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terça-feira, 6 de março de 2012

Favelas são obstáculo para os grandes planos do Brasil para as Olimpíadas

Supostamente deveria ser um momento triunfante para o Brasil. Nos preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016 que serão realizados aqui, as autoridades celebraram os planos para um “Parque Olímpico”, completo com um novo parque à beira da lagoa e vilas para os atletas, os apregoando como “um novo pedaço da cidade”.

Havia apenas um problema: as 4.000 pessoas que já vivem naquela parte do Rio de Janeiro, em uma ocupação ilegal de décadas que a prefeitura deseja remover. Recusando-se a sair facilmente e levando sua luta às ruas e à Justiça, elas têm sido uma pedra no sapato da prefeitura há meses.

“As autoridades acham que progresso é demolir nossa comunidade, para que possam realizar as Olimpíadas aqui por poucas semanas”, disse Cenira dos Santos, 44 anos, que possui uma casa na favela, conhecida como Vila Autódromo. “Mas nós os assustamos ao resistirmos.”

Para muitos aqui, a realização da Copa do Mundo de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 em solo brasileiro é a expressão maior da elevação do país ao palco mundial, símbolos perfeitos do novo poder econômico e posição internacional.

Mas algumas das forças que permitiram a ascensão democrática do Brasil como potência regional --a expansão vigorosa da classe média, a independência de sua imprensa e as expectativas cada vez maiores de sua população-- estão infernizando os preparativos para ambos eventos.

Nos canteiros de obras dos estádios, os operários, ávidos em compartilhar da crescente riqueza ao seu redor e recém-empoderados pela taxa de desemprego historicamente baixa do país, estão pressionando agressivamente por aumentos salariais.

Os sindicatos já estão realizando greves em pelo menos oito cidades onde estádios de futebol estão sendo construídos ou reformados, incluindo uma greve em fevereiro de 500 operários na cidade de Fortaleza, no Nordeste, e um movimento nacional de 25 mil operários nas obras da Copa do Mundo tem ameaçado entrar em greve. Os atrasos nas obras estão alimentando problemas com a Fifa. O secretário-geral da entidade, Jerome Valcke, disse no final da semana passada que os organizadores brasileiros estão atrasados, acrescentando: “Vocês precisam de um impulso, é preciso dar um pontapé na bunda e organizar esta Copa”. O ministro dos Esportes do Brasil reagiu no fim de semana, dizendo que os comentários de Valcke foram “ofensivos”.

Enquanto isso, os moradores de algumas favelas que enfrentam despejo, estão se unindo e resistindo, diferente dos preparativos para as Olimpíadas de 2008 em Pequim, onde as autoridades removeram facilmente centenas de milhares de famílias da cidade para os Jogos.

Os moradores estão usando câmeras de vídeo e redes sociais para divulgar sua mensagem. E às vezes recebem ajuda da vibrante imprensa brasileira, de causar inveja a outros países latino-americanos.

Não apenas a imprensa e novos blogs concentram sua atenção nos despejos, como também perseguem as autoridades acusadas de corrupção envolvendo os planos para as Olimpíadas e para a Copa do Mundo.

“Esses eventos deveriam celebrar as realizações do Brasil, mas está acontecendo o oposto”, disse Christopher Gaffney, um professor da Universidade Federal Fluminense. “Nós estamos vendo um padrão insidioso de desrespeito pelos direitos dos pobres e estouros de custo que são um pesadelo.”

A cultura política do Brasil também contribuiu com sua parte para os atrasos, com escândalos de corrupção envolvendo importantes autoridades dos esportes.

Mas a remoção das favelas tem causado um desconforto nas ruas. Uma rede de ativistas em 12 cidades estima que até 170 mil pessoas poderão ser despejadas antes da Copa do Mundo e das Olimpíadas. No Rio, despejos estão ocorrendo em favelas por toda a cidade, incluindo a favela do Metrô, perto do estádio do Maracanã, onde os moradores que se recusaram a sair vivem em meio aos escombros das casas demolidas.

Os despejos estão trazendo de volta fantasmas em uma cidade com um longo histórico de remoções de favelas inteiras, como nos anos 60 e 70 durante a ditadura militar do Brasil. Milhares de famílias foram deslocadas das favelas em áreas litorâneas nobres para a distante Cidade de Deus, a favela retratada no filme homônimo de 2002.

À medida que o Rio se recupera de um longo declínio, alguns novos projetos são altamente bem-vindos, como um elevador para uma favela em um morro em Ipanema, ou os novos bondinhos nas favelas do Complexo do Alemão. As autoridades também insistem que os despejos, quando considerados necessários, seguem a lei, com as famílias recebendo indenização e uma nova moradia.

“Ninguém é despejado a não ser por um motivo importante”, disse Jorge Bittar, o secretário de Habitação do Rio.

Mas alguns moradores de favela acusam as autoridades de contribuir para desigualdades já consideráveis. O boom econômico do Brasil provocou despejos por todo o país, às vezes independente dos Jogos. Em várias cidades, os favelados frequentemente só descobrem que suas casas podem ser demolidas quando literalmente são marcadas para remoção.

Em Manaus, a maior cidade do Amazonas, os moradores encontraram as iniciais BRT, uma referência ao novo sistema de transporte, pichadas nas casas que seriam demolidas. Em São José dos Campos, uma cidade industrial, uma remoção violenta em janeiro de mais de 6.000 pessoas prendeu a atenção do país, quando tropas de choque invadiram, entrando em choque com ocupadores armados com bastões de madeira.

No Rio, muitas pessoas que enfrentam despejo moram nos bairros no oeste da cidade, onde grande parte dos espaços olímpicos está localizada e as favelas persistem em uma área vasta de condomínios margeados por palmeiras e shopping centers.

“A lei brasileira está se adaptando para a realização dos Jogos, não os Jogos estão se adaptando à lei”, disse Alex Magalhães, um professor de direito da Universidade Federal do Rio.

Organizações formadas pelos favelados também estão usando a lei e as redes sociais, em um país com o segundo maior número de usuários do Twitter, atrás apenas dos Estados Unidos.

Uma das disputas mais duras gira em torno da Vila Autódromo, uma favela marcada para remoção para abrir espaço para o Parque Olímpico.

“A Vila Autódromo não tem nenhuma infraestrutura”, disse o secretário Bittar. “As ruas são de terra. A rede de esgoto vai direto para a lagoa; é uma área absolutamente precária.”

Muitos na Vila Autódromo veem as coisas de modo diferente. Alguns têm casas espaçosas construídas por eles mesmos. Goiabeiras fazem sombra nos quintais. Algumas ruas têm carros estacionados, um sinal da expansão da classe média baixa do Brasil.

Os moradores levaram sua luta para a Internet, postando vídeos de discussões com as autoridades. Eles começaram a trabalhar com a Defensoria Pública buscando a paralisação da remoção, apesar de terem perdido em uma decisão chave recentemente.

A imprensa noticiou que a prefeitura do Rio pagou R$ 19,9 milhões para duas construtoras pelo terreno para assentamento dos moradores da Vila Autódromo; as duas empresas doaram fundos para a campanha de Eduardo Paes, o prefeito do Rio. Paes negou qualquer ação imprópria, mas cancelou prontamente a compra do terreno.

Ainda assim, as autoridades dizem que planejam remover a favela para abrir caminho para avenidas em torno do Parque Olímpico, levando os moradores a buscar novas estratégias para resistir ao despejo. “Nós somos vítimas de um evento que não queremos”, disse Inalva Mendes Brito, uma professora na Vila Autódromo. “Mas quem sabe se o Brasil aprender a respeitar nossa escolha de permanecer em nossas casas, as Olimpíadas venham a ser algo para ser celebrado no final.” (Erika O’Conor e Taylor Barnes contribuíram com reportagem).


Décadas de complacência das autoridades municipais do Rio de Janeiro permitiram a instalação de favelas  e, agora, querem retirar as pessoas dessas "comunidades" passando tratores em cima.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Falta bicheiro no carnaval de São Paulo?

São Paulo nunca foi o túmulo de samba. A famosa frase de Vinícius de Moraes é tremendamente injusta com Adoniran Barbosa, os Demônios da Garoa e outros expoentes do samba paulistano. Que é mais italianado do que o samba carioca, mas nem por isto menos samba.

Mesmo assim, São Paulo ignora essa gloriosa tradição e faz de tudo para imitar o Rio durante o carnaval. O desfile das escolas paulistanas emula em praticamente tudo o que se passa na Marquês de Sapucaí, com menos criatividade e bem menos dinheiro. O resultado é que elas acabam se parecendo, sim, com suas congêneres cariocas --mas de uns vinte anos atrás.

Agora, tendo em vista o que aconteceu ontem durante a apuração dos resultados, vou me arriscar a dizer que falta outra coisa ao carnaval de São Paulo: a influência dos bicheiros.

Deixa eu me explicar, antes que alguém me acuse de conivente com a contravenção. O que se viu ontem à tarde no Sambódromo do Anhembi foi uma explosão de anarquia, praticamente impensável no reguladíssimo carnaval carioca de hoje.

Um suposto dirigente da Império da Casa Verde (a escola nega, mas há fotos do sujeito na mesa da diretoria) invade a área dos jurados, rasga as notas e foge. Parte da torcida da Gaviões da Fiel resolve arrebentar tudo o que aparecer pela frente. E o mais patético: um diretor da Rosas de Ouro é pego em flagrante tentando roubar o troféu destinado ao 5o. lugar. Talvez para uso próprio, já que sua escola tinha garantida pelo menos a segunda colocação.

Dá para imaginar tal baderna acontecendo no Rio de Janeiro? Em outros tempos, sim. A Riotur escolhia mal os jurados do desfile, e os resultados eram invariavelmente contestados.

Marina Montini, mulata escultural e musa de Di Cavalcanti --atributos que de forma alguma a qualificavam para julgar o carnaval-- foi jurada certa vez, e dormiu durante o desfile. Chegou a ser ameaçada de morte, o que é até compreensível.

Ainda hoje a apuração carioca costuma terminar em polêmica, mas a violência que estourou em SP é mais do que improvável que aconteça por lá. E sabe por quê? Porque os bicheiros ainda dominam o carnaval do Rio de Janeiro. Mesmo atrás das grades, mesmo sem o poder avassalador que já tiveram um dia, são eles, os reis da loteria animal, que ainda dão as cartas.

E essa turma simplesmente não deixaria que uma controversiazinha na pontuação descambasse para um quebra-quebra generalizado. Porque uma confusão dessas não faz mal apenas para a festa: faz mal para os negócios.

Não sei quase nada sobre os dirigentes das escolas paulistanas, e não estou acusando ninguém de estar envolvido com jogo do bicho. Mas ainda falta a eles a omertà, o código de conduta da máfia, que seus colegas cariocas já conseguiram implantar há algum tempo.


Comentário do Celso:
O carnaval no Rio de Janeiro deixou de ser um espetáculo popular há tempos, exclusividade de uma emissora de televisão, é mais um produto a ser vendido, com a conivência do governo local com a influência dos bicheiros e a absurda alocação de dinheiro dos contribuintes.
São Paulo está fazendo força para se igualar.


Comentário do Aurelio:
Sou contra o carnaval do Rio. Milhões de reais jogados fora, influência descarada das cervejarias, que fazem tudo para promover o consumo irresponsável da DROGA que é a bebida alcoólica, atores de novelas e jogadores de futebol querendo aparecer de maneira estúpida etc.

O de São Paulo é tão patético quanto. Capital público desperdiçado e as mesmas pseudo-músicas, com sempre os mesmos temas e repetidas de maneira nauseabunda por dezenas de minutos.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Tá caindo tudo: Prédios desabam no Rio de Janeiro: Veja os vídeos







Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro intensificaram hoje (26) as buscas por vítimas dos desabamentos de três prédios no centro da cidade. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas – quatro homens e uma mulher – e 20 estão desaparecidas. Cães farejadores identificaram dois focos onde, possivelmente, existam pessoas soterradas. Por segurança, a área, que é bastante movimentada, foi interditada desde a madrugada.

Policiais investigam as causas dos desabamentos. A suspeita mais provável, segundo os investigadores, é de colapso nas estruturas dos prédios, como falhas nas projeções. Foram descartadas motivações provocadas por vazamento de gás nos edifícios. O trabalho é dificultado pela poeira e a sujeira no local.

Para atender às famílias, foram montados dois núcleos de atendimento – um na Câmara Municipal do Rio e outro em uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF). Os dois locais estão próximos aos prédios que desabaram. Os atendimentos são feitos por funcionários da Defesa Civil e a prefeitura.

As cinco pessoas feridas foram retiradas dos escombros e levadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Não há detalhes sobre o estado de saúde dos quatro homens e mulheres.

Os desabamentos ocorreram ontem (25) à noite e atingiram três prédios antigos da região central. Os edifícios que desabaram tinha 20, 10 e quatro andares. O menor deles estava entre os outros dois, por isso, inicialmente, não foi informado o terceiro desabamento. Um grupo de 80 homens do Corpo de Bombeiros, com o apoio da Polícia Militar e da Defesa Civil, trabalham na área.

Vários carros que estavam estacionados na região ficaram cobertos de poeira em decorrência dos escombros. Edifícios localizados em volta dos prédios desabados também ficaram encobertos, como o prédio no qual funcionava uma agência do Banco Itaú e uma padaria. Nas proximidades também fica o tradicional Bar Amarelinho, que reúne políticos, artistas e jornalistas há décadas.

Agência Brasil

terça-feira, 1 de março de 2011

Parabéns, Rio de Janeiro! 446 anos

Hoje, a cidade que nasci completa quase 450 anos. Uma cidade não só bonita, mas cosmopolita e extremamente agradável para se viver. Que nos anos vindouros o Rio se desenvolva cada vez mais, com igualdade social, menos violência e que a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 transformem positivamente a cidade.


Copacabana, o Bairro que morei por tantos anos, em épocas diferentes:


Alguns registros históricos fantásticos:











segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Governador Sérgio Cabral é reeleito no Rio de Janeiro



RIO - Com 100% das urnas apuradas, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), foi reeleito com 66,08% dos votos válidos deste domingo. Fernando Gabeira (PV) chegou em segundo, com 20,68%; e Fernando Peregrino (PR), em terceiro, com 10,81%. Jefferson Moura (PSOL), obteve 1,67%; Cyro Garcia (PSTU), 0,62%; e Eduardo Serra (PCB), 0,14%.

- Estamos muito comovidos com o resultado, que só fortalece nosso compromisso de continuar no caminho da paz, das parcerias e dos investimentos que o estado passou a conquistar - disse Cabral, por volta das 20h30m deste domingo, quando ainda faltavam cerca de 5% das urnas a serem apuradas.

O Globo.

Comentários:
No Rio, as mentiras do PV, do PSDB e do Gabeira não colaram.