proteínas, absorvem e reciclam os nutrientes absorvidos, até produzirem as proteínas necessárias ao seu funcionamento.
Os animais não produzem todas as proteínas igualmente. Alguns animais produzem uma determinada proteína, outros não. Por causa disso, e de nossa dieta onívora, os seres humanos que desenvolveram a capacidade de metabolizar quase todos os tipos de proteínas tiveram melhor chance na corrida evolutiva, pois a população que apresentou esta capacidade ficou em vantagem nos tempos de escassez. Assim, o que REALMENTE interessa aos animais são os aminoácidos provenientes das proteínas, pois eles serão usados para suprir o organismo de forma que o metabolismo faça a síntese do que for necessário. Dessa forma, o que importa não é a proteína em si e sim de quais aminoácidos ela é constituída.
Um detalhezinho que os fanáticos religiosos vegans - também chamados Talibãs da Couve-Flor - não sabem (ou não querem saber): as proteínas animais são mais facilmente metabolizadas do que as proteínas vegetais, pois as proteínas vegetais são formadas por outros aminoácidos que seriam necessários para o nosso organismo, mas não todos. Se determinados aminoácidos estiverem presentes, não servirão, pois cada proteína é formada por uma série de aminoácidos característicos. E eu ainda nem entrei na questão das vitaminas e complexos vitamínicos. Logo, não basta ser proteína, tem que ser formada pelos aminoácidos certos.
O que isso significa? Significa que bioquimicamente, não há sentido ser apenas (notem o “apenas”) vegetariano. Basta considerar que nem todas as proteínas vegetais possuem os aminoácidos que nós, seres humanos, precisamos. De onde iríamos conseguir estes aminácidos? Comprando no Mercado Livre? Hoje é fácil, há 20 anos era difícil, há 50 anos era praticamente impossível e de 100 anos para trás era COMPLETAMENTE impossível.
Mas… mas… mas, e os estudos que as carnes fazem mal? Simples: Não fazem.
As carnes, enquanto fonte de proteínas, não fazem mal; o que faz mal é a taxa de gordura associada a ela. Escolhendo carnes mais magras, o problema diminui substancialmente. E aí vamos para outro ponto em que o veganismo é semelhante às religiões: Desonestidade.
Sites como o Go Vegan, como todo antro de fanatismo religioso, omite certas informações. Costumam tecer comparações entre as dietas onívoras e as vegetarianas, dando (é claro) vantagem para a dieta vegetariana. O que eles “esquecem” de mencionar é que comparam uma dieta onívora desbalanceada com uma dieta vegetarianabalanceada. Trapaça pouca é bobagem! “Esquecem” também de mencionar que, embora os vegetais também apresentem proteínas, a maior parte da planta é composta por celulose, um carboidrato (e não proteína) que não é absorvido pelo organismo humano; se fosse você poderia comer algodão ou mesmo papel, mas você sabe que não é assim que a banda toca. Por certo, nem mesmo o sistema digestório de animais herbívoros, como os boizinhos lindos, estão completamente adaptados para isso. O que eles têm que nós não temos são micro-organismos que atacam a celulose, quebrando-a em moléculas menores que podem ser absorvida pelo organismo dos distintos herbívoros.
No caso dos animais, digerimos a sacarose e o amido (dois outros exemplos de carboidratos) porque eles são “quebrados” em partes menores. Nossa saliva contém uma enzima camada amilase, responsável por quebrar o amido em unidades menores, facilitando sua absorção. No tocante à proteína animal, o fato é que sua ingestão nos propiciou o desenvolvimento do encéfalo [1] [2] [3] . Da mesma maneira, houve um aumento de estatura considerável no povo japonês depois da Segunda Grande Guerra. Com a chegada de norte-americanos nas ilhas do Pacífico, começou a haver uma mudança de hábitos alimentares, com a introdução de mais proteína animal na dieta dos que lá viviam. Isso acarretou um aumento na estatura média do povo japonês [4] [5] , somando-se também um melhor estilo de vida [6] ; e é óbvio que apenas a ingestão de proteína animal não acarretaria isso, mas também é um fator a ser levado em conta. Se fosse nociva, tal desenvolvimento não seria observado, ou seria em menor grau. Em umareportagem da revista Época (edição de 24 de agosto de 1998), é demonstrado como os tanques japoneses possuíam cabines pequenas, adequadas à estatua média do soldado japonês. Atualmente, entrar numa cabine assim é muito, muito complicado para um adulto. Ainda no tocante à população japonesa, estudos sugerem que o consumo de proteínas animais - em comparação com os povos ocidentais - não está relacionada com casos de Acidente Vascular Cerebral ou infartos. Credita-se então à ingestão de altas percentagens de gordura animal e colesterol. Fica claro que o problema não é a carne em si, e sim a gordura, como banha de porco etc.
Ao lermos sobre os efeitos de uma alimentação pobre em proteínas, encontramos um artigo que relata (grifos meus):
A suplementação, com proteínas, de uma dieta na qual esse nutriente era deficiente, tanto em quantidade quanto em qualidade, levou a resultados diversos, dependendo da qualidade da proteína usada na suplementação. Quando se suplementou a dieta carente com uma proteína de baixa qualidade (de origem vegetal), os efeitos sobre a DA [depressão alastrante da atividade elétrica cerebral] não foram revertidos. A reversão só foi conseguida quando a proteína usada na suplementação era a caseína, a proteína animal de excelência para os mamíferos. Com base nessas observações pode-se concluir que os efeitos da desnutrição no início da vida sobre o desenvolvimento e as funções cerebrais não podem ser completamente evitados, se a alimentação deficiente for suplementada apenas com proteínas de baixo valor biológico, isto é, de baixa qualidade, definida pela falta de alguns aminoácidos essenciais.Guedes, Rubem Carlos Araújo, Rocha-de-Melo, Ana Paula Rocha-de-Melo e Teodósio, Naíde Regueira Teodósio - NUTRIÇÃO ADEQUADA: A BASE DO FUNCIONAMENTO CEREBRAL, Ciência e Cultura vol.56 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2004
Em (pseudo)refutação a isso, costumam linkar o artigo da American Dietetics Associationcomo prova que a dieta vegetariana é mais saudável. Ou não sabem ler em inglês, não sabem usar o Google translator ou são carentes de honestidade (mais provável, uma soma dos três). O abstract (resumo) do artigo começa com:
It is the position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada that appropriately planned vegetarian diets are healthful, nutritionally adequate, and provide health benefits in the prevention and treatment of certain diseases. Approximately 2.5% of adults in the United States and 4% of adults in Canada follow vegetarian diets. A vegetarian diet is defined as one that does not include meat, fish, or fowl. Interest in vegetarianism appears to be increasing, with many restaurants and college foodservices offering vegetarian meals routinely. Substantial growth in sales of foods attractive to vegetarians has occurred and these foods appear in many supermarkets. This position paper reviews the current scientific data related to key nutrients for vegetarians including protein, iron, zinc, calcium, vitamin D, riboflavin, vitamin B-12, vitamin A, n-3 fatty acids, and iodine.É a posição da Associação Dietética Americana e Nutricionistas do Canadá, que dietas vegetarianas apropriadamente planejadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas e fornecem benefícios de saúde na prevenção e no tratamento de certas doenças. Aproximadamente 2,5% dos adultos nos Estados Unidos e 4% dos adultos no Canadá seguem dietas vegetarianas. A dieta vegetariana é definida como aquela que não inclui carne, peixe ou ave. O interesse pelo vegetarianismo parece estar aumentando, com muitos restaurantes que oferecem refeições vegetarianas rotineiramente. O crescimento substancial nas vendas de alimentos atraentes para os vegetarianos ocorreu e estes alimentos aparecem em muitos supermercados. Este artigo analisa a posição atual de dados científicos relacionados aos nutrientes essenciais para os vegetarianos, incluindo proteínas, ferro, zinco, cálcio, vitamina D, riboflavina, vitamina B-12, vitamina A, ácidos graxos n-3, e iodo.
Com o detalhe que as vitaminas do complexo B são majoritariamente (e no caso da vitamina B12, exclusivamente) pertencente a alimentos de origem animal, isto é, carnes. Vegetais não apresentam vitamina B12, a qual é essencial ao nosso organismo [7] . Qualquer um que estude um pouquinho de fisiologia sabe que além da vitamina B12, o ferro é muito importante, principalmente sob a forma heme, que é essencial para nós, devido ao seu trabalho junto à hemoglobina. Esta forma de ferro é muito mais fácil de ser absorvida pelo nosso organismo do que o ferro não-heme. Alimentos de origem animal contém não só ferro sob a forma heme, como a não-heme. Os vegetais normalmente só possuem a segunda [8] [9] [10] .
Nisso, cabe repor os nutrientes e vitaminas essenciais com o uso de suplementos alimentares. Mas que diabo de dieta perfeitamente saudável é essa que precisa de suplementos? Isso faz sentido? Na mente vegan, faz..
Sim, eu concordo que a obesidade é um caso grave na saúde norte-americana, mas precisamos guardar as medidas. Já publicamos uma pesquisa que informa que aobesidade infantil tem origem genética também. Ademais, o que o norte-americano médio come? Um monte de porcarias industrializadas ou nos fast-food da vida. Compre um imenso Big Mac com fritas e preste atenção no quanto de gordura animal você estará ingerindo. Batatas são vegetais e o óleo onde elas são fritas (e saem deliciosamente crocantes) também são de origem vegetal. Assim, o problema não está na carne em si (frita na chapa e não na fritadeira, imersa em óleo) e sim no percentual de gordura ingerido, que pode ser tanto de origem animal, como vegetal. Dessa forma, se eu tirar o hambúrguer e o queijo, eu poderei comer o Big Macapado e ficar tranquilo, já que não estou comendo nada de origem animal? Assim é fácil!
O Go Veg é um site tão escroto, tão mentiroso e sem-vergonha, que não se importa em estuprar o conhecimento científico que temos hoje, publicando um monte de sandices despropositadas sobre a fisiologia humana. Eles tiveram a pachorra de dizer que a formação dos dentes e do trato digestivo foi selecionado biologicamente para se alimentar apenas de vegetais. Só alguém completamente ignorante nesse assunto vai acreditar nisso. E eu falo ignorante na pureza do significado, isto é, de realmente não saber nada sobre o assunto.
Lá, afirma-se que o pH normal do estômago está entre 4 a 5. Mentira! O ácido produzido no estômago é o ácido clorídrico, que junto com a pepsina age fortemente contra o alimento que você ingere. O HCl é um ácido inorgânico com alto grau de ionização (Química de 1º ano de Ensino Médio). À medida que o pH do estômago vai aumentando (como quando você bebe leite de magnésia), o corpo produz mais HCl. A ação do HCl possui um rendimento otimizado entre o pH 1 e 2, isto é, se o pH começar a subir, o corpo corre em corrigir isso. Eu já fiz este teste em laboratório, com solução de HCl e solução de pepsina, e comprovei isso. Mas tal coisa não foi feita pelos “gênios” do Go Vegan.
E sobre atacar o estômago? O HCl não ataca as paredes do seu estômago por duas razões. A primeira é que o HCl possui o cloro no seu estado de redução máximo, logo, ele não pode oxidar nada (também é ensinado isso em Química do 1º ano do EM). O ácido clorídrico NÃO É um agente oxidante. A segunda é que em conjunto com a pepsina ele não ataca o estômago por causa de uma grossa camada de muco estomacal. Este muco - que normalmente se regenera competamente a cada 3 dias - contém, entre outras coisas uma substância chamada “bórax”, que ajuda a neutralizar a alta concentração de íons H+. Úlceras têm diversos fatores e um deles é a presença da Helicobacter pylori, que ataca o muco. Com menor camada de muco, o ácido clorídrico começa a atacar o tecido estomacal.
Outra besteirada na versão verde da Montfort é dizer que o intestino delgado tem cerca de 10 a 11 vezes o tamanho do ser humano. Considerando que tal tamanho está entre 3 e 7 metros de comprimento, então o corpo deveria ter entre 30 e 70 cm de altura. Ou o pessoal do GoVegan é completamente analfabeto em matemática ou, então, eles examinaram algum gnomo de jardim.
Chegaram, inclusive, a me mandar este artigo da Scielo para fundamentar a argumentação em prol do veganismo. Infelizmente, a própria conclusão do artigo desmonta o castelo de cartas:
CONCLUSÃO: A alimentação onívora desbalanceada, com EXCESSO de proteínas e gorduras de origem animal, pode estar implicada, em grande parte, no desencadeamento de doenças e agravos não-transmissíveis, especialmente no risco cardiovascular (grifo meu).
Qualquer dieta desbalanceada é danosa à nossa saúde, na linha do “tudo o que é demais faz mal”. Mas e os vegetais? Eles não seriam mais saudáveis? Dificilmente. A maioria sequer entraria em nosso cardápio se não fosse o nosso desenvolvimento eaprendizado na prática culinária, o que desmonta a tese absurda que o homem nasceu pra ser vegetariano. Muitos vegetais JAMAIS poderiam ter sido consumidos por nossos ancestrais, como é o caso do feijão que é altamente tóxico, pois possui inibidores de tripsina, uma enzima que ajuda no ataque a fibras musculares que foram ingeridas, além de agir nas fezes impedindo que haja prisão de ventre (e muitas vezes causando diarreia, quando em altas concentrações). Como se resolve? Através de tratamento térmico (cozinhando, em outras palavras). Claro que podem alegar que hoje ninguém como feijão cru, mas nossos antepassados não apareceram na terra com uma cozinha completa. Caçadores-coletores comiam o que viam pela frente (muitas vezes o que viam pela frente os comiam também, mas faz parte).
Ainda sobre o feijãozinho nosso de cada dia, convém que ele fique “de molho”, pois não conseguimos digerir uma substância chamada rafinose, um trissacarídeo também presente na soja, que só faz bem na mente vegan, mas não é essa maravilha que apregoam. Os fitatos contidos nela agem como fatores anti-nutricionais, já que reduzem a biodisponibilidade no organismo de minerais divalentes como: cálcio, ferro, magnésio, manganês, cobre e zinco, principalmente. Alguns estudos mostram que estes fitatos são importantes na mesma medida, mas deve-se ressaltar que ao se ingerir soja é preciso ingerir mais dos íons acima descritos. E tome suplemento alimentar! Isso soa plausível numa dieta tida como “melhor”? Bem, vegans continuarão achando que sim. Comer mandioca crua, alguém se arrisca? A mandioca consumida comumente, não nos traria problemas, mas o preparo original da mandioca brava é todo um ritual, por causa dos glicosídeos cianogênicos. Não, você não leu errado. É quase como comer cianetos (quase; e embora não seja a mesma coisa, pode ser fatal também).
Antes de terminar esta parte do artigo, deixem-me dizer-lhes uma coisa, afim de acabar com um mito: vegetais também se defendem.
Analisem. A Seleção Natural favorece quem estiver mais apto a gerar descendentes. Uma espécie não duraria muito tempo se não puder se reproduzir suficientemente para garantir a sobrevivência. Logo, se muitos herbivoros comessem vegetais direto, sem que esses pudessem ter tempo para se reproduzirem, não haveria vegetais, não haveria herbívoros e não haveria carnívoros. Os vegetais, contudo, desenvolveram táticas de defesa, muitas vezes mais cruéis que muitos animais. Alguns são extremamente venenosos, outros trapaceiam, mimetizando pequenos insetos para que os maiores possam ser atraídos. Outros exalam cheiro de carne podre, para que moscas pousem neles ávidas por um lanchinho, acabem se sujando com o pólen e indo para outra flor semelhante, perfazendo a polinização.
Mas que é sacanagem, é. A Natureza não se importa em manipular os seres.
Ainda mascarando informações, os membros da Seita Vegan parte para falácias de apelo à misericórdia e apelo ao mundo, dizendo que “o grão que alimenta o gado é o grão que faz falta na mesa das pessoas”. Mais uma alteração da verdade! Já começa que o gado não é tratado de forma intensiva, só no caso do gado leiteiro. Isso por que ele criaria capas de gordura, e ninguém quer comprar apenas gordura. De acordo com a EMBRAPA, a dieta completa do gado leiteiro “é uma mistura de volumosos ( silagem, feno, capim verde picado ) com concentrados (energéticos e proteicos), minerais e vitaminas. A mistura dos ingredientes é feita em vagão misturador próprio, com balança eletrônica para pesar os ingredientes. Muito usada em confinamento total, tem a vantagem de evitar que as vacas possam consumir uma quantidade muito grande de concentrado de uma única vez, o que pode causar problemas de acidose nos animais. Além disso, recomenda-se a inclusão de 0,8 a 1% de bicarbonato de sódio e 0,5% de óxido de magnésio na dieta total, para evitar problemas com acidose.”
O gado bovino de corte, é tratado com base de cana-de-açúcar como volumoso (cerca de 40 kg/dia) e apenas 3 kg de concentrado (milho + farelo de soja). E obviamente, depois do que os ingleses fizeram, só se alimenta gado de corte com constituinte vegetal (mesmo porque, são herbívoros). Para quem não se lembra, foram alimentar gado com farinha de carcaça de carneiros e resultou no chamado “Mal da Vaca Louca”.
Argumentar que isso faz com que haja falta de alimentos é uma falácia gritante. Qualquer um que vá no CEASA ou no CEAGESP pode ver o tanto de comida que é desperdiçado. ESTE é o problema! Desperdício! Em reportagem da Folha de São Paulo, fica demonstrado que 30% dos alimentos que o Brasil produz são desperdiçados. O desperdício pode acontecer até mesmo em unidades de saúde, como no Hospital das Clínicas. Além disso, há o caso que o mundo está se tornando superpopuloso, e o que seria realmente efetivo seria um controle de natalidade mais sério. Só que com mais gente no mundo, existem mais eleitores, mais gente que servirá de “decoração” para as campanhas eleitorais, mais massa de manobra, mais formas de haver doações, as quais poderão ser desviadas, enriquecendo o bolso de muita gente.
Em resumo: podem plantar o quanto quiserem, ainda haverá falta de alimentos na mesa das pessoas, pois o problema não é a existência do alimento, e sim na chegada até a casa das pessoas. Não há nenhum motivo político ara resolver isso, pois a fome é uma grande arma na mão de ditadores, como podemos comprovar nos países africanos, onde a ONU despeja toneladas e mais toneladas de alimento, e nem um grama chega à boca dos famintos. Se os campos são destruídos para fazer pastagens, segundo a visão vegan, eles seriam destruídos para transformá-los em produção agrícola. Fazem ideia da logística por trás disso? Bem, com certeza, eles não sabem.
Lógico que eu não diria que seres humanos não devem comer vegetais. Devem! Mas também não podem deixar de ingerir carnes, ou então estaremos todos condenados a viver de suplementos alimentícios pelo reso da vida. Reitero a pergunta: Que dieta saudável é essa que não supre nossas necessidades nutricionais?
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