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sábado, 8 de setembro de 2012

Superação de ex-lateral-esquerdo dá motivação para elenco do Botafogo




Desistir jamais. Este é o lema atual do Botafogo, pensamento reforçado no último domingo, após visita especial ao vestiário do Engenhão depois da vitória sobre o Coritiba. Jefferson, lateral-esquerdo do Glorioso em 1995 e que sofre com grave lesão cerebral que afetou os movimentos dele, foi levado ao contato do elenco atual pelos ídolos Carlos Alberto Torres e Wilson Gottardo. A emoção do momento fez o grupo alvinegro formar um pacto de superação.
Aos 31 anos, em 2001, Jefferson contraiu a Síndrome de Behçet, uma doença rara e causada por baixa imunidade, que pode ser transmitida através da ingestão de frutas ácidas ou chocolate. Em 2002, quando estava em transferência do Atlético-MG para o Juventude, o jogador sofreu perda repentina dos movimentos corporais. No caso dele, a lesão aconteceu no cérebro, resultando em paralisia total e perda da fala. Não há cura para o problema e, durante anos, ele só conseguiu se comunicar através do movimento dos olhos.
Morador de Pato Branco (PR), cidade natal dele, e em constante batalha pela vida, Jefferson é sempre conduzido pela esposa Adriana Oltramari para as inúmeras sessões de fisioterapia e hidroterapia que o fizeram recuperar os movimentos da mão direita. Por intermédio de um amigo em comum, o ex-jogador foi acolhido recentemente por Carlos Alberto Torres, que conseguiu o apoio do Botafogo para financiar uma viagem para consulta médica no Rio, o que ocorreu na semana passada, com direito a ida ao Engenhão para mudar o rumo do time atual no Brasileirão.
- Ficamos muito emocionados e aprendemos uma lição. Todos no vestiário viram o quanto é importante batalhar na vida. Ele nos deixou um estímulo para sempre fazer o melhor, dar valor a tudo e não desistir - disse o volante Renato.
Jefferson, de 42 anos, já deixou frutos no Alvinegro. Na quarta-feira, o time venceu de virada por 3 a 1 o Cruzeiro, em Minas, brigando até o fim. Pelo visto, luta não vai faltar ao Glorioso até dezembro.


EMOÇÃO NA VOLTA À ROTINA
Se nos tempos em que jogava, Jefferson entrava no vestiário com os companheiros de clube, no último domingo ele entrou empurrado na cadeira de rodas pelo filho Pedro Henrique, de 15 anos. Ao lado dele, emocionou a todos ao ser saudado pelos jogadores que tinham acabado de vencer o Coritiba:
- Eu me emocionei muito, pois o Jefferson ali voltou a ficar no meio dos jogadores, algo que foi a vida dele. Os jogadores fizeram uma corrente com ele, o abraçaram e deram uma camisa de jogo. Foi muito legal – disse a esposa Adriana, detalhando a emoção dele:
- Vimos muitas reações de felicidade. Ele tem muito carinho pelo Botafogo, foi o clube pelo qual ele mais jogou. Estar ali foi muito representativo para ele.


BATE-BOLA
Adriana Oltramari
Esposa de Jefferson, em entrevista exclusiva ao LANCE!
Há quanto tempo o Jefferson sofre com está doença?
Há 11 anos. Na verdade, não há uma causa conhecida de como ele contraiu. Essa doença costuma dar diretamente nas articulações, mas a dele deu no cerebelo, afetando os movimentos e a fala.
Como se deu a viagem ao Rio?
Um amigo acompanhou a história do Jefferson e conversou com o Carlos Alberto Torres para ver se conseguia uma consulta no Rio com um renomado neurologista. O Botafogo pagou nossas passagens, hospedagem e consulta. Foi muito gentil.
O que o médico constatou?
Ele confirmou a Síndrome de Behçet e disse que o tratamento que fazemos atualmente é o correto. Viemos ao Rio na esperança de ter surgido alguma medicação nova, mas isso ainda não existe.
Está previsto uma nova ajuda da diretoria do Botafogo?
Peço a Deus para que venha ajuda. Carlos Alberto se prontificou a ver todo tipo de ajuda com o Botafogo. Ele é o intermediário. O Botafogo foi muito prestativo em tudo.


COM A PALAVRA
Wilson Gottardo - Ex-zagueiro do Botafogo, em entrevista ao LANCE!
Levamos o Jefferson lá no vestiário no domingo. Foi emocionante, ele chorou muito. Vitor Júnior o abraçou e foi muito carinhoso. Oswaldo também, que é uma pessoa muito atenciosa e carinhosa, lhe deu uma camisa e ele chorou muito.
Expliquei para o Seedorf que ele foi jogador do Botafogo. Seedorf é um gentleman. Foi muito carinhoso também. É importante para os filhos dele também, para que saibam que o pai deles é importante e é querido pelo que fez e pelo que é.


A SÍNDROME DE BEHÇET
A Síndrome de Behçet é uma inflamação dos vasos sanguíneos de pequeno e grande calibre de causa desconhecida.  O sistema imunitário, que por norma protege o organismo de agentes estranhos e infecções, passa a produzir inflamações que podem afetar qualquer parte do corpo.


FICHA TÉCNICA
Nome: Jefferson Vieira da Silva
Nascimento: 25/8/1970, em Londrina (PR)
Posição: Lateral-esquerdo
Títulos pelo Botafogo: Carioca e Teresa Herrera (97) e Rio São Paulo (98)
No Botafogo: 239 jogos e 9 gols. Atuou em 1991, 1992, 1994, 1995, 1996 e 1998.

Eu vi este grande jogador em campo, sempre teve muita raça. Que a história de superação dele ajude o Botafogo.

TRE's apontam PSDB como campeão em políticos envolvidos em corrupção



DANIEL CARVALHO
VALMAR HUPSEL FILHO
DE SÃO PAULO
Os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) barraram até agora a candidatura a prefeito de 317 políticos com base na Lei da Ficha Limpa, mostra levantamento da Folha nos 26 Estados do país.

O número deve aumentar, já que em 16 tribunais ainda há casos a serem julgados. Entre os fichas-sujas, 53 estão no Estado de São Paulo.

Na divisão por partido, o PSDB é o que possui a maior "bancada" de barrados, com 56 candidatos -o equivalente a 3,5% dos tucanos que disputam uma prefeitura. O PMDB vem logo atrás (49). O PT aparece na oitava posição, com 18, 1% do total de seus postulantes a prefeito.

Todos os candidatos barrados pelos tribunais regionais podem recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A presidente do tribunal, Cármen Lúcia, já disse que não será possível julgar todos os casos antes das eleições, mas sim até o final do ano, antes da diplomação dos eleitos.

Os nomes barrados pelos TREs irão aparecer nas urnas eletrônicas, mas todos os seus votos serão considerados sub judice até uma eventual decisão no TSE.

Exemplo: se o ficha-suja tiver mais votos, mas seu recurso for rejeitado, assume o segundo colocado na eleição.

Entre os barrados, destacam-se o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP-PE) e a ex-governadora Rosinha Garotinho (PR-RJ).

Severino tenta se reeleger prefeito de João Alfredo (PE) e foi enquadrado na lei por ter renunciado ao mandato de deputado federal, em 2005, sob a acusação de ter recebido propina de um concessionário da Câmara.

Já Rosinha Matheus, atual prefeita de Campos (RJ), teve o registro negado sob a acusação de abuso de poder econômico e uso indevido de meios de comunicação durante as eleições de 2008.

A maioria dos barrados foi enquadrada no item da Lei da Ficha Limpa que torna inelegível aqueles que tiveram contas públicas rejeitadas por tribunais de contas.

De iniciativa popular, a lei foi sancionada em 2010, mas só passa a valer na eleição deste ano. A lei ampliou o número de casos em que um candidato fica inelegível -cassados, condenados criminalmente por colegiado ou que renunciaram ao cargo para evitar a cassação.

"A lei anterior era permissiva demais", disse Márlon Reis, juiz eleitoral e um dos autores da minuta da Ficha Limpa. Para André de Carvalho Ramos, procurador regional eleitoral de São Paulo, os próprios partidos vão evitar lançar fichas-sujas.


Folha de São Paulo

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Estudo aponta que 36% dos brasileiros nunca foram ao oculista



Uma pesquisa inédita encomendada pela Sociedade Brasileira de Glaucoma mostra que 36% dos brasileiros adultos nunca foram ao oftalmologista. Outros 18% fizeram apenas uma consulta em toda a vida. Conduzido pelo Ibope, o trabalho foi feito com base numa mostra de 2.002 entrevistas em todo o país, em junho deste ano.

"Os resultados deixam clara a necessidade de se reforçar o acesso ao tratamento e, principalmente à informação", avalia o presidente da SBG e professor da Universidade Estadual de Campinas, Vital Paulino Costa.

O médico afirma não ser incomum serviços receberem pacientes com perda importante da visão provocada pelo glaucoma. "Como a doença não tem sintomas em seu estágio inicial, muitas vezes as pessoas se dão conta de que algo vai errado somente quando a perda da visão já começou", afirma. Ele lembra, no entanto, que no glaucoma os danos são irreversíveis. "Isso muitas vezes surpreende o paciente. Ele acredita que o tratamento trará de volta a visão perdida." Daí a importância, completa, da agilidade tanto no diagnóstico quanto no início do tratamento.

O glaucoma é uma doença progressiva, causada pelo aumento da pressão intraocular. Essa pressão acaba provocando lesões no nervo óptico, perda de visão e, em muitos casos, cegueira. O tratamento é feito com colírios e, em alguns pacientes, com cirurgias. A prevalência do glaucoma aumenta com a idade. Aos 40 anos, cerca de 2% das pessoas têm a doença. Aos 70 anos, o percentual salta para 6%. "O maior receio é que, com envelhecimento da população e o desconhecimento em torno da doença, o número de casos de cegueira no país aumente consideravelmente."

Da amostra que representa a população geral, 36% nunca ouviram falar em glaucoma. O desconhecimento está presente em todos os níveis de escolaridade. Dos entrevistados com nível superior, 10% disseram não conhecer a doença. A falsa ideia de que a cegueira causada pelo distúrbio é reversível também foi identificada na pesquisa do Ibope: entre os que conhecem o glaucoma 88% disseram saber que ele provoca a perda da visão. Mas 41% deles imaginam que o problema pode ser revertido.

Diante deste quadro, a sociedade decidiu lançar uma campanha de alerta para população. Uma das principais mensagens ressalta a importância de se consultar o oftalmologista depois dos 40 anos. Vital estima que exista no Brasil um milhão de pessoas com glaucoma, mas apenas 50% desses pacientes estão em tratamento. Além da falta de informação, afirma, a dificuldade ao acesso a consultas com especialistas, sobretudo em cidades mais afastadas, contribui para porcentuais tão elevados.

O coordenador-geral de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, surpreendeu-se com dados da pesquisa sobre o acesso da população ao diagnóstico. "Precisamos checar a amostra usada pelo Ibope, avaliar qual perfil epidemiológico considerado", diz. Fogolin garante que o acesso da população às consultas com especialistas aumentou. Em 2010, afirmou, foram 1,7 milhão de consultas. Em 2011, 3,2 milhões. "Aumentamos o atendimento, incluímos mais uma linha de colírio para o tratamento", afirma.

UOL

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Artigo:A “Independência” do Brasil



Por que a palavra “Independência” do título está entre aspas? Por uma razão bem simples: Não somos independentes. Claro, somos uma nação soberana, com poderes independentes plenamente constituídos, mas usar uma palavra que demonstra claramente uma libertação da influência e do desmando estrangeiro em nosso território é mais uma jogada patriótica do que análise da realidade. Não é a toa que a historiografia moderna chama o movimento que culminou na separação de Brasil com Portugal no dia 7 de Setembro de 1822 de “Emancipação Política”, e não mais Independência.

Qual a diferença deste movimento para os outros que acontecerem na América quase que ao mesmo tempo? Em relação aos E.U.A., a diferença é gritante. Enquanto os estadunidenses foram colonizados por aproximadamente cem anos, com relativa liberdade econômica, nós fomos colonizados duramente por mais de trezentos anos, sem liberdade de pensamento, comercial ou mesmo de produção. O pacto colonial com Portugal era mais duro do que com a Inglaterra. Isso em partes explica o nosso atraso econômico em relação aos EUA. Porém, nos igualamos a este país na questão da escravidão. Ficamos independentes com os gritos de liberdade, mas essa liberdade não chegou às senzalas brasileiras, nem americanas. Liberdade na época era um conceito somente aplicável para o homem branco. Tanto aqui quanto lá a escravidão permaneceu intocável por muitos anos e não foi sequer discutida seriamente nos processos de emancipação dos dois países para não desagradar as elites agrárias, poderosíssimas, como são até hoje.

Em comparação com o restante da América Latina, nosso conservadorismo se deu na escolha do modelo político adotado pelo príncipe, a monarquia absolutista, enquanto todos os outros países viraram Repúblicas. O modelo centralista e burocrático do Império Brasileiro, junto com o despótico poder moderador, serviu para moldar a forma como o poder central lida com as questões regionais e que pauta as decisões do governo até hoje: um centro mandando enquanto o resto obedece.

Sendo assim, depois desta longa introdução, qual o legado histórico deste Sete de Setembro hoje? Por que as ruas não são tomadas por pessoas com bandeiras do Brasil e os cidadãos não fazem festas com fogos de artifício, como vemos nos filmes americanos? Por uma razão simples: Nossa emancipação não foi resultado de lutas internas contra um invasor externo. A nossa, ao contrário da Revolução Americana, foi resultado de um jogo político ardiloso, com pequenas batalhas situadas no norte e nordeste, mas com caráter mais de interesses comerciais na região (já que os comerciantes portugueses eram contra a separação dos dois países), do que propriamente político. Desta forma, como é característico no nosso país, a população não foi convocada para a luta, pois as próprias elites locais tinham medo da participação popular, então fizeram todo o jogo político entre si.

A corte estava no Brasil desde 1808 e o Rei D. João VI precisou voltar para Portugal assumir o trono que estava em xeque pelo descontentamento da elite lusitana, que se sentina abandonada em seu país de origem, pois Napoleão já havia sido vencido e não representava mais um risco à Coroa. Dessa forma, D. João deixa como príncipe–regente seu filho Pedro, que acabou herdando a Coroa depois de desentendimentos com as mesmas elites portuguesas que exigiram o retorno de seu pai, pois estas exigiam o mesmo a seu respeito. A ruptura não aconteceu de forma plena, exemplificada na frase de D. João a seu filho nas vésperas do Sete de Setembro: “Pedro, se o Brasil se separar antes seja para tí, que Me Hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros”, chamando de “aventureiros” claramente aqueles que desejavam uma separação mais profunda e radical com Portugal. De qualquer forma, o mesmo D. Pedro I, coroado com festas em 1822, teve de abdicar em 1831 devido às perseguições políticas sofridas pelos mesmos que o colocaram no trono. Porém, devemos relatar o fato de que a Independência só foi reconhecida por Portugal mediante um pagamento de dois milhões de libras esterlinas. Ou seja, o Brasil já começa sua história endividado com potências estrangeiras.

A mentalidade coletiva em relação ao processo de separação política é também recheada de mitos, sem relação histórica com a realidade. Acontecimentos como aquele retratado no quadro de Pedro Américo são romanceados, nunca aconteceram. Até mesmo o famoso “grito do Ipiranga” que D. Pedro teria dado é fruto de discussões entre historiadores, pois não há nenhuma referência a ele em documentos da época. Desta forma, conseguimos ver que a História é um processo em construção, e seus mitos e heróis também são criados de acordo com interesses dos governantes. A nossa chamada “Independência” deve ser lembrada mais de forma crítica do que heróica ou festiva, porque devemos recordar a todo instante que ainda somos um país em construção, onde a resolução de problemas como a fome, a miséria, educação e saúde são mais importantes do que desfiles militares e discursos pomposos em datas comemorativas.

Fábio Z. Candioto é historiador

Médico recebe por parto valor de uma mensalidade na academia


Os baixos valores repassados pelas operadoras por consultas, procedimentos e exames estão no centro das reivindicações dos médicos que interrompem o atendimento eletivo aos planos de saúde nesta quinta-feira, 6.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece um teto, mas não impõe uma regulamentação - os valores dependem de negociação direta entre a classe médica e os planos de saúde.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), a remuneração é variável e depende das particularidades de cada plano - os valores estão associados ao número de vidas cobertas no plano, ao tipo de plano e de cobertura, entre outros fatores. Por isso, alguns planos pagam mais e outros menos pelo mesmo procedimento ou consulta.

De acordo com a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), representante de 15 grupos de operadores de saúde, "os reajustes para procedimentos e consultas são feitos com regularidade, com índices sempre acima da inflação e também do índice praticado pela ANS".

Abaixo, alguns exemplos de valores repassados pelas operadoras por procedimentos. Vale ressaltar que são valores médios. Dependendo do plano, o repasse pode ser maior ou menor.
Estado de S.Paulo



Botafogo 3 x 1 Cruzeiro



Seedorf mostrou mais uma vez que está em um patamar superior ao dos outros jogadores e marcou dois gols na virada do Botafogo, além de dar um passe para Jadson marcar o terceiro. Apesar dos erros de sempre de Fábio Ferreira, o time teve vontade e garra para vencer. É como digo em toda vitória do Botafogo: Se os jogadores tiverem "alma", vão chegar às posições mais altas da tabela.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Na ditadura, militares complicam artistas em documento




Na ânsia de prestar serviço a seus superiores, os militares e seus informantes que trabalharam do lado da repressão durante a ditadura militar (1964-1985) acuavam injustamente artistas, ainda que algumas vezes o fizessem como se os estivessem defendendo.

Um documento de 25 de novembro de 1971, Info 2755/71/S-103.2, do antigo Centro de Informações do Exército(CIE), a pretexto de acusar alguns jornais e revistas de "imprensa marrom", relaciona os "artistas que se uniram à Revolução de 64 no combate à subversão e outros que estão sempre dispostos a uma efetiva cooperação com o Governo".

Entre os nomes apresentados na lista a que o Jornal do Brasil teve acesso (veja abaixo) estão Aguinaldo Timóteo, Antônio Marcos, o conjunto a Brazuca, Clara Nunes, Wanderley Cardoso, Roberto Carlos, Rosemary e até o jogador Jairzinho, centro avante da Seleção Canarinha, tricampeã em 1970. São pessoas que não tinham o hábito de se posicionarem politicamente naquela época. Alguns eram até considerados "alienados" pelos intelectuais e artistas de esquerda, mas jamais haviam sido apontados como "colaboradores" da ditadura.

O "Informe" foi resgatado pelo ex-preso político, o jornalista Aluízio Ferreira Palmar, 69 anos, ex membro do MR-8, que foi para a fronteira tentar incitar uma guerrilha contra o regime militar. "Esse documento era do CIE, e foi difundido para outros órgãos de inteligência em todo o país pela Polícia Federal. Uma cópia foi parar na Coordenação Regional do Arquivo Nacional (Coreg). É um documento público, dentre os vários aos quais tive acesso", explica Palmar.

O documento

Estes documentos da época da repressão política por ele resgatados estão expostos em uma página na internet (www.documentosrevelados.com.br). Ali está, por exemplo, o Informe 2755, com o timbre do Ministério do Exército e o selo do Centro de Informações da corporação.

"Está havendo uma tentativa progressiva de alguns grupos da imprensa nacional de ressurgirem a denominada "imprensa marron" (...) No momento, procuram atingir a honra de vários artistas populares, através de noticiário maldoso e infamante, alguns incidindo na vida íntima e privada dos mesmos. Observa-se, no entanto, que o desgaste recai, seguidamente, sobre determinados artistas que se uniram à Revolução de 64 no combate à subversão e outros que estão sempre dispostos a uma efetiva colaboração com o governo."

Em seguida, são citados os nomes dos artistas: José Fernandes, Wilson Simonal, Alcino Diniz, Rose Mary, Roberto Carlos, o jogador Jairzinho(Botafogo), Erlon Chaves, Agnaldo Thimóteo, Clara Nunes, João Dias, Wanderley Cardoso, o conjunto Brasuca, Lilico, Antônio Carlos, Marcos Lázaro e outros.

Pelo informe do Centro de Informações do Exército, os principais veículos responsáveis pelas difamações eram a Revista Intervalo, da editora Abril; a revista Amiga, da Bloch editores S.A; "jornalecos semanais", de acordo com o documento, como o Pasquim e o Já; e a coluna social do jornal A Última Hora.

O caso Simonal

Curiosamente, este "informe" ataca a chamada "imprensa marrom" que, segundo os informantes dos militares, estaria acusando artistas de estarem envolvidos com o regime ditatorial. Cita nomes que jamais foram apontados como colaboradores da ditadura, mas no meio destes inclui personagens conhecidos historicamente por terem feito o papel de delatores.

É o caso do cantor Wilson Simonal que foi condenado pelo crime de "extorsão mediante arma de fogo", pelo juízo da 23ª Vara Criminal. Ele conseguiu que seus amigos, agentes da delegacia de Ordem Política e Social (o famigerado DOPS) espancassem seu ex-contador, Raphael Viviane, até que ele assinasse um documento abrindo mão de uma ação trabalhista que movia contra o cantor. Conforme levantou o jornalista Mário Magalhães, na Folha de S.Paulo, em junho de 2009, na época houve pressão dos militares a favor do cantor por ele ser colaborador das Forças Armadas e Informante do DOPS. Estas "atividades" paralelas do cantor constam do processo que o condenou.

Outro citado no Informe do CIE foi o maestro Erlon Chaves, também já falecido. Ele, segundo pessoas que o conheceram bem, era um defensor dos governos militares, mas jamais foi informante ou delator. Apesar disto, acabou preso por "atentado à moral" ao fazer um show em que as bailarinas apresentaram uma dança mais erotizada. Ele jamais perdoou seus amigos do governo por esta prisão.

Apesar das explicações do jornalista, em nota, a assessoria do Arquivo Nacional diz que os documentos em questão não constam nas bases de dados dos acervos do Sistema Nacional de Informações e Contrainformações - SisNI, tampouco há registros dos documentos reproduzidos por solicitação do Sr. Aluizio Palmar, quando de suas pesquisas na Coreg.

LIsta causa surpresa

Autor da biografia de Clara Nunes, Vagner Fernandes se surpreendeu com a inclusão da cantora no documento e busca uma explicação para esse fato.

"A Clara Nunes gravou um samba do Chico Buarque, Apesar de você. O governo percebeu que o conteúdo da música era "revolucionário" e obrigou-a a gravar o hino das Olimpíadas do Exército. Por causa disso, ela foi muito massacrada por alguns jornais, por exemplo. Ela não era muito envolvida com política", explicou o autor.

 O próprio Aluízio Palmar ficou surpreso quando teve acesso à informação.

"Clara Nunes nunca foi desse meio político. Me surpreendi, mas não dá para dizer que é uma montagem. É claramente um documento oficial."

Jairzinho, o único jogador de futebol citado no documento, rebateu a insinuação com poucas palavras:

"Eu sei o que é jogar bola, eu sei o que é fazer um país comemorar uma vitória na Copa do Mundo. O meu seguimento é só futebol, eu não me meto em política, nem naquela época eu o fazia."

A assessoria de Roberto Carlos não se pronunciou sobre o assunto.

Cientistas encontram evidências de vida na Terra com 3,5 bilhões de anos



A Terra se formou há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, mas ainda existiam algumas dúvidas a respeito de quando as primeiras formas de vida surgiram no planeta, embora alguns estudos apontassem para algo em torno de 3,5 bilhões de anos atrás.

Os primeiros vestígios de atividade biológica de que se têm notícia adotam a forma de rochas sedimentares conhecidas como estromatólitos, sendo produzidas por comunidades de microrganismos em regiões marítimas. E, de acordo com o site ars technica, pesquisadores norte-americanos encontraram na Austrália mais evidências que comprovam que essas formações rochosas realmente foram produzidas por organismos vivos.

A vida não veio do pó, mas das rochas

Os pesquisadores reavaliaram as formações encontradas em Strelley Pool, utilizando desta vez uma técnica que analisa a distribuição de isótopos em cada camada sedimentar da rocha, em vez de avaliar a rocha como um todo, como havia sido feito em estudos anteriores.

Segundo os pesquisadores, as análises revelaram inclusões de material orgânico entre as camadas da rocha, assim como também foram encontrados compostos de ferro e enxofre que acabaram reagindo e formando material sólido. Além disso, os cientistas acreditam que a fonte de enxofre para a reação provavelmente foi a própria atmosfera, algo consistente com a composição do ar durante o Arqueano, ou seja, entre 3,9 e 2,5 bilhões de anos atrás.

Gordo ativo é tão saudável quanto magro, dizem estudos



Dois estudos publicados hoje questionam o conceito já cristalizado de que gordura extra é sempre sinal de maior risco para a saúde.

O fenômeno é chamado pelos pesquisadores de paradoxo da obesidade: em certos casos, os quilos além da conta não indicam perigo e podem até ser protetores.

A primeira pesquisa analisou dados de 43 mil americanos divididos em grupos conforme o nível de obesidade e os resultados em testes de colesterol, pressão arterial e condicionamento físico.

Após um acompanhamento de cerca de 14 anos, os médicos, liderados por Francisco Ortega, da Universidade de Granada (Espanha), perceberam que os obesos considerados saudáveis após os exames tiveram um risco 38% menor do que os não saudáveis de morrer por qualquer causa. A redução de morte por problema cardíaco ou câncer foi de 30% a 50%.

O desempenho desses gordos "em forma" ao longo do tempo foi similar ao dos magros saudáveis, segundo o estudo, publicado hoje no "European Heart Journal".

Outro trabalho, na mesma edição da revista especializada, analisou, por três anos, a mortalidade de 64 mil suecos com problemas cardíacos (como angina e infarto) submetidos a um exame de imagem para determinar a saúde de suas artérias coronárias.

Os pacientes foram subdivididos de acordo com seu IMC (índice de massa corporal, calculado dividindo o peso em quilos pela altura ao quadrado, em metros).

O gráfico de mortalidade ficou em forma de "U": quem estava nos extremos (muito magros ou obesos mórbidos) tinha risco mais alto de morrer do que paciente intermediários, com sobrepeso ou obesidade moderada.

De acordo com o cardiologista Eduardo Gomes Lima, do Hospital 9 de Julho, esses achados propõem um questionamento ao uso do índice de massa corporal como método para avaliar obesidade.

"Dizer que um IMC a partir de 30 significa obesidade é suficiente? Nessa população vai ter obeso de verdade, mas também uma população com boa condição física, com muita massa magra. Não dá para colocar o IMC como grande definidor de prognóstico dos pacientes."

A pesquisa que acompanhou os americanos credita o melhor condicionamento físico dos obesos saudáveis como responsável pelo menor risco de morte observado nesse grupo em relação aos não saudáveis.

De acordo com o cardiologista Raul Santos, diretor da unidade de lípides do Incor (Instituto do Coração do HC de São Paulo), os exercícios reduzem o impacto dos efeitos prejudiciais da gordura.

"O exercício tem ação anticoagulante, ajuda a dilatação dos vasos e melhora a resistência à insulina, tendo um efeito contrário ao da obesidade. É melhor ser um obeso que se exercita do que um magro sedentário."

Para Santos, no caso do estudo com cardíacos, o efeito protetor conferido aos obesos moderados é mais difícil de explicar. Uma possibilidade é a de esse grupo ter pessoas com menos gordura abdominal, que produz substâncias inflamatórias e é um conhecido fator de risco cardíaco.

"Recomendamos a quem tem problema cardíaco perder peso, especialmente se a pessoa for barriguda."

Lima afirma que não se deve ficar com a impressão de que a obesidade não tem consequências. "A obesidade mórbida sempre está associada a um prognóstico pior."

Para ele, o importante é a necessidade de redefinir os limites da obesidade. "Talvez a gente esteja sendo muito rígido nessa avaliação."

Folha de São Paulo


Comentário:



Essas matérias são um desserviço. Primeiro porque o problema não é só o colesterol, mas as articulações. Disso, ninguém fala. Do que adianta o gordo saudável ter colesterol bom e as articulações estarem detonadas?
Fora os outros problemas, como dificuldade pra achar roupas, dificuldades para caber em lugares públicos etc.
Há o risco de ser uma bomba-relógio, que pode nunca ter tido problema e uma hora ele aparece. Uma pessoa mais magra não vai ter problemas de sobrepeso nas articulações. Típica reportagem incompleta, que devia ter conversado com um ortopedista ou um pneumologista, pra falar sobre articulações, ossos e pulmão.
Este tipo de matéria só serve pra muitas pessoas obesas jogarem tudo pro alto e pensarem "ah, então tá, então vou largar tudo pro alto".

Deputado pede investigação dos incêndios que atingem favelas na capital







Imprensa PT ALESP
Os frequentes incêndios que vêm atingindo favelas da cidade São Paulo nos últimos meses foi alvo de preocupação manifestada pelo deputado Simão Pedro em plenário, nesta terça-feira (4/9). Para o deputado, há denúncias de que uma parte destes incêndios possam ser criminosos e para que não permaneça qualquer dúvida é preciso uma investigação séria das suas causas . “Isso tudo que vem acontecendo precisa ser apurado em uma ação conjunta da prefeitura e do governo do Estado”, enfatizou o parlamentar petista.

Simão Pedro, que coordena a Frente Parlamentar de Habitação Popular e Reforma Urbana, destacou também a necessidade urgente de uma política consistente de habitação para a capital e para o Estado de São Paulo: “O que vemos em todos estes casos é a falta de ação do poder público para a solução das causas, sejam elas fatalidades ou atos crimonosos. Há ainda a inoperância das autoridades diante das consequências. As famílias perdem suas casas, seus pertences e ficam a ‘Deus dará’, sem receber ajuda”.

Mais de 900 famílias tiveram que deixar suas casas devidos incêndios, segundo balanço da Secretaria Municipal de Assistência Social. De janeiro a setembro deste ano, 30 ocupações foram parcialmente destruídas pelas chamas. O último incidente aconteceu na favela Sônia Ribeiro, na zona sul de São Paulo, na última segunda-feira (3/9).

Somente na última semana, outros quatro casos de incêndios em favelas foram registrados em São Paulo. O último aconteceu no Parque Santa Madalena, na região de Sapopemba, na zona leste de São Paulo. O fogo que começou em um lixão próximo à favela se alastrou e atingiu barracos.

No dia seguinte, 1° de setembro, as chamas deixaram desabrigadas famílias de uma comunidade na altura do número 293, na Brasilândia, zona norte de São Paulo.

Em 28 de agosto, ao menos 55 barracos de uma favela de São Miguel Paulista, na zona leste da capital, foram destruídos por um incêndio. Menos de uma semana antes, na quinta-feira (23/8), outra favela na região da Vila Prudente, também na zona leste, pegou fogo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, 150 moradias foram destruídas.

*com informações das agências

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Em 10 anos gestão tucana em SP deixou de investir R$7 bilhões em Saúde

Imprensa PT ALESP
Segundo dados de 2009 do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DENASUS), em 2006-2007 não foram aplicados R$ 2,1 bilhões na saúde paulista.

Levantamento da Bancada do PT na Assembleia Legislativa, produzido a partir dos dados oficiais do governo do Estado, apontam que entre 2001 e 2011, R$ 5,9 bilhões não foram aplicados na saúde, cujo valor corrigido pelo IGP-DI atinge a soma de R$ 7,1 bilhões - dinheiro suficiente para implantar 120 hospitais de 200 leitos em todo o Estado de São Paulo.

Além da contenção dos recursos para serem aplicados nos serviços da saúde, o governo do PSDB em São Paulo também não assume o papel de articulador das ações do SUS.

As queixas são fruto da ausência de ação articulada de integração e pactuação entre o Estado e municípios nas redes de atenção regionais. O descaso pode ser verificado com a destinação de apenas R$ 10, no Orçamento de 2012, para regionalização de serviços de saúde.

Falta de vagas nas UTIs

Recentemente médicos de São Paulo participaram de debate promovido pelo Conselho regional de Medicina do Estado de São Paulo. Como resolver a falta de vagas para as urgências nos hospitais? Qual a participação dos hospitais terciários na disponibilidade de leitos para urgências? Estes foram alguns dos questionamentos colocados em discussão em plenária especial realizada pela Câmara Técnica de Medicina de Urgência e Emergência do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em 15 de junho.

Sob a coordenação do conselheiro Renato Françoso Filho, o encontro reuniu palestrantes que convivem com o problema, entre eles, Luiz Roberto Faggioni, 3º Promotor de Justiça de Direitos Humanos (Área de Saúde Pública); Milton Steinman e Adalgisa Borges Nogueira Nomura, membros da Câmara Técnica de Medicina de Urgência e Emergência, além do conselheiro da Casa, Nacime Salomão Mansur, superintendente da Sociedade para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e de Paulo Kron, delegado superintendente adjunto da Regional Norte do Cremesp.

Em sua palestra o promotor Faggioni lembrou que a falta de leitos nas UTIs, tanto no âmbito municipal quanto estadual, é “uma tragédia”. Depois de dar uma visão geral do número de leitos em vários hospitais da cidade de São Paulo, apontou também a falta de médicos nas UTIs, associada principalmente à baixa remuneração, que não estimula o profissional a dedicar-se: “o médico ganha, hoje, para uma carga horária de 20 horas semanais, um salário de R$ 1.859,64, que pode chegar a R$ 1.936,00, com o adicional de produtividade. Um absurdo!” O promotor enfatizou que é preciso reajustar rapidamente o salário desses profissionais.

“O valor deve estimular o profissional a atuar nessa frente e não a procurar melhor remuneração em outras instituições de saúde”. Também lembrou que estão sendo realizados, atualmente, contratos de trabalho emergenciais, que prejudicam a atuação dos médicos que atendem nos PS.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Garotas de programa contratadas por gerentes da Ambev geram dano moral



A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) terá de indenizar um funcionário em danos morais por constrangê-lo a comparecer a reuniões matinais nas quais estavam presentes garotas de programa, e por submetê-lo a situações vexatórias com o objetivo de alavancar o cumprimento de metas.

Recurso da empresa foi analisado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) depois que o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) determinou o pagamento de indenização no valor de R$ 50 mil em razão do assédio moral decorrente de constrangimento.

A Quinta Turma do TST não conheceu do recurso, e não chegou, portanto, a julgá-lo. Assim, a decisão que condenou a Ambev em R$ 50 mil foi mantida. Segundo relatos de testemunhas, um dos gerentes de vendas tinha costume de se dirigir aos empregados de forma desrespeitosa, valendo-se de palavrões. O mesmo gerente era responsável pela presença de garotas de programa em reuniões, que apareciam nos encontros a seu convite.

Os fatos ocorreram mais de dez vezes entre os anos de 2003 e 2004. A empresa, inclusive, já havia sido coibida de adotar práticas incompatíveis com o ambiente de trabalho e chegou a firmar Termo de Ajuste de Conduta (TAC), junto ao Ministério Público do Trabalho. No TAC, comprometeu-se "a orientar e enfatizar seus funcionários para evitar condutas que possam de alguma forma promover desrespeito mútuo".

O autor, casado e evangélico, descreve na reclamação trabalhista que chegou a ser amarrado e obrigado a assistir filmes pornôs, e houve situação na qual uma "stripper" foi levada à sua sala para se despir. Também relata que os vendedores eram obrigados a participar de festas em chácaras, com a presença de garotas de programa utilizadas como forma de incentivo para o aumento de vendas. Afirmou que havia os funcionários que batiam as cotas de venda recebiam "vales garota de programa".

No recurso ao TST, a Ambev alegou que o valor da indenização seria desproporcional e o dano sofrido pelo empregado seria "mínimo". As alegações, todavia, não foram analisadas porque, segundo fundamentou o relator do processo, ministro Brito Pereira, as decisões apresentadas para os confrontos de teses seriam inespecíficas, e por isso o recurso não poderia ser conhecido, nos termos do enunciado 296 da Súmula do TST.

(Demétrius Crispim/RA)




TSE

Pobres são os mais atingidos pela poluição urbana, diz médico da USP






Segundo Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP, são motivos políticos e interesses econômicos que impedem as metrópoles brasileiras de reduzirem a emissão de poluentes. “O fato de tratarmos o solo das cidades como mercadoria faz a população mais pobre migrar para áreas mais acessíveis na periferia, aumentando o tempo de permanência no tráfego”, diz.

Isabel Harari e André Cristi
São Paulo - Por ano, cerca de 1,3 milhão de mortes no mundo são causadas pela poluição urbana, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Só em São Paulo morrem 4 mil por ano. Em 2004, quando o número de carros era um terço menor, estima-se que o número de mortes tenha sido 2,9 mil. Idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças respiratórias e cardíacas crônicas e, principalmente, os mais pobres – que têm níveis maiores de exposição – são os principais atingidos.

Segundo Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), “não há impedimentos técnicos ou falta de conhecimento para que esse problema seja resolvido. No meu entendimento, temos todas as condições de resolver o problema da poluição do ar em nossas cidades em alguns anos”.

De acordo com a OMS, os elevados níveis de poluição na cidade de São Paulo são responsáveis pela redução da expectativa de vida em cerca de um ano e meio. Os três motivos que encabeçam a lista são: câncer de pulmão e vias aéreas superiores; infarto agudo do miocárdio e arritmias; e bronquite crônica e asma. Estima-se que a cada 10 microgramas de poluição retiradas do ar há um aumento de oito meses na expectativa de vida.

Em entrevista à Carta Maior, o patologista apontou para as duas causas fundamentais do problema: o caráter segregador da ocupação do solo nas metrópoles e a falta de políticas públicas que privilegiem o transporte público. Segundo Saldiva, quem mais polui são os carros, e, nas grandes cidades do Brasil, a opção pelo transporte veicular sequer traz o benefício de uma mobilidade eficiente. “A existência de um transporte coletivo rápido, eficiente e barato daria a motivação para que a população migrasse para o transporte público”, afirma.

Carta Maior - Segundo dados da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, ligada ao governo do estado de São Paulo) e do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, os índices de poluição em São Paulo são os piores dos últimos oito anos e as doenças cardiorrespiratórias matam 20 pessoas por dia na região metropolitana. Há relação entre esses dois fatores?
Paulo Saldiva - O aumento dos casos de doenças cardíacas e respiratórias em nossas cidades tem várias causas: envelhecimento da população, sedentarismo, obesidade e também a poluição atmosférica. Nas cidades onde há grandes séries históricas de medições de poluição, como São Paulo e Rio de Janeiro, houve uma melhora contínua até cerca de 2005 e 2006. A partir desse momento, a tendência de melhora se interrompe, com evidências de piora, notadamente para partículas finas e ozônio. O mais grave é que o patamar onde estamos é reconhecidamente causador de dano à saúde.

CM - Por que a poluição piorou a partir de 2006? Foi por causa do aumento da frota de veículos?
PS - A poluição deixou de melhorar a partir de 2006, estacionando em níveis inadequados para a saúde humana. Os poluentes que ficaram acima do padrão são o ozônio e o material particulado. A razão para isso é o aumento da frota e a lentificação do trânsito, que faz que os veículos emitam mais poluentes ao estarem presos em congestionamentos. A redução da velocidade do tráfego faz que permaneçamos cada vez mais tempo em meio a corredores de tráfego, onde os níveis de poluição são substancialmente mais elevados do que a média da cidade. Em outras palavras, quanto mais tempo ficamos presos em congestionamentos intermináveis, maior será a nossa dose de poluição. O tamanho do problema pode ser resumido da seguinte forma. Aproximadamente 12% das internações respiratórias em São Paulo são atribuíveis à poluição do ar. Um em cada dez infartos do miocárdio são o produto da associação entre tráfego e poluição. Os níveis atuais de poluição do ar respondem por 4 mil mortes prematuras ao ano na cidade de São Paulo. Trata-se, portanto, de um tema de saúde pública.

CM - Quem são os principais atingidos pelo aumento da poluição?
PS - Idosos, crianças, gestantes, portadores de doenças respiratórias e cardíacas crônicas e, principalmente, os mais pobres, que têm níveis maiores de exposição.

CM - Por que os mais pobres têm níveis maiores de exposição?
PS - O fato de tratarmos o solo das cidades como mercadoria faz que as áreas centrais da cidade percam população, notadamente a mais pobre, que migra para áreas mais acessíveis na periferia, aumentando, consequentemente, o tempo de permanência no tráfego. As casas das comunidades mais carentes são também as mais permeáveis à entrada de poluentes. Finalmente, é nos pontos de ônibus, pontos de alta concentração de poluentes, que a população mais desfavorecida passa longos períodos à espera do transporte.

CM - Quais são as alternativas de políticas públicas que você sugere para diminuir a poluição?
PS - No meu entendimento, temos todas as condições de resolver o problema da poluição do ar em nossas cidades em alguns anos. Nas grandes cidades do Brasil, a poluição veicular é responsável pela grande maioria das emissões de poluentes. Mudamos o microclima urbano e poluímos o ar sem termos nem ao menos o benefício de uma mobilidade mais eficiente. A existência de um transporte coletivo rápido, eficiente e barato daria a motivação para que a população migrasse para o transporte público. Sabemos fazer metrô, construímos trens e nossos engenheiros produzem os grandes corredores de ônibus em Santiago, Bogotá e Pequim. Temos a disponibilidade de vários combustíveis mais limpos do que os que utilizamos. Não há, portanto, impedimentos técnicos nem falta de conhecimento para que resolvamos o problema. Faltam políticas públicas de médio prazo para privilegiar o transporte coletivo.

CM - Além das medidas de mobilidade, existem outras que poderiam ser tomadas em outras áreas?
PS - Aumento da cobertura vegetal – que funciona como fator de redução de poluição –, medidas de readensamento urbano nas regiões centrais das cidades e políticas de incentivo aos combustíveis menos poluentes.

CM - Se não há impedimento técnico ou de conhecimento, o impedimento é político? O que causa esse impedimento político?
PS - Dificilmente haverá um político no Brasil, nas presentes circunstâncias, que ouse implementar políticas de favorecimento do uso das vias pelo transporte coletivo ou ciclovias em detrimento dos automóveis. Também creio ser muito pouco provável que encontremos condições para combater a política atual de uso e ocupação do solo urbano, dado o estado de descrédito em que as principais forças políticas de nosso país se encontram. Por exemplo, a maior parte da população irá preferir pagar um pedágio urbano “indireto” – pagar estacionamentos particulares nos locais de trabalho ou perder horas de sono por causa dos congestionamentos – a pagar uma taxa para a melhoria do transporte coletivo. É uma situação que mistura uma crise de gestão política, interesses econômicos e falta de lideranças confiáveis.

CM - Como o modo de vida nas grandes cidades pode afetar a saúde, além da poluição?
PS - O fator mais significativo é o estresse social. O conjunto de falta de mobilidade, ruído excessivo, sedentarismo veicular e violência faz que a incidência de doenças mentais e afetivas seja muito mais frequente nas cidades. Outro exemplo é a obesidade, produto do modo de vida que resulta da maneira como organizamos a cidade. Por exemplo, uma criança hoje não tem acesso ao espaço público por razões de violência. Nesse cenário, o jogo de futebol é no console eletrônico do Fifa 2012 e não na rua.



Fonte: Revista Carta Capital

INCA alerta para malefícios do narguilé



– No Dia Nacional de Combate ao Fumo, embora o Brasil tenha motivos para celebrar a redução da prevalência de fumantes nos últimos anos, o uso do narguilé vem chamando a atenção dos profissionais da saúde: já são quase 300 mil consumidores do cachimbo oriental, de acordo com a Pesquisa Especial sobre Tabagismo (PETab), realizada em 2008 pelo IBGE em parceria com o INCA.



Já entre estudantes universitários da área de saúde, em pesquisa feita nos municípios de São Paulo, Brasília e Florianópolis, do total das pessoas que declararam consumir com frequência outros produtos de tabaco, além do cigarro industrializado, mais de 55%, declararam fazer uso do narguilé. Em São Paulo, esse percentual chegou a aproximadamente 80%, de acordo com a pesquisa Perfil de Tabagismo em Estudantes Universitários do Brasil (PETuni) coordenada pelo INCA. Em São Paulo e Brasília, a apuração foi feita no ano passado; e em Florianópolis, em 2007.



“O fato de esses universitários pertencerem à área da saúde preocupa ainda mais, justamente por eles estudarem os malefícios do tabaco para o organismo. O narguilé engana, dando a sensação de que as impurezas do tabaco são filtradas pela água, o que é um equívoco”, diz o diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini.



De acordo com o pneumologista da Divisão de Controle do Tabagismo do INCA, Ricardo Henrique Meirelles, uma sessão de narguilé expõe o fumante à inalação de fumaça por um período muito maior do que quando ele fuma um cigarro. O volume de tragadas do narguilé pode chegar a 1.000 ml em uma sessão de uma hora. Já o volume de tragadas do cigarro alcança 30 a 50 ml entre cinco a sete minutos. “Uma simples sessão de narguilé consiste em uma centena de ciclos de tragada. Podemos afirmar que em uma sessão, o fumante inala uma quantidade de fumaça equivalente ao consumo de 100 cigarros ou mais”, alerta o especialista.



O narguilé é um grande cachimbo composto de um fornilho (onde o fumo é queimado), um recipiente com água perfumada (que o fumo atravessa antes de chegar à boca) e um tubo, por onde a fumaça é aspirada pelas várias pessoas que compartilham uma sessão.



“Quando se aspira pelo tubo, o ar aquecido pelo carvão passa pelo tabaco, produzindo a fumaça que desce, passa pela água, onde é resfriada, e segue pelo tubo até ser aspirada pelo fumante e expirada em seguida”, explica o médico.



Como qualquer outro produto derivado do tabaco, o narguilé contém nicotina e as mesmas 4.700 substâncias tóxicas do cigarro convencional. Porém, análises comprovam que sua fumaça contém quantidades superiores de nicotina, monóxido de carbono, metais pesados e substâncias cancerígenas do que na fumaça do cigarro.

Além do tabaco é colocado carvão em brasa. A queima do carvão produz substâncias cancerígenas, entre elas, o monóxido de carbono, potencializando os riscos para seus consumidores.



“Por desconhecimento dos usuários, a presença da água faz com que se aspire ainda mais a fumaça, dando a impressão de que o organismo fica mais tolerante, o que é errado. Desse modo, a pessoa vai inalando uma quantidade muito maior de toxinas, sem sentir tanto incômodo”, afirma Meirelles.



O narguilé contém aditivos aromáticos, em geral, muito agradáveis, que acabam levando jovens a participar de sessões de fumo desse produto, levando-os a se tornarem dependentes de nicotina, e futuros consumidores de cigarros.



“Os malefícios à saúde causados a quem frequenta ambientes em que o narguilé é consumido, são bem parecidos com os que atingem aos fumantes passivos, que têm mais chances de desenvolver doenças tabaco-relacionadas. A concentração dessas substâncias no organismo tem efeito cumulativo, ou seja, quanto maior o tempo de exposição, maiores serão os danos”, completa.



O uso do narguilé entre escolares de 13 a 15 anos



De acordo com as informações da pesquisa Vigilância de Tabagismo em Escolares (Vigescola), do Ministério da Saúde, a prevalência do consumo do narguilé, em São Paulo (SP), se destaca: 93,3% dos entrevistados que consomem outros produtos do tabaco fumado, além do cigarro industrializado, declararam usar o narguilé com maior frequência. Em Campo Grande (MS), 87,3% dos estudantes entrevistados disseram preferir o cachimbo oriental. Já em Vitória, o percentual ficou em 66,6%.



A coordenadora da Divisão de Epidemiologia do INCA, Liz Almeida, chama a atenção para o fato de o narguilé ser um cachimbo que pode ser usado por várias pessoas simultaneamente, o que reforça o aspecto da socialização, muito importante para os jovens. “O cachimbo, por ser um veículo apenas, não contém nenhuma advertência sobre os riscos à saúde, como é o caso dos produtos industrializados. O que torna esse tipo de prática muito atrativa para os jovens, porque pode ser usado simultaneamente por até seis pessoas, reforçando a socialização”.



Um dos responsáveis pelo recorte da pesquisa, o epidemiologista André Szklo explica que entre 1989 a 2008 foi constatado um decréscimo considerável da prevalência de fumantes de cigarros no país, mas ressalta que, como observado na pesquisa, é possível que esteja havendo uma migração para outros produtos do tabaco fumado, particularmente entre os adolescentes estudantes. “Os resultados da pesquisa mostram o dinamismo das estratégias da indústria do tabaco para buscar novas alternativas para as ações de controle do tabaco vigentes nos países, buscando novos consumidores”, declara Sklo.